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‘Queer Eye’: Bobby Berk fala sobre 5ª temporada, desejo de trazer programa ao Brasil e fãs do país

por Administrador / terça-feira, 07 julho 2020 / Publicado em Cultura

Em entrevista ao G1, especialista em decoração dos 'Fab Five' dá dicas para quem está em casa durante quarentena e conta que vai começar a produzir conteúdo para brasileiros. Nas últimas semanas, quem acompanha as redes sociais de um dos apresentadores do reality show "Queer Eye", Bobby Berk, percebeu algumas publicações em português. Apesar de alguns erros de tradução, o designer de interiores americano quer mostrar a seu meio milhão de fãs brasileiros que sabe que eles existem. "Olhamos muito as estatísticas das minhas redes sociais e do meu site e nosso segundo idioma mais falado, entre todos os meus fãs, é o português", diz Berk em entrevista ao G1, direto de sua casa em Los Angeles. "Achei que era importante deixá-los saber que eu vejo vocês e que eu amo vocês, e garantir que vocês saibam que eu sei que estão aí." Initial plugin text Por causa dos pequenos erros, ele pretende contratar um tradutor para passar para o português brasileiro todo o seu site, no qual publica textos de decoração e outras áreas que vão além de sua especialidade, como culinária e moda. A iniciativa não vem apenas por perceber que o país pode ser um mercado em potencial, mas de um desejo de levar seu conteúdo, que também fala sobre questões sociais como o movimento Black Lives Matter, ao maior número de pessoas possível. Antes do sucesso na carreira, e muito antes de ficar famoso por seu trabalho no reality show, Berk não imaginava que um dia teria a vida que tem agora. Antoni Porowski, Bobby Berk, Tan France, Karamo Brown, o 'herói' Nate McIntyre e Jonathan Van Ness em episódio de 'Queer eye' Divulgação/Netflix Principalmente depois dos períodos em que teve de viver nas ruas durante sua juventude, por causa da homofobia da comunidade religiosa da pequena cidade onde cresceu. Aos 38 anos, Berk viaja pelos Estados Unidos com os outros quatro "Fab Five" para reformar as casas de pessoas – os chamados "heróis" do programa – com histórias de vida únicas, além de ser dono de sua própria empresa de design de interiores, com lojas por diversas cidades pelo país e pelo mundo. 'Queer eye' no Brasil? A quinta e mais recente temporada de "Queer eye" foi lançada no último dia 5 de junho, na Netflix, após um breve período de gravações no Japão. Antoni Porowski, Karamo Brown, Jonathan Van Ness, Bobby Berk e Tan France em episódio de 'Queer eye: Luz, Câmera, Japão!' Divulgação/Netflix Com os episódios em outro país, ele sentiu, com seus companheiros, a alegria e o desafio do desconhecido novamente. A viagem também mostrou aos fãs que havia a possibilidade de que o programa visitasse países diferentes um dia. "O Brasil é uma possibilidade? Eu espero que sim. Mas não sabemos. Especialmente agora com a Covid-19", diz ele, depois de contar que tem zero poder de decisões, assim como seus colegas. Na entrevista, Berk fala sobre os memes que brincam com a intensidade de seu trabalho no programa, a evolução de sua habilidade de se abrir, as chances de trazer "Queer eye" ao Brasil, e seus fãs no país – além de dar dicas para quem quer mudar a decoração de casa. Bobby Berk em gravação de 'Queer eye' Divulgação/Netflix G1 – Em uma entrevista passada, você disse que é o seu trabalho garantir que os heróis não voltem à rotina ao voltar para casa. Mas, ao longo das temporadas, vimos que você tem se aberto mais e se envolvido mais em um nível pessoal com os participantes. Essa evolução foi natural? Bobby Berk – Uma coisa sobre mim é que eu não sou falso. Tenho uma grande dificuldade em ser falso (risos). O que às vezes é uma qualidade ruim nesse trabalho. Então, no começo eu não ia ao programa achando que seria algo em que eu precisaria me abrir em relação aos meus traumas de infância e religião. Eu apenas ia para decorar as casas das pessoas. No começo, eu não queria isso. Eu tinha dito aos produtores que tinham algumas coisas que não podiam ser faladas. E claro que essas eram sempre as coisas que eles queriam falar (risos). "Eu não estava afim de abrir tanto minha vida pessoal. Sou uma pessoa fechada. Mas no lançamento do programa eu consegui perceber o bem que conseguíamos fazer, e como ajudávamos a melhorar a vida das pessoas." Isso me deixou mais confortável para compartilhar mais de mim mesmo, porque percebi que ao fazê-lo estava ajudando outras pessoas que tinham passado pelas mesmas coisas que eu. Acho que é por isso que eu me abri mais com o passar das temporadas. Antes de ver o programa – porque filmamos duas temporadas antes de ver pela primeira vez, gravamos as duas primeiras em 2017, e a primeira só saiu em 2018 –, não sabíamos o que estávamos fazendo. Não sabíamos o tamanho do impacto das histórias de nossos heróis e as nossas. G1 – Você falou também que aprendeu com os heróis. Qual foi a maior lição que você teve? Bobby Berk – Provavelmente a lição principal foi a minha habilidade de me abrir. Você tem que estar vulnerável para poder mudar. Tem que estar vulnerável para permitir que as pessoas te ajudem. Tem de estar vulnerável para expressar suas alegrias e medos. Então acho que aprendi a ficar um pouco mais vulnerável. G1 – Ao longo dos anos, virou um meme o fato do seu trabalho ser o mais intenso entre os Fab Five. Vocês brincam sobre isso e sobre os trabalhos de vocês? Bobby Berk – Não posso dizer que isso seja algo que os outros garotos acham engraçado (risos). Então, não, não brincamos sobre isso. Para ser honesto, eu normalmente evito discutir isso o máximo possível, porque eu sei que isso os deixa chateados. Porque no fim do dia, sim, meu trabalho leva mais tempo, e tem mais coisas a fazer, mas eu sabia disso desde o começo. Eu sabia que refazer uma casa levaria mais tempo do que um corte de cabelo, mas, no fim, não é mais importante. "Sem todos nós cinco fazendo exatamente o que fazemos, o programa não seria o que é. Nossos heróis não teriam as experiências que têm." Sabe, o Karamo (Brown) pode passar cinco minutos com alguém e mudar sua vida. Então acho que o Karamo às vezes tem o trabalho mais difícil, porque eu posso estar derrubando uma parede física, mas ele tem que fazer com que alguém derrube as paredes emocionais, o que pode ser muito mais difícil do que apenas dar uma marretada. G1 – Vocês mudaram um pouco a composição dos Fab Five quando foram ao Japão. Vocês já chegaram a discutir isso entre vocês? Porque não seria apenas a oportunidade de trazer novas especialidades, mas também uma diversidade maior. Bobby Berk – Você está falando sobre a Kiko (Mizuhara)? Tan France, Karamo Brown, Kiko Mizuhara, Jonathan Van Ness, Bobby Berk e Antoni Porowski em episódio de 'Queer eye: Luz, Câmera, Japão!' Divulgação/Netflix G1 – Isso. Bobby Berk – Honestamente, não é algo que conversamos sobre nossa série aqui nos Estados Unidos. Para ser honesto, é muito difícil ter um programa com cinco pessoas. E isso não é algo ruim, e não é por causa de alguém específico. Não é difícil porque alguém seja um chato (risos). É difícil porque somos cinco, mas o programa tem só 45 minutos. Então é muito difícil para que todos nós tenhamos sempre nosso tempo nos episódios, para fazer a diferença, com momentos que tenham impacto. Nossos momentos individuais com o herói já são tão curtos, que eu não acho que teríamos tempo para qualquer coisa com impacto. Para ser honesto, nós às vezes ficamos chateados quando passamos muito tempo com o herói e vemos o programa e dizemos: "o que aconteceu com aquela cena?". Mas, na primeira versão do episódio, ela estava lá, só que tiveram de cortar por causa do tempo. "Então, nossos produtores dizem que a cena não é tão impactante para a história do herói. Porque no fim o nosso trabalho é contar a história do nosso herói e a jornada pela qual eles passaram." Algumas pessoas me perguntam por que não mostramos mais do meu processo de design. E eu digo que o processo não tem nada a ver com a jornada dos nossos heróis. Eu gostaria que mostrassem mais? Sim (risos). Mas eu entendo por que não mostramos. Já que "Queer eye"' não é um programa de transformação. Não é sobre decoração, ou moda, ou culinária, ou de penteados. É sobre a jornada de nosso herói e sua transformação própria. Então adicionar uma sexta pessoa nos Estados Unidos seria impossível em relação ao tempo. Funcionou no Japão porque Kiko era integrada nas nossas cenas, que já tinham de estar lá. E mesmo assim ainda foi difícil para que os cinco tenhamos algo a dizer, e alguns falam mais do que outros (risos). Mas, em um país estrangeiro no qual não falamos a língua é uma necessidade. Especialmente na questão cultural que precisamos entender, sabe? Há tantas diferenças culturais em outros países. E nós fomos perfeitos no Japão para entender essas diferenças? Não fomos. Mas definitivamente sinceramente tentamos o máximo que pudemos. E tudo o que fizemos e dissemos foi por amor, não para tirar sarro de uma cultura. Se fôssemos gravar em outro país de novo, como o Brasil, acho que absolutamente gostaríamos de um guia. Um sexto membro para nos guiar pelas diferenças culturais da vida no Brasil contra a vida nos Estados Unidos. Porque eu sei que ambos temos presidentes terríveis e idiotas agora, mas a vida ainda é muito diferente (risos). G1 – Eu não ia perguntar, mas já que você falou, eu vou. Vocês têm algum plano de fazer mais um "Queer eye" fora dos Estados Unidos de novo? Quais as chances do Brasil? Bobby Berk – Nós adoraríamos. Mas os garotos e eu temos zero poder de decisão. Eles nos disseram que íamos ao Japão um mês antes de irmos. Não decidimos onde vamos aqui nos Estados Unidos, e não decidimos onde vamos internacionalmente. Dito isso, adoraríamos. Nós adoramos gravar no Japão. Foi tão maravilhoso, porque gravamos cinco temporadas aqui e às vezes começa a parecer um pouco igual para nós. A maioria das cidades americanas são muito parecidas. Algumas são mais conservadoras, outras mais liberais. Algumas mais urbanas, outras mais rurais. Mas na maior parte é a mesma coisa. O 'herói' Kan e Bobby Berk em episódio de 'Queer eye: Luz, Câmera, Japão!' Divulgação/Netflix Então, o Japão foi legal porque foi muito diferente. Cultura, idioma, minhas decorações. Meio que pareceu como a primeira vez de novo, no qual não sabíamos o que ia acontecer, não sabíamos o que íamos falar. Todos fomos aprendendo as coisas que precisamos dizer para que os heróis se abram. Eu sei o que preciso fazer para que eles chorem quando revelo o trabalho (risos). Aprimoramos nossas habilidades, elas ficaram muito boas. Mas no Japão não fazíamos ideia de como eles iam reagir ou não. Isso nos deixou mais alertas. Não que não seja animador gravar por aqui, mas adicionou um pouco de excitação. Era algo estranho para nós. Pudemos morar em uma cidade na qual nunca tínhamos morado, com um idioma completamente diferente. "O Brasil é uma possibilidade? Eu espero que sim. Mas, de novo, não sabemos. Especialmente agora com a Covid-19." Sabe, estávamos filmando a sexta temporada no Texas quando isso aconteceu e nossa gravação foi interrompida. Mal acabamos um episódio e nem sabemos quando voltaremos lá. Originalmente voltaríamos este mês, mas agora os casos estão subindo por lá, não é seguro para nossa equipe, elenco, heróis. Para ninguém. Então é, tomara que o Brasil seja uma possibilidade no futuro. Mas agora estamos apenas tentando terminar a sexta temporada. G1 – E eu me toquei agora que vocês estão piorando. O Brasil está ainda pior. Então vai levar anos até isso ser possível. Bobby Berk – É, somos os únicos dois países que infelizmente estão piorando. Acho que é porque temos líderes muito parecidos. Esse é o ponto comum que eu vejo (risos). G1 – Esquecendo o programa um pouco, gostaria de falar sobre o seu site. Você começou a testar conteúdo em português no seu perfil no Twitter e no site. O que motivou isso e por que agora? Não há outros idiomas disponíveis por lá. Bobby Berk – Porque olhamos muito as estatísticas das minhas redes sociais e do meu site e nosso segundo idioma mais falado, entre todos os meus fãs, é português. Entre 2,8 milhões de pessoas que me seguem, é o segundo idioma depois do inglês. "Eu tenho quase meio milhão de fãs no Brasil, e achei que era importante deixá-los saber que eu vejo vocês e que eu amo vocês, e garantir que vocês saibam que eu sei que estão aí." E quero garantir que o conteúdo que criamos ajude o maior número de pessoas possível. Então, se eu tenho meio milhão de pessoas que me seguem e falam português, quero ter certeza que estou traduzido o máximo possível. Sei que as traduções não são perfeitas (risos). Tentei muito encontrar traduções para o português do Brasil, mas sei que no começo tinha muito de Portugal. Mas acho que encontrei um site que traduz um pouco melhor ontem. Initial plugin text Eu costumava ter lojas de móveis aqui nos EUA. E eu fui abrir uma nova em Miami. Era gigante, acho que tinha 16 janelas nela. Durante a reforma, eu tinha cartazes para cobrir as janelas, para que não pudessem ver as obras. Deles, cinco estavam em inglês, três em espanhol e o resto em português, porque em Miami muitos dos nossos clientes eram brasileiros. E isso foi em 2012, 2013. Eu publiquei no Facebook e perguntei aos seguidores que falavam português qual a tradução melhor para os cartazes. "Por favor, me digam em português do Brasil. Porque na verdade eu não ligo para o de Portugal (risos). Eu amo todos os fãs de Portugal, mas sei que a maioria de clientes e fãs que falam português são brasileiros." Desde que achei esse tradutor melhor algumas umas pessoas têm vindo me corrigir. Elas colocam a bandeira de Portugal ao lado e falam que está errado. E eu respondo: "não está errado, porque eu não estou falando com vocês. Estou falando com o Brasil. Mas obrigado" (risos). G1 – (risos) Eu consigo entender por que eles estão chateados. Bobby Berk – É, mas é o mesmo com inglês. Sabe, se eu estou falando com americanos, não colocaria a bandeira britânica só porque o inglês começou lá. Eu ainda colocaria uma bandeira dos Estados Unidos. "Então é, português pode até ter começado em Portugal, mas foi aperfeiçoado no Brasil (risos)." G1 – (risos) Obrigado por isso. Então você está fazendo isso pelos fãs, mas também está considerando contratar um tradutor para o site. Você vê o Brasil como um mercado em potencial? Bobby Berk – Vejo. Eu adoraria estar no Brasil. Estamos na Costa Rica, Panamá, México. Acho que temos uma loja no Peru, mas além disso não estamos na América do Sul. Eu adoraria estar. Eu tinha minha loja em Miami e todos os meus amigos era da América do Sul. Da Venezuela, do Brasil, do Peru. Meu ex é do Peru. Sempre amei a América do Sul. Adoraria expandir para ter um motivo para visitar mais (risos). Mas meu site não vende nada. Eu tenho parcerias de móveis, mas meu site é mais como uma revista, com informações. Eu quero expandir nossos leitores na América do Sul, porque sinto que há muita informação boa ali. Jonathan Van Ness, Karamo Brown, Bobby Berk, Tan France e Antoni Porowski em episódio de 'Queer eye' Divulgação/Netflix Meu time e eu trabalhamos duro para publicar a maior quantidade de informação possível agora durante os protestos do Black Lives Matter. Muita coisa para gente que talvez não tenha acesso a esses pontos de vista. Porque eu acho que a maior causa de racismo é a falta de educação. É a maior causa de qualquer ideia errada sobre qualquer coisa é a falta de educação. E não quero dizer necessariamente a educação que vem de uma escola, mas educação social. É por isso que, se você perceber, o português começou a rolar recentemente, e foi porque, com o movimento Black Lives Matter, eu percebi que tinha não só a plataforma, mas a responsabilidade de ter mais conteúdo social no meu site. Não só design, ou moda e culinária, mas coisas que podem ter um efeito no mundo de uma maneira positiva. Eu queria o maior número de pessoas no maior número de idiomas possível lendo. Eu queria fazer um bobbyberk.com.br, mas aparentemente o Brasil não permite ter um site .br a não ser que você declare impostos no país. G1 – Não sabia disso. Bobby Berk – Eu também não (risos). Até que outra noite eu estava tentando registrar o domínio para ter um site que fosse igual ao bobbyberk.com, mas em português brasileiro, mas cheguei ao fim para comprar o domínio e ele pediu para eu colocar minha identificação de imposto. No começo, me pedia um endereço brasileiro e eu pensei: "É só colocar o endereço do escritório da Netflix. Tudo bem" (risos). E eu coloquei e deu certo, mas no final me pediu a identificação, então ainda estamos trabalhando nisso. Eu vou pedir uma. Porque eu não quero apenas fazer uma tradução do Google. Eu sei que não fica certo. Você consegue entender, mas não é correto. Então preferia ter alguém para traduzir direito e ter um site .br mesmo. G1 – Além do site e de sua linha de design, há algo em que você estivesse trabalhando antes da pandemia? Bobby Berk – Algumas coisas. Estou trabalhando em – não só alguns novos programas para mim mesmo que irão gravar nas pausas de "Queer eye", daqui um ano e meio – séries para outras pessoas. Não quero apenas estar na TV, quero fazer TV também. "Quero encontrar e cultivar talento que possa ter um efeito positivo no mundo. Então estou fazendo também alguns conteúdos infantis, com alguns talentos maravilhosos que eu acho que vão mudar o mundo e trazer gentileza e inclusão e compaixão para crianças." Tem muita coisa, mas eu não posso dar muitos detalhes agora. Acho que você é a primeira pessoa para quem eu conto que estou fazendo um programa infantil. Então escreva em português para que as pessoas que falam inglês não leiam (risos). G1 – Não se preocupe com isso (risos). Falando nisso, você trabalha tanto. Sua função em "Queer eye" é tão puxada. Como você equilibra isso? Em uma entrevista você disse que teve uma época em que trabalhava 15 horas por dia. Como equilibra sua vida pessoal e seu bem-estar com tanto trabalho? Bobby Berk – Aprendi a dizer "não" mais. Isso é algo que aprendi no programa. Eu costumava nunca dizer "não" e trabalhava até morrer. Mas agora aprendi a ser mais seletivo em relação ao que eu dedico minha energia e tempo. Porque no fim poucas coisas podem ter mais impacto que muitas coisas, se você escolhe as coisas certas que fazem a diferença. Também aprendi a abrir mão do controle das coisas. Por exemplo, com a minha marca de design aprendi a deixar que as pessoas que eu contratei façam o seu trabalho. Me tornei menos ativo. Eu comentei outro dia, porque notei que algo estava acontecendo e eles ficaram surpresos. Eu falei: "posso ter aberto a mão mas estou de olho. Posso não estar aí no meio mas ainda vejo" (risos). E estou me dedicando mais a mim mesmo. Jonathan Van Ness , Tan France, Bobby Berk, o 'herói' Nate McIntyre, Karamo Brown e Antoni Porowski em episódio de 'Queer eye' Divulgação/Netflix G1 – Em relação à pandemia, há algo que as pessoas presas em casa podem fazer para mudar ou melhorar suas decorações, já que não podem sair para comprar? Bobby Berk – Muitas vezes a gente só precisa se livrar de coisas, ao invés de adicionar. Sabe, temos tanto tempo agora pra organizar nossas casas e limpar aqueles armários e gavetas que sempre adiamos. Olhar nossas roupas, separar o que não usamos mais e doá-las à caridade. "Mesmo que você não tenha o tempo ou dinheiro para comprar coisas, talvez você não precise de mais coisas. Talvez precise apenas se livrar daquilo que já tem." E eu acho que é divertido mudar as coisas de lugar. Por exemplo, a arte aqui no meu escritório, eu troquei por arte do meu quarto, ou do banheiro. Isso pode fazer com que seu espaço pareça uma casa nova, mesmo que sejam exatamente as mesmas coisas. G1 – E há algum conselho para, depois que voltarmos ao normal, alguém que queira melhorar a decoração mas que não tem dinheiro? Bobby Berk – Meu primeiro conselho sempre é: pinte. Eu costumava ser muito pobre, e queria muito ter um apartamento legal, mas não conseguia sair e comprar móveis legais e cortinas, essas coisas. Então, a primeira coisa que eu sempre fazia era juntar um dinheiro para uma lata de tinta. Lembro de anos atrás em que eu morava em um prédio velho e terrível. Era péssimo. Era alugado, mas eu lentamente reformei ele inteiro eu mesmo. Pintei tudo, e peguei assoalhos, daqueles de vinil, pintei os armários da cozinha, troquei o lustre feio do banheiro por um melhor. Não um caro, comprei um em um mercado de usados. A 'heroína' Jennifer Sweeney e Bobby Berk em cena de 'Queer eye' Divulgação/Netflix Esses lugares são legais. Você consegue encontrar coisas bem baratas que as pessoas não precisam mais, mas que ainda estão boas. Mudei o apartamento inteiro e o dono um dia foi lá para consertar algo, viu, e ficou tão bravo que eu tinha mudado sem permissão. Falou que eu ia perder o cheque caução. Uma hora depois, bateu na porta e falou: "Sinto muito por ter reagido daquela forma. Isso na verdade ficou ótimo. Posso te contratar para fazer o mesmo nos outros?" (risos). Pensando nisso, essa foi meu primeiro trabalho de design. Então, todos os apartamentos vazios, ele me contratou para pintá-los e deixá-los mais bonitos, porque eu tinha feito o meu com tão pouco dinheiro. Acho que gastei, em um ano, cerca de US$ 400, US$ 500. Não é muito mesmo, considerando que o fiz parecer um lugar completamente diferente. No fim ele queria me contratar por tão pouco que eu praticamente não lucrei nada com isso, mas, enfim, foi legal. Com tinta e essas coisas, eu sei que às vezes com lugares alugados é difícil, mas, se você vai ficar lá por alguns anos, faça. Porque mesmo que perca um pouco do caução, ou tenha que pintar de novo antes de se mudar, todos aqueles anos em que você morar lá, você quer ser feliz. G1 – Para finalizar, você é muito bem-sucedido hoje, mas passou por muita coisa enquanto crescia. Houve algum momento naquela época em que pensou que poderia estar onde está hoje? Há algo que você falaria para você mesmo daquela época? Bobby Berk – Acho que nunca houve um momento da minha vida em que eu esperava ter realizado o que já realizei. Definitivamente não quando era mais jovem. Eu acho que não tinha expectativas. Sempre soube que queria mais. Sempre soube que teria de trabalhar duro para conseguir. Mas nunca poderia ter imaginado minha vida da forma como é agora. Mesmo antes de 'Queer eye'. Eu nunca imaginaria que teria minhas lojas próprias em Nova York, Los Angeles, Miami e Atlanta. É uma questão de trabalho duro, acreditar em você mesmo e não aceitar um "não". Se nós permitirmos que sejamos restringidos pelo que a sociedade diz que podemos fazer a vida nunca vai mudar para a gente. Então, é por isso que estou tão feliz que algumas mudanças sociais estão acontecendo no mundo. Como o movimento Black Lives Matter e pessoas finalmente dizendo que isso não está certo, que por você nascer gay, ou negro, você não deve ter os mesmos direitos ou o mesmo acesso ao sucesso. Isso não está certo. Então, eu diria para mim mesmo continuar a não aceitar um "não", e para trabalhar para caramba para provar que todos merecem todo o sucesso que for possível. Jonathan Van Ness, o herói Brandon Nixon, Bobby Berk e Karamo Brown em cena de 'Queer eye' Divulgação/Netflix

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