TVK Web Cultural

  • CULTURA
  • TURISMO
  • NEGÓCIOS
  • POLÍTICA
  • GALERIA
  • CONTATO

Bordado, tecelagem e poesia: projetos resgatam tradições de comunidades rurais de MG

por Administrador / segunda-feira, 04 janeiro 2021 / Publicado em Negócios

Iniciativas da ONG Ajenai estão contribuindo para que agricultoras gerem renda a partir de saberes regionais, valorizando a cultura local e evitando a migração. Bordado, tecelagem e poesia: projetos resgatam tradições de comunidades rurais de MG

Projetos na região do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, estão resgatando saberes tradicionais de comunidades de agricultoras, como o bordado, a tecelagem e a poesia.
Assista a todos os vídeos do Globo Rural
E, muitas vezes, essas iniciativas têm o intuito de manter as agricultoras em suas terras, evitando a migração delas para outros estados, em épocas de grande seca na região.
Conheça mais sobre a associação de mulheres do Vale do Jequitinhonha
"As nossas ações fortalecem as pessoas para elas encontrarem valor no que sabem e no que fazem aqui na região. Então, a gente acredita que o nosso trabalho é uma grande contribuição para que essas pessoas possam permanecer no seu lugar, com seus saberes", diz Elisângela Lopes, coordenadora geral da Associação Jenipapense de Assistência à Infância (Ajenai).
Um dos projetos que a ONG impulsiona, atualmente, é o das Tecelãs de Tocoiós. O grupo, composto por 30 mulheres que moram nas montanhas de Francisco Badaró, se reúne em torno desse conhecimento tradicional e suas peças originais já são cobiçadas no Brasil inteiro.
"É uma tradição. Passada por geração por geração. Eu aprendi com a minha vó e minhas tias desde a idade de sete anos", diz a agricultora Maria Silva.
Ela conta que, antigamente, as peças eram feitas para o uso da própria família. "Roupa de cama, banho, mesa. E pra vestir calça, camisa, todo mundo usava era isso mesmo", diz.
Peças únicas
Do momento em que o algodão orgânico e bruto chega na tecelagem das mulheres de Tocoiós, até se tornar uma rede, por exemplo, são, pelo menos, 30 dias.
Hoje, já existem máquinas que fazem todo o processo. Mas é justamente o trabalho manual, a tradição passada de mãe para filha, que faz com as peças sejam únicas.
A tecelã Jaquiele Sousa é a mais nova tecelã do grupo. Ela tem um 'pezinho' na tradição e mãos na modernidade e é a pessoa responsável pelos anúncios e fotos de divulgação das peças nas redes sociais.
"A gente fica feliz em cada mensagem que a gente recebe, de alegria das pessoas de receber uma peça feita pela gente", diz Jaquiele.
Mas, além de elogios, as peças geram renda para as tecelãs. Cada uma delas é vendida, em média, por R$ 400. O dinheiro todo é dividido em partes iguais pelas tecelãs.
"[O projeto] nos incentivou a continuar, a não desanimar, porque o pessoal daqui não dá muito valor a esse trabalho. Mas, depois que vieram outras pessoas de fora, nos incentivou. Aí a gente faz com mais gosto o trabalho", diz a agricultora Maria Vieira.
Coral Ribeirão de Areia
Um outro projeto da Ajenai é o Coral Ribeirão de Areia, da Comunidade Rural de Jenipapo de Minas, no Vale do Jequitinhonha. Ele foi criado há nove anos por uma ONG que atua na região, e já tem 25 vozes, entre crianças, jovens, adultos e idosos.
"Trazer música, resgatar valores, uma nova forma de ver o mundo para as pessoas", diz o maestro Dener Pinheiro sobre a iniciativa.
A música fez o grupo sair pela primeira vez da comunidade. O coral já se apresentou em dez cidades, entre elas as capitais de Belo Horizonte e São Paulo.
"Até quando a gente já foi a algumas viagens, muitas pessoas tiravam sarro da cara da gente. Só que ao invés da gente levar isso para o lado negativo, levou isso para o lado positivo, de ter mais força com a nossa cultura, mesmo para não deixar os outros debochar", conta a agricultora Kátia Ferreira.
O grupo gravou um CD em 2015 com 11 músicas regionais, que é vendido na internet por R$ 20, recurso que ajuda a manter o projeto.
Bordado
A mesma ONG impulsiona ainda o projeto Bordadeiras do Curtume, que fica também em Jenipapo de Minas, na Comunidade Quilombola do Curtume.
São 22 bordadeiras e 12 aprendizes. Elas confeccionam estandartes para decoração. Quem cria os desenhos é o Diogo Guimarães, filho de uma das bordadeiras.
"Desde pequeno eu gostava de desenhar. Aí eu comecei fazer uns desenhos que eu fui pegando gosto para desenhar", diz Diogo. A inspiração dele vem do dia a dia da comunidade.
As bordadeiras se reúnem uma vez por semana na sombra de um enorme Acari. Lá, elas cortam, costuram e bordam os estandartes, que também são vendidos pela internet.
Os preços variam entre R$ 250 a R$ 400 e o trabalho faz sucesso, sendo que já foram comercializados mais de 1 mil estandartes para todo o Brasil.
"Vem muito retorno de mensagens elogiando demais o trabalho. A gente vê áudios muito emocionantes para gente tentar fazer esse trabalho que, às vezes, a gente nem valoriza tanto. Mas quando a gente vê assim o coração fica muito feliz", conta a agricultora Silvana Guimarães.
Nos últimos três meses, ela conseguiu ganhar R$ 2 mil com o bordado, um dinheiro bem-vindo para quem antes só sustentava da roça.
Versinhos de bem-querer
Outra tradição em todo o Vale do Jequitinhona é o versinho de bem-querer, uma espécie de desafio do bem, uma brincadeira, onde há um refrão em comum e o improviso das rimas.
Para não deixar essa tradição morrer, a Ajenai criou um site para vender os versinhos.
"A pessoa compra o verso, logo em seguida nos encaminhamos um e-mail solicitando o nome da pessoa que ela quer enviar o verso, e a frase que descreve essa pessoa. Nós recebemos esse e-mail e encaminhamos para as jogadoras de verso. Elas criam o verso, me encaminham, e eu encaminho para a pessoa que encomendou esse versinho", explica a coordenadora de projetos, Viviane Silva.
Tudo é feito pelo celular, já que o Vale conta com internet via rádio. E cada verso custa R$ 26.
"Eu fico tentando imaginar como que é a pessoa e a reação dele quando ela for receber o verso", diz a agricultora Karen Ferreira.
"É um projeto extremamente delicado. Um projeto artesanal. Então, o tempo todo, nós estamos cuidando desse projeto, cuidando das mulheres, cuidando dessa energia do projeto, pra gente manter essa fidelidade que é a essência dele", conclui Viviane.
Veja os vídeos mais assistidos do Globo Rural

  • Facebook
  • Twitter
  • LinkedIn
  • Tumblr

Assuntos Relacionados

Brasil pode transformar Bolsa Família em rede ampla de proteção social, diz OCDE
FMI diz que perspectivas econômicas mundiais são melhores que previsões de junho
Funcionários da Ford programam madrugada de vigília em fábrica de Taubaté

Destaques

  • Câmara de Campo Grande aprova projetos sobre cultura, meio ambiente e inclusão de estudantes com TEA

    Na sessão ordinária desta terça-feira, 13 de ma...
  • Semana Nacional de Museus 2025: Programação especial em Campo Grande homenageia Lídia Baís

    A 23ª Semana Nacional de Museus acontece entre ...
  • Porto Geral de Corumbá recebe Festival América do Sul 2025 com atrações nacionais e celebração da cultura regional

    Entre os dias 15 e 18 de maio, o histórico Port...
  • Campão Cultural 2024 traz programação intensa e gratuita até 6 de abril

    O Campão Cultural está de volta, levando uma pr...
  • Casa de Cultura de Campo Grande oferece cursos gratuitos em música e dança

    A Casa de Cultura de Campo Grande está com insc...
TOPO