Mesmo com safra de cana ainda em andamento, MS produz mais que o dobro de açúcar do ciclo passado
Exportação de açúcar também deu um salto em 2020, com incremento de 341,89% em receita e de 373,8% em volume na comparação com o mesmo período de 2019. MS ampliou produção e exportação de açúcar em 2020 Anderson Viegas/G1 MS Mato Grosso do Sul acumula na parcial da safra 2020/2021 (entre 1º de abril e 30 de novembro) uma produção de 1,698 milhão de toneladas de açúcar. O volume é 119% maior do que o registrado em todo o ciclo passado (2019/2020), quando o parque sucroenergético do estado processou 730 mil toneladas do alimento. Os dados são do mais recente levantamento da safra de cana-de-açúcar divulgado pela Associação dos Produtores de Bioenergia do estado (Biosul). Segundo a entidade, para aumentar a produção do alimento, o mix das usinas, ou seja, a quantidade de matéria-prima destinada a fabricação do açúcar, subiu da média de 12,58% na temporada 2019/2020 para 28,63% na 2020/2021. O presidente da Biosul, Roberto Hollanda Filho, destaca que a recuperação na produção do açúcar pelas usinas de Mato Grosso do Sul é uma das marcas da safra em curso. “Mesmo tradicionalmente destinando maior parte da cana para a produção de etanol, as usinas voltaram a dar espaço para a produção de açúcar como forma de driblar os impactos da pandemia, entre eles a redução do consumo de combustíveis no país por conta da menor circulação de veículos com as medidas de isolamento social”. Ele aponta também que as condições do mercado internacional, influenciadas pela desvalorização do real frente ao dólar ao longo do ano, favoreceram a comercialização do produto, o que proporcionou mais fôlego para o setor e trouxe o açúcar de volta ao rol dos principais produtos da balança comercial do estado. Presidente da Biosul, Roberto Hollanda Biosul/Divulgação Entre janeiro e novembro de 2020 o estado exportou 987,159 mil toneladas de açúcar, o que resultou um faturamento de US$ 259,293 milhões. É o melhor resultado desde 2017, quando neste mesmo período Mato Grosso do Sul havia despachado 1,302 milhão de toneladas, conseguindo uma receita de US$ 477,053 milhões. Frente ao ano passado, o açúcar deu um salto no ranking dos principais produtos exportados pelo estado. Saiu da nona para a quinta posição. Em faturamento o incremento foi de 341,89% e em volume de 373,8% na comparação das parciais de 2020 com 2019. Outros dados Até a segunda quinzena de novembro, o estado acumulava uma moagem de 44,066 milhões de toneladas de cana (0,33% acima da registrada no mesmo período do ano passado). A concentração de açúcares totais recuperáveis (ATR) por tonelada de cana atingiu 141,26 kg, o que significa uma melhora na qualidade da matéria-prima de 2,94% com relação ao mesmo período do ciclo 2019/2020. Em relação a produção de etanol, outro dos principais produtos do setor ao lado do açúcar, o processamento atingiu nestes 11 meses, 2,623 bilhões de litros (15,8% menor que o comparado com o ciclo passado). Desse total, 2,001 bilhão de litros é do hidratado e 622,445 milhões de litros do anidro.
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Balança comercial tem déficit de US$ 1,12 bi na parcial de dezembro
Saldo negativo tem relação, principalmente, com alta de importações. No acumulado do ano, saldo positivo é de US$ 49,9 bilhões, 3,9% maior que o do mesmo período em 2019. A balança comercial registrou déficit de US$ 1,120 bilhão na parcial de dezembro até domingo (13), informou o Ministério da Economia nesta segunda-feira (14).
O déficit acontece quando as importações superam as vendas externas. Quando ocorre o contrário, é registrado déficit comercial.
O resultado negativo neste mês está relacionado, principalmente, com a forte alta de 65,9% nas importações na comparação com dezembro do ano passado. O montante importado atingiu US$ 8,930 bilhões até o dia 13 desse mês.
Ao mesmo tempo, as vendas externas somaram US$ 7,809 bilhões, valor 1,5% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado.
No acumulado de dezembro, de acordo com dados oficiais, houve queda de 15,6% nas exportações de produtos agropecuários; recuo de 4,2% nas vendas da indústria extrativa, e alta de 3,8% na indústria de transformação.
Já no caso das importações, foi registrado queda de 15,2% nas compras da agropecuária na comparação com o mesmo período do ano passado, e redução de 70,3% nas importações da indústria extrativa. Por outro lado, foi registrada uma alta de 80,9% nas aquisições da indústria de transformação.
Desvalorização do real faz Brasil bater recorde na importação de soja em 2020
Veja as principais altas de importação no começo desse mês:
Arroz com casca, que teve imposto de importação reduzido (+ 665,1%)
Cacau em bruto (+ 210.054%)
Soja (+ 522,1%)
Fertilizantes brutos (exceto adubos) (+ 58,4%)
Minérios de cobre e seus concentrados (+ 26,4%)
Minérios de alumínio e seus concentrados (+ 131,1%)
Obras de ferro ou aço e outros artigos de metais comuns (+ 86,4%)
Torneiras, válvulas e dispositivos semelhantes para canalizações, caldeiras, reservatórios, cubas e outros recipientes (+ 66,3%)
Plataformas, embarcações e outras estruturas flutuantes (+ 18.054,7%)
Acumulado de 2020
No acumulado deste ano até 13 de dezembro, porém, a balança comercial registra superávit de US$ 49,916 bilhões, informou o Ministério da Economia.
O resultado é 3,9% maior que o saldo de US$ 48,036 bilhões registrado no mesmo período do ano passado.
De acordo com o governo, no acumulado deste ano, as exportações somaram US$ 199,365 bilhões (queda de 5,9% na comparação com o mesmo período do ano passado).
As importações somaram US$ 149,449 bilhões, com recuo de 10,4% em relação ao mesmo período de 2019.
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Oi vende rede móvel para consórcio formado por Tim, Vivo e Claro por R$ 16,5 bilhões
Com o leilão dos ativos móveis, operadora Oi desaparece do mercado brasileiro, enquanto as três gigantes aumentam ainda mais sua participação. Este foi o segundo leilão de ativos da empresa realizados dentro do processo de recuperação judicial da companhia. Foto da sede administrativa da Oi funciona no Leblon, Zona Sul do Rio, registrada em 2018 Marcos Serra Lima/G1 O consórcio formado pela Tim, Vivo e Claro arrematou, na tarde desta segunda-feira (14), os ativos da rede móvel da operadora Oi por R$ 16,5 bilhões. O leilão foi realizado pela 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro e faz parte do plano de recuperação judicial da companhia iniciado em 2018. Com o resultado do leilão, a Oi deve desaparecer do mercado de telefonia móvel brasileiro. Agora, ela detém apenas os ativos de infraestrutura e fibra, que ainda deverão ser parcialmente vendidos. Com a Oi deixando de operar, as três gigantes telefônicas vão aumentar ainda mais a sua participação no mercado de telefonia móvel do Brasil, que passa a ser ainda mais concentrado. A participação da Tim salta de 23% para 32%, a Vivo de 33% para 37% e a Claro de 26% para 29%. Os outros 2% estão divididos entre pequenas operadoras regionais. Este foi o segundo leilão de ativos da Oi para quitar as suas dívidas. O primeiro foi realizado no dia 26 de novembro e atraiu poucos interessados. Nele, foram vendidas as torres de telefonia e data centers da companhia por cerca de R$ 1,4 bilhão. A Highline do Brasil, do grupo norte-americano de private equity Digital Colony, comprou a unidade de torres por R$ 1,067 bilhão – foi a única oferta apresentada para este ativo. Já a unidade de data centers foi arrematada pela Titan Venture Capital por R$ 325 milhões de reais, também única apresentada no leilão. O plano de vender os seus ativos foi anunciado pela Oi no dia 15 de janeiro deste ano. Na ocasião, a companhia informou que iria dividir a empresa em quatro áreas para poder vendê-las. Na divisão, os ativos foram reunidos em Unidades Produtivas Isoladas (UPIs): Ativos Móveis, Torres, Data Center e InfraCo. A UPI InfraCo reúne os ativos de infraestrutura e fibras e ainda deverá ser parcialmente vendida em leilão, ao preço mínimo de R$ 6,5 bilhões. No plano anunciado pela Oi em janeiro, a companhia disse que o futuro comprador ficará com 51% do capital votante. Assista às últimas notícias de economia:
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Os danos permanentes para os jovens que começam a trabalhar em tempos de crise
"Muitas das pessoas que entram no mercado de trabalho durante uma crise não só correm maior risco de desemprego e subemprego nesse período, mas também ficam sobrecarregadas no futuro", alerta Ignacio González, pesquisador e professor de Economia da American University. Gerações que chegam ao mercado de trabalho em tempos de recessão são prejudicadas, algumas para o resto da vida GETTY IMAGES "Não fale mais nisso, não pense mais nisso: a crise de hoje é a piada de amanhã." Quando o presente é sombrio, o futuro é sempre um lugar tentador para acalmar as ansiedades, uma promessa de conforto para muitos, conforme eternizou o escritor H.G. Wells por meio de um de seus personagens. No entanto, saltar da literatura para a vida pode ser difícil, especialmente quando chega uma crise econômica e você precisa começar sua carreira. Quando a economia entra em crise, jornais e televisões se enchem de gráficos de curvas e barras. O resumo que quase todos nós fazemos é imediato: quando essas linhas vermelhas diminuírem, anos difíceis virão; quando aparecem as cores azuis ou verdes, o pior já passou. E a vida continua, pensamos. Mas não, pelo menos não o mesmo para todos: não para os jovens. Gerações que vão ao mercado de trabalho em tempos de recessão são prejudicadas mesmo quando a crise termina. E algumas delas sobrem os efeitos para a vida toda, alertam os especialistas. É como a dor de um braço amputado, que permanece e formiga por anos, embora a causa não esteja mais lá. Dor fantasma, chamam os médicos. Histerese, dizem os economistas. E em breve os televisores estarão novamente lotados de linhas e barras. Vermelhas. A crise da saúde incuba (e já manifesta fortemente) uma nova crise mundial. a segunda em uma década para a Geração Millennial, nascidos entre 1981 e 1993, que ficou espremida entre elas e para aquela geração que vai pegar seu bastão: a Geração Z (de 1994 a 2010), que já teme ser conhecida como Geração Covid. A armadilha da vida "Muitas das pessoas que entram no mercado de trabalho durante uma crise não só correm maior risco de desemprego e subemprego nesse período, mas também ficam sobrecarregadas no futuro. Essa queda temporária da renda tem grande probabilidade de surtir efeitos permanentes", alerta Ignacio González, pesquisador e professor de Economia da American University, em Washington DC, nos Estados Unidos. Em entrevista à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC), González explica como é essa armadilha. Em primeiro lugar, vem o estrago: a crise econômica e a competição por empregos escassos são ferozes, especialmente se houver muito desemprego persistente. E os jovens começam a ouvir repetidamente os mesmos argumentos. O primeiro é: "Não o contrato porque você não tem experiência suficiente." Com o passar do tempo, ele se torna: "Não o contrato porque seu currículo tem lacunas". E quando acaba a recessão, a justificativa apresentada é: "Não te contrato porque, na realidade, posso ter alguém mais jovem com a mesma experiência". 'Condenação' De certa forma, eles já estão marcados: acabam por se tornar perfis inexperientes para cargos proporcionais à sua idade e candidatos muito velhos para competir com os mais jovens pelos cargos de início de carreira e de baixa remuneração. E como todas as maldições, é acompanhada por sua profecia. "A partir daí, é muito provável que suas carreiras acabem se caracterizando por empregos intermitentes ou de baixa qualidade, sofrendo uma queda na renda que condiciona toda a sua vida", diz González. "Essas pessoas acumulam menos riqueza (poupança), têm dificuldade de alcançar uma casa própria (suas poucas economias vão para aluguel e também não vão receber crédito por seu histórico de trabalho descontínuo) e, em geral, seu planos de vida e formação familiar, com todos os problemas psicológicos que lhe estão associados", explica o economista da American University. Pobreza, divórcio e vidas sem filhos Algumas gerações ficam presas em seus primeiros dias: elas acabam sendo muito inexperientes e muito velhas GETTY IMAGES "O que foi, é o que há de ser; o que se fez, isso se tornará a fazer. Não há nada de novo debaixo do Sol." (Eclesiastes 1: 9). À sua maneira, a economia segue a mesma lógica desse provérbio bíblico. Quando um economista fala sobre o que vai acontecer no futuro, ele geralmente tem a cabeça no passado: nas evidências acumuladas. Em busca dessas evidências, os pesquisadores Hannes Schwandt e Till M. von Wachter (Northwestern University e UCLA University) mergulharam, em um estudo recente, nos registros estatísticos dos EUA para acompanhar a vida de 4 milhões de americanos que saltou para o mercado de trabalho durante a crise de 1982. Como se fossem fantasmas do conto de Natal de Dickens, eles agarraram suas mãos e revisitaram os nervos de suas primeiras experiências de trabalho, anotaram seus salários, se esgueiraram em seus momentos felizes (compra de casa, casamento, filhos) e passaram seus dias malfadados (divórcios e álcool, doença, depressão etc.) até atingirem a velhice e até o fim da vida. E então eles compararam suas trajetórias com as gerações ao seu redor, cuja jornada começou em tempos melhores. Pouco mais de um ano de recessão — começou em julho de 1981 e terminou em novembro de 1982, segundo o Federal Reserve — fez com que aqueles infelizes jovens acumulassem perdas de renda média de 9% apenas nos primeiros 10 ou 15 anos, segundo cálculos de von Wachter, sendo pior para trabalhadores com menos qualificação. Isso significa que suas perdas nesse período de mais de uma década podem variar entre US$ 19 mil e US$ 36 mil (em valores atuais, o equivalente entre R$ 96 mil e 182 mil), de acordo com a pesquisa. Mas não só isso, quando atingiram uma idade entre 50 e 55 anos, tiveram menos casamentos e, ao mesmo tempo, enfrentaram mais divórcios. E suas chances de ter um filho também eram menores do que as de outras gerações. Mortes por desespero A deterioração da vida também chegou à saúde, apontam pesquisadores. A expectativa de vida caiu de seis a nove meses em relação à média estimada. O efeito da crise foi de "uma morte adicional a cada 10 mil pessoas a cada ponto percentual a mais na taxa de desemprego" no início de suas carreiras. "Esses aumentos de mortalidade decorrem principalmente de doenças ligadas a hábitos pouco saudáveis, como fumar, beber e se alimentar mal. Descobrimos, em particular, um risco significativamente maior de overdose de drogas e outras condições conhecidas como 'mortes por desespero' (suicídio e deterioração por vício)", explica Schwandt. A crise desaparece e os danos permanecem. São 16 meses que afetam toda uma vida. A histerese de novo, em todo seu esplendor. Impacto na saúde mental Essas constatações não surpreendem Rosa M. Urbanos-Garrido, professora de Economia Aplicada da Universidade Complutense de Madri, que estudou os efeitos da Grande Recessão de 2008 na saúde dos espanhóis. "O desemprego costuma estar associado a problemas relacionados à saúde mental", explica ela à BBC News Mundo. "A depressão, a ansiedade… O medo de não poder ganhar a vida influencia, mas não só: o trabalho é uma plataforma de contatos sociais e de autoestima." Urbanos-Garrido conta que, no início da situação de desemprego, a saúde geral pode até melhorar, mas aos poucos o sentimento de angústia aumenta e, para muitos, a falta de emprego acaba sendo uma obsessão que vai diminuindo a importância do resto da vida, incluindo a saúde. "No início, o estresse diminui à medida que eles têm mais tempo livre e se beneficiam de não sofrerem de doenças relacionadas ao trabalho, mas com o aumento da situação de desemprego, seu estado se deteriora na forma de ansiedade, consumo de álcool e cigarro, obesidade e má alimentação em geral… Tudo está sendo negligenciado, mas o indivíduo continua relatando que sua saúde está boa. O que ele pensa é sobre sua situação de trabalho e o resto não é considerado problema." Urbanos-Garrido também alerta que o momento de desemprego não é irrelevante: "Se o problema não é individual, mas uma situação de crise generalizada, os problemas mentais pioram". É como se houvesse um contágio de desespero para o qual não há máscaras. Esse já é o destino da geração millennial e da geração z ou covid? Fernando tem uma companheira e um menino de dois anos. Ele já foi motorista de ônibus, segurança e pedreiro, às vezes (muitas) na economia informal. Fernando e sua família foram morar com seus pais em Soria (Espanha) há um ano porque ele perdeu o emprego e suas economias não eram suficientes para manter a vida onde estava. Fernando, de 34 anos, nem se chama Fernando porque não quer que seu nome verdadeiro apareça nesta reportagem da BBC News Mundo. Ele diz que tem vergonha. Marta Vegas García também é espanhola. Mais jovem, 23 anos. Ela é engenheira biomédica e também possui mestrado. Há uma semana, ele publicou um telefonema se não fosse por ajuda, sim, de descrença em sua conta do LinkedIn. "Atualizo meu currículo, mas não há resposta. Adapto meu currículo a depender do posto para o qual me inscrevo: não há resposta. Contato empresas e trato de ser proativa. Sem resposta. Me sinto invisível." "Não somos valorizados", disse Vegas à BBC News Mundo. "Vemos nossos sonhos e nosso futuro frustrados", lamenta, e embora ela presuma que a crise de saúde tenha influência, não parece convencida de que este seja o único motivo. "Todos (eu e meus amigos) concordamos que é impossível emancipar-nos, ter acesso a uma casa e muito menos constituir família um dia." Este é o fio que liga a grande recessão econômica de 2008 e a crise do covid-19 em 2020, e dois estranhos como Fernando e Marta. Um, millennial, a outra, da geração Z. Eles não estão sozinhos e parecem representar os sentimentos de muitos de seus contemporâneos. Basta escrever no campo de busca de uma rede social "Na minha idade, meus pais …" e as mensagens se repetem em vários idiomas: "Na minha idade, meus pais tinham empregos e casas, só tenho ansiedade." "Na minha idade, meu pai tinha dois filhos, uma casa, um emprego fixo, um carro e vários anos de contribuições. Não tenho nada disso." "Na minha idade, meu pai tinha economizado por 10 anos e eu vivo de empregos precários e em um quarto". E alguns ainda não imaginavam que chegaria a crise do coronavírus. O estrago da crise do coronavírus "Acho que esse bug foi a gota d'água para a nossa geração", diz Fernando, referindo-se ao coronavírus. Sua intuição é boa. "Há um número notável de trabalhadores que, por terem sofrido desemprego na crise anterior e não ter se consolidado no emprego, também estão sofrendo nesta", observa Ignacio González, da American University. "Existem mercados de trabalho, como o espanhol, que nunca se recuperaram totalmente, então começamos essa crise já com níveis de desemprego bastante altos", afirma. São problemas socioeconômicos que atravessam as vidas há uma década. Assim, se a crise de 1982 afetou a vida daqueles jovens, o que esperar da crise de 2008, definida pelo Fundo Monetário Internacional como "o colapso econômico e financeiro mais grave desde a Grande Depressão dos anos 1930"? Ou desta crise do coronavírus, que o Banco Mundial prevê que o PIB (soma de todas as riquezas produzidas do país) recue mais que o dobro do que na crise anterior? Alguns especialistas já veem danos na vida da geração millennial. Na Europa, o desemprego e a precariedade no emprego já eram maiores antes da crise da covid-19 do que os enfrentados pela geração que os precedeu quando tinham a mesma idade, de acordo com relatório do Centro de Pesquisas CaixaBank. Nos EUA, a riqueza líquida mediana (ativos financeiros e imobiliários menos dívidas) da geração millennial entre 25 e 34 anos (em 2016) é 60% menor do que a de uma geração X quando eles estavam nela faixa etária, conforme esse estudo. Na Espanha, os dados são ainda mais assustadores: a riqueza média é de 3.000 euros, em comparação com os 63.400 euros que suas contrapartes da geração anterior tinham na mesma fase. E a casa, é claro. O número de millennials com casa própria nos EUA é 8 pontos percentuais menor, de acordo com o centro de pesquisas The Urban Institute. Pior na Espanha: 44% contra 65% da geração X (CaixaBank Research). E no Reino Unido, um terço deles nunca será capaz de pagar uma casa, de acordo com o think tank Resolution Foundation. Na América Latina, a crise de 2008 passou na ponta dos pés, pois a região vivia um momento de crescente prosperidade. E, no entanto, "a porcentagem de latino-americanos que declarou não ter dinheiro para comprar uma casa cresceu quase 20 pontos entre 2012 e 2019, chegando a alarmantes 40%", segundo relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Além disso, desta vez a crise não vai passar por muito tempo: após os confinamentos, cerca de 65% dos domicílios mais pobres da região sofreram pelo menos uma perda de emprego entre familiares, segundo o mesmo órgão. E o BID observa: mais de 1 milhão de estudantes desistirão da trajetória por causa da pandemia, com a consequente perda de poder aquisitivo no futuro. O Fórum Econômico Mundial, por sua vez, vê as aposentadorias em risco até o ano 2050, quando atingem a idade de se aposentar, devido à baixa poupança. É possível fazer algo? E neste ponto, é possível fazer algo para deter esse estrago para a geração millennial e seus sucessores? "Há bastante margem para melhorar a resposta à crise", afirma o economista Ignacio González. "Nesse contexto de estresse financeiro para muitas famílias, é fundamental o desenvolvimento de políticas públicas que garantam o acesso à moradia popular e estabeleçam mecanismos de transferência de renda alheia ao histórico de trabalho, como rendas mínimas. Em questão trabalhista, o objetivo seria prevenir que a precarização do trabalho e a queda na renda sofrida por muita gente durante a crise se tornem crônicas e, claro, que isso não leve a uma queda nas suas futuras aposentadorias." "Os afetados nessas gerações, com duas crises consecutivas, terão dificuldades se os mecanismos de redistribuição não forem habilitados, tanto intrageracionais (de ricos para pobres na mesma geração) e intergeracionais", afirma. Urbanos-Garrido, professora da Universidade Complutense, concorda com as medidas de transferência de renda e acrescenta: "Os sistemas de saúde também devem se adaptar para enfrentar os crescentes problemas mentais que provavelmente se repetirão na atual crise". Parece claro que essas gerações não têm esperança de receber alguma ajuda. Uma pesquisa recente da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, com quase 5 milhões de pessoas revelou que os jovens entre 18 e 34 anos são os mais desiludidos com o funcionamento da democracia. "Esta é a primeira geração na memória em que a maioria global está insatisfeita [nessa faixa etária] com a forma como a democracia funciona", alerta Roberto Foa, principal autor do relatório. Um pedido de ajuda ou talvez um grito de advertência. Vídeos: Viva Você
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‘iCarly’ vai ganhar especial com parte do elenco original
Miranda Cosgrove, Jerry Trainor e Nathan Kress voltam a interpretar Carly, Spencer e Freddie em série que foi sucesso nos anos 2000. Nathan Kress, Jerry Trainor e Miranda Cosgrove, de 'iCarly' Reprodução/Nickelondeon A A série adolescente "iCarly", produzida pela Nickelodeon, vai ganhar uma temporada especial em breve, segundo anunciou o canal em seu perfil no Twitter. O trio de atores Miranda Cosgrove (Carly), Jerry Trainor (Spencer) e Nathan Kress (Freddie) já estão confirmados para o elenco do especial, que vai estrear no serviço de streaming Paramount +. Initial plugin text A série foi ao ar entre 2007 e 2012, com seis temporadas, e foi um sucesso entre o público adolescente. A Nickelodeon não deu detalhes sobre a história e nem sobre quais outros atores estão confirmados no elenco. Reuniões de elencos, episódios e até temporadas especiais dominaram o entretenimento em 2020, com uma onda de nostalgia. Já teve encontro com o elenco de "De volta para o futuro", "Um maluco no pedaço" e "Os goonies". Teve convocação do time do "The office" para celebrar, à distância, o casamento de dois fãs da série.
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‘Gambito da Rainha’ e quarentena fazem aumentar interesse pelo xadrez: ‘Efeito espetacular’
Plataforma Chess.com teve 2,5 milhões de novos registros apenas em novembro. Jogadores de xadrez avaliam como esporte é retratado na série e comemoram cifras impressionantes. As medidas de confinamento pela Covid-19 e a minissérie americana da Netflix "O Gambito da Rainha" geraram um entusiasmo "espetacular" pelo xadrez on-line, afirma o grande mestre indiano Vishwanathan Anand. Ao contrário de muitos esportes, que sofreram as consequências do confinamento neste ano, o xadrez experimentou um boom fenomenal, de acordo com a plataforma Chess.com, que teve 2,5 milhões de novos registros apenas em novembro. A paixão por este esporte cerebral foi acentuada em outubro com o lançamento de "O Gambito da Rainha" na Netflix, que teve "um efeito espetacular", diz a estrela internacional do tabuleiro, à agência France Presse. Ele elogia "a qualidade do tratamento" de sua modalidade na série. A história é uma adaptação do romance homônimo de Walter Tevis, publicado em 1983 e inspirado na carreira do campeão americano Bobby Fischer. A ação se passa nos anos 1950-1960 e narra a ascensão meteórica de uma órfã de Kentucky, Beth Harmon, propensa a vícios, no mundo do xadrez, então quase exclusivamente masculino. 'Gambito da Rainha': Assista ao trailer da série Graças a esta série de sete episódios, algumas pessoas, "sentadas no sofá de sua casa, descobriram o xadrez", celebra Anand, falando por telefone em Chennai (ou Madras, no sul da Índia), onde reside. O xadrez já havia feito tanto sucesso durante o confinamento que "agora mais de 13 milhões de pessoas jogam on-line", afirma Vishwanathan Anand, de 51 anos. Ele é 16º no ranking mundial, terceiro na Ásia e primeiro na Índia. Em sua carreira, ele ganhou cinco campeonatos mundiais. 'Federer ou Maradona na sua sala' Melhor jogador de xadrez da história da Índia, ele teve o privilégio de enfrentar os maiores, como os famosos russos Garry Kasparov e Vladimir Kramnik, ou o israelense-bielo-russo Boris Gelfand. Boris Gelfand, jogador de xadrez israelense-bielo-russo CultureBuzzIsrael/YouTube/Reprodução Para ele, a internet permitiu tornar o xadrez universal. "Qualquer pessoa, mesmo quem não conhece as regras, pode jogar on-line", afirma Anand, garantindo que "é uma experiência adaptável a todos os públicos". Aos 30 anos, o grande mestre conquistou seu primeiro título mundial sênior, em 2000, três anos depois da derrota histórica do supercomputador Deep Blue para o campeão mundial Kasparov. "Eu estava em uma geração de confluência. Quanto tinha 17 anos, apareceu a primeira base de dados de xadrez. E, desde então até hoje, sempre trabalhei consideravelmente com computadores", conta. "Mudaram a forma como estudamos o jogo. Qualquer indivíduo, mesmo que seja um jogador ruim e esteja isolado, está sentado diante do melhor enxadrista mundial, sempre disposto a responder a qualquer dúvida", explica. "É um pouco como ter Roger Federer, ou Diego Maradona, na sua sala dizendo 'vou te ensinar o que você quiser'. O impacto dos programas de xadrez é equivalente", compara. Durante o confinamento, Anand ficou três meses preso na Alemanha, onde disputava um torneio, muito longe de sua casa, à espera de um voo de volta para a Índia. Neste ano em particular, ele se deu conta dos limites da tecnologia e da total necessidade da troca humana. Nada será capaz de reproduzir, e muito menos de substituir, a sensação e o clima de um torneio ao vivo, a experiência e a intensidade do confronto cara a cara. "Para jogar de verdade, você tem que conhecer a impressão de estar sentado em uma sala, sentindo toda tensão que tem nela", ressalta. "Preciso me lembrar de tudo isso. Foi uma pausa muito, muito longa. Nunca antes a atividade mundial havia sido reduzida a este ponto", completou.
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Alice Caymmi e Luana Carvalho apostam na mesma melodia de Latino com registros simultâneos do funk ‘Me leva’
Luana Carvalho regrava 'Me leva' no álbum 'Segue o baile', agendado para 19 de dezembro Jorge Bispo / Divulgação ♪ Ao se lançar no mercado fonográfico em 1994, Latino – nome artístico do cantor e compositor carioca Roberto de Souza Rocha – emplacou de cara um grande sucesso. Composição de autoria do próprio Latino, Me leva alavancou o primeiro álbum do artista, Marcas de amor, e contribuiu para elevar a onda de funk melody que se ergueu nos bailes na década de 1990, abrindo caminho para a aparição e o estouro da dupla fluminense Claudinho & Buchecha. Com melodia aliciante, o suave funk romântico de Latino ganhou registro de voz & violão de Luana Carvalho, apresentado pela cantora carioca em 26 de junho em vídeo publicado no Instagram. Por uma coincidência, dessas que vez e outra surpreendem o universo pop, Alice Caymmi também aposta na melodia simples e fluente de Latino e lança na sexta-feira, 11 de dezembro, single com regravação de Me leva. Uma semana depois, em 19 de dezembro, Luana Carvalho lança o álbum Segue o baile com repertório que inclui abordagens de funks cariocas. Entre eles, há Me leva, a música que Luana cantou suavemente em registro caseiro postado em junho. Capa do single 'Me leva', de Alice Caymmi Igor Reis No single de Alice Caymmi, Me leva ressurge com batida eletrônica – com produção musical formatada por Vivian Kuczynski, artista curitibana de 17 anos com qeum Alice fez outras gravações ainda inéditas e previstas para serem lançadas em 2021 – sem que a cantora deixe de enfatizar o caráter melódico do funk pop de Latino. Alice Caymmi – cabe lembrar – já tinha abordado outro antológico funk melody, Princesa, composto por MC Marcinho e apresentado pelo autor em gravação feita para o álbum Porque te amo (1997), lançado por Marcinho com a funkeira MC Cacau. Princesa foi uma das boas surpresas do segundo álbum de Alice Caymmi, Rainha dos raios (2014).
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BTS é eleito artista do ano pela revista ‘Time’
Quebras de recordes e conexão com fãs ao redor do mundo foram citados pela publicação como exemplos da força do grupo de K-pop. BTS recebe o prêmio de 'Melhor Música' no MTV EMA 2020; Grupo de K-pop estava em Los Angeles e participou virtualmente Cortesia MTV/Via Reuters O grupo sul-coreano BTS foi eleito o "artista do ano" pela revista Time nesta quinta-feira (10). A revista classifica o BTS como "a maior banda do mundo" devido aos recordes quebrados e à conexão com seus fãs em diversos países, os "armys". Entre ações e feitos relevantes da banda neste ano, estão: Ter liderado a parada de músicas da 'Billboard' pela 1ª vez com uma canção em coreano: "Life goes on" Ser o 1º grupo de k-pop entre indicados de categorias musicais do Grammy Fazer uma doação de US$ 1 milhão para ativistas contra o racismo nos EUA e inspirar os fãs a criaram uma campanha colaborativa Em entrevista à "Time", Suga, um dos membros do BTS, declarou que ainda se surpreende com tudo isso. "Há momentos em que ainda fico surpreso com todas as coisas inimagináveis que estão acontecendo. Mas eu me pergunto: quem vai fazer isso senão nós?" Além de Suga, o BTS é composto por RM, Jin, J-Hope, Jimin, V e Jung Kook. A publicação também elegeu o jogador de basquete LeBron James como atleta do ano. A "pessoa do ano" ainda não foi escolhida. Entre os finalistas, estão Joe Biden, Donald Trump, trabalhadores de saúde e o médico Anthony Fauci e movimentos por justiça racial.
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Ellen DeGeneres é diagnosticada com Covid-19
Apresentadora usou as redes sociais para relatar que testou positivo para a doença. ‘Estou me sentindo bem.’ Ellen DeGeneres em foto de novembro de 2019 Mark Von Holden /Invision/AP Ellen DeGeneres testou positivo para Covid-19. A apresentadora de 62 anos usou as redes sociais na tarde desta quinta-feira (10) para falar sobre o diagnóstico. Na mensagem, ela afirmou que está se sentindo bem. "Quero que vocês saibam que eu testei positivo para Covid-19. Felizmente, estou me sentindo bem agora. Todos que tiveram contato próximo comigo foram notificados e estou seguindo todas as diretrizes apropriadas do Centro de Controle de Doenças", escreveu Ellen. Ela ainda pediu: "Por favor, se mantenham seguros e saudáveis". "Vejo vocês após as festas de final de ano", escreveu Ellen ainda na publicação. Segundo a revista Variety, a produção do "The Ellen DeGeneres Show" ficará pausada até janeiro. Initial plugin text VÍDEOS: Saiba tudo sobre entretenimento com o Semana Pop:
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Claudia Leitte canta com Dadá Boladão, astro do brega-funk, em música inédita do EP ‘Sol a sol’
♪ Afrontosa e Mulherão são os nomes das duas músicas inéditas que alavancam o EP Sol a sol, lançado por Claudia Leitte às 20h desta quinta-feira, 10 de dezembro. Alvos de lyrics videos, ambas as músicas foram gravadas pela artista sob direção musical de Luciano Pinto. Composição de autoria de Diego Brandão e Shylton Fernandes, Mulherão é o carro-chefe inicial do disco, que contabiliza cinco faixas. Já Afrontosa – música creditada aos compositores Renno Poeta, Vinicius Poeta, Hiago Nobre e Júnior Gomes – se diferencia no EP por trazer, como convidado da faixa, o cantor recifense Dadá Boladão, astro ascendente do subgênero rotulado como brega-funk. Com cinco faixas, o EP Sol a sol rebobina as músicas Rodou (Junior Gomes, Renno Poeta, Hiago Nobre e Kinho Chefão) – gravada por Claudia Leitte com Wesley Safadão – e Desembaça (Samir Trindade e Jack Pallas), sendo que Desembaça aparece também em inédita versão em espanhol intitulada Vete de mi vida e escrita pela própria Claudia Leitte com Lala Nascimento. Capa do EP 'Sol a sol', de Claudia Leitte Divulgação
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