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Vai uma pipoca? Cinemark aceitará pagamento por QR Code do Mercado Livre

por tag3 / sábado, 09 novembro 2019 / Publicado em Negócios

Mercado Pago no Cinemark: opção chegará a todas as salas da rede no Brasil até o fim de novembro (Mercado Pago/Divulgação)

A partir de agora, vai ser possível comprar de petiscos a ingresso no cinema sem ter cartão ou dinheiro físico. A rede de cinemas Cinemark passou a aceitar pagamento por meio do código QR do Mercado Pago, braço financeiro da plataforma de comércio eletrônico Mercado Livre.

O serviço começa a valer já neste fim de semana nas salas do Cinemark, conforme anunciado em primeira mão a EXAME. Por ora, a parceria funciona somente na capital paulista, mas a opção chegará a todas as 86 unidades do Cinemark no Brasil até o fim de novembro.

O QR Code, ou quick response code (código de resposta rápida, em português), é como um leitor de código de barras. O código pode ser lido por qualquer celular com câmera e conexão à internet, mas, para efetuar pagamentos, é preciso ter cadastro em uma carteira digital.

No caso do Cinemark, para pagar com QR Code, será preciso ter conta na carteira digital Mercado Pago. Como o nome diz, a carteira digital é uma espécie de extensão da carteira física e acumula um saldo recarregável pelo usuário: a conta pode ser vinculada a um cartão de crédito (e, portanto, o pagamento no cinema será adicionado normalmente à fatura do cartão), ou o usuário pode escolher fazer uma transferência para sua conta no Mercado Pago e usar esse saldo para o ingresso no cinema.

Os pagamentos no Cinemark poderão ser feitos tanto nas opções de autoatendimento (que outrora só funcionavam com cartão) quanto nas bilheterias e compra de alimentos.

Assim como acontece em outros estabelecimentos que possuem QR Code do Mercado Pago, os clientes podem ter a possibilidade, a depender das condições, de ganhar descontos de até 10 reais na compra ao pagar com a carteira digital.

Uma vez apontada a câmera do Mercado Pago para o código, a transação é realizada em poucos segundos e sem taxas para o usuário — motivo pelo qual o QR Code foi batizado pelos órgãos reguladores como “pagamento instantâneo”.

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Autoatendimento no Cinemark: será possível pagar por QR Code tanto no totem quanto na bilheteria, sem a necessidade de cartão ou dinheiro

Autoatendimento no Cinemark: será possível pagar por QR Code tanto no totem quanto na bilheteria, sem a necessidade de cartão ou dinheiro (Mercado Livre/Divulgação)

QR Code em todo lugar

A parceria entre Cinemark e Mercado Pago representa o primeiro movimento de uma carteira digital oferecendo pagamento via QR Code no setor de cinemas.

O grosso da integração com código QR, por ora, está no ramo de alimentação, com uma das principais concorrentes no segmento de pagamentos por QR Code sendo a Movile Pay, carteira digital integrada ao iFood, de delivery de refeições. Além dos mais de 10.000 restaurantes que aceitam pagamento por QR Code, o iFood expandiu a opção para bancas de jornal nos últimos meses, e planeja chegar a 10.000 bancas.

A parceria com o Cinemark vem em um momento em que o Mercado Livre tenta fazer engrenar sua carteira digital no Brasil. Como a empresa argentina está presente majoritariamente no varejo digital, a aposta no QR Code é uma via para aumentar também os pagamentos nas lojas físicas e ir além das transações no marketplace do Mercado Livre.

O QR Code do Mercado Pago é aceito hoje em 1,5 milhão de estabelecimentos no Brasil, segundo o Mercado Livre. A empresa reforça que a parceria com o Cinemark não é sua primeira fora do setor de alimentação, com o QR Code da marca já sendo oferecido também nas redes de farmácias Droga Raia e Drogasil (que desde 2011 são do mesmo grupo), na ótica GrandVision by Fotótica e no frigorífico Swift. Outro entre os principais parceiros da carteira digital do Mercado Livre é a rede de fast food McDonald’s.

Na semana passada, a empresa anunciou também uma parceria para que seus clientes possam pagar com QR Code do Mercado Pago nas maquininhas da Cielo.

“Estamos expandindo a operação com código QR e a integração com grandes varejistas de todos os setores para melhorar a experiência de compra e venda no ambiente físico”, disse em resposta por e-mail a EXAME o vice-presidente do Mercado Pago, Tulio Oliveira.

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    NEGÓCIOSPara além dos restaurantes, iFood coloca QR Code em bancas de jornalquery_builder 13 set 2019 – 06h09

Levar o QR Code para além do setor de alimentação será um passo importante para que as fintechs naturalizem esse meio de pagamento entre os clientes e aumentem as transações em suas carteiras digitais.

A carteira digital do Mercado Pago tem mais de 6 milhões de usuários ativos nos países em que opera, como Brasil, Argentina e México. No terceiro trimestre deste ano, entre julho e setembro, foram quase 1 bilhão de dólares em transações na carteira, segundo resultado financeiro divulgado na semana passada. A empresa não revela quanto desse montante veio dos pagamentos com QR Code ou quantos usam a tecnologia no Brasil.

A estratégia com os pagamentos QR já está mais consolidada na Argentina, terra natal do Mercado Livre. Por lá, metade do montante transacionado na carteira digital veio dos pagamentos com o código — a carteira digital pode ser usada também para carregar bilhete único, pagar boletos ou para comprar ou vender mercadorias no Mercado Livre.

Na Argentina, a empresa fechou setembro com 1 milhão de pontos que aceitam pagamento por QR Code e 2 milhões de pagadores que usam esse formato.

Pagamento por QR Code oferecido pelo Alipay, da Ant Financial, em Hong Kong
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Pagamento por QR Code do Alipay: fintech chinesa registra 230 milhões de usuários ativos diariamente. Nas regiões da China, formato é usado massivamente

Pagamento por QR Code do Alipay: fintech chinesa registra 230 milhões de usuários ativos diariamente. Nas regiões da China, formato é usado massivamente (Edmond So/South China Morning Post/Getty Images)

Códigos que não se conversam

Mercado Livre e iFood são as principais empresas com pequenas placas físicas de QR Code para pagamento, mas carteiras digitais e fintechs também vêm fazendo parcerias para expandir as possibilidades da ferramenta.

Além da Cielo, que tem parceria com o Mercado Livre e nomes como PicPay e banQi (da Via Varejo) para o QR Code de suas maquininhas, adquirentes concorrentes como GetNet (do Santander), Stone e PagSeguro também vêm oferecendo essa opção.

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    NEGÓCIOSAmigas e rivais: Cielo e Mercado Pago se unem para oferecer QR Codequery_builder 6 nov 2019 – 13h11

Para incentivar o uso do código QR — e, por consequência, aumentar o valor transacionado em suas carteiras digitais –, as fintechs vêm oferecendo descontos, cupons e programas de pontos.

O Mercado Pago estreou seus totens de QR Code no Brasil neste ano com descontos que vão de 5 a 15 reais para quem pagar com sua carteira digital em alguns dos estabelecimentos parceiros. Pelo lado dos lojistas, o dinheiro das vendas é disponibilizado em menos de um dia e não haverá cobrança de taxa pelas transações realizadas até o fim deste ano, como forma de incentivar a adesão à tecnologia.

Um estudo deste ano da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), que ouviu 500 pessoas de diferentes idades, rendas e regiões do país, apontou que o uso do QR Code para pagamento em lojas físicas foi de zero para 17% entre 2017 e 2018. Ainda assim, os campeões seguem sendo dinheiro (68% dos usuários usam o papel para pagamentos em lojas físicas), cartão de crédito parcelado (62%), crédito à vista (59%) e débito (54%). Os pagamentos por aplicativo (como Samsung Pay e Apple Pay) em lojas físicas também cresceram, de 4% para 24%.

Ainda falta muito para que o QR Code seja uma realidade nacional. Um desafio para a expansão dos pagamentos nessa formato é a baixa padronização. Embora o código seja universal, tal como o código de barras, as carteiras de diferentes empresas ainda não se conversam. Se um restaurante possuir um totem do Mercado Pago, ainda não é possível pagar com a carteira de um concorrente, e vice-versa.

O Banco Central está liderando um grupo que discute, entre outras mudanças financeiras, a integração entre essas formas de pagamento, mas mudanças práticas na padronização só devem começar a partir do ano que vem.

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