Grupo mineiro de reggae Onze:20 se une à banda norte-americana SOJA em single bilíngue
Capa do single 'se for pra ser (Let's be happy)', das bandas Onze:20 e SOJA Divulgação ♪ Em 2018, o grupo mineiro de reggae Onze:20 abriu show da SOJA – outra banda de reggae, mas dos Estados Unidos – em festival de Fortaleza (CE). Dois anos depois, as bandas ampliam a conexão na gravação da inédita música Se for pra ser (Let's be happy), lançada em single pela gravadora Som Livre na sexta-feira, 6 de novembro. No balanço do reggae, Onze:20 e SOJA – banda cujo nome é acrônimo de Soldiers of Jah Army – dão vozes a uma canção pop romântica com leve pegada de rock. A rigor, quem canta mais é Vitin. O vocalista da banda mineira solta a voz em versos em português e em inglês. Jacob Hemphill, vocalista da SOJA, faz em inglês duas breves intervenções que soam como corpos estranhos na gravação. Cabe lembrar que, em janeiro deste ano de 2020, a banda brasiliense de reggae Natiruts lançou single com a música Exército da paz, também gravada com a adesão de Jacob Hemphill, parceiro do baixista Luís Maurício na composição. Já a Onze:20 – banda formada em Juiz de Fora (MG) em 2006 – volta ao mercado fonográfico cinco meses após a edição do single O problema é que cê sabe, composição escrita por Tibi na mesma linha pop romântica em que o Onze:20 vem ambientando o reggae do grupo mineiro.
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Barões da Pisadinha apostam em single com sertanejos Fernando & Sorocaba em ano de conquistas
♪ É impossível fazer a retrospectiva musical do Brasil em 2020 sem mencionar o sucesso massivo da dupla baiana de forró intitulada Os Barões da Pisadinha. Mal apresentaram as últimas músicas do álbum ao vivo e DVD Conquistas (2020), registro audiovisual de show gravado em São Paulo, em fevereiro, diante de público de cerca de dez mil pessoas, o tecladista Felipe Barão e o vocalista Rodrigo Barão se unem com a dupla sertaneja Fernando & Sorocaba para promover a gravação conjunta da música Amor da despedida. Lançada em single na sexta-feira, 6 de novembro, a gravação da composição de Jeff da Sanfona, Kito e Matheus Junio é a nova aposta dos Barões em consagrador ano de conquistas no mercado e nas paradas nacionais. Felipe e Rodrigo criaram a dupla em dezembro de 2015 em Heliópolis (BA), cidade do interior da Bahia, mas foi a partir de 2019 que Os Barões do Forró se transformaram n'Os Barões da Pisadinha, aludindo no novo nome ao ritmo derivado do forró que garantiu projeção nacional ao duo. Caracterizada pelo toque agudo dos teclados, motores do som que saem dos paredões nordestinos, essa vertente do forró já existia desde meados dos anos 2000, mas foi burilada pela dupla e ganhou corpo – e público – nas mãos dos Barões, tendo ganhado também adesões de astros do forró como Wesley Safadão. No rastro do estouro da gravação da música Tá rocheda (2018), propagada em vídeo postado pelo jogador de futebol Neymar Jr., a pisadinha transformou os Barões em reis do forró, sobretudo nas cidades do interior do nordeste do Brasil.
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G1 Ouviu #114 – Trilhas de novela: 28 sucessos e as histórias por trás deles
Guto Graça Mello, Mariozinho Rocha e Marcel Klemm, diretores musicais da Globo de 1975 a 2020, relembram sucessos, explicam fenômeno mercadológico e bastidores do trabalho que transformou músicas em hits com a ajuda da televisão. Você pode ouvir o G1 ouviu no G1, no Spotify, no Castbox, no Google Podcasts ou no Apple Podcasts. Assine ou siga o G1 Ouviu para ser avisado sempre que tiver novo episódio no ar. O que são podcasts? Um podcast é como se fosse um programa de rádio, mas não é: em vez de ter uma hora certa para ir ao ar, pode ser ouvido quando e onde a gente quiser. E em vez de sintonizar numa estação de rádio, a gente acha na internet. De graça. Dá para escutar num site, numa plataforma de música ou num aplicativo só de podcast no celular, para ir ouvindo quando a gente preferir: no trânsito, lavando louça, na praia, na academia… Os podcasts podem ser temáticos, contar uma história única, trazer debates ou simplesmente conversas sobre os mais diversos assuntos. É possível ouvir episódios avulsos ou assinar um podcast – de graça – e, assim, ser avisado sempre que um novo episódio for publicado. G1 ouviu, podcast de música do G1 G1/Divulgação
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Artista mineira dá cor a documentário sobre a diva do jazz, Billie Holliday
Marina Amaral se debruçou em mais de 100 fotos e vídeos que retratam a cantora norte-americana. O documentário 'Billie' é dirigido pelo britânico James Erskine e deve chegar ao Brasil em 2021. Artista mineira dá cor a documentário sobre Billie Holiday A vida em preto e branco do ícone do jazz Billie Holiday ganhou cor graças à artista mineira Marina Amaral. Ela foi a responsável pela paleta que “pintou” a intérprete norte-americana no documentário “Billie”, dirigido pelo britânico James Erskine. O filme narra a trajetória da cantora, dona de uma voz peculiar e que se tornou uma das intérpretes mais importantes da história da música. De origem miserável, Billie teve uma vida marcada por sucessos e tragédias. Ela morreu aos 44 anos em decorrência de problemas com álcool e drogas. Imagens históricas ganham cor nas mãos de artista mineira Artista mineira dá 'vida' a fotos de prisioneiros de Auschwitz através das cores “A minha maior surpresa foi conhecer a mulher por trás da artista. Ela teve uma vida extremamente conturbada, triste, difícil. Mergulhei de cabeça nesse processo de pesquisa para entender por completo quem ela era. Foi um pouco doloroso, até. Mas acho que o filme consegue retratar isso de uma maneira muito sensível”, disse Marina. Por cerca de um ano, a mineira se debruçou em mais de 100 fotos e vídeos que retratam Billie. O arranjo lilás do cabelo, o vestido verde-esmeralda, o batom vermelho são alguns dos elementos que nos aproximam da diva. “O processo foi muito baseado em interpretação artística, uma vez que não existia nenhum tipo de referência que eu pudesse usar naquelas imagens específicas. Uma coisa que eu sabia era que existiam algumas críticas sobre representações dela no teatro, por exemplo, quando foi interpretada por artistas que não eram negras. Captar e reproduzir quem ela de fato era foi um dos pontos mais importantes para todos nós, desde o início”, contou a artista. Espectro do autismo Marina Amaral começou a colorir fotos antigas por acaso. Marina Amaral/Arquivo pessoal Marina foi convidada para participar do projeto no final de 2018, em Londres. Naquele ano, seu trabalho começava a ganhar o mundo. Ela já tinha “dado cor” a quase 500 fotos, entre elas as do Dia D (em que tropas aliadas desembarcaram na Normandia durante a 2ª Guerra Mundial), do czar Nicolau II e da rainha Elizabeth II, e se preparava para lançar o livro “The Colour of Time”, ao lado do historiador britânico Dan Jones. Fotografia da futura rainha Elizabeth II Marina Amaral/Arquivo pessoal A precisão e foco que imprime ao seu trabalho de colorização acabaram por revelar não só o talento da mineira. Aos 25 anos, Marina descobriu que estava no espectro do autismo. “Descobrir o autismo deu sentido a toda a minha vida. Compreendi tantas coisas sobre mim, minha personalidade, minha maneira de ver o mundo, de interpretar as pessoas, que antes não faziam o menor sentido. Não posso dizer que tem sido fácil, mas também não tem sido extremamente difícil. É uma oportunidade de me redescobrir, perdoar, conhecer melhor”, contou. Documentário Billie deve chegar ao Brasil no início de 2021 Divulgação Com seu trabalho, Marina foi capaz de multiplicar os tons dos registros que, antes, eram coloridos apenas pela voz de Billie Holliday . O documentário “Billie” ainda não tem data de estreia no Brasil, mas a previsão é que chegue aos cinemas no início do ano que vem. Veja os vídeos mais vistos no G1 Minas nesta semana:
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Vanusa, cantora, morre aos 73 anos em Santos, no litoral de SP
Ela estava em casa de repouso, onde morava há dois anos; causa da morte foi insuficiência respiratória. Ao longo da carreira, artista se juntou à Jovem Guarda, lançou mais de 20 discos e vendeu 3 milhões de cópias. Cantora Vanusa morre aos 73 anos, em Santos (SP) A cantora Vanusa morreu na manhã deste domingo (8) em uma casa de repouso em Santos, no litoral de São Paulo. Vanusa: famosos lamentam a morte da cantora, aos 73 anos; veja repercussão Um enfermeiro do local, onde a artista morava há dois anos, percebeu que ela estava sem batimentos cardíacos, por volta das 5h30. Uma equipe da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) foi acionada e constatou que a causa da morte foi uma insuficiência respiratória. Segundo funcionários da casa de repouso, Vanusa recebeu a visita de Amanda, sua filha mais velha, neste sábado (7). Ela cantou, brincou, riu e se alimentou bem. A artista fazia fisioterapia e outros tratamentos na residência para idosos. Vanusa morava havia dois anos na casa de repouso Barros Residência para Idosos em Santos, SP Carlos Abelha/G1 Em setembro e outubro, Vanusa esteve internada no Complexo Hospitalar dos Estivadores, em Santos, por causa de um quadro grave de pneumonia. Aretha Marcos, também filha de Vanusa, publicou homenagens à mãe nas redes sociais. Em uma delas, ela relembrou que, neste domingo, seu pai, Antônio Marcos, completaria 75 anos. "O amor é impossível. Hoje, aniversário do meu pai, Antônio Marcos ele veio buscar minha mãe para viverem juntos na eternidade. A vida é arte!" O filho Rafael Vannucci, ator, cantor e produtor de eventos, mora em Goiânia e está viajando para São Paulo para encontrar a família. Ele publicou um vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio dos fãs e as orações. "Minha gratidão a cada um de vocês. É um momento muito difícil, com certeza é o pior dia da minha vida. Mas, ao mesmo tempo ela foi descansar, foi embora dormindo, e que o senhor receba minha mãe de braços abertos. Muito obrigada a cada um de vocês do fundo do meu coração, gratidão. E viva a Vanusa" Initial plugin text Cenário musical 'Vanusa teve importância especialmente na década de 70', diz Mauro Ferreira Após a morte da cantora, Mauro Ferreira, jornalista e crítico de música, fez uma retrospectiva da carreira da cantora. Segundo ele, Vanusa teve importância especialmente na década de 70. Ele também falou sobre a importância da cantora na cena musical brasileira e sua veia feminista. "Vanusa foi uma pioneira, ela foi empoderada. Ela sempre defendeu isso quando o mundo era mais machista, poucas mulheres tinham voz ativa na música brasileira como compositoras, sobretudo", disse Ferreira. Vanusa, em foto de agosto de 2015 Gabriela Biló/Estadão Conteúdo/Arquivo Carreira Vanusa Santos Flores nasceu em 22 de setembro de 1947 na cidade de Cruzeiro (SP), mas foi criada em Uberaba (MG). Com mais de 20 discos lançados ao longo da carreira e 3 mais de milhões de cópias vendidas, a cantora e compositora era mais identificada com a canção popular do que com a MPB, mas flutuou entre gêneros como rock, funk americano e samba. Aos 16 anos, cantava com o grupo Golden Lions. Em 1966, fez sucesso com a canção “Pra nunca mais chorar” e passou a se apresentar na TV Excelsior. Na mesma época, participou das últimas edições do programa da Jovem Guarda. Pouco depois, se juntou ao elenco do programa humorístico “Adoráveis trapalhões”, com Renato Aragão. Nos anos 1970, emendou sucessos como “Manhãs de setembro”, que escreveu em parceria com seu parceiro frequente Mário Campanha, e baladas como "Sonhos de um palhaço", de Antonio Marcos e Sérgio Sá, e "Paralelas", de Belchior. Em 1972, se casou com Antonio Marcos. O cantor participou diretamente da carreira de Vanusa com outras músicas, como “Coração americano”, escrita com Fagner. Vanusa, em foto de agosto de 2015 Gabriela Biló/Estadão Conteúdo/Arquivo A música faz parte de um dos melhores discos da cantora, “Amigos novos e antigos”, lançado em 1975. Na mesma década, ela ainda esteve no elenco de montagem do musical “Hair”. Em 1977, lançou com o cantor Ronnie Von o LP “Cinderela 77”, trilha sonora da novela com o mesmo nome da TV Tupi. Nas décadas seguintes, manteve a carreira ativa com o lançamento de discos e participações em diversos festivais de música no país e no exterior, como Uruguai, Coreia do Sul e Chile. Em 2005, participou ainda de eventos e shows comemorativos dos 40 anos da Jovem Guarda. Em 2009, Vanusa foi convidada para cantar o hino nacional em um evento na Assembleia Legislativa de São Paulo. Um vídeo que mostra a cantora trocando palavras da letra se tornou viral na internet. Na época, ela contou que remédios para labirintite a deixaram desorientada na ocasião. Pouco tempo depois, Vanusa sofreu um acidente doméstico, segundo ela. também provocado pela labirintite. Por causa da queda, a artista precisou se submeter a três cirurgias na clavícula. Vanusa contou sua vida na autobiografia “Ninguém é mulher impunemente” e no monólogo musical “Ninguém é loura por acaso”, que estreou no teatro em 1999 em São Paulo. VÍDEOS: Relembre a carreira de Vanusa
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VÍDEOS: Vanusa
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Vanusa: famosos lamentam a morte da cantora, aos 73 anos; veja repercussão
'Sempre à frente de seu tempo. Conheçam a obra de Vanusa', escreveu Fafá de Belém. Artista sofreu insuficiência respiratória em casa de repouso, em Santos, no litoral de SP. Vanusa morre, aos 73 anos, em casa de repouso em Santos (SP) Músicos e outras personalidades lamentaram, neste domingo (8), a morte da cantora Vanusa. A artista sofreu uma insuficiência respiratória, aos 73 anos. Ela estava em uma casa de repouso em Santos, no litoral de São Paulo, onde morava há dois anos. Ao longo da carreira, Vanusa lançou mais de 20 discos e vendeu 3 milhões de cópias. Relembre a trajetória da artista. ASSISTA a vídeos da cantora Vanusa será sepultada na capital paulista, diz assessoria Blog do Mauro Ferreira: Vanusa deixa impressão de que foi cantora maior do que o Brasil supôs Vanusa, em foto de agosto de 2015 Gabriela Biló/Estadão Conteúdo/Arquivo Vanusa morre aos 73 anos em Santos Leia, abaixo, a repercussão da morte de Vanusa Ronnie Von, cantor: 'Vanusa não estava vivendo; ela descansou', diz Ronnie Von Caetano Veloso, cantor: Initial plugin text Angela Ro Ro, cantora: Initial plugin text Teresa Cristina, cantora: Initial plugin text Fafá de Belém, cantora: Initial plugin text Wanderley Cardoso, cantor: 'Vanusa foi uma pessoa muito importante na minha carreira', diz Wanderley Cardoso Wanderléa, cantora: "Vai deixar muitas saudades a todos os seus fãs, amigos, a todos que acompanharam. Um grande abraço. Nossos sentimentos, nossas lembranças, lembranças de você, Vanusa. Inesquecíveis. Descansa em paz." Gretchen, cantora: Initial plugin text Mauro Ferreira, jornalista e crítico musical: 'Vanusa teve importância especialmente na década de 70', diz Mauro Ferreira Zeca Baleiro, músico: Initial plugin text Fagner, cantor: Initial plugin text Buchecha, cantor: Initial plugin text Marisa Orth, atriz: Initial plugin text Artur Xexéo, jornalista e crítico de cultura: 'Vanusa tinha excesso de talento e de versatilidade', diz Artur Xexéo Mara Maravilha, apresentadora: Initial plugin text Nany People, atriz: "Descanse em paz, estrela vanguardista dona de tantas 'Mudanças'." Rafael Vannucci, empresário e filho da Vanusa: Initial plugin text Zé Ramalho, cantor e compositor: Initial plugin text Daniel, cantor: Initial plugin text Paulinho Serra, humorista: Initial plugin text Felipe Araújo, cantor: Initial plugin text Xico Sá, jornalista e escritor: Initial plugin text Sarah Oliveira, apresentadora: Initial plugin text Marcelo Rubens Paiva, escritor: Initial plugin text VÍDEOS: Relembre a carreira de Vanusa
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Vanusa deixa impressão, ao morrer aos 73 anos, de que foi cantora maior do que o Brasil supôs
'Vanusa teve importância especialmente na década de 70', diz Mauro Ferreira ♪ OBITUÁRIO – A morte de Vanusa Santos Flores (22 de setembro de 1947 – 8 de novembro de 2020) – ocorrida em casa de repouso de Santos (SP) na madrugada deste domingo, 8, por causa de insuficiência respiratória – entristece o Brasil não somente pela perda da artista, paulista de Cruzeiro (SP) criada em cidades do interior de Minas Gerais. A tristeza decorre também da sensação de que, ao sair de cena aos 73 anos, Vanusa deixa a impressão – aliás, uma certeza para quem conhece a obra da artista – de ter sido cantora maior do que (quase sempre) se supôs ao longo de carreira iniciada em 1967 com a gravação de single com Pra nunca mais chorar (Eduardo Araújo e Carlos Imperial), canção sintonizada com o romantismo pueril da Jovem Guarda. Em evidência nos últimos anos por conta de problemas de saúde que vieram ao público em setembro de 2009, quando viralizou vídeo em que Vanusa se atrapalhou com a letra e o ritmo do Hino Nacional Brasileiro (Francisco Manuel da Silva, 1822, com letra de Osório Duque Estrada, 1909) ao cantar o tema em cerimônia oficial, a artista deixa discografia irregular, composta por 17 álbuns. Vanusa na capa do álbum 'Viva Vanusa', de 1979 Reprodução O ápice dessa obra fonográfica – tanto em termos artísticos quanto comerciais – está concentrado nos discos lançados por Vanusa ao longo da década de 1970. Capas de álbuns lançados por Vanusa entre 1968 e 1971 Reprodução / Montagem Mauro Ferreira Após primeiro álbum ainda dentro do espírito da Jovem Guarda, Vanusa, lançado em 1968 com repertório que destacou abordagem pop de Mensagem (Cícero Nunes e Aldo Cabral, 1946), sucesso de Isaura Garcia (1923 – 1993) na era do rádio, a cantora começou a incursionar pelo soul no segundo álbum, também intitulado Vanusa e editado em 1969 com certa dose de psicodelia traduzida pela imagem da capa. Em 1971, a artista lançou um terceiro álbum ainda mais arrojado e embebido em soul, com resquício de psicodelia na faixa Ponte aérea: 15 horas (Wilson Miranda e Messias, 1971). É nesse disco, também intitulado Vanusa, que Antonio Marcos (1945 – 1992) aparece pela primeira vez na discografia da cantora, com quem se casaria em 1972. Vanusa morre aos 73 anos em Santos Além de ser o autor (em parceria com o irmão Mário Marcos) da música que abre o álbum, 1971, Antonio Marcos escreveu e cantou com Vanusa a letra do soul Agora eu sei, versão em português de Where are you going to my love? (Billy Day, Tony Hiller e Mike Leslie, 1970). A importância de Antonio Marcos na vida e na carreira de Vanusa foi tão fundamental que chega a causar estranheza o fato de Vanusa ter morrido em 8 de novembro, dia em que o cantor aniversariava (o artista poderia estar hoje festejando 75 anos, se não tivesse morrido há 28 anos de problemas hepáticos). Capas dos álbuns lançados por Vanusa entre 1974 e 1979 Reprodução / Montagem Mauro Ferreira Em que pesem as estranhezas e as ousadias estilísticas desses álbuns iniciais de Vanusa na gravadora RCA-Victor, a cantora será sempre mais lembrada pelos cinco álbuns que lançou entre 1973 e 1979. O LP Vanusa de 1973 marcou a estreia da artista na gravadora Continental e o reencontro da cantora com o sucesso popular. A faixa Manhãs de setembro, também lançada em single, estourou nas rádios, evidenciando a beleza e a força da música composta pela própria Vanusa em parceria com Mario Campanha. Também compositora, Vanusa fez pulsar na obra autoral veia feminista que ficaria mais aflorada em 1979, com o discurso motivador entranhado na letra da canção Mudanças (Vanusa e Sérgio Sá), hit do álbum Viva Vanusa (1979). Com o sucesso de Mudanças e o fracasso do álbum posterior Vanusa, de 1980, a direção de gravadora RCA – para a qual a artista voltara em 1975 – induziu a cantora a explorar essa veia feminista em 1981 com a gravação de Eu sobrevivo, versão em português (escrita por Paulo Coelho) de I will survive (Freddie Perren e Dino Fekaris, 1978), hino feminino da disco music, propagado em escala mundial em 1979 na voz da cantora norte-americana Gloria Gaynor. Único hit radiofônico do álbum Vanusa (1981), disco em que a artista foi pioneira ao versar sobre a violência doméstica contra a mulher na música autoral S.O.S. mulher (Vanusa, 1981), Eu sobrevivo foi o último sucesso de Vanusa. Houve derradeira tentativa de mantê-la em evidência com o álbum Primeira estrela, lançado em 1982, mas, a partir de então, a cantora passaria a viver das glórias do passado. Uma grande cantora, diga-se. Com voz afinada, de emissão precisa e por vezes dramática, Vanusa valorizou músicas como Sonhos de um palhaço (Antonio Marcos e Sérgio Sá, 1974), sucesso do quinto álbum da artista, também intitulado Vanusa e lançado em 1974, ainda no rastro do sucesso de 1973, ano em que a cantora gravou – de forma anônima – o tema de abertura do então novo programa Fantástico (TV Globo), composto por Guto Graça Mello com José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Em 1975, Vanusa – até então vista como cantora popular, eufemismo para cafona – tentou aproximação com a elite da MPB através do álbum Amigos novos e antigos, título mais coeso da discografia da cantora. Nesse álbum, Vanusa apresentou ao Brasil um samba de Luiz Melodia (1951 – 2017), Congênito, e lançou Paralelas, uma das mais belas canções de Belchior (1947 – 2017). A interpretação de Paralelas exemplificou a inteligência do canto geralmente exteriorizado de Vanusa, que, sem perda da potência vocal, transmitiu toda a melancolia dessa canção em que Belchior retratou a automação humana na selva das cidades. Em 1977, licenciada pela RCA para a gravadora Som Livre, Vanusa tentou manter a aproximação com a MPB no álbum 30 anos, cujo título aludia à idade da cantora na época. No LP 30 anos, Vanusa apresentou a primeira gravação de Avohai, canção de Zé Ramalho (o registro do autor seria lançado no mesmo ano, mas em dezembro), e lançou música inédita de Caetano Veloso (Duas manhãs). Vanusa em foto promocional do último álbum da cantora, 'Vanusa Santos Flores', de 2015 Gal Oppido / Divulgação Apesar de tantos feitos, Vanusa nunca foi percebida de fato como uma cantora de MPB, o que a levou de volta para o universo da canção mais simples e popular. Com a abertura do mercado para o rock brasileiro, a partir de 1982, Vanusa foi se tornando paulatinamente uma voz do passado – como tantas vozes dos anos 1960 e 1970. Talvez por não ter sabido se manter atual, a cantora perdeu o rumo da carreira e foi gravando cada vez menos a partir da segunda metade dos anos 1980. E, quando os discos vieram, como Cheiro de luz (1988), Viva paixão (1991) e Hino ao amor (1994), quase ninguém ouviu por se tratarem de álbuns editados por gravadoras pequenas, sem alcance na mídia. O resultado é que Vanusa praticamente sumiu nos anos 1990 e 2000 – sumiço reforçado por lançamentos bem eventuais (e discretíssimos) como o do DVD Cantares (2008), apresentado um ano antes do episódio do Hino Nacional Brasileiro. A única volta relevante foi a promovida por Zeca Baleiro que, comovido com o fato de a cantora ter sido reduzida a um meme a partir de 2009, bancou e produziu o álbum Vanusa Santos Flores, disco de superação, gravado desde 2013, antecedido por EP em 2014 e enfim lançado em outubro de 2015 após dificuldades na produção. Neste disco, a voz de Vanusa já se apresentou sem a potência dos áureos tempos, mas as interpretações sensíveis de canções como Esperando aviões (Vander Lee, 2003) e Haja o que houver (Pedro Ayres Magalhães, 1997) mostraram que, sim, a grande cantora ainda estava lá, porque “cantar é vestir-se com a voz que se tem”, como já sentenciou Teresa Cristina em verso lapidar da música de 2007. E Vanusa parecia saber que aquele era seu derradeiro figurino. “Alivia a minha história / O mundo anda em linha reta / Eu ando em linha torta”, suplicou nos versos de Abre aspas (Nô Stopa e Marcelo Bucoff, 2002). Por linhas tortas, Vanusa seguiu trajetória nem sempre condizente com a beleza da voz que ecoou com força no Brasil dos anos 1970, ainda que esse Brasil quase nunca tenha reconhecido Vanusa como a grande cantora que ela muitas vezes foi.
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Apresentador americano Alex Trebek morre aos 80
Trebek apresentava o game show 'Jeopardy!' e era uma das personalidades mais reconhecidas da TV americana. Alex Trebek, apresentador do game show de televisão Jeopardy, fala no palco durante o 40º Daytime Emmy Awards em Beverly Hills, na Califórnia, em junho de 2013 Danny Moloshok/Reuters/Arquivo O apresentador americano Alex Trebek morreu neste domingo (8) aos 80 anos, informou a conta oficial de seu programa no Twitter. Trebek apresentava o game show "Jeopardy!" e tornou-se uma das personalidades mais reconhecidas da televisão americana. Initial plugin text Nascido no Canadá, ele disse em um vídeo do YouTube de março de 2019 que havia sido diagnosticado com câncer de pâncreas no estágio 4, prometendo vencer a doença apesar das poucas chances. Trebek disse aos fãs em agosto de 2019 que havia concluído a quimioterapia, mas revelou no mês seguinte que teve que reiniciar o tratamento. VEJA TAMBÉM: Jovem vencedor do 'Jeopardy!' doa US$ 10 mil para centro de pesquisas de câncer em homenagem a Alex Trebek Ele morreu "pacificamente" em casa, rodeado pela família e amigos, segundo o tuíte do programa. Vinte anos depois de "Jeopardy!" ser exibido pela primeira vez em 1964, Trebek se tornou o apresentador do programa e o transformou em uma potência de audiência. Membros do 'Blue Man Group' apresentam Alex Trebek, visto na 3ª tela, durante o 37º show Annual Daytime Emmy Awards em Las Vegas, Nevada, em junho de 2010 Steve Marcus/Reuters/Arquivo O programa, em que os competidores mostrem conhecimento sobre vários assuntos gerais, fornecendo suas respostas na forma de uma pergunta, tem atraído consistentemente mais de 20 milhões de espectadores por semana nos Estados Unidos e Canadá, se tornando o programa de perguntas mais assistido nesses países. A audiência é ainda maior quando os competidores acumulam várias semanas de vitórias consecutivas. “Esta é a crença que está no cerne da personalidade de Alex na TV: 'Jeopardy!' em si, não ele, é a estrela do show," disse Ken Jennings, um ex-participante de "Jeopardy!" que detém o recorde da sequência de vitórias mais longa do programa, sobre Trebek em uma coluna de 2019 no New York Times. "É difícil imaginar qualquer personalidade da TV atual evitando os holofotes habilmente como ele", acrescentou Jennings. Alex Trebek, apresentador do game show 'Jeopardy!' posa com seu prêmio Emmy no 33º Daytime Emmy Awards em Hollywood, na Califórnia, em abril de 2006 Fred Prouser/Reuters/Arquivo Trebek era conhecido por envolver os competidores com brincadeiras sérias, mas espirituosas. Jennings comparou Trebek, que apresentou mais de 7 mil episódios de "Jeopardy!", com o apresentador Walter Cronkite e o apresentador de talk-show Johnny Carson, porque sua presença noturna na televisão havia se tornado uma "questão de ritual". Trebek ganhou seis prêmios Emmy de melhor apresentador de game show, o mais recente em 2019, e também um Emmy pelo conjunto de suas realizações em 2011. A revista Hollywood Reporter publicou em um artigo de 2014 que Trebek ganhava 10 milhões de dólares por ano. Do Canadá para a Califórnia Trebek nasceu na cidade de Sudbury, no Canadá, filho de pai imigrante ucraniano e mãe franco-canadense. Ele se formou em filosofia na Universidade de Ottawa e começou sua carreira na TV enquanto ainda frequentava a escola. O apresentador Alex Trebek posa para uma foto em sua casa, em Los Angeles, em 3 de agosto de 1988. Trebek, que apresentou o programa de perguntas e respostas “Jeopardy!” por mais de 30 anos morreu neste domingo (8) aos 80 anos Alan Greth/AP/Arquivo Depois de apresentar uma série de programas de televisão no Canadá durante a década de 1960, Trebek foi encorajado a se mudar para a Califórnia em 1973 pelo falecido ator Alan Thicke, também canadense, para apresentar um game show da NBC de curta duração chamado "The Wizard of Odds". Nos anos seguintes, Trebek apresentou alguns outros programas com nomes igualmente peculiares, como "High Rollers" e "Battlestars". Nenhum deles se tornou um sucesso duradouro, mas reforçou a reputação de Trebek em Hollywood e, eventualmente, pavimentou o caminho para seu ingresso no "Jeopardy!" A personalidade da televisão Merv Griffin e sua esposa Julann tiveram a ideia de "Jeopardy!" nos anos 1960. Foto de arquivo de maio de 1999 mostra o apresentador Alex Trebek durante a chegada de sua estrela na Calçada da Fama de Hollywood, em Los Angeles Nick Ut/AP/Arquivo Art Fleming, que morreu em 1995, havia sido o apresentador original do programa durante exibição inicial, entre 1964 a 1975, e em um revival de 1978-79. Quando Griffin colocou "Jeopardy!" novamente no ar após um hiato de vários anos, os produtores escolheram Trebek para apresentá-lo e Trebek também ajudou a produzir o programa durante suas três primeiras temporadas. Um dos programas que o ajudou a garantir a vaga foi um papel temporário em "Wheel of Fortune", outro game show que Griffin havia criado, de acordo com uma entrevista que Trebek deu em 2007. O bigode de Trebek era uma de suas marcas com os espectadores. Ele esteve presente no visual do apresentador desde o início de sua carreira até 2001, quando decidiu raspar. Em 2014 ele voltou às manchetes quando deixou o bigode crescer novamente. Trebek deixa sua esposa, Jean, e seus dois filhos adultos, Emily e Matthew.
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Gerson Conrad, ex-Secos & Molhados, volta ao disco com EP ‘O fio do meu destino’
♪ Em 2018, Gerson Conrad quebrou hiato fonográfico de 37 anos ao lançar o terceiro álbum, Lago azul, primeiro disco do artista paulistano desde 1981. Decorridos dois anos da edição de Lago azul, Conrad – cantor, compositor e violonista projetado nacionalmente em 1973 como integrante da formação original do trio Secos & Molhados – volta novamente ao mercado fonográfico e lança o EP O fio do meu destino. Programado para 20 de novembro, o EP é assinado por Conrad com Aru Jr. – coprodutor do álbum Lago azul e guitarrista que toca com o cantor em shows há cerca de 20 anos – e com o poeta carioca Rogério Batalha. Capa do EP 'O fio do meu destino', de Gerson Conrad, Aru Jr. e Rogério Batalha Divulgação Com cinco músicas inéditas, o EP O fio do meu destino apresenta quatro inéditas parcerias de Conrad com Batalha – autor das letras de Cobertor, Dia azul e Grama, além da música-título O fio do meu destino – e uma composição feita por Aru Jr. com letra do mesmo Rogério Batalha, Corpo. Aru Jr. assina os arranjos das cinco faixas do disco. Para quem não viveu a época do grupo Secos & Molhados, cabe ressaltar que Gerson Conrad é o o criador da melodia de um dos maiores sucessos do trio, Rosa de Hiroshima, música feita pelo artista a partir de versos do poeta Vinicius de Moraes (1913 – 1980). Conrad também é coautor de El rey (1973) e Delírio (1974), músicas assinadas em parceria com João Ricardo e Paulo Mendonça, respectivamente.
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