Dólar opera em queda e recua a abaixo de R$ 5,15
Na mínima do dia até o momento, moeda dos EUA chegou a R$ 5,1665 – menor cotação desde 31 de julho. Notas de dólar e real em casa de câmbio no Rio de Janeiro Reuters O dólar opera em forte queda nesta quinta-feira (3), abaixo de R$ 5,15, refletindo a fraqueza da moeda norte-americana no exterior em meio a expectativas de mais estímulo econômico nos Estados Unidos e otimismo em relação à distribuição de vacinas para a Covid-19. No Brasil, concentrava a atenção dos investidores a divulgação dos números do PIB (Produto Interno Bruto) do 3º trimestre. Às 12h, a moeda norte-americana recuava 1,96%, cotada a R$ 5,1386. Na mínima até o momento, chegou a R$ 5,1381 – menor cotação intradia desde 29 de julho (R$ 5,1160). Veja mais cotações. Já o dólar turismo era negociado a R$ 5,3941. O Ibovespa operava em alta, acima dos 112 mil pontos. Na quarta-feira, o dólar comercial fechou em alta de 0,25%, a R$ 5,2413. Na parcial de dezembro, a moeda norte-americana acumula queda de 1,97%. No ano, o avanço ainda é de 30,71% O Banco Central fará neste pregão leilão de swap tradicional para rolagem de até 16 mil contratos com vencimento em abril e agosto de 2021, destaca a Reuters. Cenário local e externo Segundo Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho, principalmente fatores externos pressionavam a moeda norte-americana frente ao real nesta quinta-feira. "Há expectativa de taxas de juros baixas em todo o mundo, esperanças em relação a um pacote de ajuda (fiscal) nos EUA e otimismo em relação a vacinas… Isso acaba contribuindo para o bom humor dos mercados", afirmou à Reuters. O líder da maioria na Câmara dos EUA, Steny Hoyer, expressou esperança de que um acordo de estímulo fiscal possa ser alcançado "nos próximos dias", e qualquer legislação provavelmente precisará ser complementada com mais ajuda no próximo ano. As esperanças de mais apoio para empresas e cidadãos da maior economia do mundo se somavam ao otimismo em torno da distribuição de vacinas para a Covid-19, depois que o Reino Unido aprovou nesta semana o imunizante da Pfizer e da BioNTech. A vacina poderá começar a ser aplicada aos mais vulneráveis já na semana que vem. Na agenda do dia, o IBGE divulgou mais cedo que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,7% no terceiro trimestre – retirando o país da recessão, mas sem recuperar as perdas da pandemia. Os números do PIB vieram mais fracos do que o esperado. A expectativa do mercado era de um crescimento de 8,8% em relação ao trimestre anterior, segundo a mediana das estimativas levantadas pelo Valor Econômico. A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia avaliou nesta quinta-feira que o crescimento econômico do terceiro trimestre, embora abaixo do esperado pelo mercado, confirma a retomada em V da atividade, quadro que dispensa a necessidade de auxílios do governo para o próximo ano. PIB avança 7,7% entre julho e setembro, diz IBGE Do lado mais estrutural, o foco dos mercados segue voltado para a sustentabilidade fiscal do Brasil e as incertezas sobre a aprovação de medidas de ajuste fiscal para garantir a saúde das contas públicas. Na véspera, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que uma "recuperação robusta e inclusiva" da economia brasileira depende do avanço de reformas estruturais" e da sustentabilidade da dívida pública. Economia caminha para crescimento tímido em 2021 Risco fiscal: entenda o que é e saiba por que a piora das contas públicas preocupa No exterior, a atividade empresarial da zona do euro contraiu com força em novembro depois que governos em todo o bloco retomaram as medidas de lockdown para tentar conter uma segunda onda de infecções por coronavírus. O PMI Composto da IHS Markit despencou a 45,3 em novembro de 50,0 em outubro — a marca de 50 separa crescimento de contração. A economia do bloco vai contrair de novo neste trimestre, de acordo com pesquisa da Reuters, mas com esperanças de uma vacina e de suporte adicional do Banco Central Europeu, as estimativas de crescimento trimestral para o próximo ano foram melhoradas. Assista às últimas notícias de economia Variação do dólar em 2020 Economia G1
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Baixa eficiência no combate à pandemia atrapalha crescimento e exige mais gastos públicos
Medidas de estímulo fiscal anunciadas no Brasil equivalem a 9,4% do PIB, o dobro da média de países emergentes. Especialistas destacam que afrouxamento das medidas de restrição ocorreu de maneira mais rápida e que quarentena foi menos rígida por aqui. O ministro da Economia, Paulo Guedes, durante a cerimônia de prorrogação do auxílio emergencial a trabalhadores informais, no Palácio do Planalto, em Brasília DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO O tamanho do pacote de estímulo fiscal do governo foi determinante para a forte reação da economia brasileira no 3º trimestre, que cresceu 7,7%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) camufla uma baixa eficiência no controle da pandemia no país, que atrapalha as perspectivas para o crescimento do Brasil em 2021, segundo economistas ouvidos pelo G1. Ainda que o Brasil tenha mostrado um ritmo de recuperação similar ao das grandes economias, o volume de estímulos e de ajuda do governo por aqui foi bem superior ao desembolsado por países emergentes e até mesmo desenvolvidos no combate do coronavírus. A resposta do governo para a crise ajudou a evitar um tombo ainda maior da economia em 2020 e garantiu algum alívio para empresas e trabalhadores que se viram de uma hora para a outra sem renda. Mas, sob o aspecto sanitário, o Brasil aparece como o segundo país com maior número de mortes por Covid-19 no mundo e o terceiro em número de casos confirmados, segundo monitoramento da Universidade Johns Hopkins. “Exatamente pelo fato da pandemia estar sendo tão mal combatida no Brasil sob o ponto de vista de saúde, isto está forçando uma reação mais forte em termos de intervenção de gasto do governo. Então fica um resultado um pouco enganador. O PIB acabou caindo menos por aqui porque tem este estimulante artificial”, afirma Fernando Veloso, pesquisador do Ibre/FGV. PIB trimestre a trimestre Guilherme Luiz Pinheiro/G1 Na avaliação do economista, à medida que os programas de auxílio forem encerrados, as consequências da ineficácia no combate à pandemia na trajetória de recuperação da economia brasileira ficarão mais evidentes. Brasil se aproxima de 175 mil mortos por Covid-19 País vive 'início de 2ª onda' de Covid por falta de testes, de política centralizada e de isolamento social, apontam pesquisadores “A ineficácia vai cobrar um preço muito alto. Não agora de imediato, mas no ano que vem porque não tem como estender esses auxílios todos, e com esse combate ruim da pandemia o mercado de trabalho não vai se recuperar bem também. A taxa de desemprego já está subindo, a informalidade também deve voltar com força, então isso impede que outros mecanismos econômicos, principalmente o investimento privado, substituam o auxílio emergencial que vai acabar”, avalia. Os gastos do governo anunciados para combater os efeitos da pandemia já somam R$ 615 bilhões, segundo o Tesouro Nacional. Levantamento do Banco Central, a partir de dados do FMI (Fundo Monetário Internacional), mostra que as medidas de estímulo fiscal direto anunciadas no Brasil equivalem a 9,4% do PIB, o dobro da média dos países emergentes e inferior apenas ao de países como Japão (16,2% do PIB), Canadá (12,4%) e EUA (12,2%). Veja no gráfico abaixo: Estímulo fiscal na pandemia em países selecionados Economia G1 Para o economista Sergio Vale, da Consultoria MB Associados, diante do volume do gasto para estimular a economia seria desejável uma recuperação até mesmo mais forte do que a observada no Brasil, onde apenas parte dos setores eliminaram as perdas da fase mais aguda da pandemia. O setor de serviços, que possui o maior peso no PIB e o que mais emprega, continua bastante prejudicado, principalmente por reunir atividades tipicamente de aglomeração e que dependem do controle da pandemia para voltarem à normalidade. “A recuperação observada no PIB de todos os países no terceiro trimestre, com números significativos, não foi muito diferente do resultado do Brasil. A questão é que, dado que a gente colocou esse caminhão de recursos monetários e fiscais, talvez era para ter tido uma recuperação ainda mais esfuziante, ainda mais forte”, afirma. Os melhores e os piores países para se estar na pandemia O economista lembra também que, por aqui, o afrouxamento das medidas de restrição e do isolamento social ocorreu de maneira mais rápida do que a observada em outros países. "Na verdade não teve um lockdown como a gente viu acontecer na Europa, a gente não parou totalmente. É preciso colocar na conta também que a nossa quarentena foi muito mais frágil. Será que se o Brasil tivesse feito um lockdown mais agressivo do que um fajuto o nosso PIB não teria caído muito mais e a gente estaria falando de números muito piores? Eu acho que sim”, opina. Vidas perdidas e segunda onda de Covid-19 Ainda que a Europa esteja passando por uma segunda onda de Covid-19, o maior rigor e eficiência no combate à pandemia lá atrás garantiu não só uma recuperação rápida de parte das perdas do 2º trimestre como também a redução do número de mortes e contaminações. "Lá fora o lockdown foi severo e o controle da pandemia funcionou. Com certezas os estudos vão mostrar que a gente permitiu que muitas vidas fossem perdidas por conta de um lockdown mal feito lá no início", critica Vale. "Esse meio do caminho que a gente teve ali em julho, agosto, com números ainda muito fortes, médias diárias de 1 mil mortes, talvez isso poderia ter sido evitado. Poderíamos eventualmente estar entrando numa segunda onda agora, mas com a perspectiva logo à frente que está vindo agora de uma vacina. A gente poderia teria economizado, salvado muitas vidas nesse período se tivéssemos feito algo mais agressivo” , continua. Na visão do analistas, a piora da situação fiscal e a pandemia ainda fora de controle por aqui também atrapalham as perspectivas para uma retomada sustentável da economia brasileira. A avaliação é que o ritmo de recuperação irá desacelerar significativamente já no 4º trimestre, com a redução do auxílio emergencial, aceleração da inflação, incertezas relacionadas à recuperação do mercado de trabalho e dúvidas sobre a capacidade do governo de dar prosseguimento à agenda de reformas estruturais o Congresso. "A preocupação agora é como vai ser o quarto trimestre, com o auxílio emergencial menor e a pandemia voltando. Vamos ter um dezembro provavelmente com as pessoas ficando mais restritas", diz Vale. Comparativo de dívidas Economia G1 Segundo Paloma Anós Casero, diretora do Banco Mundial para o Brasil, o alto gasto do governo com estímulo fiscal ajudou a conter o índice de pobreza do país em meio à crise. No entanto, o desafio para 2021 é lidar com os efeitos de uma segunda onda da Covid-19 e as dificuldades para distribuir a vacina em todo mundo. "O estímulo fiscal aumentou muito o déficit público. É preciso manter o momento de reformas econômicas estruturais para aumentar a renda per capta e manter o crescimento do país", afirma Paloma. Estimativas da instituição financeira apontam para um déficit público de 93,5% do PIB brasileiro em 2020 — o maior entre os BRICs (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Em 2019, esse percentual foi de 75,8%. Na Índia, a dívida deve chegar a 90,4% do PIB, enquanto na China, a projeção é de 52,4%. Piora das contas públicas preocupa e pode atrapalhar a retomada da economia Apesar das notícias promissoras sobre vacinas contra a Covid-19, os analistas afirmam também que não se pode descartar por enquanto a necessidade de prorrogação dos estímulos para o começo de 2021. “Já tem um debate em torno disso. O governo não reconhece, mas já têm parlamentares propondo isso", afirma Veloso. "Quanto mais ineficaz for o combate à pandemia, mais isso vai atrapalhar o crescimento do ano que vem", acrescenta. Juliana Inhasz, coordenadora de economia do Insper, concorda com Veloso sobre a necessidade de prorrogar os estímulos e destaca a "difícil herança fiscal" que o Brasil vai carregar em 2021: "Devemos romper 2021 com déficit e perspectiva de dívida maiores, e o governo com pouco espaço para corte. Levando isso em consideração, ele [governo] vai ter que encontrar um jeito para se financiar ou vai complicar ainda mais as contas públicas e prejudicar sua credibilidade no mercado", analisa a economista. Initial plugin text
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PIB do 3º trimestre: veja atividades que retomaram nível pré-pandemia e as que ainda acumulam perdas
Setor de serviços, que possui o maior peso no PIB, é o que apresenta retomada mais lenta. Indústria e comércio eliminaram perdas da fase mais aguda da pandemia, mas mostram perda de fôlego. Consumo das famílias e investimentos tiveram recuperação parcial. Movimentação de pessoas na região da Rua 25 de Março, no Centro de São Paulo, em foto de outubro. Cris Fraga/Estadão Conteúdo Com a alta de 7,7% do (Produto Interno Bruto) do Brasil no 3º trimestre, após o tombo recorde do 2º trimestre, a economia brasileira conseguiu reverter parte das perdas provocadas pelo choque inicial da pandemia de coronavírus. A recuperação, no entanto, ainda se mostra desigual e incompleta, com o setor de serviços se mantendo como o mais prejudicado e com reação mais lenta. Entre os destaques de recuperação estão a indústria e o comércio, com ambos eliminando as perdas do período mais agudo da pandemia. Na outra ponta, o setor de serviços continuou enfrentando dificuldades para voltar à normalidade, sobretudo as atividades que exigem contato direto ou se baseiam na mobilidade das pessoas, como turismo, lazer e alimentação fora de casa. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias e os investimentos voltaram a crescer no 3º trimestre, mas a reação foi insuficiente para um retorno ao padrão pré-Covid-19. Se por um lado um lado o Auxílio Emergencial foi crucial para 'segurar' a economia e apoiar trabalhadores que se viram de uma hora para a outra sem renda, o desemprego em alta, a incerteza sobre o futuro e a disparada dos preços dos alimentos forçaram o brasileiro a consumir menos e também inibiram novos investimentos por parte das empresas. Confira a seguir o comportamento dos principais componentes do PIB no 3º trimestre e as perspectivas para os principais setores da economia: VÍDEO: Dados do IBGE mostram atividades que retomaram nível pré-pandemia Serviços seguem na lanterna O setor de serviços, que possui um peso de mais de 70% no PIB brasileiro e mais emprega, segue como o mais afetado pela pandemia, sobretudo os segmentos voltados às famílias, que demandam maior mobilidade e que envolvem naturalmente aglomeração como os de lazer e recreação. Pesquisa mensal do IBGE que monitora apenas parte das atividades mostrou que o volume de serviços no país encerrou setembro num patamar ainda 8% abaixo do rodava em fevereiro, com diversos ramos ainda não funcionando em plena capacidade, em razão de restrições sanitárias ou mesmo de mudanças no padrão de consumo e de prioridades das famílias. Entre as atividades que seguem prejudicadas e com a demanda bem abaixo do padrão pré-pandemia estão hotéis, transporte aéreo, bares e restaurantes, cinemas, educação privada e atividades associadas ao lazer. “As famílias ainda não estão consumindo esses serviços da mesma forma que consumiam antes da crise, e acredito que em 2021 também não vão estar. Esses serviços estão se reinventando para conseguir sobreviver, mas com capacidade limitada, distanciamento e uma redução da produtividade", destaca Luana Miranda, economista do Ibre/FGV. Em setembro, os serviços prestados às famílias ainda estavam 36% abaixo do patamar de fevereiro. As exceções de avanço no ano, segundo o IBGE, foram os serviços de tecnologia da informação e de intermediação financeira, em meio a maior demanda por serviços e ferramentas online. Veja no quadro abaixo: Setor de serviços ainda não eliminou perdas com pandemia Economia G1 Móveis, eletrodomésticos e cimento são destaques no comércio O comércio, que também integra o PIB de serviços, tem sido o destaque positivo de recuperação do setor, favorecido pelos pagamentos do Auxílio Emergencial e pelo crescimento das vendas pela internet. Segundo pesquisa setorial mensal do IBGE, o varejo brasileiro cravou em setembro a quinta alta seguida, zerando não só as perdas com a pandemia como também do ano. Mesmo dentro do varejo, porém, os ramos não apresentaram o mesmo ritmo de recuperação. A retomada foi puxada por itens de primeira necessidade como alimentos e artigos farmacêuticos e de perfumaria. Mas mudanças nos hábitos de consumo e a maior permanência das famílias dentro de casa também fizeram crescer também as vendas de móveis, eletrodomésticos e material de construção. Por outro lado, segmentos como os de tecidos, vestuário e calçados, combustíveis, automóveis e livros e papelaria continuam no vermelho no acumulado no ano até setembro. Veja no gráfico abaixo: Vendas do comércio no ano, por atividade Economia G1 Indústria reage, mas ainda acumula perdas no ano O setor industrial também reverteu no 3º trimestre as perdas com a fase mais aguda da pandemia. Em setembro, o nível de produção superou em 0,2% o patamar de fevereiro, antes das paradas nas fábricas e medidas de isolamento para contenção do coronavírus. A indústria também foi o principal destaque na criação de empregos com carteira assinada no trimestre. A recuperação, porém, ainda não é completa porque o setor já vinha enfrentando dificuldades antes mesmo da crise trazida pela Covid-19. Em razão disso, a indústria brasileira ainda acumula perdas no ano. Dos 26 ramos industriais monitorados pela pesquisa mensal do setor do IBGE, apenas 6 registram crescimento no acumulado no ano até outubro, com destaque para produtos alimentícios, produtos derivados do petróleo, perfumaria e produtos de limpeza, produtos farmacêuticos e celulose. O pior desempenho é o das empresas das categorias de bens de consumo duráveis e de bens de capital, que incluem a fabricação de máquinas e veículos, com perdas ainda de dois dígitos no acumulado em 2020. "A indústria automobilística caiu bastante por conta de um efeito duplo complicador, que foi a pandemia e a questão Argentina, uma vez que o Brasil exporta muito para a Argentina", observa Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, citando a recessão no país vizinho e o tombo nas exportações. Falta de matéria-prima atrapalha retomada da indústria A construção civil, que também entra no cálculo do PIB industrial, foi um dos grandes destaques do 3º trimestre, com as famílias aproveitando a pandemia para realizar reformas nos imóveis e com o mercado imobiliário impulsionado pelos cortes na taxa básica de juros, atualmente na mínima histórica de 2% ao ano. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), as vendas de imóveis novos cresceram 57,5% no 3º trimestre, na comparação com os 3 meses anteriores. No acumulado nos 9 primeiros meses do ano, a alta foi de 8,4%. “A construção foi uma surpresa. Foi um segmento que parecia que ia derrapar, mas as pessoas continuaram comprando imóveis e a demanda por cimento subiu num ritmo maior até do que estava crescendo até anteriormente", afirma Vale. Agronegócio segue praticamente incólume O agronegócio segue como um dos poucos setores que praticamente não foi abalado pela pandemia. O bom desempenho do ano tem sido sustentado pela safra recorde, pela alta nos preços das commodities agrícolas e pelo câmbio favorável para os exportadores. Historicamente, os resultados do 3º trimestre são mais fracos que os do 1º semestre, em razão do efeito estatístico de uma base de comparação mais elevada, mas vale lembrar que o agronegócio foi o único entre os 3 grandes setores que registrou crescimento na primeira metade do ano. "Os dados de bovinos e aves deram uma reduzida, e a produção de leite também. Foi isso que levou a um número pior no 3º trimestre", explica Miranda, acrescentando que a expectativa é de que o setor fechará o ano com crescimento. A safra de grãos deve atingir em 252 milhões de toneladas em 2020, patamar recorde e 4,4% acima da colheita de 2019, segundo a última estimativa do IBGE. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima um crescimento de 1,5% do PIB da agropecuária em 2020 e de 1,2% em 2021. PIB trimestral por setores Guilherme Luiz Pinheiro/G1 Consumo das famílias O consumo das famílias – principal motor do PIB brasileiro há anos – mostrou uma recuperação parcial no 3º trimestre e foi sustentado principalmente pelos repasses do Auxílio Emergencial, que chegou a 67,7 milhões de pessoas, representando um gasto público sem precedentes de mais de R$ 230 bilhões. A principal dúvida agora é como se comportará a economia com a redução do valor da ajuda às famílias de R$ 600 para R$ 300 no último trimestre do ano e com a perspectiva de encerramento dos programas lançados pelo governo para atenuar os impactos da pandemia. Os analistas destacam que a produção industrial e o varejo mostram perda de ritmo e que os indicadores de confiança indicam uma desaceleração do consumo nesta reta final do ano. "Acreditamos que vai haver uma acomodação do crescimento da atividade econômica no 4º trimestre, por isso projetamos uma queda do PIB mais próxima de 5% no ano do que de 4%”, afirma Miranda. Pesam também nas perspectivas para o nível de consumo das famílias a inflação em aceleração, o desemprego em patamar recorde. Incertezas inibem investimentos A pandemia ainda fora de controle no no país, a paralisia na agenda de reformas estruturantes e as preocupações em torno da trajetória da dívida pública continuaram a abalar a confiança dos empresários e a inibir os investimentos. Os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) cresceram 11% no 3 trimestre, após queda de 16,5% no trimestre anterior. No acumulado do ano, a queda é de 5,5%. "A preocupação fiscal é hoje o que tem emperrado uma retomada mais rápida da economia. O empresário que estava pensando construir uma fábrica em 2021, pensa duas vezes ou então avalia fazer o investimento por etapas", afirma Alex Agostini, economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating. A taxa de investimento em percentual do PIB foi de 16,2% do PIB no 3º trimestre, contra 16,3% no mesmo período do ano anterior. Em 2013, chegou a superar 21%. Na leitura do mercado, o desequilíbrio das contas públicas pode levar a uma fuga de investidores do país e um consequente aumento antes do esperado da taxa básica de juros, encarecendo a tomada de crédito pelas empresas e a credibilidade do país. A retomada dos investimentos passa também pela agenda privatizações e leilões de infraestrutura, cujo programa federal ficou empacado e agora virou promessa para 2021 e 2022. "Vamos começar 2021 com uma economia que ainda vai estar sendo atingida pela pandemia, não vamos ter ainda uma vacina consolidada, e com uma situação muito frágil do ponto de vista fiscal, de mercado de trabalho e de ambiente político", diz Vale. PIB pela ótica da demanda Guilherme Luiz Pinheiro/G1 Initial plugin text Assista as últimas notícias de economia
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Economia caminha para crescimento tímido em 2021
Sem estratégia clara para melhora das contas públicas e com a redução de incentivos concedidos neste ano, não há um motor claro para recuperação vigorosa do PIB do ano que vem. PIB 2021: consumo foi motor do crescimento em 2020, mas auxílios serão retirados na virada do ano e impulso na economia terminará de uma só vez Divulgação/Magazine Luiza A alta de 7,7% do PIB brasileiro no 3º trimestre e a expansão projetada para o período seguinte não devem afastar o Brasil de um cenário de crescimento tímido em 2021. As projeções do boletim Focus, do Banco Central, estimam alta de 3,45% para o PIB do ano que vem, após uma queda em torno de 4,5% em 2020. Boa parte desse número é o que se chama de carrego estatístico — a herança que fica do desempenho positivo da atividade deste ano para o próximo. Economistas procurados pelo G1 estimam que o carrego deve variar de 2% a 3%, e elencam uma série de incertezas que dificultam uma retomada mais robusta da atividade econômica. A principal delas é a dúvida quanto a resolução da crise fiscal do país, além do suporte à população em momento de saída de crise sem furar o teto de gastos. Risco fiscal: entenda o que é e saiba por que a piora das contas públicas preocupa e pode atrapalhar a retomada da economia O teto se tornou uma espécie de âncora fiscal para o mercado, pois impede o crescimento das despesas acima da inflação do ano anterior. Sem ele, a percepção de risco pode dos investidores com o Brasil tende a piorar, o que pode provocar uma saída ainda maior de investidores, desvalorização ainda maior da taxa de câmbio e aumento de juros. “O risco é de baixa para a atividade. A gente vê essa agenda fiscal escorrendo cada vez mais para 2021. O país entra em 2021 com um nível de incerteza mais alto.”, afirma Alessandra Ribeiro, economista e sócia da consultoria Tendências. PIB anual Economia G1 Parte dos economistas defende uma remodelação do conceito do teto de gastos, abrindo espaço para investimentos e assistência social em momento de crise. Isso porque, na virada do ano, seria necessário um aporte mais robusto do governo para substituir ou diminuir aos poucos a injeção de recursos garantida pelo Auxílio Emergencial, que deu energia à demanda e amorteceu a queda do PIB ao longo de 2020. Criado para reduzir os efeitos da pandemia no orçamento das famílias, o auxílio se revelou o principal motor de crescimento da economia neste ano e turbinou o consumo das famílias mesmo em um ano de crise. A ajuda representou uma injeção de recursos de cerca de R$ 330 bilhões na economia – cerca de R$ 50 bilhões ao mês quando eram pagas as parcelas de R$ 600. O valor é bem mais expressivo do que o do Bolsa Família, que custa cerca de R$ 35 bilhões ao ano e beneficia 14 milhões de famílias. Nas contas da Tendências, uma ampliação do Bolsa Família, com tíquete médio de R$ 300 e atendendo 17,5 milhões de famílias, faria com que o governo precisasse "achar" R$ 30 bilhões no Orçamento do próximo ano. “O maior desafio de 2021 é tirar recursos de dentro do orçamento para financiar essa ajuda. [O fim do Auxílio Emergencial] É uma retirada de apoio à demanda muito significativa. Não vejo outro motor da economia capaz de substituir esse impulso fiscal”, diz Elisa Machado, economista-chefe da ARX Investimentos. Miriam Leitão: renúncias fiscais podem ser opção para financiar o Renda Cidadã Mais do mesmo Já no início de dezembro e ainda sem clareza sobre um plano de ação — ou eventual impulso à economia —, o cenário à frente se torna ainda mais turvo e reduz expectativas de um crescimento que surpreenda. “O ano de 2021 já começa com um nível de PIB mais alto do que a média de 2020. Se a economia não crescer ao longo de 2021, a taxa de crescimento do PIB já vai estar em torno de 2,5%.”, diz o economista-chefe da BlueLine Asset Management, Fabio Akira. Procurado para comentar os planos para 2021, o Ministério da Economia não concedeu entrevista. Mas são dois passos que o governo espera, no curto prazo, para dar um norte à situação: o envio do Orçamento de 2021 (com um programa social possivelmente inserido) e a aprovação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) com mecanismos de controle de despesas públicas para União, estados e municípios, a chamada PEC Emergencial. Se aprovada, a PEC pode permitir, por exemplo, que o governo reduza a jornada de trabalho e o salário de servidores públicos, abrindo mais espaço tanto para um programa social como para outros manejos dentro do Orçamento. A economista Luana Miranda, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), espera essa sinalização dos planos do governo para repensar as projeções de crescimento para o ano que vem. "O ideal seria deixar claro que há uma forma de reduzir gastos obrigatórios, especialmente com funcionalismo. Se a sinalização fiscal for muito ruim, o Banco Central terá que subir juros antes do imaginado e a situação fiscal sofrerá ainda mais deterioração", diz Luana. O Ibre/FGV espera um crescimento de 3,5% para 2021. A trajetória da dívida pública, hoje por volta dos 95% do PIB, e respeito ao teto serão determinantes para que o número não seja menor. Análise: os números do desemprego e as perspectivas para 2021 O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, lembra que, mesmo com os ajustes feitos, há ainda um peso enorme contra o crescimento pelo lado da demanda, em consumo e investimentos. A consultoria espera apenas 2,2% de crescimento para 2021. Vale afirma que, ainda que o saldo do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) possa fechar o ano de 2020 em campo positivo, a sondagem do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra uma taxa recorde de desemprego no país. Além de diminuição da massa salarial do brasileiro, quem está empregado e vê o cenário difícil do mercado acaba retraindo o ímpeto de consumir. Já para o investimento, o economista lembra que a capacidade ociosa da indústria ainda é bastante elevada e a desvalorização do real frente ao dólar inibe a compra de equipamentos e ampliação de fábricas. "Por mais que se tenha novos marcos regulatórios, como a Lei do Saneamento, e haja concessões acontecendo, são movimentos que levam um tempo para surtir efeito", afirma Vale. Além disso, diz ele, o Brasil tem passos a evoluir na segurança jurídica de parcerias público-privadas. Um exemplo marcante é a decisão da Justiça de negar a devolução da concessão da Linha Amarela no Rio de Janeiro à empresa Lamsa. A Prefeitura do Rio, desgostosa com as taxas cobradas como pedágio, pediu o cancelamento da concessão. O Supremo Tribunal Federal confirmou, em outubro, a posição do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que deu ganho à Prefeitura. "Podemos ter dificuldades para outros investidores. Quem vai investir no país que volta a ter essas questões que pareciam estar adormecidas, de intervenção nas concessões?", diz. Initial plugin text VÍDEOS: Últimas notícias de Economia
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Para secretário de Guedes, PIB do 3º trimestre mostra que país não precisa estender auxílios
O Secretário de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, utilizou os números do PIB do 3º trimestre divulgados nesta quinta-feira (3) para defender que não há necessidade de estender para 2021 os auxílios governamentais, como o emergencial de R$ 600 ou R$ 300 pago à população vulnerável.
“A forte recuperação da atividade, do emprego formal e do crédito, aliada ao aumento da taxa de poupança, pavimentam o caminho para que a economia brasileira continue avançando no primeiro semestre de 2021 sem a necessidade de auxílios governamentais”, afirmou Sachsida ao blog logo após a divulgação dos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
PIB avança 7,7% entre julho e setembro, diz IBGE
A continuidade no próximo ano do pagamento do auxílio emergencial, ou de reforço de outros programas sociais e de crédito, é defendida por parlamentares, debatido dentro do governo e até mesmo recebeu respaldo do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Apesar de positivo, o crescimento de 7,7% do PIB brasileiro no 3º trimestre decepcionou parte do mercado financeiro, que esperava um número ligeiramente mais alto, em torno de 8% a 9%. A queda acentuada do PIB no 2º e 3º trimestre de 2020 ainda faz com que a economia brasileira não tenha voltado aos níveis pré-crise.
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Bovespa opera em alta e chega aos 112 mil pontos
Na quarta-feira, bolsa fechou em alta de 2,30%, aos 111.399 pontos. O principal índice da bolsa de valores brasileira, a B3, opera em alta nesta quinta-feira (3), com investidores ainda acompanhando o desenrolar da distribuição e aprovação de vacinas contra Covid-19, mas também analisando dados do PIB do Brasil, que cresceu 7,7% no terceiro trimestre. Às 12h03, o Ibovespa tinha alta de 0,61%, a 112.636 pontos. Veja mais cotações. Na quarta-feira, a bolsa fechou em alta de 2,30%, aos 111.399 pontos. No ano, o Ibovespa acumula queda de 3,67%. Na semana, alta de 0,75%. PIB avança 7,7% entre julho e setembro, diz IBGE Cenário global e local O IBGE divulgou mais cedo que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,7% no terceiro trimestre – retirando o país da recessão, mas sem recuperar as perdas da pandemia. Os números do PIB vieram mais fracos do que o esperado. A expectativa do mercado era de um crescimento de 8,8% em relação ao trimestre anterior, segundo a mediana das estimativas levantadas pelo Valor Econômico. A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia avaliou nesta quinta-feira que o crescimento econômico do terceiro trimestre, embora abaixo do esperado pelo mercado, confirma a retomada em V da atividade, quadro que dispensa a necessidade de auxílios do governo para o próximo ano. Apesar do número do PIB ter vindo aquém do esperado, profissionais comentavam que o mercado de ações mantém a postura compradora, com contínua busca pelos investidores por ações que podem se beneficiar da retomada das economias, como bancos, Vale e Petrobras. Do lado mais estrutural, o foco dos mercados segue voltado para a sustentabilidade fiscal do Brasil e as incertezas sobre a aprovação de medidas de ajuste fiscal para garantir a saúde das contas públicas. Na véspera, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que uma "recuperação robusta e inclusiva" da economia brasileira depende do avanço de reformas estruturais" e da sustentabilidade da dívida pública. Risco fiscal: entenda o que é e saiba por que a piora das contas públicas preocupa Variação do Ibovespa em 2020 G1 VÍDEOS: Últimas notícias de Economia
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Desempenho do PIB do Brasil no 3º tri fica em 25º em ranking de 51 países
Lista da Austin Rating leva em conta crescimento de 7,7% da economia em relação ao 2º trimestre de 2020. PIB avança 7,7% entre julho e setembro, diz IBGE O desempenho do Produto Interno Bruno (PIB) brasileiro no 3º trimestre de 2020 ocupa o 25º lugar dentro de um ranking com 51 países, elaborado pela Austing Rating. A lista traz os resultados das maiores economias do mundo. A comparação leva em conta a alta de 7,7% da economia no 3º trimestre deste ano na comparação com o trimestre anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). O Brasil ficou empatado com a Holanda na 25ª posição e o resultado está acima de países como Estados Unidos, Suíça, Chile, Japão e China. Variação do PIB dos países Guilherme Luiz Pinheiro/G1 O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. Na média geral, o crescimento foi de 8,4%. Já no grupo dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), houve alta de 5,2%. A Zona do Euro teve crescimento de 3%. Veja o ranking completo: Tunísia: 19,8% França: 18,7% Malásia: 18,2% Espanha: 16,7% Itália: 15,9% Turquia: 15,6% Reino Unido: 15,5% Portugal: 13,3% Eslovênia: 12,4% Nigéria: 12,1% México: 12,1% Áustria: 12,0% Eslováquia: 11,7% Bélgica: 11,4% Hungria: 11,4% Chipre: 9,4% Cingapura: 9,2% Canadá: 8,9% Colômbia: 8,7% Ucrânia: 8,5% Alemanha: 8,5% Israel: 8,4% Filipinas: 8,0% Polônia: 7,9% Brasil: 7,7% Holanda: 7,7% Estados Unidos: 7,4% Sérvia: 7,4% Suíça: 7,2% Letônia: 7,1% República Tcheca: 6,9% Croácia: 6,9% Tailândia: 6,5% Romênia: 5,6% Chile: 5,2% Indonésia: 5,1% Japão: 5,0% Suécia: 4,9% Dinamarca: 4,9% Noruega: 4,6% Bulgária: 4,3% Taiwan: 3,9% Lituânia: 3,8% Estônia: 3,3% Finlândia: 3,3% Austrália: 3,3% Hong Kong: 2,8% China: 2,7% Islândia: 2,6% Coréia do Sul: 2,1% Arábia Saudita: 1,2% PIB sustentado pelo Auxílio Emergencial O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 7,7% no 3º trimestre, na comparação com os três meses imediatamente anteriores, confirmando a saída do país da chamada "recessão técnica", segundo dados divulgados nesta quinta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expansão da economia foi recorde no terceiro trimestre, mas ainda é insuficiente para recuperar as perdas vistas no ápice da pandemia de coronavírus no país. PIB trimestre a trimestre Guilherme Luiz Pinheiro/G1 A forte reação do PIB no 3º trimestre foi sustentada principalmente pelos expressivos gastos do governo com auxílios e medidas de transferência de renda. A recuperação, no entanto, foi marcada pela heterogeneidade, com diversos segmentos ainda enfrentando dificuldades para voltar à normalidade, sobretudo atividades do setor de serviços. Principais destaques do PIB no 3º trimestre: Agropecuária: -0,5% Indústria: 14,8% Indústria extrativa: 2,5% Indústria de transformação: 23,7% Construção civil: 5,6% Serviços: 6,3% Comércio: 15,9% Consumo das famílias: 7,6% Consumo do governo: 3,5% Investimentos: 11% Exportação: -2,1% Importação: -9,6% O resultado é similar ao verificado em outros países que também tiveram suas economias fortemente afetadas pela pandemia. Nos países que integram a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a alta foi de 9% no 3º trimestre. Initial plugin text
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Recuperação foi forte com estímulos à economia, mas segue muito desigual, dizem economistas
Resultado foi de alta de 7,7% no 3º trimestre de 2020, mas pandemia ainda atrapalha setores importantes a sair do buraco. PIB avança 7,7% entre julho e setembro, diz IBGE oo Depois de tombo histórico, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil retomou o campo positivo e cresceu 7,7% no 3º trimestre de 2020. Economistas consultados pelo G1 ponderam, contudo, que o resultado ainda é bastante desigual e beneficiado pelos programas de distribuição de renda durante a pandemia do novo coronavírus. O setor de Serviços, novamente, é exemplo da retomada discrepante. No trimestre, houve alta de 6,3% em relação ao período anterior, mas segue em queda de 4,8% em relação aos mesmos meses de 2019. PIBinho com cara de PIBão: 5 pontos para entender o ritmo de recuperação da economia Dentro da rubrica, há retomadas vigorosas e outras muito lentas. Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados registra alta de 6,0%, enquanto a categoria de "Outras atividades de serviços" tem redução de 14,4%. Veja abaixo a opinião dos especialistas. PIB trimestre a trimestre Guilherme Luiz Pinheiro/G1 Silvia Matos, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) Para Silvia Matos, a recuperação vista no 3º trimestre é resultado do esforço dos estímulos monetários e fiscais implementados pelo governo, além do natural crescimento por conta da reabertura da economia ao longo da pandemia. O Ibre/FGV previa crescimento de 7,4% no trimestre. A economista afirma que a revisão do PIB de 2019 feita pelo IBGE, de 1,1% para 1,4% no ano, deixou o sarrafo mais alto para que se chegasse no número, o que faz do resultado ainda melhor. "Se a recuperação não fosse forte seria preocupante. Em termo de política fiscal, o Brasil gastou como países desenvolvidos, não como os vizinhos latino-americanos", afirma Silvia. A economista chama atenção para a retomada desbalanceada da economia e foca no comparativo com o 3º trimestre de 2019. "Os serviços prestados às famílias continuam 14% abaixo do nível do ano passado. Mas apesar de má notícia, eu esperava um resultado pior", diz Para ela, é natural que esses serviços continuem em marcha lenta porque a pandemia ainda limita o consumo pleno do setor. Ainda no 3º trimestre, houve redução da mobilidade, bastante renda distribuída, e medo de sair. A equação continuou direcionando o holofote para o consumo de bens. "Além do Auxílio Emergencial, houve antecipação do 13º de R$ 50 bilhões para aposentados e pensionistas. Com menores transferências do governo e falta de recuperação do mercado de trabalho, teremos um freio de recuperação no 4º trimestre", diz a economista. Miriam Leitão comenta como deve ser o resultado do PIB do terceiro trimestre Gesner Oliveira, sócio da GO Associados O economista Gesner Oliveira acredita que o resultado confirma as expectativas de recuperação. Em sua análise, os repasses governamentais deram empuxo não só ao consumo diretamente, mas na Indústria de Transformação e na Formação Bruta de Capital Fixo, que forma parte dos investimentos empresariais. "O Auxílio Emergencial foi muito importante para o crescimento da construção, que teve desempenho acima de todas as expectativas com materiais e reformas da casa", diz o economista. "Outra contribuição grande para o período foi a flexibilização de regras trabalhistas pela MP de suspensão de salários, que manteve renda com a população", prossegue. Com base no resultado, a GO Associados fez simulações para o desempenho da economia no próximo trimestre. Apenas com carrego estatístico — isto é, sem crescimento real da economia —, a queda anual ficaria em 5% em 2020. Com crescimento da ordem de 2,3%, o Brasil chegaria a uma queda de 4,5%. No radar, estão a diminuição dos estímulos, com a redução das parcelas de R$ 600 para R$ 300 do auxílio, o encaminhamento da crise fiscal no país, e a segunda onda de Covid-19 no país. "Claro que a voz a ser ouvida é dos epidemiologistas, mas, mesmo no exterior, os fechamentos não parecem ser tão severos quanto os do 2º trimestre", afirma Oliveira. Thais Zara, economista-sênior da LCA Consultores A economista Thais Zara acredita que as revisões do PIB de 2019 e do 2º trimestre de 2020, divulgadas nesta quinta-feira (3) pelo IBGE, contribuem bastante para novos cálculos do saldo final deste ano de pandemia. "É possível notar que houve um comportamento de queda mais ameno da indústria, com queda menor do interanual", diz. "Do lado da demanda, vale ressaltar que queda do consumo das famílias foi bem menos intensa no 2º trimestre, de -13,5% para -12,2%. Continua sendo expressivo, mas no 3º trimestre temos queda de 6%, puxado pela reabertura progressiva da economia e pela sustentação do Auxílio Emergencial", prossegue Zara. De acordo com a economista, os resultados mostram mais claramente que o efeito do isolamento social ficou concentrado no 2º trimestre. A recuperação foi menos intensa porque ainda há um rescaldo de limitações para o setor de serviços, mas principalmente porque os números do mercado de trabalho, de população ocupada, continuam a se deteriorar. "É possível que tenhamos algum impacto de reorganização dos modelos de trabalho, mas é cedo para prever os impactos pós-pandemia", diz. 1xVelocidade de reprodução0.5xNormal1.2×1.5x2x VÍDEOS: Últimas notícias de Economia Initial plugin text
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Maia critica meta flexível no Orçamento e diz que PIB ‘baixo’ reflete desorganização do governo
Presidente da Câmara comentou resultado do PIB do terceiro trimestre, que cresceu 7,7%, abaixo das expectativas. Nesta quinta (3), Guedes disse que pode anunciar meta fixa. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, criticou nesta quinta-feira (3) a estratégia do governo de adotar meta fiscal flexível no Orçamento e disse que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre foi "baixo" por causa da "desorganização do governo".
Pouco depois, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou a jornalistas que o Brasil pode ter uma meta fiscal fixa para 2021.
"O que está me deixando impressionado é essa coisa de meta flexível que o Paulo Guedes está inventando”, afirmou Maia.
Meta fiscal é como é chamado o resultado para as contas públicas que o governo federal se compromete a alcançar em um determinado ano. Ela pode ser de superávit, o que significa que a expectativa é que a receita com impostos e tributos ficará acima das despesas, ou de déficit, quando a expectativa é que ocorra o contrário.
Na chamada meta flexível, o governo deixaria de estabelecer essa meta e, consequentemente, ficaria desobrigado de cortar gastos para cumpri-la.
Ministro da Economia, Paulo Guedes, diz que pode fixar meta fiscal para 2021
A ideia de uma meta flexível está sendo discutida justamente no momento em que o governo vê aumentar as dificuldades financeiras devido à pandemia do novo coronavirus. Com queda da arrecadação, dívida em alta e poucos recursos livres, a equipe econômica busca saídas para manter investimentos em 2021.
Proposta de Orçamento do governo terá 'meta flexível' e previsão de déficit de R$ 150 bi para 2021
Para este ano, inicialmente o governo tinha meta de déficit primário de até R$ 124,1 bilhões. Entretanto, com o decreto de calamidade pública devido à pandemia do novo coronavírus, não será mais necessário atingir esse valor.
Contingenciamento
Segundo Maia, o governo não quer uma meta fiscal para não ter que organizar o contingenciamento de recursos e cumprir o prometido.
“Que o governo diga como o Copom diz quando toma uma decisão sobre juros, qual é a tendência, que haverá sempre o risco pela incerteza de que a meta possa ser restabelecida durante a execução Orçamentária. Agora, não ter meta, meta flexível, é uma jabuticaba brasileira”, declarou.
Copom é o Conselho de Política Monetária do Banco Central, que define a taxa de juros da economia, a Selic.
PIB do terceiro trimestre
Questionado sobre o resultado do PIB do terceiro trimestre, divulgado nesta quinta-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Maia disse que o resultado veio “baixo” e reflete a desorganização do governo.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 7,7% no 3º trimestre, na comparação com os três meses imediatamente anteriores, confirmando a saída do país da chamada "recessão técnica".
A expansão da economia foi recorde no terceiro trimestre, mas ainda insuficiente para recuperar as perdas vistas no ápice da pandemia de coronavírus no país. Em valores correntes, o PIB do terceiro trimestre totalizou R$ 1,891 trilhão.
“Não resolveu o problema. Foi baixo”, afirmou. “Tamanha é a desorganização do governo”, acrescentou.
PIB avança 7,7% entre julho e setembro, diz IBGE
Recesso
Questionado sobre o recesso de janeiro na Câmara, Maia afirmou que o governo “desistiu da pauta emergencial”, que inclui reformas e medidas voltadas à recuperação do país no pós pandemia.
“ Eu acho que vai [ter recesso em janeiro]. O governo desistiu da pauta emergencial, não foi”, disse o presidente.
Maia ainda disse que o governo obstrui a pauta da Casa em razão da disputa pela presidência da Comissão Mista de Orçamento. Seus aliados tentam emplacar Elmar Nacimento (DEM-BA) na cadeira, enquanto o 'Centrão', comandados pelo deputado Arthur Lira (PP-AL), querem Flávia Arruda (PL-DF) no posto.
"O governo tá obstruindo a pauta. Só agora que começou a trabalhar [o governo]. Não estão interessados", afirmou
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Após PIB do 3º trimestre, governo diz que ‘escudo’ contra efeitos da pandemia deve ser ‘desarmado’
Segundo a área econômica, recuperação da atividade pavimenta caminho para que a economia continue avançando sem auxílios governamentais. Ministro da Economia, Paulo Guedes, comenta PIB do 3º trimestre A Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia informou nesta quinta-feira (3) que o "escudo de políticas sociais" que foi criado para amenizar os impactos econômicos e sociais da pandemia deve ser "desarmado". Segundo a área econômica, o fim de auxílios governamentais abrirá espaço para a agenda de reformas estruturais e medidas de ajuste das contas públicas que, na visão da secretaria, são o "único meio para que a recuperação se mantenha "pujante". PIB avança 7,7% entre julho e setembro, diz IBGE PIBinho com cara de PIBão: 5 pontos para entender o ritmo de recuperação da economia A avaliação foi divulgada após o anúncio nesta quarta-feira do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, que registrou um crescimento de 7,7% na comparação com os três meses anteriores. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, a economia brasileira saiu da chamada "recessão técnica", caracterizada pelo tombo do PIB por dois trimestres seguidos. PIB trimestre a trimestre Guilherme Luiz Pinheiro/G1 "A forte recuperação da atividade, do emprego formal e do crédito neste semestre pavimentam o caminho para que a economia brasileira continue avançando no primeiro semestre de 2021 sem a necessidade de auxílios governamentais", avaliou o Ministério da Economia. Segundo o governo, a retomada da atividade e do emprego registrada nos últimos meses compensará a redução dos auxílios, previstos para terminar em dezembro deste ano. "Outro fator positivo será a melhora das condições financeiras que continuarão impulsionando a atividade, principalmente com a retomada da agenda de reformas", acrescentou. PIB: entenda o que é e como é calculado De acordo com o Ministério da Economia, o fraco crescimento do PIB nos últimos anos é uma consequência da baixa produtividade, fruto da má alocação de recursos na economia brasileira. "Desta forma, o único caminho que poderá gerar a elevação do bem-estar dos brasileiros serão medidas que consolidem o lado fiscal de nossa economia e corrijam a má alocação de recursos, aumentem a produtividade e incentivem a expansão do setor privado", concluiu. Initial plugin text
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