‘Mulher-Maravilha 1984’ estreia em cinemas e HBO Max nos EUA em dezembro
Após ser adiado algumas vezes, filme da heroína vai ser lançado de forma simultânea em cinemas e plataforma de vídeos em 25 de dezembro. Assista ao novo trailer de 'Mulher-Maravilha 1984'
Além de ser lançado nos cinemas, "Mulher-Maravilha 1984" vai estrear ao mesmo tempo na plataforma de vídeos HBO Max nos Estados Unidos em 25 de dezembro.
O lançamento simultâneo foi confirmado pela diretora Patty Jenkins nesta quarta-feira (18) no Twitter.
"O momento chegou. Em algum ponto você tem que escolher entre compartilhar qualquer amor e alegria que você tem para dar, acima de qualquer outra coisa", afirmou a cineasta.
Initial plugin text
"Nós amamos nosso filme assim como amamos nossos fãs, então realmente esperamos que nosso filme leve um pouco de alegria e alívio para todos nesse fim de ano."
A estreia na HBO Max acontece apenas nos Estados Unidos, e não vai custar nada para os assinantes da plataforma.
O lançamento de "Mulher-Maravilha 1984" foi adiado três vezes em 2020 por causa da pandemia do novo coronavírus. A data de 25 de dezembro foi anunciada em setembro.
Initial plugin text
- Publicado em Cultura
PS5 oferece a maior inovação da geração com controle DualSense; G1 jogou
G1 testa o PlayStation 5, novo console da Sony, que vai além de evolução de gráficos e de performance com novo controle que aumenta imersão para jogadores. PS5 oferece a maior inovação da geração com controle DualSense; G1 jogou A nova geração de consoles da Sony, o PlayStation 5, finalmente tem seu lançamento oficial no Brasil nesta quinta-feira (19). Depois de alguns dias de testes com o aparelho, emprestado pela fabricante ao G1, é evidente que o PS5 tem a grande inovação tecnológica da geração. Assista ao vídeo acima. O controle DualSense, que substituiu a linha DualShock, oferece possibilidades empolgantes de imersão a jogadores e desenvolvedores. Mas, com preços de R$ 4.700 na versão padrão e R$ 4.200 para o modelo Digital Edition, que não tem leitor de discos, o console sofre com alguns problemas de acabamento que precisam de atenção. DualSense é o controle do PlayStation 5 Divulgação/Sony DualSense Esteticamente, o DualSense não parece assim tão diferente, mas por dentro ele apresenta um mundo de possibilidades tão amplo que é até difícil de descrever. Muito se fala sobre os gatilhos, que agora são ajustáveis. Isso quer dizer que eles podem ser mais resistentes de acordo com a ação praticada, com diferentes níveis em uma mesma puxada de dedo. Mas o que mais impressiona mesmo são as respostas do controle por inteiro, que vão além das vibrações às quais os jogadores estão acostumados. Às vezes parece até que tem alguma coisa viva ali dentro. Até por isso é recomendável que todo mundo dedique um tempo para testar o jogo "Astro's Playroom", que vem com o console e serve como apresentação das novas capacidades do DualSense. Tudo isso realmente aumenta bastante o sentimento de imersão no jogo, e oferece muitas alternativas empolgantes, mas que devem ser aproveitadas por desenvolvedores. "Spider-Man: Miles Morales", por exemplo, faz pouco uso dos gatilhos adaptáveis, mesmo se tratando de um game exclusivo da Sony. Algo difícil de entender. E como grandes ambições trazem grandes consumos de energia, o novo controle também parece esgotar sua bateria mais rapidamente. Assista ao trailer de 'Spider-Man: Miles Morales' O enigma das versões O PS5 vem com todas as melhorias que se espera da nova geração. Além de resolução em 4K e taxas de frames por segundo mais elevadas, a troca dos antigos HD por SSDs garante um tempo bem mais rápido de carregamento do que acontecia no PS4. Tudo isso faz com que a comparação entre as duas gerações realmente mostre resultados bem contratantes, principalmente para quem já tem uma TV mais moderna. O novo PlayStation tem retrocompatibilidade com jogos do antecessor, o que significa que os games que jogadores têm em seus PS4 podem ser baixados e acessados no novo console. E assinantes do serviço Plus ainda têm alguns títulos bem legais à disposição no lançamento. Mas o PS5 ainda sofre com alguns problemas que parecem ser de acabamento. A nova interface, apesar de mais elegante, é confusa – a começar pela compatibilidade. Não dá para entender exatamente por que isso acontece, mas a tela inicial em alguns casos dá acesso primário a versões do PS4, mesmo em jogos com versões para o novo console. Então às vezes o usuário tem as duas baixadas, o que já é ruim considerando o armazenamento limitado, e ainda joga a mais antiga sem perceber. Para piorar, não é nada intuitivo encontrar a do PS5. Nada que tire exatamente o valor do novo console, e que seja impossível de ser consertado em atualizações futuras, mas é algo que merece atenção urgente da fabricante.
- Publicado em Cultura
‘Mank’: Gary Oldman e David Fincher celebram ‘Cidadão Kane’ em novo clássico; G1 já viu
Com um dos melhores roteiros do ano e atuações impecáveis, filme que estreia em cinemas nesta quinta (19) conta história de escritor da produção de Orson Welles. Em menos de 20 minutos, é possível perceber que "Mank" é um dos melhores roteiros de 2020. Ao final da história dirigida por David Fincher ("Garota exemplar"), não dá para negar que é um dos melhores filmes dos últimos anos. A produção estreia em cinemas brasileiros nesta quinta-feira (19) e na Netflix em 4 de dezembro. Assista ao trailer de 'Mank' Com a ajuda de um elenco inspirado pela atuação de um Gary Oldman ("O destino de uma nação") no auge, o cineasta foca nos bastidores pouco conhecidos da obra-prima de Orson Welles, "Cidadão Kane" (1941), mas também entrega um novo clássico. Tudo isso com uma fotografia em preto e branco belíssima e diálogos construídos por frases de efeito com tamanha maestria que transcendem o clichê para formar um possível concorrente poderoso ao Oscar. Cidadão Mank Inspirado em fatos, mas sem compromisso com um retrato fiel da realidade, "Mank" acerta ao se aprofundar na história do roteirista Herman J. Mankiewicz (Oldman) e ir além da parceria complexa com Welles (Tom Burke), que aparece de forma passageira na trama, para a realização de "Cidadão Kane". Com isso, o filme pega emprestado o formato não linear do clássico para retratar momentos marcantes de uma vida que se confunde com a história do cinema entre as décadas de 1920 e 1940, e mostrar que tem um protagonista tão grandioso – ou pelo menos interessante – quanto Charles Foster Kane. Tom Burke e Gary Oldman em cena de 'Mank' Divulgação/Netflix Entre idas e vindas, o público acompanha seus problemas com a bebida e com apostas e sua relação com figuras poderosas como chefes de estúdios. Com paciência e cuidado, o enredo desvenda aos poucos o mistério de como a amizade improvável entre o beberrão desbocado e o magnata de mídia William Randolph Hearst (Charles Dance) se transformou no roteiro sobre um certo cidadão sedento por poder. A produção ainda encontra espaço para dar voz a outras personagens esquecidas no sucesso da obra de Welles, como a da atriz Marion Davis (Amanda Seyfried), jovem amante de Hearst, e de Rita Alexander (Lily Collins), secretária que ajudou Mankiewicz a escrever depois de um acidente de carro. Charles Dance em cena de 'Mank' Divulgação/Netflix Ingredientes poderosos Com fotografia fiel à época e uma história fundamentalmente humana, "Mank" é talvez o filme menos marcado pelo estilo de Fincher em sua carreira, celebrada por obras de linguagem única como "Seven: Os sete crimes capitais" (1995) e "Clube da luta" (1999). A escolha talvez seja explicada pelo roteiro, assinado pelo pai do cineasta, Jack Fincher, antes de sua morte em 2003. O respeito pelo texto é acompanhado por uma devoção às atuações, encabeçadas por Oldman, em um dos melhores trabalhos de uma carreira repleta de personagens inesquecíveis. Sob o olhar do diretor, o britânico tem espaço para elevar as performances de todos a seu redor, com um desempenho desenfreado e autodestrutivo, mas doce e carismático, tudo ao mesmo tempo, como apenas alguém no ápice de sua arte conseguiria. Arliss Howard e Amanda Seyfried em cena de 'Mank' Divulgação/Netflix Entre um elenco notável se destaca também Seyfried, que dá a Davies uma sagacidade contida indispensável para equipará-la a Mankiewicz, e justificar o carinho entre dois personagens tão distintos, um dos pontos centrais da trama. "Mank" mostra como um roteiro impecável é a base de atuações brilhantes – e prova o poder explosivo da mistura desses dois ingredientes quando bem utilizados. Ao partir da celebração de um dos maiores clássicos do cinema, o filme se torna algo mais: uma homenagem ao próprio ofício de contar histórias em duas horas e alguns trocados. Gary Oldman em cena de 'Mank' Divulgação/Netflix
- Publicado em Cultura
Cantora… e doutora em filosofia: como vocalista que gravou hit da ‘Malhação’ foi parar em Harvard
'Todo mundo quer cuidar de mim', do Brava, fez sucesso há 15 anos. Paula Marchesini fala ao G1 sobre os tempos de banda e os estudos em universidades como Johns Hopkins e Harvard. Para quem reclama que falta profundidade nas letras da música brasileira, uma boa saída pode ser ler os textos acadêmicos de Paula Marchesini, cantora e filósofa. Mas não precisa ir tão longe assim. As letras de Paula, na carreira solo ou na banda Brava, já têm um quê de filosofia. Ela relatou o "medo de se ver" e o "medo de viver" ("Aprendi sozinha") e cantou versos sobre sofrimento e inadequação em "Como for" e “Todo mundo quer cuidar de mim”, maior sucesso do Brava e trilha de "Malhação". O sexteto carioca durou entre 2000 e 2006 (ouça músicas no podcast acima). Depois do Brava, Paula fez doutorado em Filosofia na Johns Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos. Também estudou e deu aulas em Harvard. Entre outros temas, escreveu sobre a eternidade na obra do escritor argentino Jorge Luis Borges; o conceito do tempo segundo o filósofo francês Gilles Deleuze; e a estética da vida após a morte na obra do filósofo dinamarquês Kierkegaard. Ao G1, ela explicou por quais motivos o Brava durou apenas um álbum e falou da vida acadêmica e da carreira solo. Paula Marchesini: em 2004, nos tempos da banda Brava; e em 2020, na carreira solo Divulgação/Adriana Lins e Acervo Pessoal G1 – Quando eu te falo do Brava, o que te vem à cabeça, quais as memórias você tem mais fortes? Paula Marchesini – Boa pergunta, deixa eu pensar. Eu acho que as minhas memórias são bem pessoais. Lembrar da minha juventude, sabe? De todos os temas que me levaram a escrever as músicas que estão no CD do Brava, né? O meu casamento, por exemplo, a história de amor do meu casamento. Que infelizmente terminou há uns três anos. Não, nossa, tem mais tempo… Mas tem meus colegas de banda também. A gente se divertiu muito. Fazendo show e nossa primeira turnê. Um bando de garotos, jovens, tocando juntos. Era muito legal e tenho muitas boas memórias. Mas ser jovem é difícil também. [risos] Quando eu comparo a minha estabilidade emocional hoje em dia com o que era naquela época, eu me sinto bem mais segura, mais confiante. G1 – Quanto tempo a banda durou? Paula Marchesini – A gente começou quando eu tinha 18 anos, então isso foi no ano 2000. Nosso nome era Magnólia na época. Em 2003, a gente assinou um contrato com a Universal. A Universal encontrou a gente e quis assinar o contrato. Não buscamos nada. A gente era a banda com menos ambição do Rio de Janeiro. Nossos amigos todos estavam buscando contrato com gravadoras na época e a gente nunca tinha procurado nada. Gravamos uma demo e chegou nas mãos da Universal. A pré-produção do disco com o Paul Raulphes foi muito rápida. Eu acho que a gente gravou o disco todo em menos de dois meses. Rapidíssimo, a música estava em primeiro lugar em São Paulo, "Todo mundo quer cuidar de mim", trilha sonora da "Malhação". E ficou quatro meses em primeiro lugar. Depois entrou outra música nossa, que foi "Só porque não é bom", que era uma das últimas faixas do disco, e ficou um tempo em primeiro lugar. Foi em 2006 que eu decidi fazer outras coisas. Não foi só uma decisão minha, não. A gente estava um pouco em uma encruzilhada com a Universal. Acho que a gente tinha visões diferentes de como a banda tinha que ser, sabe? Inclusive, cada membro da banda tinha uma visão diferente também do que tinha que ser. Esses conflitos levaram ao fim da banda e nessa época eu decidi voltar aos meus estudos. Eu tinha bacharelado em Filosofia e fui fazer um mestrado em literatura na PUC, em 2006. Foi quando a gente teve a reunião de banda e falou "não dá mais, não tá acontecendo mais". Mas foi um fim bem amistoso, não teve nenhuma briga nem nada. [Risos] A gente continua amigo até hoje. A banda Brava em 2004, ano de lançamento do primeiro e único disco deles Divulgação/Universal Music/Adriana Lins G1 – Quando você foi pros Estados Unidos? Paula Marchesini – Eu vim para os Estados Unidos em 2010. Terminei o mestrado na Puc em 2008. E eu fiquei uns dois anos, gravei um CD independente chamado "Silêncio". Gravei com o meu marido na época, o Apoena Frota [cantor, produtor e filho de Marcos Frota]. E músicos que eram amigos nossos. Foi lançado independentemente. Em 2009, eu comecei a pensar que eu queria fazer um doutorado aqui nos Estados Unidos e comecei a aplicar para universidades. E aí rolou uma oportunidade de estudar na Tufts University, em Boston, para fazer um segundo mestrado em Filosofia. Me ofereceram um bolsa. Aí eu vim, terminei esse mestrado em 2013. E aí passei para um doutorado na Johns Hopkins University, em Estudos Humanísticos. Eu acabei de terminar em fevereiro, me formei. E estou gravando um disco novo agora. G1 – O que você estuda, sei que deve ser bem específico, mas como você explicaria para alguém que é leigo? Quais foram os temas da sua dissertação de mestrado e da tese de doutorado? Paula Marchesini – Eu amei a pergunta, obrigada. Eu comecei a ficar muito fascinada com o processo criativo de escrever, sabe? De escrever músicas e escrever textos também. Eu sempre escrevi poemas e contos. Até cheguei a escrever um romance uma época, quando eu tinha uns 19 anos. Escrevi um romance meio curto e tal, mas não era muito bom não, sabe? Eu tinha muito essa coisa de escrever o tempo todo. Esse processo criativo é muito misterioso, é uma coisa que bate uma inspiração que não se sabe de onde vem e as palavras vão se escrevendo sozinhas e parece realmente que você está recebendo uma mensagem pronta de algum lugar divino. Uma coisa muito mágica. Qualquer um que já experimentou esse processo sabe exatamente do que eu estou falando. Tem vezes que escrevo músicas que eu não lembro de ter escrito. Depois ouvindo a música eu falo: como foi que eu escrevi isso? Não tenho nem ideia de onde isso veio. E isso tudo começou a me intrigar muito e eu comecei a me interessar por estudar esse processo criativo filosoficamente. Pensar sobre o que é a resposta: isso vem de Deus? "Eu queria saber outras perceptivas sobre esse assunto filosófico. Então, a minha pesquisa em filosofia é bem centrada nesse processo criativo. Que que é? De onde vem? Quais as habilidades que envolve e os tipos de resultado que saem de processos criativos? Eu escrevi minha tese de doutorado em parte sobre a Clarice Lispector, porque ela escreve muito sobre isso, sobre processo criativo." Paula Marchesini na gravação do primeiro álbum do Brava Divulgação G1 – Parece bem interessante. Pós-Brava, eu cheguei a ouvir coisas que você fez, mas você poderia falar um pouco da sua produção musical pós-Brava? Paula Marchesini – Em 2016, eu comecei a experimentar gravar minhas músicas em casa, usando o Garage Band, o software mais simples do mundo fazendo umas batidas e gravando baseado na experiência que eu tive observando os profissionais da Universal, observando o meu ex-marido também gravando. A gente ainda está trabalhando também. Eu passei muito tempo na minha juventude sentada em frente ao computador observando esses produtores. Então, eu comecei a experimentar com isso em 2015 e decidi gravar o meu disco inteiro, de doze músicas, sozinha no meu apartamento. Tocando todos os instrumentos, a maior parte deles virtuais. Em Baltimore, quando estava fazendo o doutorado. Saiu o disco e eu acho que ele tem um estilo. É um trabalho que me agrada, porque ele foi exatamente o que eu queria que ele fosse. Eu sei muito mais de produção e gravação do que eu sabia quando eu comecei a gravar esse disco. Eu aprendi muito, li muito sobre o assunto, vi vários tutorais. A experiência de gravar o disco inteira foi muito intensa. O nome do disco é "Fellow Shade", e saiu em 2017. G1 – Durante o mestrado e o doutorado, você também deu aulas? Paula Marchesini – Eu dei muitas aulas. Dei algumas aulas em Harvard, estudei lá uma época. Dei aula na Tufs e na Johns Hopkins, porque faz parte do processo de estudar. Mas eu vou te dizer que não é minha vocação. Eu até apliquei para alguns empregos de professora quando eu terminei meu doutorado em fevereiro. Mas aí veio essa pandemia e não saiu nada. E eu fiquei feliz de não ter conseguido, porque para ser sincera não é muito o que eu quero fazer. Paula com os integrantes da banda Brava, na gravação do álbum de estreia Divulgação G1 – O que mais você sente falta daqueles seis anos no Brava e o que você sente menos falta? Paula Marchesini – O que eu sinto menos falta é de ter uma gravadora me dizendo como eu devo fazer o meu trabalho. Isso era um problema muito grande pra mim. Isso não é culpa da Universal, eu conheci pessoas maravilhosas, eu amo o Paul Raulphes de paixão. O problema é que gravadoras são assim mesmo. É assim que eles trabalham. Para focar em vendas, você tem que fazer certas coisas. Você tem que mudar a letra da música, você tem que pensar no marketing, na imagem. "Eu lembro de eles pedirem para eu pintar o meu cabelo de vermelho e eu disse que não. Eu queria ser eu mesma, não queria ser uma imagem, uma coisa falsa. Eu também tinha muito problema com a forma com a qual a mídia brasileira tratava as mulheres. A Universal queria que eu fosse a um programa de televisão que eu achava machista e eu dizia 'não, eu não vou participar'. Eu acho um absurdo, eu acho que esse programa não devia existir." G1 – Qual era o programa? Paula Marchesini – Ah, eu prefiro não citar, não dizer o nome dos programas. Eu até nem lembro, mas eram um monte desses programas que têm mulheres nuas. Eu não acho que tem problema nenhum em nudez, ou nada assim, mas eu acho que mulheres artistas têm mais a oferecer do que isso. E quando a mídia foca exclusivamente no aspecto físico das mulheres, isso é um problema muito sério. Eu acho que no Brasil, pelo menos na época, isso era um problema sério. E eu não queria colaborar com isso, ser conivente com isso. Agora, o que eu sinto mais falta, sem dúvidas, são os meus companheiros de banda. Ter uma banda é divertido, você viaja todo mundo na mesma van e meus companheiros de banda eram muito engraçados, um deles era o meu primo. Ele sempre foi uma pessoa muito importante na minha vida. A ideia de montar o Brava foi dele. A gente se divertia muito juntos. Então, disso eu sinto falta. Um dia, eu devo ter dado umas 70 entrevistas em seguida uma da outra. E todos os jornalistas da época, sem exceção, começaram com a pergunta: "O que você acha de ser uma mulher musicista no Brasil?" Eu ficava pensando assim: "Gente, eu tenho tanta coisa que eu quero falar, sabe? Por que eu não posso ser tratada como uma criadora, como qualquer homem é tratado? Focar no que eu estou fazendo". Eu queria as perguntas que você está me fazendo aqui. Esse tipo de perguntas que nutre a minha alma, é sobre isso que eu quero falar. E eu lembro que isso era um problema muito grande pra mim. Sem dúvida, contribuiu para a minha decisão de abandonar a música na época. Talvez tenha sido o principal fator. Paula Marchesini, após o Brava, em duas fotos de 2010 Divulgação G1 – Como estudar o processo criativo mudou o seu próprio processo criativo? Paula Marchesini – A coisa mais importante que eu aprendi é que é impossível entender o processo criativo. Foi a grande lição. O processo criativo está muito além da minha capacidade racional de entender. Isso é um ponto que a Clarice Lispector enfatiza muito nos livros dela. Eu consigo viver e ter essa experiência, mas eu não consigo dar um passo para trás e racionalmente entender essa experiência. Ela é maior do que isso. Então, uma das conclusões a que eu cheguei depois de terminar meu doutorado foi: eu vou escolher o caminho da coisa maior, eu quero focar mais na criação e abandonar um pouco esse projeto de entender o processo criativo. É uma coisa que chega e pega a gente. A gente vira um instrumento daquela criação. Eu prefiro escolher o caminho de experimentar do que de virar uma professora acadêmica que estuda isso. G1 – Quando você ouve Brava agora, principalmente a que mais tocou, 'Todo mundo quer cuidar de mim', qual seu sentimento hoje? Você tem orgulho de quem você era, de como você escrevia e cantava naquela época? Ou você pensa 'nossa, eu era essa pessoa'? Paula Marchesini – Olha, é engraçado assim, até desculpa se eu chorar um pouco. Porque… [começa a ficar emocionada] Desculpa. G1 – Imagina. Pode se recompor, fica tranquila. Temos todo o tempo… Paula Marchesini – Isso é uma coisa que acontece frequentemente, eu diria que a cada dois anos eu pego para ouvir o Brava. E eu falo "Vamos ouvir de novo esse disco". "A sensação é ao mesmo tempo de pensar 'nossa, tadinha, eu sofria nessa época'. Eu tenho uma certa pena da jovem, da adolescente que eu fui, escutando as letras. Porque muitas das coisas que eu falo nas músicas, eu de alguma forma superei. Não tudo…" Paula Marchesini em 2010 Arquivo Pessoal Mas outra parte eu penso assim: "Nossa, quando eu tinha 16 anos eu escrevi umas coisas que… como é que eu sabia dessas coisas?" A minha sensação pessoal é de ter aprendido isso muito mais tarde. Então, rola uma certa sensação de… rola uma profecia em certas letras. Na minha cabeça, eu passei por essas coisas muito mais tarde. E eu já escrevia sobre isso com 16 anos. É uma sensação estranha. Eu acho que qualquer um que já escreveu tem essa sensação. Muita coisa sobre a qual eu escrevia ali, por exemplo, a música "Aprendi sozinha". Essa música ainda fala muito sobre quem eu sou hoje. Ela expressa muito bem uma parte da minha personalidade. Ela me toca até hoje. Eu não sinto que eu passei dessa fase. Eu sinto que é uma música que eu poderia ter escrito hoje mesmo. G1 – Eu sei que é muito mais do que isso, mas você acha que como um produto, você sente que o álbum envelheceu bem? Tanto de sonoridade, como das coisas que você diz… quando eu ouço tudo ainda faz sentido, envelheceu bem. Paula Marchesini – Ah obrigada, muito obrigada… Isso me deixa muito feliz, porque eu acho que isso foi em grande parte pelo trabalho do Paul Raulphes como produtor. Ele fez um trabalho muito legal. Ele é muito bom e ele abraçou a causa das minhas letras desde o início. Ele amava aquelas músicas, defendia a gente o tempo todo. Eu acho que ele fez um trabalho maravilhoso dando vida para essas músicas que ainda me tocam e ainda tocam bastante gente. Eu recebo ainda muito mensagem do pessoal no Facebook. Às vezes, algumas pessoas perguntam "O que aconteceu com o Brava? Por que vocês terminaram?". G1 – É natural, as pessoas ouvem, vão atrás do segundo CD, vão ver se ainda está na ativa e se perguntam: 'Por que acabou?' Falando nisso, tem alguma chance de o Brava voltar? Paula Marchesini – Olha, o Brava eu acho que não vai voltar não. Porque cada um tomou um rumo diferente da banda, o pessoal tem emprego. O Raphael Nurow trabalha até para o governo agora. O Flávio Galvão é advogado. O [Rodrigo] Bark é artista, fotógrafo. O Fábio [Escovedo] é cineasta. O Bruno é empresário. Mas eu vou te falar que eu estou com um plano de fazer uma live sozinha, eu com violão tocando as músicas do Brava pros fãs. Isso deve acontecer em breve. G1 – E como você vai fazer para cantar e não vai ficar emocionada? Paula Marchesini – Não vai ter como não… Vai rolar uma choradeira séria. Porque me emociona duplamente. Revisitar as músicas é como voltar no tempo. Você voltar e se ver como você era há 20 anos. Isso é emocionante pra todo mundo. E segundo eu sei que essas músicas fizeram parte da vida das pessoas. G1 – Além da música e dos estudos, o que mais você faz? Paula Marchesini – Eu sou diretora de uma editora de livros nos Estados Unidos, que publica livros que promovem melhorias sociais em diversas áreas. Uma das coisas mais importantes é que a gente publica livros que ajudam a eliminar terrorismo e extremismo em vários países. Então, esse é um dos trabalhos que eu estou fazendo… digamos assim, é meu trabalho "do dia", né? Mas assim que eu volto para casa e estou sozinha, aí é a música, é o que eu amo mais do que tudo. VÍDEO: Semana pop explica temas da semana
- Publicado em Cultura
Ator Jonas Mello morre aos 83 anos em SP
Artista foi encontrado morto em seu apartamento em Santana, Zona Norte da capital. Irmã do ator afirma que ele chegou a ligar para um primo após passar mal. Família diz que Jonas morreu de causas naturais. Morreu em São Paulo o ator Jonas Mello O ator Jonas Mello foi encontrado morto no apartamento dele, em Santana, Zona Norte de São Paulo, no final da tarde desta quarta-feira (18). Ele tinha 83 anos. A informação foi confirmada à TV Globo pela irmã do artista, Josefina Rodrigues de Mello. De acordo com Josefina, Jonas passou mal e ligou para um primo. Quando o familiar chegou ao local, Jonas já tinha falecido. Família diz que ele morreu de causas naturais. Josefina afirma que o irmão levava uma vida saudável e não tinha problemas de saúde. Ultimamente, dedicava-se à dublagem de filmes. Jonas era solteiro e sem filhos. Deixa, além de Josefina, outras duas irmãs. O corpo deve ser velado a partir das 14h no Cemitério Memorial de Santos, no litoral paulista. O sepultamento está previsto para ocorrer às 18h. Ator Jonas Mello Reprodução/TV Globo Trajetória Seu último trabalho na TV foi interpretar um capanga na novela “Flor do Caribe”, da TV Globo, em 2013. Jonas Mello nasceu em São Paulo, em 20 de outubro de 1937. Iniciou carreira na televisão em 1969, na produção “A cabana do Pai Tomás”, na TV Globo. Na Record, fez “Os deuses estão mortos”, “Sol amarelo”, “O tempo não apaga”, “O leopardo”, “Vendaval”, “Vidas Marcadas” “Estrela de fogo”, “Por amor e ódio”, “Escrava Isaura” e a minissérie “O desafio de Elias”. Na Tupi (extinta), Mello trabalhou em “Os inocentes”, “Meu rico português”, “Os apóstolos de Judas”, “Um Sol maior” e “João Brasileiro, o bom baiano”. Na Globo, participou de “Os gigantes”, “Chega mais”, “Coração alado”, “Baila comigo”, “Terras do sem fim”, “Partido alto”, “O outro”, “Bambolê”, “Pacto de sangue”, “Barriga de aluguel”, “O portador”, “Suave veneno”, “Vila Madalena”, “Araguaia”, “O Astro” e “Salve Jorge”. Na Cultura, atuou em “O coronel e o lobisomem” e “Paiol velho”. No SBT fez as novelas “Conflito”, “Acorrentada”, “Jogo do amor” e “Dona Anja”. Na Bandeirantes, integrou o elenco de “Maçã do amor”. Na Manchete (extinta), trabalhou em “Dona Beija” e “Mandacaru”. Na CNT/Gazeta, atuou nas minisséries “Irmã Catarina” e “Ele vive” e as novelas “A última semana” e “Antônio dos milagres”. Ator Jonas Mello Reprodução / Twtter @AtorJonasMello Cinema No cinema, atuou em “O Cangaceiro” (1997) e “Lula, o filho do Brasil” (2010). Também foi dublador de diversos filmes e desenhos animados. O velório e o sepultamento serão realizados nesta quinta (19), no cemitério Memorial de Santos. Os horários, no entanto, ainda não foram definidos. Veja mais notícias sobre São Paulo:
- Publicado em Cultura
Bobby Brown Jr., filho de ex-marido de Whitney Houston, é encontrado morto aos 28 anos
Segundo o site TMZ, autoridades não acreditam que haja ação criminosa no caso. Bobby Brown Jr., filho de ex-marido de Whitney Houston, é encontrado morto aos 28 anos Reprodução/Instagram Bobby Brown Jr., filho do ex-marido de Whitney Houston, foi encontrado morto, aos 28 anos, segundo o site TMZ. De acordo com a publicação, uma fonte próxima à família informou que o filho do músico Bobby Brown foi encontrado morto na quarta-feira (18), em sua casa, em Los Angeles. Ainda de acordo com o site, a polícia seguia na residência nesta quinta-feira (19) e as autoridades não acreditam que o caso envolva ação criminosa. Jr. era filho de Bobby Brown com Kim Ward, com quem o músico foi casado por 11 anos antes de sua união com Whitney Houston. Bobby Brown já havia sofrido com a perda de outra filha cinco anos atrás. Jr. é irmão de Bobbi Kristina, que morreu aos 22 anos, em 2015. Ela foi encontrada submersa em uma banheira e passou meses internada e recebendo tratamentos paliativos antes de sua morte. A morte de Kristina aconteceu três anos após a de sua mãe, Whitney Houston. A cantora, de 48 anos, foi encontrada de bruços na banheira do quarto de um hotel de Los Angeles, após sofrer uma overdose de drogas, álcool e remédios. VÍDEOS: Saiba tudo sobre entretenimento com o Semana Pop
- Publicado em Cultura
Livro de memórias de Barack Obama vende mais de 887 mil cópias em lançamento
'A Promised Land' foi lançado na terça-feira (17) e traz a trajetória do ex-presidente americano contada por suas próprias palavras. Livro de memórias de Barack Obama vende mais de 887 mil cópias em lançamento Divulgação "A Promised Land" ("Uma terra prometida"), livro de memórias de Barack Obama, vendeu mais de 887 mil cópias na terça-feira (17), dia de seu lançamento. Segundo a Penguin Random House, o número coloca o livro como o de "maior venda total em lançamento de qualquer outro livro já publicado pela editora". O número representa a soma da pré-venda com as vendas no dia do lançamento, em todos os formatos e edições nos Estados Unidos e Canadá. Em "Uma terra prometida", Barack Obama narra, nas próprias palavras, a história de sua trajetória, desde quando era um jovem em busca de sua identidade até se tornar líder da maior democracia do mundo. Durante entrevista ao programa "Conversa com Bial", que foi ao ar esta semana, Obama comentou passagens do livro em que fala sobre o Brasil, como quando visitou o Cristo Redentor com sua família, no Rio de Janeiro. Ele também relembrou o momento em contrariou sua segurança para se aproximar de centenas de crianças na Cidade de Deus. "As crianças nas favelas, no Rio, em Chicago, ou em qualquer lugar do mundo, precisam de mais do que inspiração, precisam de boas escolas, trabalhos quando se formarem", disse Obama. VÍDEOS: Saiba tudo sobre entretenimento com o Semana Pop:
- Publicado em Cultura
Grammy Latino acontece nesta quinta-feira com Anitta, Ricky Martin e J Balvin
Cerimônia parcialmente on-line dá mais destaque ao reggaeton. Evento principal será em Miami, sem público e sem tapete vermelho por conta da pandemia da Covid-19. J Balvin recebe prêmio por Melhor Álbum de Música Urbana no Grammy Latino 2018 Chris Pizzello/Invision/AP Com performances de artistas como Marc Anthony, Ricky Martin, Fito Páez, Anitta e José Luis Perales, Miami recebe nesta quinta-feira (19) os prêmios Grammy Latino, em uma cerimônia parcialmente on-line em que o cantor de reggaeton colombiano J Balvin lidera a disputa. Com suas 13 indicações, J Balvin compete consigo mesmo em várias categorias: duas indicações a Álbum do ano (por "Colores" e "Oasis", com Bad Bunny) e duas ao Vídeo do ano, pelas canções "Rojo" e "China" – esta última, uma colaboração com Anuel AA, Daddy Yankee, Karol G e Ozuna. Junto a ele, estão os cantores de reggaeton porto-riquenhos Bad Bunny, com nove indicações; Ozuna, com oito; e Anuel AA, que soma sete. O "chefe" Daddy Yankee, um dos pioneiros do gênero, recebeu três indicações (Produtor do ano entre elas), mas com a diferença de ter impulsionado o reggaeton desde os anos 1990 até os prêmios da Academia de 2020. Daddy Yankee, que está por trás de muitos dos hits do gênero dos últimos 20 anos, viralizou no ano passado com um protesto pela pouca presença do reggaeton no Grammy Latino, cujas preferências musicais não refletiam o que acontecia nas ruas. Anitta apresenta prêmio de Melhor Vídeo no MTV EMA 2020 Cortesia MTV/Via Reuters Esta edição estreia a categoria de Melhor Interpretação Reggaeton, assim como as de Melhor Canção Pop/Rock e Melhor Canção Rap/Hip Hop. A 21ª entrega anual dos prêmios da Academia Latina de Gravação será apresentada pela atriz mexicana indicada ao Oscar Yalitza Aparicio, junto aos anfitriões Carlos Rivera, Ana Brenda Contreras e Víctor Manuelle. Uma festa a distância O evento principal será em Miami, sem público e sem tapete vermelho, para evitar contágios de coronavírus, e contará também com performances a distância, como as de Anitta, no Rio de Janeiro; José Luis Perales, em Madri; Fito Páez, em Buenos Aires; e Bad Bunny, em San Juan. Também performarão Pitbull, Pedro Capó, Alejandro Fernández, Karol G, Ricardo Montaner, Kany García e Los Tigres del Norte, entre outros. Karol G canta "Mi cama" durante o Grammy Latino 2018 Chris Pizzello/Invision/AP No espetáculo em Miami, um grupo de médicos, enfermeiros, bombeiros e paramédicos participarão da performance do cubano-americano Pitbull para homenagear os esforços dos profissionais que atuam na linha de frente da pandemia. Também serão homenageados o espanhol Julio Iglesias e o mexicano Pedro Infante. A Academia espera que seja um show que mostre "solidariedade, compaixão e gratidão" em meio à pandemia de covid-19. A festa televisionada, na qual se entregam os principais prêmios, começa às 20h locais desta quinta-feira (22h em Brasília), após um programa de entrevistas que começa uma hora antes, devido à ausência do tapete vermelho. Além de J Balvin e Bad Bunny, concorrem ao prêmio de Álbum do ano Ricky Martin, Carlos Vives, Jesse & Joy, Kany García, Natalia Lafourcade, Camilo e Fito Páez. A segunda categoria mais cobiçada, Música do ano, abrange as músicas de Maluma, Jorge Drexler, Camilo, Alejandro Sanz, Carlos Vives, Residente, Ricky Martin, Juanes com Sebastián Yatra, Kany García com Nahuel Pennisi, Camilo com Pedro Capó, assim como Karol G com Nicki Minaj. A categoria de Vídeo do Ano também tem dez competidores: com "China" e "Rojo", estão as produções de Pablo Alborán, Bajofondo, Camilo e Pedro Capó, Kany García e Nahuel Pennisi, Karol G e Nicki Minaj, Residente e Alejandro Sanz. Essa categoria premia os intérpretes e produtores de um vídeo, enquanto a Música do ano reconhece seu autor. VÍDEOS: Semana Pop explica temas do entretenimento
- Publicado em Cultura
Harmonias e dissonâncias dos Novos Baianos voltam à tona em livro sobre a vida comunitária do grupo
Relato informal da produtora cultural Marília Aguiar expõe casos de machismo, sororidade feminina, desapego material e homofobia na convivência cotidiana dos artistas. Capa do livro 'Caí na estrada com os Novos Baianos', de Marília Aguiar Jimmy Leroy e Noris Lima Resenha de livro Título: Caí na estrada com os Novos Baianos Autoria: Marília Aguiar Editora: Agir Cotação: * * * * ♪ “Certa vez, (os Novos Baianos) chegaram a interromper abruptamente um show que estavam fazendo na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, em Salvador, porque se incomodaram com os trejeitos efeminados de um argentino que dançava bem próximo do palco e contagiava a plateia com sua alegre performance. A cena foi bem desagradável e gerou críticas no meio artístico. Coisas despropositadas e imprevisíveis para quem pregava viver com liberdade e amor”. Ao vir à tona, exposto na página 168 do livro Caí na estrada com os Novos Baianos, o caso de homofobia ajuda a diluir alguns mitos sobre o grupo musical soteropolitano que deu sacudida na MPB ao eletrificar e arejar o samba e choro com a linguagem pop do rock em revolução musical sintetizada no álbum Acabou chorare (1972). Quem conta o surpreendente caso é a produtora cultural Marília Aguiar, autora deste saboroso livro que descortina os bastidores do grupo que, nos 1970, agregou Moraes Moreira (1947 – 2020), Luiz Galvão, Baby do Brasil (então Baby Consuelo), Pepeu Gomes e Paulinho Boca de Cantor – os nomes fundamentais do núcleo dos Novos Baianos. Poeta e principal letrista do grupo, Galvão já contou a história dos Novos Baianos, com o benefício de ser um dos protagonista dessa história, no livro Anos 70 – Novos e Baianos, lançado em 1997 e reapresentado em 2014, em edição ampliada e atualizada, com outra capa e outro título. O alentado livro de Galvão se encaixa na moldura mais formal das biografias. Caí na estrada com os Novos Baianos oferece relato informal – e a informalidade e o descompromisso com o rigor biográfico são justamente os trunfos, e não deméritos, da narrativa – escrito na primeira pessoa, como já sinaliza o título do livro. Trata-se da história dos Novos Baianos sob a perspectiva pessoal de Marília Aguiar, paulista que largou a confortável vida familiar para ir viver e constituir a própria família com Paulinho Boca de Cantor no estilo comunitário e hippie do grupo. Ler o relato da produtora – transformado em livro por incentivo de Zélia Duncan, autora do prefácio – é como espiar os Novos Baianos pelo buraco da fechadura das muitas casas e do sítio carioca Cantinho do Vovô em que todos viveram juntos. Sem o filtro das biografias mais cerimoniosas, a autora oferece visão feminina de história dominada por homens. Marília Aguiar deixa claro que existia machismo na comunidade nova baiana – comportamento exemplificado pela prioridade sempre dada ao sagrado futebol masculino e pela história de que, quando o grupo precisou comprar carros para viabilizar a logística das viagens profissionais dos músicos à Bahia, somente os nomes dos homens entraram no sorteio para ver em nome de quem os carros seriam postos. Contudo, a exposição corajosa dessas dissonâncias sociológicas é encoberta pelas harmonias daquela comunidade. Sem romantizar a vida hippie (“Foi, durante todo o tempo, uma experiência única e surpreendente. Mas era também uma vida instável, inconstante e cheia de incertezas”, avalia a autora na página 206), Marília Aguiar recorda os perrengues na busca do pão nosso de cada dia – lembrados no livro em casos que se sucedem na narrativa – e exalta os entendimentos, a liberdade e o desapego material dos artistas. Roupas e alimentos eram divididos irmãmente. Já os cuidados com as crianças ficavam mesmo a cargo das mulheres, cúmplices e solidárias no cotidiano materno. Enfatizada ao longo do livro, a relação afetuosa e fraterna de Marília com Baby – belo caso de sororidade feminina – é especialmente comovente. Também chama a atenção no relato o alto número de pessoas generosas que socorreram os artistas em momentos de extrema dificuldade. Entremeada na edição do livro com a exposição farta de fotos da época, a narrativa de Marília Aguiar jamais sai do foco pessoal, humano. Já detalhado em livros e textos mais acadêmicos, a importância do som do grupo na música brasileira é assunto que escapa dessa visão tão amorosa quanto realista da vida na estrada com os Novos Baianos. E a estrada foi sendo encurtada na medida que as crianças foram crescendo e os pais (sobretudo as mães) perceberam que a vida fora da comunidade seria mais benéfica para os filhos. E cada um foi tomando o próprio rumo, a começar por Moraes Moreira, que debandou em 1974. Ficaram as lembranças de harmonias e dissonâncias de tempo marcante nas vidas dos protagonistas dessa história. São essas lembranças que justificam o envolvente relato de Marília Aguiar em livro que vai além da história oficial para mostrar a vida em comunidade como ela realmente foi.
- Publicado em Cultura
Silva recai no suingue com a brasilidade pop de ‘Sorriso de agogô’
Artista cita influência do maestro Erlon Chaves ao apresentar o segundo single do quinto álbum autoral gravado em estúdio. Capa do single 'Sorriso de agogô', de Silva João Arraes Resenha de single Título: Sorriso de agogô Artista: Silva Composição: Lúcio Silva e Lucas Silva Edição: Farol Music Cotação: * * * 1/2 ♪ Vinte dias após apresentar o estilizado ska pop Passou passou, lançado em 29 de outubro, Silva edita o segundo single do quinto álbum autoral de estúdio do artista. Assim como Passou passou, música em que o cantor sustentou leveza pop compatível com trajetória que o levou a migrar da cena indie para o mainstream ao longo dos anos 2010, Sorriso de agogô é parceria de Lúcio Silva com o irmão, Lucas Silva, e chega ao mercado fonográfico – nesta quinta-feira, 19 de novembro – em single editado via Farol Music. Como o título já sugere, Sorriso de agogô cai em suingue pop com leveza, fluência e tom ensolarado que remetem aos melhores momentos do anterior álbum autoral de estúdio do artista, Brasileiro (2018). Na nota oficial em que apresenta o single Sorriso de agogô, Silva cita o maestro e pianista Erlon Chaves (1933 – 1974) como influência na formatação da gravação produzida e arranjada pelo próprio Silva. Contudo, Sorriso de agogô se abre em outra direção. Os sopros dos metais – a rigor, dois: o trompete de Bruno Santos e o saxofone de Rocher Rocha – nem de longe evocam o contagiante balanço negro dos arranjos de Erlon. O que se ouve é (mais) uma música explicitamente pop de Silva. E mal nenhum há nisso, cabe sempre enfatizar. Silva faz música pop, feliz, e ponto. Música formatada com suaves programações de Raphael Herdy Portugal, Sorriso de agogô faz parte da safra autoral de composições criadas por Silva com o irmão Lucas na paradisíaca cidade baiana de Caraíva (BA), para onde o cantor de Vitória (ES) migrou no começo do isolamento social. Aliás, o clipe de Sorriso de agogô foi filmado em Caraíva (BA) sob a direção de Edvaldo Raw, em sintonia com a brasilidade pop do som de Silva na atual fase do artista.
- Publicado em Cultura










