Discos para descobrir em casa – ‘Piano e viola’, Taiguara, 1972
Capa do álbum 'Piano e viola', de Taiguara Reprodução ♪ DISCOS PARA DESCOBRIR EM CASA – Piano e viola, Taiguara, 1972 ♪ Guerrilheiro da canção, o uruguaio Taiguara Chalar da Silva (9 de outubro de 1945 – 14 de fevereiro de 1996) foi um dos cantores e compositores militantes que se alistaram no exército musical brasileiro dos anos 1960 e 1970 para combater com acordes e versos a repressão do regime ditatorial instaurado no Brasil em 1964. Alvo da fúria insana dos censores, Taiguara teve a obra mutilada, mas, pelas frestas do sistema e dos festivais, deu o recado em álbuns politizados como Hoje (1969) e Viagem (1970), títulos da fase áurea da carreira do artista. Sexto álbum solo do cantor, cuja obra fonográfica inclui disco editado em 1966 com Claudette Soares e o Jongo Trio, Piano e viola flagrou Taiguara já melancólico, ciente de que o sonho acabara, como sentenciara John Lennon (1940 – 1980), mas com esperança de dias mais ensolarados. Essa esperança consciente foi explicitada já no título e na letra de Teu sonho não acabou, canção que abriu com ornamento orquestral o disco editado pela gravadora Odeon em 1972 com arranjos divididos pelo próprio Taiguara com os maestros Eduardo Souto Neto e Lindolpho Gaya (1921 – 1987). Pela beleza melódica, Teu sonho não acabou sobressaiu entre as 12 músicas do então inédito repertório autoral, inteiramente composto por Taiguara sem parceiros para o disco. Outras composições menos ouvidas confirmaram a inspiração de Taiguara, sobretudo a melancólica Manhã de Londres, bela canção que ficaria esquecida até ser maravilhosamente interpretada por Verônica Ferriani no tributo feminino ao compositor, A voz da mulher na obra de Taiguara, idealizado e produzido por Thiago Marques Luiz para a gravadora Joia Moderna, do DJ Zé Pedro, e editado em 2011 quando o universo pop parecia já ter esquecido o cancioneiro ardoroso de Taiguara. Nascido em Montevidéu, capital do Uruguai, Taiguara se exilou em Londres em 1973 após ter vivido no Brasil entre as cidades de Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), período em que militou nos festivais das canção entre 1966 e 1970. O álbum Piano e viola reverberou em 12 canções a paixão e a ideologia que moveram o artista na construção de obra resistente que, nesse disco de 1972, legou para a posteridade a grande composição Mudou, canção sobre a eterna transitoriedade das emoções, magistralmente revivida pela cantora Célia (1947 – 2017) em gravação feita para o já mencionado tributo feminino de 2011. Batizado com o nome da canção Piano e viola, alocada na abertura do lado B do LP, o álbum se situou no terreno urbano em que Taiguara assentou grande parte do cancioneiro engajado do artista, ao contrário do que fizeram supor a foto da capa e o próprio título Piano e viola. O piano, a propósito, foi tocado pelo próprio Taiguara, instrumentista polivalente. Já a viola (assim como o violão) era a do músico Zé Menezes, integrante da banda arregimentada para o disco e também integrada por Chiquito Braga (guitarra) Lula Nascimento (bateria) e Oswaldo Damião (baixo). A viola deu o tom regionalista de O troco sem diluir a urbanidade de álbum em que Taiguara, como de hábito, deu voz a um humanismo que escasseava na selva das cidades em que animais racionais se aniquilam, como o cantor poetizou nos versos crus da balada Luzes, gravada por Angela Maria (1929 – 2018) naquele mesmo ano de 1972. O álbum Piano e viola reverberou essa posição humanista de um artista que usava a canção para defender ideais de um mundo melhor. Na canção Pro filhos do Zé, o guerrilheiro partiu em defesa das crianças, mostrando que elas deveriam ser vistas fora da ótica racional dos adultos da selva urbana. Em Rua dos ingleses, faixa que exemplificou a opulência dos arranjos orquestrais do disco, o cantor discutiu o conceito de Deus, livre de dogmas religiosos e de qualquer traço de ódio. “Quem não fere vive tranquilo”, sentenciou e sintetizou o cantor em verso da canção-título Piano e viola, orquestrada com a harmonização dos instrumentos que lhe deram o nome. A esperança foi o mote de canções como Pra Laetitia, música esquecida neste álbum cuja espessa moldura orquestral nem sempre evidenciou a força da voz de Taiguara. Essa voz tinha alcance e alma para credenciar o cantor a seguir carreira somente de intérprete, como já mostrara o álbum Taiguara (1968), lançado antes da explosão de canções autorais como Universo no teu corpo (1970) na plataforma dos festivais, com abordagens de músicas de compositores como Antonio Adolfo e Chico Buarque. Com o tema instrumental A flor na areia no repertório, o álbum Piano e viola apresentou músicas que ficariam obscuras com o decorrer do tempo, caso do samba Eronita e eu. Encerrado com O homem, canção endereçada de forma cifrada ao apresentador de TV Silvio Santos e a rigor um título de menor estatura dentro da obra do artista, o disco de 1972 mostrou Taiguara fiel à ideologia que vinha propagando com coerência e inflexibilidade. Exilado na Inglaterra a partir de 1973, ano que lançou o álbum Fotografias, Taiguara voltou ao Brasil três anos depois para lançar o álbum Imyra, Tayra, Ipi, Taiguara (1976), disco censurado que acabou contribuindo para que o cantor fosse expelido para a margem independente do mercado fonográfico. Desde então, o cantor lançou somente dois álbuns, Canções de amor e liberdade (1984) e Brasil afri (1994), sem repercussão. Falecido em 1996 na cidade de São Paulo (SP), o resistente Taiguara ficou imortalizado como uma das mais perfeitas traduções da militância musical brasileira pelo engajamento reavivado quando a canção Hoje (1969) reverberou no filme nacional Aquarius (2016), prova de que, como o guerrilheiro já sentenciara na canção que abriu este consistente álbum de 1972, o sonho não acabou.
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Lives de hoje: Sandra de Sá, Teresa Cristina, Gabeu e mais shows para ver em casa
Nesta terça (30), Gabeu faz arraiá de 'pocnejo' online. Veja horários. Cantora Sandra de Sá Divulgação/Assessoria do projeto TAMAR Sandra de Sá, Teresa Cristina, Gabeu fazem lives nesta terça-feira (30). Veja a lista completa com horários das lives abaixo. O G1 já fez um intensivão no começo da onda de lives, constatou o renascimento do pagode nas transmissões on-line, mostrou também a queda de audiência do fenômeno e a polêmica na cobrança de direito autoral nas lives. Sandra de Sá (Em Casa com Sesc) – 19h – Link Arraiá do Gabeu – 20h – Link Teresa Cristina – 22h – Link As cenas de 'lives' da quarentena que já estão na história do entretenimento brasileiro
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Simone Mazzer reverbera, em inglês, canção de resistência do Clube da Esquina
Cantora lança o single 'Nothing will be as it was' com levada neo soul criada pelo produtor musical Donatinho. Simone Mazzer Divulgação / Dubas ♪ Um dos hinos de resistência do repertório do Clube da Esquina, a canção Nada será como antes foi apresentada ao mundo na voz de Joyce Moreno em single quádruplo – compacto duplo, no jargão fonográfico da época – editado em 1971, mesmo ano em que Elis Regina (1945 – 1982) também gravou a música de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos. Contudo, a gravação mais famosa de Nada será como antes seria feita por Milton no ano seguinte para o gregário álbum duplo Clube da Esquina (1972). Quatro anos mais tarde, ao gravar o álbum Milton (1976) para os Estados Unidos, o cantor registrou a canção na versão em inglês intitulada Nothing will be as it was e escrita pelo holandês Rene Vincent com o próprio Ronaldo Bastos, autor da letra ensolarada de versos alusivos à repressão do sombrio Brasil de 1971. Capa do single 'Nothing will be as it was', de Simone Mazzer Divulgação Essa letra arejada passou mensagem de esperança sintetizada no verso “Resistindo na boca da noite um gosto de sol”. Ou “Holding on to a teardrop of sun in the mouth of the night”, como na versão em inglês que a cantora Simone Mazzer reverbera em single produzido e arranjado por Donatinho. Programado para chegar ao mercado na sexta-feira, 3 de julho, pela gravadora Dubas, o single Nothing will be as it was injeta groove de neo soul criado por Donatinho para a canção, gravada por Mazzer com os toques dos músicos Donatinho (teclados e programações), Fred Ferreira (guitarra), Diogo Trompete (trompete) e Marlon Sette (trombone). A gravação foi mixada e masterizada por Café sob a direção artística de Leonel Pereda. Cabe lembrar que foi a gravadora Dubas que editou há cinco anos o primeiro álbum de Simone Mazzer, Férias em video tape (2015), quando a artista paranaense – projetada como atriz da Armazém Cia. de Teatro – decidiu reinvestir na carreira de cantora em 2012 após ter integrado, a partir de 1989, a banda Chaminé Batom.
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Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo renovam repertório para primeira live do projeto ‘O grande encontro’
♪ Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo entram, juntos, na aparentemente eterna onda das lives. O trio está se preparando para a primeira live do projeto O grande encontro, programada para as 16h de domingo, 5 de julho, no canal oficial do grupo no YouTube. Esse preparo abrange o ensaio das músicas incluídas no repertório do show que o trio apresentará em formato acústico em transmissão que será feita diretamente do palco do Teatro Claro Rio, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Uma dessas músicas até então ausentes no roteiro do show dessa versão remodelada d'O grande encontro é Eternas ondas, música composta por Zé Ramalho para Roberto Carlos, mas lançada na voz de Raimundo Fagner em álbum editado em 1980. Eternas ondas figura no repertório do álbum O grande encontro II, lançado em 1997, quando o trio era formado por Elba, Geraldo e o próprio Zé Ramalho (Alceu saíra do grupo formado em 1996, com retumbante sucesso nacional, tendo voltado somente em 2016 no show comemorativo dos 20 anos do projeto, remontado em Zé). Além de Eternas ondas, o trio incluiu no repertório, para a live, duas músicas de Alceu Valença – Bicho maluco beleza e Tomara – apresentadas pelo cantor e compositor no álbum 7 desejos (1992). Outra novidade – no roteiro do show O grande encontro – é Talismã, parceria de Alceu Valença com Geraldo Azevedo mostrada no álbum conjunto que os artistas lançaram em 1972. Na primeira live d'O grande encontro, Alceu Valença, Elba Ramalho e Geraldo Azevedo serão acompanhados somente pelos músicos Marcos Arcanjo e Paulo Rafael nos violões e guitarras.
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Rael potencializa calmaria do álbum ‘Capim-cidreira’ em EP que traz Iza em música inédita
♪ Rael tirou o peso do próprio rap no quarto álbum solo de estúdio do artista, Capim-cidreira, disco de tom mais sereno lançado em 12 de setembro de 2019 com oito músicas em dez faixas que causaram o efeito pop pretendido pelo cantor e compositor paulistano. Dez meses depois, o rapper potencializa a calmaria deste disco em EP intitulado Capim-cidreira (Infusão) e programado para chegar ao mercado fonográfico na quinta-feira, 2 de julho, com seis faixas. A real novidade está na única música inédita do EP, Rei do luau, gravada por Rael com a cantora Iza. As demais cinco faixas apresentam reciclagens – no formato de voz e violão – de músicas de dois álbuns do rapper. Três vieram de Capim-cidreira, o álbum de 2019. Duas foram apresentadas originalmente no álbum Ainda bem que eu escutei as batidas do meu coração (2013), lançado há sete anos. É o caso de Tudo vai passar, parceria de Rael com o MC paulistano Msário, e também de Semana (Rael, 2103). “Capim-cidreira (Infusão) foi um jeito que eu encontrei para tentar lidar com tudo que tá acontecendo de um jeito positivo e mais leve”, conceitua Rael. Para manter a positividade, o rapper manteve a conexão com o Melim. O trio, que gravou Só ficou o cheiro (Rael, 2019) no álbum do ano passado, também figura no EP Capim-cidreira (Infusão). No EP, Rael também regrava as músicas Flor de aruanda (Rael, Rafael Tudesco e Bruno Marcucci, 2019) e Beijo B (Rael e 2B, 2019), ambas do álbum original de 2019.
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Autor de hits de Safadão e Marília Mendonça largou carreira no jazz: ‘É mais difícil ser simples’
Renno Poeta já abriu para Hermeto Pascoal, foi 'massacrado' ao trocar estilo e hoje é disputado no sertanejo após composições como 'Ar condicionado no 15' e 'Todo mundo vai sofrer'. Renno Poeta Reprodução/Instagram do artista Renno Poeta tinha tudo para crescer no circuito de festivais de jazz pelo Brasil. Quinze anos após rodar o país e abrir shows de Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti, ele realizou seu sonho – bem longe dessa cena. Virou um dos compositores mais populares do sertanejo e do forró. O coutor de "Ar condicionado no 15", de Wesley Safadão, "Todo mundo vai sofrer", de Marília Mendonça, "Quem pegou, pegou", de Henrique e Juliano, e a nova "JBL", de Solange Almeida e Márcia Fellipe, explica a virada: "É mais difícil fazer uma música interessante de forma simples do que com coisas complicadas. Minha luta é simplificar". A simplicidade é fruto de uma história longa. O músico de 38 anos passou a infância em igrejas e bandas de baile em Fortaleza, estudou piano na Universidade Estadual do Ceará (UECE), foi da banda de Fagner, entrou para o circuito de jazz, deu meia volta para o popular e teve uma dupla por 15 anos. Renno se achou como autor há quatro anos e já teve impressionantes 350 faixas gravadas. Em hits recentes de rádio, só perde para o baiano Bruno Caliman. Sua trajetória ilustra como o mercado de composições, centrado no sertanejo goiano, mas também forte no forró cearense, está aquecido. Pizzarias e Universidade Renno Saraiva Macedo e Silva é filho de funcionários públicos e foi bolsista de uma escola particular de Fortaleza, onde conciliava os estudos com a música. Aprendeu a ler partituras por conta própria e fazia apresentações em bares e pizzarias por R$ 40. Depois, foi para bandas de baile maiores. Aos 18 anos, foi fazer graduação em Música com especialização em Piano na UECE. Na mesma época, foi convidado para tocar na banda de Fagner, onde passou a focar na sanfona. Durante a graduação, conheceu o amigo Ítalo, que o acompanhava no projeto de jazz Briga de Foice. Os dois faziam "duelos" de sanfona que juntavam o acordeon e o baião ao universo da música erudita e do jazz. Foi aí que ele abriu shows de Hemeto Pascoal, Egberto Gismonti e outros nomes fortes no meio, como o baterista Pascoal Meirelles e o falecido baixista Arthur Maia. Ele entrou neste circuito artístico, mas nunca foi muito apegado a uma cena só: "Cresci ouvindo todos os tipos de música, de Astor Piazzolla a Netinho da Bahia", conta Renno. "Sempre achei que precisava dar um passo a mais, mas tinha medo de me desvincular do jazz. Quando disse que ia tocar forró levei uma pancada de alguns jornalistas de Fortaleza, porque eu tinha abandonado a música mais 'elevada'. Recebi muita crítica de quem antes falava bem de mim", conta. "Eu tocava jazz, e depois ia tocar com o Fagner e via que o povo amava. Toquei com o Dominguinhos, e o povo berra, dança, aquela alegria. Eu queria ser um cara que faz um trabalho de relevância, de popularidade. O jazz é restrito, tem público bem mais seleto", explica. "Eu nunca tive encanto por impactar poucas vidas, sempre quis alcançar muita gente. Isso me levou a fazer música mais popular", diz Renno Poeta. "Eu queria tocar para mais gente, a verdade é essa. Lotar um clube uma praça. Essa visão me fez migrar apesar das críticas. Era tudo o que eu queria. Tive que arriscar, fui para cima", ele lembra. Popular sem povo O curioso é que ele passou muito tempo sendo pouco popular após a decisão. A dupla Ítalo e Renno, com o antigo amigo de faculdade, penou durante 15 anos no mercado de forró Fortaleza, mas nunca conseguiu um grande sucesso. Deu a ele o aprendizado, no entanto, para o futuro trabalho de autor. Renno Poeta Reprodução / Instagram do artista A virada veio com Wesley Safadão. Primeiro, foi "Deixa acontecer", também gravada por Michel Teló e Aviões do Forró. Mas o contato ainda era indireto. Renno não tinha o cobiçado WhatsApp de Wesley Safadão. Um dia, ao ir ao escritório do ídolo assinar uma autorização, eles finalmente conversaram. "Eu sentei lá, era uma segunda feira de manhã, ele estava super ocupado. Sempre fui fã porque ele trabalha demais. Ele perguntou qual era meu sonho. Falei que era ter mais músicas gravadas por ele, e ter pelo menos um hit". Logo depois, Renno enviou "Ar condicionado no 15" para o novo contato. A música de Renno virou um dos maiores sucessos de Wesley nos últimos anos, e ele entrou para a seleta lista dos parceiros e frequentes – já são 42 composições gravadas por Wesley Safadão. "Ele me fez um desafio de seguir meu sonho, e eu topei. Sou grato por isso", diz. Todo mundo vai gravar Marília Mendonça, Tyler the Creator, Maluma, MC Loma no trap e Halsey no rock estão no G1 Aí a porteira abriu. Ele também foi coautor dos grandes sucessos recentes de ao menos dois dos maiores artistas sertanejos atuais: "Quem pegou, pegou", de Henrique e Juliano, e "Todo mundo vai sofrer", de Marília Mendonça. A segunda foi feita desde o início pensando na voz final. A gente estava no apartamenteo da Lari [Ferreira, coautora] e ela falou de uma ideia legal de 'bem me quer, mal me quer', e puxou o refrão. Aí eu pensei: 'Pô, a Marília passou a vida inteira sofrendo, vamos dizer que ela vai botar todo mundo para sofrer? E fiz o começo, do copo, da garrafa e da mesa", conta. "O Junior Gomes e o Diego Silveira vieram com essa volta pro cima que e ela dá na letra, mesmo dentro da sofrência. Era uma perspectiva nova. Música é uma aposta. A gente não sabe o que vai dar, mas tem que achar o tijolinho que está faltando no cenário do mercado naquela hora." Bruno & Marrone & Piazzolla Se antes ele atirava para todos os lados, agora faz mais trabalhos por encomenda. "Eu sou um analista. Analiso a personalidade do artista para saber o que pode funcionar", diz. A parceria mais recente foi com Bruno & Marrone, em que ele colocou "uma sanfona meio Astor Piazzolla". Gusttavo Lima, Maiara & Maraisa, Xand Avião, Marcos & Belutti e diversos outros nomes do sertanejo e do forró já recorreram a seus serviços. Initial plugin text O trabalho de intérprete continua, mesmo que com menos repercussão. A dupla com Ítalo acabou, mas ele lançou há cinco meses a música solo "Pegada do roceiro", com Wesley Safadão. A faixa teve um milhão de views, valor considerável, mas bem mais baixo que os hits que compôs. Mas seguir no palco ajuda a pensar nas composições. "Eu consigo entender a reação das pessoas", ele explica. A música em que Marília Mendonça faz seus próprios fãs sofrerem foi baseada nessa reflexão. "Muita gente quer fazer shows só para cima, alegria, alegria. Mas tem gente que está lá embaixo para sofrer, para chorar, para 'roer'. Daí vem 'Todo mundo vai sofrer'", explica. "Eu só faço uma música quando consigo imaginar uma pessoa cantando ela num show", ele explica. 'Modo JBL' A música recém-lançada por Solange Almeida e Márcia Fellipe tem esse tipo de refrão de sofrimento para multidões: "Não queira estar na minha pele / Eu estou no modo JBL / Jogada, Bebendo, Largada/ Ele tá no piseiro e eu sendo pisada." "Essa fiz com parceiros de Fortaleza mesmo [Kaleb Jr, Felipe Amorim e Kaio Dj]. Eles estavam com essa ideia de falar da caixinha de som porque está todo mundo carregando, aí criamos a sigla e entramos com a pisadinha [variação do forró em alta no Nordeste]". A marca é citada de forma espontânea, sem "publi", ele diz. "A gente mandou primeiro para o Wesley, mas ele viu uma coisa mais feminina". Foi assim que a faixa chegou às duas cantoras de forró. E as próximas? "Tenho duas músicas que vão ser gravadas pelos Barões da Pisadinha, que estão explodidos no Brasil. E também aposto muito nessa música com Bruno & Marrone. Uma com Barões, outra com Bruno. São bem diferentes, né? Eu não tenho rótulo", diz.
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Trio Monarckas manda recado de resiliência na pandemia em novo rap: ‘Somos reis do nosso destino’
Lançamento do grupo tem participação do trombonista Bocato, que já tocou com nomes como Elis Regina, Rita Lee, Ney Matogrosso e Itamar Assumpção. Da esquerda para a direita, DJ Dablyo, Léo Thomaz e Ronne Cruz. Os Monarckas, trio de rap da Zona Leste, já dividiram o palco com Emicida, Leci Brandão, Nação Zumbi e Criolo Marcelo Simões/Monarckas/Divulgação O Monarckas lançou uma música com uma mensagem que tem algo da filosofia budista, da qual são adeptos dois dos três integrantes do trio. Em “Minha Brisa”, a letra vai além dos problemas sociais da periferia. O grupo quer falar também sobre o centro da cidade e como ser resiliente em tempos de pandemia. Fundado em 2003 e hoje formado pelo DJ Dablyo, e pelos MCs Ronne Cruz e Léo Thomaz, o Monarckas sempre abordou a vivência na periferia e os temas sociais. Neste quinto single da carreira, no entanto, o trio vai mais fundo na filosofia budista à qual estão ligados. Eles encontram uma relação direta entre a mensagem de coragem e empoderamento presentes tanto no rap, quanto na linha japonesa do budismo. No clipe gravado no Viaduto do Chá e na Praça da República, Léo Thomaz canta versos como “Brisa do destino, levou minha sina; a vida ensina que tudo é foda, a hora é agora dê a volta por cima”. Dablyo, DJ e produtor do grupo, conta que "Minha Brisa" fala sobre "os pequenos desafios e estados de espírito que a gente experimenta ao longo de um dia na cidade, e é um lembrete de que, apesar das barreiras, somos reis do nosso próprio destino". “A ideia não é fazer um ‘gospel do budismo’, mas sou budista desde que nasci e esta é uma filosofia que fala muito de você cuidar bem de você mesmo e do seu lar, ao invés de julgar o próximo. Essa pandemia deixou isso muito claro – se você se cuida e está bem, você protege quem está por perto", explica Dablyo ao G1. Participação de Bocato A faixa também marca a primeira vez em que o grupo utiliza "instrumentos reais" na produção, além dos samples e das batidas. Por intermédio do produtor Mad Zoo, que masterizou a música, o trio chegou ao trombonista Bocato, que já tocou com nomes como Elis Regina, Rita Lee, Ney Matogrosso e Itamar Assumpção. “É um mestre com muita história. A participação ficou irada e gravamos outras faixas com ele no estúdio, que devem ser usadas nos próximos lançamentos. Ele foi muito gente fina e também participou do clipe”, conta Dablyo, que juntou as notas do trombone aos samples de guitarra jazz e aos vocais da cantora Priscila. Trio Monarckas posa com o trombonista Bocato e com a cantorna Priscila, que participação do single e do clipe de 'Minha Brisa' Maycom Mota/Monarckas/Divulgação Rap espiritualizado O Monarckas é um grupo espiritualizado de rap, mas se sustenta em um tripé, cujas bases ainda estão na periferia da capital. O MC e compositor Léo Thomaz faz sua graduação em Direito. “Sempre fui muito envolvido com a militância negra. Há uma ferida que continua aberta sobre a qual posso falar e abordar nas letras com propriedade porque eu sinto isso na pele. E procuro fazer isso de uma forma aguda. Quero trabalhar para os pretos", afirma Léo, que está no quarto ano do curso. Organizados pelo MC e compositor Ronne Cruz, o Monarckas completa sua missão com trabalho social e voluntário na periferia, com oficinas de rap, poesia e discotecagem. "Na Fundação Casa, onde trabalhei como arte-educador, a casa inteira fechava comigo. Eu perguntava, ‘Quem aqui é contra o sistema?’. Eles levantavam o braço e eu rebatia: ‘Desculpa, mas o que vocês fazem é fortalecer o sistema quando pegam um 157, assalto, um 33, tráfico, quando fazem uma rebelião e há superfaturamento no colchão que vão repor”, relembra Ronne Cruz. "Foi uma experiência muito forte pra mim. Vi naqueles jovens a molecada do nosso bairro, e isso me levou a trabalhar na base, diretamente na comunidade e em escolas públicas, antes do crime acontecer e prenderem crianças em cadeias. Já conheceu de literalmente paralisarmos o tráfico durante uma oficina. Foi cultura, não foi intervenção militar. Ali ficou claro que a arte não é só entretenimento, mas algo capaz de desarmar." Da esquerda para direita, DJ Dablyo e os MCs Ronne Cruz e Léo Thomaz, em apresentação na capital paulista Mateus Silva/Monarckas/Divulgação
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Patricia Marx assume homossexualidade e apresenta namorada: ‘Lésbica com muito orgulho’
Cantora de 46 anos fez post para no Instagram e celebrou o amor com trecho de música do 'Trem da Alegria'. Patricia Marx assume homossexualidade e apresenta namorada, Renata: 'Lésbica com muito orgulho' Reprodução/Instagram Patricia Marx usou as redes sociais para assumir sua homossexualidade e apresentar a namorada, Renata. "Sou lésbica com muito orgulho! Estamos juntas, eu e o meu amor, Renata", escreveu a cantora, ex-integrante do grupo Trem da Alegria. A publicação foi feita no domingo (28), Dia do Orgulho LGBT. Nos comentários, Patrícia recebeu o carinho dos fãs e amigos e também postou um trecho da música "É de chocolate", um dos hits do grupo infantil do qual Patrícia fez parte, para celebrar o amor. "Por detrás do arco-íris, além do horizonte… há um mundo encantado feito pra você! Onde um sonho colorido mora atrás do monte. Quero te levar comigo quando amanhecer", escreveu a cantora. Na última semana, Patrícia lançou o EP "João", no qual canta e homenageia João Gilberto. Initial plugin text
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Renato Aragão encerra contrato com a Globo após 44 anos: ‘Novos projetos e desafios’
Em publicação no Instagram, ator e comediante cita projetos pontuais com emissora. Segundo a Comunicação da Globo, 'Renato Aragão tem abertas as portas da empresa para futuros projetos em nossas múltiplas plataformas.' Renato Aragão deixa Globo após 44 anos Reprodução/Instagram Renato Aragão usou as redes sociais para anunciar o fim de seu contrato com a TV Globo após 44 anos. Nesta terça-feira (30), o ator e comediante de 85 anos fez uma publicação no Instagram citando "novos tempos, parceiros, projetos e desafios". "Minha grande parceira durante esses anos foi a Rede Globo, que me acostumei a chamar de minha casa. Mas diante a esses novos tempos e políticas internas de contratação, vamos iniciar uma nova fase e trabalhos pontuais." Segundo a Comunicação da Globo, "Renato Aragão, com quem tivemos uma longa parceria de sucesso, tem abertas as portas da empresa para futuros projetos em nossas múltiplas plataformas." "Como todos sabem, nos últimos anos, temos tomado uma série de iniciativas para preparar a empresa para os desafios do futuro. Com isso, temos evoluído nos nossos modelos de gestão, de criação, de produção, de desenvolvimento de negócios e também de gestão de talentos. Assim, em sintonia com as transformações pelas quais passa nosso mercado, a Globo vem adotando novas dinâmicas de parceria com seus talentos", informou a emissora. Ao longo de sua trajetória na TV Globo, Renato Aragão deu vida ao personagem Didi em inúmeros projetos da emissora e da obra de "Os trapalhões", humorístico no qual atuou ao lado de Dedé Santana, Mussum e Zacarias. "São 44 anos de estrada e me vejo diante a uma mudança! São novos tempos, novos parceiros, novos projetos e novos desafios", escreveu Renato. "Tenho em minha vida pessoal e profissional a fluidez e o equilíbrio, vou onde meu público espera que eu esteja e melhor ainda, onde não espera, pois sempre gostei e gosto de surpreendê-los, e não será́ diferente nessa nova fase. Já estou com novas oportunidades de trabalho e novos tempos que estão prestes a iniciar", escreveu o ator. Nos comentários, Renato recebeu mensagem de carinho de amigos e familiares, incluindo sua filha, Lívia Aragão. "Te amo", comentou a atriz. Initial plugin text
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Discos para descobrir em casa – ‘Entidade urbana’, Fernanda Abreu, 2000
Capa do álbum 'Entidade urbana', de Fernanda Abreu Adriana Pittigliani com arte de Luiz Stein ♪ DISCOS PARA DESCOBRIR EM CASA – Entidade urbana, Fernanda Abreu, 2000 ♪ Quando lançou o quinto álbum solo em novembro de 2000, Entidade urbana, Fernanda Abreu já contabilizava dez anos de carreira solo identificada com a miscigenação pop da cidade natal do Rio de Janeiro (RJ), onde nasceu em setembro de 1961. Tanto que, naquela altura, Fernanda Sampaio de Lacerda Abreu já era a personificação da “garota carioca suingue sangue bom”, assim caracterizada desde que o terceiro álbum solo da artista, Da lata (1995), tinha vindo dar na praia no samba-funk. Álbum de confirmação da identidade miscigenada do pop dançante dessa artista projetada nos anos 1980 como vocalista da Blitz, banda carioca com a qual a cantora encarou de 1982 a 1986 o rolo compressor do sucesso massivo, Entidade urbana tentou estender a geografia da música de Fernanda Abreu – ao longo de 11 faixas produzidas por Liminha com Chico Neves – sem cortar o laço carioca reforçado com o revisionista disco anterior da artista, Raio X (1997), produzido com remixes e registros inéditos. Mesmo sem reeditar a repercussão dos discos anteriores da cantora, tanto no plano artístico como no comercial, o álbum Entidade urbana reiterou a vocação de Fernanda para dar voz a um pop de pista, moderno, com jovialidade que se alimenta do suingue negro do Brasil, sem nacionalismo, e com ouvidos abertos para os sons do mundo. O disco foi formatado com azeitada mistura pop de samba, funk, rap e dance, traduzida pela arte criada por Luiz Stein para a capa e o encarte do CD editado pela EMI, gravadora que apostara no som de Fernanda Abreu desde o primeiro álbum solo da artista. Saudado com entusiasmo por Eumir Deodato (“Segue aqui um dos melhores discos lançados no Brasil nos últimos anos”), autor de um dos textos que apresentaram Entidade urbana aos formadores de opinião, o álbum soou como extensão natural de discografia solo iniciada há dez anos pela artista com o álbum Sla radical dance disco club (1990), pioneiro no uso de samplers que ajudaram Fernanda a cruzar o universo da então desvalorizada disco music com a linguagem do pop dance da época. Na sequência, o álbum Sla 2 – Be sample (1992) reforçou a identidade carioca da artista, jogando samba, funk e rap em caldeirão que traduziu a fervura da mistura sonora e social do Rio de Janeiro (RJ), cidade da qual a música Rio 40 graus (Fernanda Abreu, Carlos Laufer e Fausto Fawcett, 1992) emergiu como hino informal a partir desse disco. Música de maior projeção do álbum Entidade urbana, Baile da pesada apresentou o compositor Rodrigo Maranhão – parceiro de Fernanda na composição e autor do toque do cavaquinho ouvido na faixa – e pôs som na caixa para mapear o circuito fervido da cidade e lembrar o pioneirismo dos DJs Ademir Lemos (1946 – 1998), Big Boy (1943 – 1977) e Monsieur Limá (1943 – 1993) na propagação do som black Rio. Parceria de Fernanda Abreu com Fernando Vidal e com o habitual colaborador Fausto Fawcett (com quem a artista se conectara na segunda metade dos anos 1980, época em que experimentou nos primeiros shows individuais o som do álbum Sla radical dance disco club), o samba-funk Zona Norte – Zona Sul corroborou a ideia de reunir a partida cidade do Rio de Janeiro (RJ) sem bairrismos. Eu quero sol (Fernanda Abreu, Liminha e Sofia Stein) seguiu na mesma onda, expondo o brilhante acabamento instrumental do disco, polimento que por vezes amenizou a sensação de que o repertório de Entidade urbana impactou menos no confronto com safras anteriores da artista. Mesmo continuando assumidamente carioca, a garota suingue sangue bom procurou soar global nesse disco de 2000, conectando várias cidades do mundo. Tanto que Fernanda acenou explicitamente para o povo (e para o mercado) paulista com São Paulo – SP, parceria da artista com Carlos Laufer, Fausto Fawcett e Liminha que soou como tentativa de fazer um “SP 40 graus” ao perfilar Sampa sob ótica carioca. “Tudo é cidade / É tudo igual / Em qualquer língua / Isso é geral”, sentenciou o refrão do samba-funk Sou da cidade, música de Fernanda Abreu com Rodrigo Campello e Liminha que abriu o álbum Entidade urbana. “Toda a terra inteira quer balançar”, reforçou a cantora no samba pop Roda que se mexe, parceria da artista com Rodrigo Campello e Suely Mesquita que ecoou o suingue matricial de Jorge Ben Jor com direito ao violão de Gilberto Gil e ao piano de João Donato. Sem reinventar a roda sincopada da obra de Fernanda Abreu, o álbum Entidade urbana desenvolveu a ideia de extrapolar o circuito carioca sem acrescentar tempero novo e forte na mistura rítmica da artista, em que pese o flerte com o drum'n'bass em Meu CEP é o seu (Rodrigo Campello e Fernanda Abreu). Ao contrário. A rigor, faixas como a frenética Fatos e fotos – composição de Fernanda com o então emergente artista baiano Lucas Santtana – pareceram sintetizar sons, batidas e flashes urbanos dos quatro álbuns anteriores da carreira solo dessa artista que foi a única integrante da Blitz a ganhar real relevância no universo pop quando a piada da banda começou a perder a graça a partir de 1984. Voz das urgências da cidade, Fernanda Abreu traduziu no álbum Entidade urbana a voracidade da selva de pedra. “Toda cidade é uma demência / De excesso concentrado”, cravou a garota carioca em Megalópole – Cidade (Fernanda Abreu, Fausto Fawcett e Fernando Vidal), faixa de alto teor crítico. Parceria de Fernanda Abreu com Lenine, Urbano canibal alinhou identidades múltiplas na letra cantada sob baticum funk-tribal. No fim do álbum Entidade urbana, a balada Paisagem de amor (Fernanda Abrey, Marcelo Lobato e Fausto Fawcett) suavizou o clima com direito a voz de Fausto Fawcett emulando os graves de locutores de FMs que veiculam soul sensual. Curiosamente, o toque suave do violão de Cezar Mendes nessa faixa foi o último som ouvido na alvoraçada paisagem sonora de Entidade urbana, álbum ao qual se seguiu Na paz (2004), título inaugural do selo Garota Sangue Bom. Dois anos depois, em 2006, Fernanda Abreu revisou a trajetória solo em CD e DVD da série MTV ao vivo e, embora tenha se mantido em cena com shows acústicos, a cantora ficou longe do mercado fonográfico por dez anos. O retornou se deu com o revigorante álbum Amor geral (2016), mote de show captado neste ano de 2020, sem plateia, em 13 de março, dia em que o Rio de Janeiro (RJ), cidade tradutora do som da cantora, teve fechadas as portas das casas de shows. Já perto dos 60 anos, a serem festejados em setembro de 2021, Fernanda Abreu prepara disco de remixes (com Corello, Gui Boratto, Memê, Tropkillaz e Zé Pedro, entre outros DJs e produtores) e já vislumbra álbum de músicas inéditas para dar continuidade à carreira solo que completou 30 anos em 2020. Entidade urbana do pop dançante brasileiro moldado nos anos 1990, Fernanda Abreu continua na pista.
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