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Discos para descobrir em casa – ‘…Desta vida, desta arte…’, Marina Lima, 1982

por Administrador / segunda-feira, 06 abril 2020 / Publicado em Cultura

Capa do álbum '…Desta vida, desta arte…', de Marina Lima Fotossíntese ♪ DISCOS PARA DESCOBRIR EM CASA – …Desta vida, desta arte…, Marina Lima, 1982 ♪ Em 1981, ao lançar o álbum Certos acordes, Marina Lima começou a se impor como compositora com o sucesso da canção Charme do mundo (Marina Lima e Antonio Cicero, 1981). Três anos depois, a cantora e compositora consolidou a obra autoral com o estouro do álbum Fullgás (1984), disco em que adotou sonoridade eletrônica na formatação das músicas. Contudo, entre Certos acordes e Fullgás, houve um álbum, …Desta vida, desta arte…, que surtiu menor efeito no mercado. Lançado em 1982 pela gravadora Ariola, esse quarto álbum de Marina apresentou a artista de cabelo curto e com a obra autoral ainda em progresso, mas já com um punhado de boas canções, todas assinadas com o irmão poeta Antonio Cícero, com exceção do rock que abriu o disco, Acho que dá, composto com Tavinho Paes em Búzios (RJ). Não é à toa que, na foto da capa, Marina apareceu escrevendo o próprio nome, sinalizando a intenção de reforçar a própria assinatura no universo pop brasileiro. Na avaliação de Marina, …Desta vida, desta arte… é disco que resultou aquém do potencial por conta da mixagem – equivocada, no entender da artista – feita pelo produtor Marco Mazzola à revelia de Marina e do guitarrista Pisca, nome fundamental na formatação do álbum. Satisfeita com o bom acabamento do álbum anterior Certos acordes, feito com Pisca, Marina repetiu a parceria com o guitarrista no disco de 1982. Último dos três álbuns lançados pela cantora via Ariola, …Desta vida, desta arte… foi gravado sob direção musical de Pisca, criador – em parceria com a própria Marina – dos arranjos das 10 faixas. O repertório começou a delinear a personalidade de Marina, artista de alma carioca, como enfatizaram os versos escritos por Antonio Cicero para Este ano. “Eu sou do Rio / E o Rio explode / … / Nada me freia / O tempo corre / Na minha veia e diz: pode”, celebrou Marina em Este ano. Na velocidade do rock, Meu tempo (Estou aprendendo) expôs a veia poética contemporânea de Cicero como letrista, fundamental para a consolidação da obra autoral de Marina. Bonita composição feita para Maria Bethânia, que havia lançado O lado quente do ser (Marina Lima e Antonio Cícero) no álbum Talismã (1980), Mapa-múndi (Marina Lima e Antonio Cicero) acabou sendo apresentada pela própria autora em gravação adornada pelo toque do violão de Rosinha de Valença (1941 – 2004), nem sempre devidamente evidenciado na mixagem que fez sobressair os pianos tocados por Eduardo Souto Neto e Pisca, parceiro de Marina e Cicero na canção É a vida que diz. Momento mais interiorizado do álbum, embebido em melancolia destilada pela saudade, a canção Essas coisas que eu mal sei… (Marina Lima e Antonio Cicero) juntou a artista com Zizi Possi em encontro inédito. Zizi – cabe lembrar – tinha sido lançada como cantora em 1978, mesmo ano da estreia de Marina no mundo do disco. As intérpretes se harmonizaram. Aliás, mesmo que já começasse a escrever o próprio nome como compositora em 1982 com canções modernas como Depois me diz (outra da fértil lavra com Cicero), Marina mostrou em duas faixas do álbum …Desta vida, desta arte… a habilidade para se apropriar de canções alheias como intérprete sagaz. Ao dar voz a Emoções (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1982), clássico instantâneo lançado no ano anterior na voz do autor Roberto Carlos, Marina interiorizou o fox em arranjo urdido somente com o violão da própria Marina e o toque da gaita de Rildo Hora. A mesma fluência foi percebida na abordagem de Noite e dia, parceria de Lobão com Júlio Barroso (1953 – 1984) lançada por Marina em gravação que jamais foi superada pelos registros posteriores da Gang 90 (a banda new wave criada por Julio) e de Lobão. Detalhe: Marina foi uma das musas inspiradoras da canção, dividindo o pódio com a absurdette Alice Pink Pank. Embora ainda estivesse achando o próprio caminho, em busca que a conduziria ao estouro de Fullgás (1984), Marina já mostrou charme e personalidade de sobra neste …Desta vida, desta arte…, álbum menos conhecido, mas importante para apontar para a artista a trilha que deveria ser seguida a partir de então, sem a interferência de Mazzola, como a cantora ressaltou em 2005, em depoimento para a edição em CD de …Desta vida, desta arte…, disco a ser descoberto.

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