TVK Web Cultural

  • CULTURA
  • TURISMO
  • NEGÓCIOS
  • POLÍTICA
  • GALERIA
  • CONTATO

Após pandemia, algodão deverá perder espaço para soja e milho na próxima safra

por Administrador / quinta-feira, 04 junho 2020 / Publicado em Negócios

Redução de área seria um revés para o setor do Brasil, que vem apresentando seguidas safras recordes. Lavoura de Algodão em Vilhena (RO) Eliete Marques/G1 Uma das culturas mais prejudicadas pelos efeitos do novo coronavírus, o algodão registra quedas significativas no consumo, desaceleração nas vendas e recuo nos preços, que devem desencadear uma retração de 10% a 20% na área plantada na próxima safra, de 2020/21, segundo representantes do setor. A tendência é que parte das lavouras cultivadas com algodão em Mato Grosso, maior produtor do país, dê lugar ao milho safrinha, enquanto cotonicultores da Bahia, segundo estado no ranking, migrarão para a soja. A redução de área seria um revés para o setor do Brasil, que vem apresentando seguidas safras recordes, o que permitiu ao país superar a Índia como segundo exportador global, atrás dos Estados Unidos. "Nossa grande preocupação é o preço da safra nova… uma redução de área haverá sim, e algo entre 10% e 20% já está sacramentado, o que é uma pena porque a atividade do algodão tem maior valor agregado, emprega mais pessoas", disse o diretor executivo da Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Décio Tocantins. Segundo ele, atualmente, o milho tem trazido boa rentabilidade para o produtor rural e o algodão "trabalha no limite" – no Estado, o cereal pode tomar área da pluma na segunda safra. Os preços da pluma estão próximos de 60 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York, após terem se recuperado de mínimas abaixo de 50 centavos registradas no início de abril, mas ainda acumulam queda de mais de 10% no acumulado do ano. Para o dirigente, que lidera a associação do estado que responde por cerca de 70% da produção brasileira, os preços atualmente estão próximos do "breakeven", "mas há situações em que ficam abaixo dos custos de produção". Na Bahia, onde a colheita da safra 2019/20 começa neste mês, o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Júlio Cézar Busato, disse que o custo é de 60 centavos de dólar e os produtores têm conseguido comercializar o produto somente a 57 centavos. "Estamos no vermelho. Ano passado nós estávamos vendendo a 78 centavo de dólar por libra-peso. Vínhamos de anos consecutivos em que o consumo estava se superando", afirmou Busato. "O preço caiu porque o consumo esfriou." De acordo com o Indicador do Algodão em pluma Cepea/Esalq (base São Paulo), o produto saiu de 73 centavos de dólar por libra-peso em 3 de junho de 2019 para 52 centavos no fechamento de terça-feira, uma queda de 28,7%. Na temporada passada, além dos preços estarem em patamares melhores para o algodão, a guerra comercial entre Estados Unidos e China contribuiu para que os chineses, principais consumidores deste mercado, deixassem de adquirir a pluma norte-americana e intensificassem as importações do Brasil. Em 2019, o Brasil exportou 1,61 milhão de toneladas da pluma, volume 65% superior ao do ano anterior e um recorde, conforme dados do governo federal. O faturamento subiu 56%, para 2,64 bilhões. Busato conta que, após o surto da Covid-19 no mundo, compradores solicitaram atraso nas entregas e a comercialização arrefeceu. "Felizmente o algodão é um produto que podemos guardar… (mas) esse atraso vai gerar um problema meio sério para o fluxo de caixa nesse momento". Na Bahia, ele estimou que 70% do algodão 2019/20 está comercializado e os 30% restantes, embora sejam a minoria, representam um volume significativo para o caixa dos produtores. Para a safra 2020/21, as vendas antecipadas da pluma baiana não chegaram a 20%. Nesta época do ano passado, a média de comercialização estava entre 40% e 45%. Em Mato Grosso, o executivo da Ampa afirmou que o cenário é similar. O Estado vendeu 70% a 75% da safra atual e a comercialização antecipada de 2020/21 está em 30%, também com atraso em relação à temporada anterior. Neste cenário, o analista da consultoria Safras & Mercado Elcio Bento disse que a única saída para a cultura, que evitaria a queda de 10% a 20% na área plantada da próxima safra, seria a retomada do consumo após a pandemia e um aquecimento nas exportações. No entanto, há incerteza sobre qual será o comportamento do mercado depois do surto da doença. Em maio, por exemplo, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam queda de 16% nos embarques de algodão em relação ao mesmo período do ano passado, para 69,5 mil toneladas. O preço baixou 12%. "Com este recuo na demanda, entramos no ano comercial de 2020/21, iniciado em junho, com 703 mil toneladas em estoque. A média dos últimos 10 anos para o período era de estoques em torno de 300 mil toneladas", disse Bento, o que dificulta a recuperação das cotações. Colheita A produção da pluma no Brasil está estimada em 2,88 milhões de toneladas na safra 2019/20 pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), alta de 3,6% ante a temporada passada. A área cresceu 3,3%, para 1,67 milhão de hectares, e a produtividade média deve ficar quase estável, com leve aumento de 0,3%. Na Bahia, a safra ocupa uma área total de 313.566 hectares e a perspectiva é de atingir a produtividade média de 300 arrobas por hectare, segundo Busato. "Tivemos um recuo na área, mas o clima e a tecnologia nos ajudaram a manter o nível de produtividade", disse. A produção da pluma está estimada em 563 mil toneladas, queda de 5,7%, segundo a Conab. "O recuo na área baiana já é de produtores que migraram para a soja, porque a demanda da China para esse produto realmente tem se mostrado impressionante." Em Mato Grosso, o executivo da Ampa acredita que o Estado terá uma boa produtividade aliada à boa qualidade da pluma. Os primeiros trabalho de colheita começam em junho, mas o "grosso" acontece entre julho e agosto. A produção deve alcançar 2 milhões de toneladas, alta de 7,4% na variação anual.

  • Facebook
  • Twitter
  • LinkedIn
  • Tumblr

Assuntos Relacionados

Após novo atraso de julgamento sobre frete, caminhoneiros têm avaliação positiva
TCU vai fiscalizar mecanismos de combate ao assédio sexual em órgãos federais
Volta da chuva traz alento ao Pantanal de MS

Destaques

  • Câmara de Campo Grande aprova projetos sobre cultura, meio ambiente e inclusão de estudantes com TEA

    Na sessão ordinária desta terça-feira, 13 de ma...
  • Semana Nacional de Museus 2025: Programação especial em Campo Grande homenageia Lídia Baís

    A 23ª Semana Nacional de Museus acontece entre ...
  • Porto Geral de Corumbá recebe Festival América do Sul 2025 com atrações nacionais e celebração da cultura regional

    Entre os dias 15 e 18 de maio, o histórico Port...
  • Campão Cultural 2024 traz programação intensa e gratuita até 6 de abril

    O Campão Cultural está de volta, levando uma pr...
  • Casa de Cultura de Campo Grande oferece cursos gratuitos em música e dança

    A Casa de Cultura de Campo Grande está com insc...
TOPO