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Disco sobre samba-canção reergue ondas de diferentes altitudes

por Administrador / quarta-feira, 26 fevereiro 2020 / Publicado em Cultura

Com 14 gravações inéditas, o álbum 'Copacabana' monta painel do gênero carioca que bateu forte na praia da música brasileira nos anos 1940 e 1950. Resenha de álbum Título: Copacabana – Um mergulho nos amores fracassados Artista: Anna Setton, Ayrton Montarroyos, Doris Monteiro, Edy Star, Luciana Alves, Toninho Ferragutti e Zé Luiz Mazziotti Gravadora: Selo Sesc Cotação: * * * 1/2 ♪ O subtítulo Um mergulho nos amores fracassados sugere que o disco Copacabana promove imersão nos dramas esfumaçados dos sambas-canção que pesavam o ar no Rio de Janeiro (RJ) dos anos 1940 e 1950. Desdobramento do livro Copacabana – A trajetória do samba-canção (1929 – 1958), lançado em 2017 pelo jornalista Zuza Homem de Mello, o álbum também esbarra nessa trilha mais cinzenta, mas a extrapola ao longo de 14 gravações inéditas feitas por heterogêneo elenco de intérpretes formado por Anna Setton, Ayrton Montarroyos, Doris Monteiro, Edy Star, Luciana Alves, Toninho Ferragutti e Zé Luiz Mazziotti. Inaugurado oficialmente em 1929 com a gravação original de Linda flor (Henrique Vogeler e Luiz Peixoto), música ouvida no disco na voz de Luciana Alves, o samba-canção ergueu ondas de diferentes altitudes no mar da música brasileira pré-Bossa Nova, tendo sobrevivido à revolução estética feita por João Gilberto em 1958. Não raro, o gênero se amalgamou com o bolero nas tintas carregadas dos dramas passionais elevados à máxima potência vocal pelos tons afetados de cantores da era do rádio e do dó-de-peito. Ao mesmo tempo, foi por meio de um samba-canção – Copacabana, obra-prima de Braguinha (1907 – 2006) e Alberto Ribeiro (1920 – 2000) que dá nome ao livro e ao disco – que toda uma geração carioca ávida de modernidade pressentiu revoluções musicais na maciez da voz de Dick Farney (1921 – 1987), intérprete original de Copacabana em emblemática gravação de 1946. No disco, idealizado por Zuza e gravado sob a direção artística do referencial jornalista musical, o samba-canção Copacabana ressurge em registro que tenta reproduzir essa modernidade nas vozes de Luciana Alves e Zé Luiz Mazziotti com o adorno jazzy do toque do piano de Moysés Alves. Zuza Homem de Mello com Ayrton Montarroyos, destaque do elenco, na gravação do disco 'Copacabana' Felipe Giubilei / Divulgação Na função de diretor musical e arranjador do disco, concretizado com produção executiva de Thiago Marques Luiz, Ronaldo Rayol preserva o andamento correto do samba-canção em gravações como a de Acontece (Cartola, 1972) – exemplo de que o gênero sobreviveu ao auge dos anos 1940 e 1950 – e O X do problema (Noel Rosa, 1936), feitas por Ayrton Montarroyos e Luciana Alves, respectivamente. Cantor de técnica apurada, Ayrton brilha soberano no registro preciso de Acontece e se garante ao remoer Vingança (Lupicínio Rodrigues, 1951), samba-canção embebido em ressentimentos destilados pelo intérprete sem ser cool mas tampouco sem exagerar no drama. Com o mesmo rigor estilístico de Ayrton, Luciana Alves também poda excessos vocais e sentimentais em Fim de caso (Dolores Duran, 1959). Com a bossa da maturidade, Doris Monteiro revive Fecho meus olhos… vejo você (José Maria Abreu, 1951), samba-canção lançado em disco na voz da própria Doris há quase 70 anos. Já Anna Setton defende com correção Ocultei (Ary Barroso, 1954) e Fracassos de amor (Tito Madi e Milton Silva, 1957), samba-canção menos ouvido (talvez por ser menos sedutor…) do repertório do cantor e compositor Tito Madi (1929 – 2018), fino estilista do gênero. Parceiro de Madi na composição, Milton Silva é devidamente nominado no encarte, mas omitido nos créditos das faixas na contracapa da edição em CD do álbum Copacabana – Um mergulho nos amores fracassados. Omissão até surpreendente, já que a edição em CD preserva o padrão gráfico habitualmente caprichado do Selo Sesc. Com arranjos que destacam os toques do piano e do violão, dois instrumentos recorrentes na arquitetura do samba-canção (e normalmente basta um deles para a emular a cadência do gênero), o disco Copacabana foge do trilho óbvio com a trama imprevisível do acordeom de Toninho Ferragutti – solista da abordagem instrumental do tema Na madrugada (Nilo Sérgio, 1955) – e com o tom devidamente kitsch imprimido por Edy Star em Meu vício é você (Adelino Moreira, 1955), exemplo da vertente mais despudorada do samba-canção, gênero depurado por Dorival Caymmi (1914 – 2008) nos anos 1940 e 1950. É uma das muitas obras-primas de Caymmi no gênero, Sábado em Copacabana (Dorival Caymmi e Carlos Guinle, 1951), que fecha o disco em interpretação dividida por Anna Setton, Ayrton Montarryos (evocando excepcionalmente, em alguns momentos, o registro vocal de Caetano Veloso), Luciana Alves e Zé Luiz Mazziotti em ambiência íntima, típica das boates da orla carioca em que se ergueu no mar a onda mais refinada do samba-canção enquanto os auditórios das rádios eram os palcos para a exposição de arroubos vocais também permitidos pelo gênero. Mesmo sem apresentar gravações que renovem o samba-canção ou que acrescentem algo às músicas (com exceção da abordagem de Ferragutti), o disco Copacabana oferece bom recorte de gênero que ainda bate na praia, às vezes em ondas baixas, outras vezes em altitudes maiores.

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