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Tecnologia do café robusta é transferida de RO para o AM e produtores investem na plantação

por Administrador / quarta-feira, 09 setembro 2020 / Publicado em Negócios

'Ideia é que os produtores amazonenses produzam mais em uma menor área', diz pesquisador da Embrapa-RO. Cultivar atraiu os cafeicultores amazonenses. Transferência de tecnologia na cafeicultura Os produtores rurais do interior do Amazonas estão apostando na plantação do café robusta amazônico. A cultivar, transferida de Rondônia por meio de tecnologia, já apresenta ótimos resultados e atraí os cafeicultores amazonenses. É o caso do produtor Roque Lins. Antes de trabalhar com café, seu Roque cultivava hortaliças na propriedade localizada na AM-363, também conhecida como estrada da Várzea, em Silves (AM), a 181 quilômetros de Manaus. Em abril do ano passado, o produtor rural investiu um hectare no plantio da espécie robusta amazônico. Pouco mais de um ano e três meses depois ele mostrou com orgulho, à Rede Amazônica, como está a florada do cafezal e os grãos. “A gente tem um café de alta qualidade, entendeu? A qualidade começa no pé. Um grão desse porte aqui a gente consegue ter um café de alta qualidade", conta. Transferência do robusta: Rondônia X Amazonas A partir do cruzamento de cafés da espécie canéfora, conilon e robusta, a tecnologia já fazia parte da realidade de cafeicultores de Rondônia, estado destaque na produção do grão na amazônia. Em entrevista, o pesquisador Marcelo Espíndula, da Embrapa-RO, explicou como foi feita a transferência de tecnologia do robusta de Rondônia para o Amazonas. "Inicialmente nós introduzimos a variedade clonal cultivar BRS Ouro Preto, que é uma variedade com alto potencial produtivo e foi testada para as condições de Rondônia. Nós levamos essa variedade [para o AM], juntamente com técnica de cultivo e boas práticas de colheita e pós-colheita". "Agora nós estamos levando também as novas variedade híbridas, que foram lançadas pela Embrapa em 2019. Essas variedades são mais produtivas e resistentes às pragas e doenças. A ideia é que os produtores amazonenses produzam mais em uma menor área, diminuindo assim a pressão sobre o bioma e também gerando renda às famílias", diz Espíndula. O café robusta amazônico se adaptou bem ao clima e ao solo do Amazonas, segundo a Embrapa. Segundo o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam), foi firmada uma parceria com a Embrapa Amazônia ocidental e a Embrapa Rondônia para receber capacitação e pacotes de tecnologias no cultivo do café no estado. O robusta amazônico é mais uma variedade de café que está recebendo boa adaptação entre os campos experimentais no Amazonas. Esse bons resultados têm disseminados os produtores da região. Segundo o Idam, o Amazonas produz 395 toneladas de café e tem uma área plantada de 450 hectares. Nessa cultura se destacam os municípios de Silves, Barreirinha, Envira, sul de Lábrea, Apuí e Itacoatiara. E compradores para o produto não faltam. "A gente está animado porque é uma commodities e sabe que produzir café tem pra quem vender e o preço não é eu que vou dizer, mas sim o mercado. Então é um negócio bom", diz Roque Lins. Segundo o produtor, além do mercado garantido, outra vantagem são necessárias grandes áreas para cultivar o café. “Você não precisa desmatar cinco, dez ou 15 hectares para ter uma renda expressiva. Você precisa dois ou três hectares por família e não precisa esta desmatando a mata. Você tem uma produção grande aplicando toda tecnologia”, revela. Café robusta amazônico é plantado no Amazonas Rede Amazônica/Reprodução Toda assistência técnica vem sendo assistida por técnicos do Idam e, para que a produção se desenvolva ainda mais no estado vizinho, o próximo passo é incentivar os agricultores dando a eles assistência técnica e suporte financeiro. "A intenção é a gente incentivar a agricultura familiar como as grandes empresas que vem para investir na produção de café e a agricultura. Hoje Silves já está na rota dos municípios que está produzindo café e vai contar com incentivo do governo e do Idam", explica Valon Viana, gerente do instituto em Silves.

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