Akon diz que que já levantou US$ 6 bilhões para construir ‘Wakanda da vida real’ no Senegal
Valor corresponde a R$ 32 bilhões. Cidade chamada 'Akon city' é futurista e terá faculdades, ginásios, aeroporto e criptomoeda Akoin. 'Meta é construir um legado', diz cantor. A cidade de Wakanda, do filme 'Pantera Negra', e Akon durante show recente Divulgação O cantor Akon diz já ter levantando US$ 6 bilhões (cerca de R$ 32 bilhões) para a construção da "Wakanda da vida real" no Senegal. Ele fez a afirmação em seu perfil oficial no Instagram. Initial plugin text O cantor já tinha afirmado em entrevista ao G1 em 2019 que a construção da cidade futurista inspirada no filme "Pantera Negra" já começou. São dois os principais projetos do cantor de origem senegalesa: Akon Lighting Africa leva eletricidade para 15 países da África com 100 mil lâmpadas e energia solar em 480 comunidades, criando mais de 5 mil empregos; E a criação de uma "Wakanda real", perto de Dacar, na capital do Senegal. Akon: top 5 relembra carreira do cantor "Estou trabalhando nela agora. Tudo está sendo construído de acordo com um projeto já criado, começamos as obras agora. Ainda está nos estágios iniciais", explica Akon, falando da cidade com nome inspirado no filme "Pantera Negra". Segundo ele, a ideia é que a cidade futurista "Akon city" tenha faculdades, escolas, ginásios e aeroporto. O cantor quer ser o patrono da primeira cidade do mundo "100% gerida por meio de criptomoeda". SAIBA MAIS: Como funciona uma criptomoeda? A moeda vitural já tem nome: Akoin. O objetivo do cantor é fazer com o que a África consiga ter um lugar imune a crises. "A parte mais adiantada deste trabalho é a criação desta criptomoeda", diz o cantor americano, de 46 anos. Tela do site oficial da moeda virtual Akoin Akoin/Reprodução "Minha meta na vida é construir um legado. Eu quero usar o fato de eu ser uma celebridade, de ser famoso, para ajudar outras pessoas, principalmente em lugares onde faltam condições para se viver, como África, Índia e algumas partes da Ásia." Leia a entrevista completa.
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Bob Dylan reflete sobre a humanidade e a morte em ‘Rough and rowdy ways’; G1 Ouviu
Aos 79 anos, Dylan lança o 39º disco da carreira, primeiro desde 2012. As dez canções longas são cheias de citações a figuras históricas e da cultura; ouça podcast e leia faixa a faixa. Em "Rough and rowdy ways", Anne Frank e Indiana Jones cabem no mesmo verso. A vítima do Holocausto e o aventureiro do cinema estão entre as inúmeras figuras da História e da Arte, em especial do século 20, que passam pelo 39º disco de Bob Dylan. Aos 79 anos, Dylan reflete sobre a humanidade e sobre a morte através das várias citações em dez longas faixas. O disco saiu nesta sexta-feira (19). Ouça acima o podcast G1 Ouviu para saber mais sobre o disco. Bob Dylan Divulgação Bob Dylan lançou de surpresa o disco, seu primeiro desde 2012. O álbum sai três anos e meio depois de ele ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, que o reconheceu como “provavelmente o maior poeta vivo”. Leia abaixo o faixa a faixa de "Rough and rowdy ways": "I Contain Multitudes" A faixa é inspirada no poema "Song of Myself", de Walt Whitman, poeta americano do século 19. Dylan trabalha com a ideia de Whitman de ser um povo, uma multidão, transcender a função de narrador ou de poeta. O poema do Whitman tem trechos como “cada átomo do meu sangue também faz parte da terra e do ar”. Dylan pega essa ideia e vai além, com muitas citações e versos fortes. Ele diz: “Eu sou Anne Frank, como Indiana Jones, e aqueles bad boys ingleses do Rolling Stones”, e também cita o poeta inglês William Blake, o escritor americano Edgar Allen Poe e vários outros. "False Prophet" Esse é um blues com letra e arranjo mais convencionais. Ele diz que não liga para o que come ou o que bebe. Dylan também cita imagens mais simples, como as estrelas do céu, e recorre a muitas citações religiosas. É um testemunho delirante da vida de artista. Ele diz “eu só sei o que eu sei”, e que só canta "canções de amor e de traição". Quando diz que “não é um falso profeta”, pode indicar que não quer ser profeta, mas também que é um verdadeiro. Não há um sentido só, como várias músicas dele. "My Own Version of You” Bob Dylan recria uma nova versão de alguém com várias partes de outras pessoas. Claro que a primeira referência que vem na cabeça de quem ouve é a do Frankenstein. A música também é uma espécie de Frankestein. Dylan volta a empilhar referências para falar sobre esse cara que idealiza alguém. Ele cita Shakespeare, Homero, Freud, Marx, Scorsese… Ele diz que vai misturar o Scarface de Al Pacino e o Poderoso Chefão do Marlon Brando para criar um soldado robô, e que vai fazer o Frankenstein dele tocar piano como se fosse uma mistura de Leon Russell com Liberace. "I've Made Up My Mind to Give Myself to You" Essa é meio pré-rock n’ roll, com um arranjo bem singelo. Até a voz do Dylan está menos grave, menos áspera do que nas outras. Tem uma melancolia bonita, inocente. Ele fala das flores, sobre observar o céu, sobre não querer ficar sozinho. Ele também canta: "Estou sentado no meu terraço, perdido nas estrelas / ouvindo os sons dos violões tristes”. Capa de 'Rough and rowdy ways' Divulgação "Black Rider" Todo o disco é triste, mas essa vai mais no fundo, com versos como “Minha alma está angustiada e minha mente está em guerra”. O cavaleiro negro com quem ele conversa na música é a morte ou algo parecido com isso. É a letra mais pesada do disco, cheia de espíritos malignos. O cavaleiro pode também representar o apocalipse. Até porque, com a ideia do início do disco de “eu contenho multidões”, o fim do mundo ou o fim da vida se confundem. "Goodbye Jimmy Reed” Seguindo no tema morte, "Goodbye Jimmy Reed” é uma homenagem póstuma em forma de blues mais clássico, com o jeito de cantar e a levada de guitarra e solo de gaita bem característicos do estilo. Dylan não inventa tanto no arranjo quanto na letra dessa música que é uma homenagem ao cantor e guitarrista Jimmy Reed, blueseiro que morreu em 1976. "Mother of Muses" Essa música tem uma letra muito mais complexa. Dylan junta música, guerras, religião, política, a história dos direitos civis nos Estados Unidos… O artista faz uma homenagem aos generais americanos da Guerra Civil até a Segunda Guerra Mundial. Ao vencer os confederados e os nazistas, eles abriram o caminho para Elvis Presley cantar e para Martin Luther King discursar, diz Dylan. "Crossing the Rubicon" O disco pula de um hino sobre a história americana para uma música mais universal. É uma música com a estrutura mais bem definida, tem até uma parte que parece um refrão. Ele canta sobre atravessar para o além, ou seja, ir para o outro lado. Daí, claro, ele lança mão de muitas imagens para dizer isso. Ele diz que está a três milhas ao norte do purgatório e a um passo do outro mundo. "Key West (Philosopher Pirate)" "Key West (Philosopher Pirate)" é um country mais calmo, mas muito nostálgico. É sobre uma pessoa dirigindo para a Flórida e lembrando a vida inteira dela. E, claro, com muitas citações. Ele cita os poetas beatniks Allen Ginsberg, Jack Kerouac e Gregory Corso quando fala sobre "nascer do lado errado da linha de trem". É uma lembrança da contracultura, de onde vieram os beatniks e Bob Dylan. "Murder Most Foul" Neste disco de músicas densas, em que parece caber o mundo inteiro, o final não decepciona. É um épico de 17 minutos. O arranjo tem um clima de transe, com piano e violino acompanhando uma bateria bem suave. O ponto de partida é o fascinante caso do assassinato de John Kennedy. Dentro desse mistério do século 20, Bob Dylan encaixa uma grande retrospectiva dos anos 60, da cultura pop e da vida em geral. O título é uma referência a "Hamlet", de Shakesperare. Com essa música, Dylan conseguiu seu primeiro número 1 nas paradas da Billboard. Não foi no Hot 100, o ranking principal, mas na parada digital de singles de rock. Nada mal para uma faixa de quase vinte minutos.
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Lives de hoje: Gustavo Mioto, Elba Ramalho, Filipe Ret e mais shows para ver em casa
Sexta-feira (19) também tem festival Universo Alegria, com Jorge & Mateus, Maiara & Maraisa, César Menotti & Fabiano e Leonardo, além de Jorge Aragão, Lucy Alves e mais; veja lista. Gustavo Mioto, Elba Ramalho e Filipe Ret fazem lives nesta sexta (19) Divulgação Gustavo Mioto, Elba Ramalho e Filipe Ret estão entre os artistas com lives programas para esta sexta-feira (19). Também acontece nesta sexta o festival de lives Universo Alegria, com Jorge & Mateus, Maiara & Maraisa, César Menotti & Fabiano, Leonardo e Guilherme & Santiago. Veja a lista completa com horários das lives abaixo. Veja as lives de sexta-feira (19) e como assistir aos shows ao vivo: Jorge & Mateus, Maiara & Maraisa, César Menotti & Fabiano, Leonardo, Guilherme & Santiago (Universo Alegria) – 18h – Link Lucy Alves – 18h – Link Carlos Careqa e Mário Manga (Em Casa com Sesc) – 19h – Link Dorgival Dantas – 19h – Link A Loba – 19h – Link Padre Reginaldo Manzotti – 19h – Link Dead Fish – 20h – Link Elba Ramalho – 20h – Link Filipe Ret – 20h – Link Gustavo Mioto – 20h – Link Jorge Aragão – 20h30 – Link Romin Mahta – 21h – Link Arraiá Jonas Esticado – 21h – Link Teresa Cristina – 22h – Link As cenas de 'lives' da quarentena que já estão na história do entretenimento brasileiro
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Discos para descobrir em casa – ‘Agora’, Doris Monteiro, 1976
Capa do álbum 'Agora', de Doris Monteiro Wilton Montenegro ♪ DISCOS PARA DESCOBRIR EM CASA – Agora, Doris Monteiro, 1976 ♪ Os ouvidos mais antenados do Brasil nunca resistiram ao charme do canto macio de Doris Monteiro – sobretudo na fase em que, contratada pela gravadora Odeon, a cantora carioca atingiu o auge artístico com 13 álbuns editados entre 1966 e 1978. Agora, álbum lançado em 1976, foi o penúltimo disco dessa fase encerrada dois anos depois com LP dividido por Doris com Lúcio Alves (1927 – 1993), cantor carioca com a qual a artista sempre se afinou pela bossa entranhada na voz de ambos. Mas, de certa forma, Agora fechou ciclo na discografia da artista por ter sido o último álbum solo de Doris Monteiro na Odeon. Nascida em 21 de outubro de 1934, Adelina Doris Monteiro fez nome e história na música do Brasil com canto sem vibratos e com muita bossa. O timbre aconchegante da cantora se fez ouvir em disco a partir de 1951, década dominada por expansivas rainhas da era do rádio como Angela Maria (1929 – 2018) e Dalva de Oliveira (1917 – 1972), das quais Doris se revelou interessante contraponto com as gravações de sucessos como Se você se importasse (Peter Pan, 1951) e Dó ré mi (Fernando César, 1955). Essa fase inicial da discografia da cantora totalizou 21 discos de 78 rotações editados pelas gravadoras Todamérica (de 1951 a 1954), Continental (de 1954 a 1957) e Columbia (de 1957 a 1960). Contratada em 1961 pela Philips, gravadora na qual permaneceu até 1965, Doris começou a fazer álbuns mais modernos e arejados, no embalo da revolução da bossa nova, já mostrando maturidade que afloraria com maior intensidade na discografia feita na Odeon. Produzido por Renato Corrêa sob a benção de Milton Miranda, então diretor artístico da Odeon e avalista da permanência da cantora na gravadora, o álbum Agora se impôs como um dos mais inspirados e coesos títulos da discografia de Doris na Odeon ao ser lançado em 1976 com capa que retratou a cantora em foto de Wilton Montenegro. Com arranjos do violonista Geraldo Vespar e do tecladista Ricardo Albano Jr. (marido de Doris), o álbum Agora foi gravado com músicos do porte do violonista Helio Delmiro, do trompetista Marcio Montarroyos (1948 – 2007), do acordeonista Sivuca (1930 – 2006), do pianista Gilson Peranzzetta, do violonista João de Aquino – creditado como produtor executivo do álbum na ficha técnica do LP de 1976 – e do baixista Luizão Maia (1949 – 2005), entre outros virtuoses. Esses músicos geniais prepararam a cama macia para que Doris deitasse e rolasse com leveza por repertório irretocável que incluiu Maitá (1973), samba da então emergente cantora e compositora Giovana que Doris abordou com suingue irresistível e com leve alteração em verso da letra original (“Só não pega quem não quer” em vez de “Só não chupa quem não quer”). Na sequência, a intérprete deu voz a choro-canção de tom seresteiro, Flauta de lata (1976), parceria de Sueli Costa com o poeta Cacaso (1944 – 1987) lançada por Doris neste disco e nunca mais regravada desde então. Já a abordagem do tristonho samba-canção Partida (João de Aquino e Paulo César Pinheiro, 1976) exemplificou a habilidade de Doris para depurar emoções sem cair em drama que jamais sustentaria com a suavidade da voz. Essa maciez caiu bem nos alvoroçados sambas Dia de feira (João de Aquino e Jésus Rocha, 1976) e Eu, hein, Rosa! (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1974), este lançado dois anos antes pelo compositor João Nogueira (1941 – 2000) e regravado três anos depois por Elis Regina (1945 – 1982). Entre um samba e outro, Doris deu voz a Lugar comum (João Donato e Gilberto Gil, 1975), com toque jazzy de piano no arranjo, sem cair no lugar comum das gravações dessa música então bem recente. Em clima mais denso, Choro de nada (Eduardo Souto Neto e Geraldo Carneiro, 1975) externou, na cadência íntima do samba-canção, o cansaço e a melancolia que invadiam mentes conscientes de tudo que se passava nos porões do Brasil dos anos 1970. Cantora que sempre teve faro aguçado para selecionar repertório, Doris Monteiro também caiu serelepe em samba de Carlos Dafé, cantor que ficaria mais associado ao soul a partir de 1977. Parceria de Dafé com Vanderberg, Pra não padecer (1976) foi lançado pela cantora no álbum Agora, dois anos antes de ser gravado pelo autor. Dois sambas lançados na década de 1950 – Lamento no morro (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1956) e A banca do distinto (Billy Blanco, 1959) – reiteraram a modernidade atemporal do canto de Doris Monteiro. O frescor das onze gravações da cantora irmanou, no álbum de 1976, músicas de antes e as composições daquele ano, já que a maior parte do repertório fez jus ao título do LP Agora. Música sem letra composta por Ricardo Albano Jr. em tributo à cantora, mas gravada com vocais da artista em arranjo orquestral, Tema de Doris fechou o álbum Agora em atmosfera lírica, meio vintage, com a sofisticação que pautou esse último grande disco solo de Doris Monteiro. Com a saída da cantora da gravadora Odeon em 1978, ano em que Milton Miranda deixou a direção artística da companhia, a carreira fonográfica de Doris Monteiro se desintegrou. A cantora fez um álbum na Continental em 1981 e outro na Sony Music em 1992, sendo o segundo dentro da série temática Academia brasileira de música. Mesmo ignorada pela indústria fonográfica desde então, a cantora continuou em cena dentro das possibilidades do mercado e, em março deste ano de 2020, voltou ao disco, lançando o álbum ao vivo As divas do sambalanço, registro do homônimo show que Doris vinha fazendo desde 2019 ao lado de Claudette Soares e Eliana Pittman. A caminho dos 86 anos, Doris Monteiro marcou época na música brasileira por ser, como ratificou o álbum Agora, cantora cheia de charme.
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João Bosco e Hamilton de Holanda vão para o samba em álbum em duo
Cantor e músico se juntam em disco gravado em estúdio, como se fosse ao vivo, com músicas rearranjadas para o formato de voz, violão e bandolim. ♪ João Bosco retorna ao mercado fonográfico pouco mais de um mês após ter lançado o álbum Abricó-de-macaco (2020), apresentado em 15 de maio. Desta vez, o cantor, compositor e mineiro volta na boa companhia de Hamilton de Holanda, ás do bandolim de origem carioca e vivência brasiliense. Tal como Abricó-de-macaco, o álbum Canto da praya – Hamilton de Holanda & João Bosco ao vivo oferece novas abordagens de músicas conhecidas, apresentando áudios extraídos de registro audiovisual filmado em estúdio – no caso, de show feito e captado em 2019 no estúdio Da Pá Virada, na cidade de São Paulo (SP), diante de pequena plateia de convidados, em atmosfera íntima. Programado pela gravadora Deck para ser lançado na próxima sexta-feira, 26 de junho, o álbum Canto da praya apresenta repertório calcado no cancioneiro de Bosco, mas não totalmente restrito à obra do compositor. Tanto que o samba Chega de saudade (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958), por exemplo, figura no repertório do disco ao lado de músicas como Incompatibilidade de gênios (João Bosco e Aldir Blanc, 1976), Tiro de misericórdia (João Bosco e Aldir Blanc, 1977), Nação (João Bosco, Aldir Blanc e Paulo Emílio, 1982), Gagabirô (João Bosco, 1984) e Sinhá (João Bosco e Chico Buarque, 2011). Capa do álbum 'Canto da praya – Hamilton de Holanda & João Bosco ao vivo' Divulgação Todas as músicas foram rearranjadas para o formato de duo, valorizando a interação do bandolim (de dez cordas) de Hamilton de Holanda com o violão peculiar de João Bosco, sendo que o cantor que também dá voz a esse repertório quase todo autoral. Antes da gravação do disco, Bosco e Hamilton já haviam se apresentado juntos em série de shows intitulado Eu vou pro samba. E, por isso mesmo, o samba norteou a seleção do repertório do álbum Canto da praya. “A nossa ideia era que o repertório contemplasse o samba. Sempre achamos esse estilo nosso ponto de encontro de ideias musicais e rítmicas. Tínhamos esse repertório básico, mas, na hora dos ensaios, cada um ia lembrando de algo a mais”, relata Hamilton de Holanda. “O fantástico de estar com o Hamilton é essa liberdade que a gente tem de tocar o que gostamos, queremos e admiramos. Trata-se de um músico extraordinário porque qualquer coisa que você possa colocar uma possibilidade, logo ele chega com seu bandolim e cria coisas muito prazerosas”, joga confete João Bosco.
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‘The last of us part 2’ é um ótimo game, mas não é para todo mundo; G1 jogou
Jogo de PlayStation 4 é lançado nesta sexta-feira (19) com desenvolvimento de personagens queridos e temas complexos, mas limites da longa narrativa podem frustrar. Ao ser lançado nesta sexta-feira (19), "The last of us part 2" vai finalmente atingir as expectativas de milhões de fãs de todo o mundo. O game exclusivo de PlayStation 4 é tenso, violento e emocionante, e não tem medo de desafiar seus jogadores — mas também dificilmente vai agradar quem já não gostou de seu antecessor. 'The last of us part 2' questiona moralidade em distopia: 'Herói é questão de perspectiva', diz diretor A sequência do jogo de 2013, considerado o melhor daquele ano, sabe aproveitar com maestria os personagens e o mundo apresentados no original. Ao mesmo tempo, expande seus temas complexos sobre natureza humana e a dualidade do herói. Essas propostas, no entanto, exigem uma narrativa que muitas vezes limita o jogador, tirando a importância de suas decisões ou até o seu controle sobre a ação. Essas restrições não são necessariamente um problema. Afinal, funcionaram muito bem no primeiro, que tinha potencial para agradar até aqueles que preferem maior liberdade. Mas a história de "Part 2" se perde diversas vezes, com idas e vindas no tempo e entre personagens diferentes, com propósitos distintos, e momentos em que os objetivos não se justificam. Assista ao trailer de 'The last of us part 2' A força de Ellie O novo "The last of us" começa cinco anos após o fim do primeiro jogo. Nele, os protagonistas Joel e Ellie vivem uma vida pacífica (até onde isso é possível) em uma comunidade que se une para sobreviver. Apesar da tranquilidade, este ainda é um mundo pós-pandêmico, destruído por uma doença que transformou a maior parte das pessoas em criaturas parecidas com zumbis. Dessa vez, os jogadores assumem o controle da jovem, agora com 19 anos. Após mais um episódio violento que acaba com a paz da região, ela parte em sua própria jornada. A passagem de bastão é a melhor decisão que o estúdio Naughty Dog, responsável também pela franquia "Uncharted", poderia tomar. Ellie tem um espaço muito maior para evoluir, e desde o antecessor já se mostrava um personagem mais complexo. Um pouco mais madura, ela perde as limitações que tornavam seus momentos tão frustrantes no jogo de 2013, e prova que é uma força a ser reconhecida. Mais que isso, ela é mais humana e acessível que o experiente Joel, o que torna seu controle ainda mais intenso e prazeroso nos combates. Ellie em 'The last of us part 2' Divulgação Time ganhando A escassez de recursos esperada em um mundo pós-apocalíptico, fator que marcava o antecessor, continua a tornar os confrontos com zumbis e facções inimigas extremamente satisfatórios. Frustrantes no começo, os combates aos poucos evoluem e recompensam estratégia e paciência. Nesse sentido, o sistema permanece em grande parte inalterado. Afinal, para que mexer em algo que deu tão certo. Visualmente, o jogo corresponde às expectativas de um lançamento à véspera de uma troca de geração de consoles, com uma evolução gritante, em especial nos detalhes. A técnica de captura de movimentos usada na construção dos personagens também reflete a melhora, e suas expressões estão ainda mais humanas. Ellie em 'The last of us part 2' Divulgação A dualidade na história A dualidade das ações de quem pensa ser o herói já era um tema gritante no momento em que Joel tira Ellie da sala de operação ao final de "The last of us". Na continuação, ela se aprofunda, principalmente através da adição do ponto de vista de novos personagens que batem de frente com a jovem. Infelizmente, por mais que jogar com Ellie seja um ponto alto, é difícil encontrar a motivação nesses momentos que vão além do desejo de voltar à protagonista o mais rápido possível. Além disso, uma história tão estabelecida cobra seu preço, pago através de limitações nas escolhas do jogador. Ele pode traçar a melhor estratégia para o combate, é verdade, mas fica totalmente refém da narrativa, que por diversas vezes deixa de lado a coerência para forçar momentos desnecessários. É possível relevar a falta de liberdade diante de um texto impecável. Isso fica mais difícil quando, depois de matar dez inimigos fortemente armados sem dar um único um único tiro, Ellie se esquece de que está em ambiente hostil e é pega de surpresa em uma sequência de animação. Além disso, há diversos momentos em que a trama se arrasta, presa em convenções e clichês típicos de games, que envolvem ir e voltar de lugares para encontrar pessoas que nunca estão exatamente lá, como se existissem apenas para aumentar a já longa duração da campanha. Ellie em 'The last of us part 2' Divulgação Representatividade sem pregar Em entrevista, o diretor do jogo, Neil Druckmann, afirmou que era muito importante não forçar a barra, não "pregar" as mensagens. Nesse sentido, é possível dizer que a sequência é bem-sucedida. Apesar das enrolações e dos deslizes, a história constrói uma boa reflexão sobre busca de justiça e maniqueísmo sem gritar os conceitos o tempo inteiro. Além disso, dá gosto de ver a naturalidade com que trata a sexualidade da protagonista, que já tinha sido revelada na expansão "Left Behind", de 2014. Entre violência e selvageria, "The last of us part 2" atende à maior parte dos anseios dos fãs da série, por mais que se leve a sério demais em alguns momentos. Pode não agradar aqueles que desejam mais controle, e se beneficiaria ao cortar um pouco de sua longa duração — mas quem gostar ficará marcado pela aventura de Ellie por muito tempo. Em 'The last of us 2', Ellie ganha a companhia de Dina Reprodução
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Black Eyed Peas lança álbum de reggaeton pouco inspirado com Shakira e mais latinos; G1 Ouviu
Trio americano abandona hip hop mais politizado e romântico do disco anterior e volta aos arranjos dançantes. Maluma, J Balvin, Ozuna e Becky G estão entre convidados. O primeiro álbum do Black Eyed Peas após a saída de Fergie, lançado em 2018, era uma volta ao hip hop mais politizado e romântico do começo da carreira. Quem botou "Masters of the Sun" para tocar teve dificuldade de rebolar como nos hits que o grupo lançou nos anos 2000. Mas esse Black Eyed Peas aí já era. "Translation" chega nesta sexta-feira (19) evocando, de novo, o som festivo do agora trio de reggaeton. A lista de convidados (quase todos latinos) é matadora, o reencontro da banda com as batidas dançantes combina com a onda de nostalgia deste ano, mas o álbum mostra will.i.am, Apl.de.ap e Taboo em fase pouca inspirada. O álbum vale mais pelo time de peso nos "feats", com destaque para a seleção colombiana formada por Shakira, J Balvin, Maluma e Piso 21. O disco tem ainda o porto-riquenho Ozuna; a mexicana Beck G; o dominicano El Alfa; e os americanos Tyga e Nicky Jam. Faria sentido, mas "eXplosion", parceria com Anitta de setembro do ano passado, ficou de fora. Você já ouviu isso antes… Capa do álbum 'Translation', do Black Eyed Peas Divulgação "Ritmo" abre o álbum, com a banda se unindo a J Balvin. Lançada em outubro de 2019 e também inserida na trilha de "Bad Boys Para Sempre", ela toma emprestado o refrão de "The Rhythm Of The Night", hit dance do Corona de 1993, com voz da brasileira Olga de Souza. Não é a primeira vez que a banda usa um refrão antigo que todo mundo sabe de cor. "The Time (Dirty Bit)" estourou em 2010 por ter versos de "(I've Had) The Time of My Life", tema do filme "Dirty Dancing". Outro single lançado antes do álbum, "Mamacita" (com o onipresente Ozuna) tem sampler de "La Isla Bonita", da Madonna. O vocal enjoativo de J Rey Soul, a nova cantora do grupo que esteve com eles no Rock in Rio, faz com que a música não decole. Mas claro que nem tudo está perdido. Com um clipe bem sacado e alguma insistência, músicas como "Girl like me" (a melhor do álbum, com Shakira) e "Fell the beat" (com Maluma) até que têm força para uma subida nas paradas. Outras menos impactantes como "I woke up" e "Vida loca" (com Tyga e Nicky Jam) são opções aceitáveis para uma vaga na sua playlist de latinidades dançantes. 'Lost in translation' Mesmo assim, "Translation" apresenta, no geral, um Black Eyed Peas meio perdido na tradução. Há versos em espanhol meio forçados, artificiais. Fazem falta as mudanças de ritmo e dinâmicas de clássicos do pop anos 2000 como "I gotta feeling" ou até de hits menos nobres como "My humps". Neste novo álbum, tudo meio que se transforma em uma massaroca sonora. Nas primeiras audições, não há sequer um refrão que cole. Não há uma letra que te faça pensar "putz, que frivolidade gostosa, isso é muito Black Eyed Peas". Na disputa pelo posto de melhor trilha para lavar louça dançando, dada a necessidade de se evitar aglomerações, Dua Lipa e Lady Gaga seguem disparadas na frente.
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Mario Jr., o ‘galã’ do TikTok, viraliza fazendo charme de comédia romântica: ‘Sou assim na vida real’
Vídeos com cenas melosas viraram meme, até entre famosos. Ele fala ao G1 sobre repercussão: 'Sou só um menino que diz coisas bonitas pra deixar as pessoas felizes.' 'Galã' do TikTok, viraliza fazendo charme tipo comédia romântica Se é mesmo verdade que essa espécie está em extinção, o último romântico tem nome e @ no TikTok. Mario Junior, o @Izmaario, de 20 anos, virou celebridade na internet nas últimas semanas por causa dos vídeos em que reproduz o charme de um protagonista de comédia romântica americana. Seja convidando uma garota para o baile de formatura – em português – ou, nervoso, segurando flores antes de buscá-la em casa, Mario não tem medo de clichês. “Tem gente que fala que estou interpretando um personagem. Acho curioso. Só quem me conhece de verdade sabe que eu sou assim na vida real”, diz ao G1. Nas gravações, ele encena diálogos melosos com uma interlocutora imaginária. Há também vídeos em que aparece na frente do espelho, enviando palavras carinhosas e mensagens de autoestima aos quase 340 mil seguidores no TikTok. Há quem suspire. Segundo Mario, a maior parte de seu público tem entre 12 e 15 anos. “Recebo muitas e muitas mensagens de meninas que dizem se sentir bem depois de verem meus vídeos. Meninas já me disseram que curei a depressão delas”, conta. “Mas eu sou só um menino que diz coisas bonitas na frente do espelho pra deixar as pessoas felizes.” Mas tem também quem ache graça. Nesta semana, Mario ultrapassou a barreira do TikTok e chegou a outras redes, em memes compartilhados até por famosos, como Whindersson Nunes, Felipe Neto e Lucas Rangel. “Tem gente achando que fico chateado, mas sou eu quem mais se diverte. Dou muita risada dos memes.” 'Aceita ir ao baile comigo?' Mario nasceu em São Paulo, cresceu em Florianópolis, mas atualmente vive na Inglaterra. Lá, trabalha em um hotel, mas, por causa da pandemia do coronavírus, está parado. Ele já era usuário do TikTok, mas o tédio da quarentena o motivou a intensificar a criação de conteúdo, há pouco mais de dois meses. Mario é brasileiro, mas vive na Inglaterra Reprodução/Instagram Antes de gravar um vídeo, ele pensa no conceito da cena e anota no celular. “As falas eu improviso na hora.” Suas maiores influências são mesmo as comédias românticas, um gênero que diz adorar. Vêm daí as encenações de convites para o baile de formatura, traço marcante da cultura adolescente americana, retratada em muitos desses filmes e séries. Mas ele jura também reviver experiências próprias. “Uns dois ou três vídeos têm situações que aconteceram comigo.” O garoto reflete sobre o que atrai tanto os adolescentes às palavras doces de seus vídeos. “Eu acho que essa fase, de 12, 13, 14 anos, é muito complicada para os pré-adolescentes. Você não tem autoconfiança, não sabe bem quem você é. E o que eu falo tem muito a ver com isso.” Para ele, há entre muitos jovens uma “mentalidade imatura”, de “meninos que só querem contar para os amigos com quantas meninas ficaram na festa”. “Esse tipo de pensamento não cabe mais hoje em dia. Muitas meninas sentem falta de garotos que queiram assumi-las, que falem coisas românticas.” Se interessou? Então aí vai uma informação importante: ele está solteiro.
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Anitta, com imagem desgastada no Brasil, tenta novo salto na carreira internacional
Cantora lança em 10 de julho o single 'Tócame', gravado com Arcangel e De La Ghetto, e até o fim do ano apresenta álbum direcionado para o exterior. ♪ ANÁLISE – Anitta já tinha revelado há tempos que focaria na carreira internacional ao longo deste ano de 2020. Ainda assim, o anúncio oficial da contratação da cantora e compositora carioca pela Warner Records – passo fundamental para essa nova investida da artista no mercado externo – soa estratégico e oportuno nesse momento em que Anitta está com a imagem desgastada no Brasil por conta de desavenças que se tornaram públicas nas últimas semanas, com direito a exposições de áudios e prints. Nesse processo de desgaste, a briga pública com Ludmilla foi somente o ápice de momento delicado na trajetória de Anitta. Dentro desse contexto desfavorável para a cantora na cena nacional, a já anteriormente planejada reinvestida no mercado internacional – programada para o segundo semestre – vem bem a calhar com a edição de álbum gravado por Anitta em Los Angeles (EUA), com produção executiva de Ryan Tedder. Previsto para ser lançado até o fim deste ano de 2020, esse disco será promovido em escala planetária com o marketing da Warner Records, com ênfase naturalmente no mercado norte-americano e nos países de língua hispânica. Ciente de que seria arriscado abandonar o mercado do Brasil, onde tem público cativo, Anitta também renovou o contrato com a filial brasileira da Warner Music para continuar lançando músicas em português para o mercado nacional. Contudo, o foco primordial da artista por ora recairá mesmo na carreira internacional. Capa de 'Tócame', single de Anitta com Arcangel e De La Ghetto Divulgação Em 10 de julho, a cantora já lança o primeiro single via Warner Records, Tócame, música de clima sensual gravada pela artista com as participações de dois cantores norte-americanos com conexões latinas, Arcangel (artista de ascendência dominicana) e De La Ghetto (astro do reggaeton nascido em Nova York, mas criado em Porto Rico). Resta saber se, empresariada pelo norte-americano Brandon Silverstain (o mesmo do grupo Fifth Harmony) e com a carreira gerenciada em âmbito global pela Warner Records, Anitta vai dar enfim o grande salto internacional que tentou (em vão) dar com o álbum trilíngue Kisses (2009), lançado em abril do ano passado sem fazer todo o barulho imaginado pela artista. Tanto que, ironicamente, a faixa de maior sucesso do álbum foi a música Onda diferente, composta por Ludmilla, mas creditada a Snoop Dogg e a Anitta, em ação controvertida que gerou toda a polêmica responsável por desgastar a imagem da artista no Brasil. Para Anitta, ao menos por enquanto, a saída mais indicada parece ser o aeroporto…
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Gabriel O Pensador se une a Gabz e ao Ponto de Equilíbrio para atacar o racismo no single ‘Vamo aí’
A rapper carioca e o grupo de reggae são os convidados do artista na gravação da música que cita as mortes de João Pedro e George Floyd. ♪ Os assassinatos do adolescente brasileiro João Pedro Mattos Pinto (2006 – 2020) e do adulto norte-americano George Floyd (1974 – 2020) – ambos negros e ambos mortos por tiros disparados em desastradas ações policiais, sendo que Floyd foi asfixiado sem motivo por policial branco e João Pedro foi atingido dentro de casa, durante operação policial na comunidade fluminense em que residia – causaram protestos no Brasil e no mundo. A revolta de parte da sociedade reverberou inclusive em músicas com alusões aos crimes. Tradicionalmente engajado em causas humanitárias e na luta contra a opressão desde que surgiu em cena, em 1992, o rapper carioca Gabriel O Pensador se une à rapper conterrânea Gabz e ao grupo de reggae Ponto de Equilíbrio, também carioca, para atacar o racismo nos versos de Vamo aí. Música inédita, Vamo aí será lançada em single programado para sábado, 20 de junho. Mas o clipe originário da gravação – filmado com cenas gravadas em estúdio e na Ilha da Gigóia, no Rio de Janeiro, sob direção de PH Stelzer – já entra em rotação nesta sexta-feira, 19 de junho. Na letra de Vamo aí, o Pensador combate o racismo e também critica os que ficam indiferentes diante das formas cotidianas de opressão. As mortes de João Pedro e João Floyd são citadas em versos de Vamo aí.
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