Miss Biá, drag queen pioneira no Brasil, morre vítima de Covid-19 em SP aos 80 anos
Eduardo Albarella tinha 60 anos de carreira na noite paulistana. Miss Biá posa para foto durante lançamento do documentário 'São Paulo em Hi-Fi', em São Paulo Celso Tavares/G1 Eduardo Albarella, mais conhecido como Miss Biá, uma das drags queens pioneiras no Brasil, com 60 anos de carreira, morreu nesta quarta-feira (3) em São Paulo vítima do novo coronavírus. A informação foi confirmada por sua sobrinha. Segundo Adriana do Nascimento, Albarella estava internado há cerca de dez dias por causa da Covid-19 e faleceu nesta manhã, aos 80 anos. A notícia foi recebida com tristeza entre artistas LGBT+. "Temos um ditado entre nós de que 'quando uma de nós morre, nós morremos um pouco'. Com a perda da Miss Biá ouso dizer que só hoje perdemos muito!". disse a drag queen Ikaro Kadoshi ao G1. "Ela era o símbolo da luta, resistência e amor pela arte do transformismo/drag queen. Venceu inúmeras barreiras. Desafiou a ditadura, o tempo, as gerações. Ela era assim, destemida. Uma força da natureza cheia de luz. Um farol em mar revolto. Ficamos, todos nós, sem direção." Em 2018, Biá se apresentou na festa drag Priscilla (veja abaixo), em São Paulo, conhecida pelo público jovem, na mesma noite de uma estrela do reality show norte-americano "Ru Paul's Drag Race". A apresentadora do evento, a também veterana Silvetty Montilla, disse: "As pessoas pensam que a modernidade não pode estar junto com o antigo. Quando se tem talento, tudo vive junto." Relembre apresentação de Miss Biá em São Paulo, em 2018 Biá ainda estava na ativa: era residente de uma boate, em São Paulo, onde apresentava a programação da noite, todos os sábados, às 3h. "Ela nunca faltou", lembra José Roberto Pinheiro, diretor artístico da Danger. "Foi a primeira drag queen que eu vi na vida, na extinta boate Nostro Mundo, fazendo um cover da Hebe, com o sofá onde recebia famosos. E, 25 anos depois, eu comecei a dirigi-la e dava a mão para ela descer as escadas do palco", orgulha-se Pinheiro. Alexia Twister, atriz e drag queen, descreveu a artista como sendo alegre e leve: "Biá era muito feliz, alto astral, sempre sorrindo". "Sempre que eu a via, me sentava do lado e puxava conversa. Biá tinha histórias incríveis. Ela sempre dizia 'antigamente, não era dublagem, não. (Drag queen) tinha que saber cantar e dançar", recorda Alexia. A Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, que organiza o evento, emitiu uma nota de pesar. "Miss Biá, persona de Eduardo Albarella de 80 anos, começou na arte do transformismo no início da década de 60 e não parou mais. Arte, irreverência e bom humor. Estamos em luto. A saudade estará sempre presente", diz o texto. Muitos artistas usaram as redes sociais para fazer homenagens a Miss Biá. Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Initial plugin text Pioneira Miss Biá Miss Biá relembra início do movimento drag no Brasil Leia abaixo o perfil que o G1 publicou em 2017 sobre a drag: Entrar no apartamento de Miss Biá, no Centro de São Paulo, é uma verdadeira viagem ao passado. Os arabescos e bibelôs da decoração remetem ao que ela exalta como “tempos áureos” de glamour da noite paulistana. E não é para menos. Faz 57 anos que Eduardo Albarella – um senhor de 78 anos – sobe nos saltos, coloca peruca, monta os melhores figurinos e capricha na maquiagem para viver a personagem. Veja mais do especial sobre a ascensão das drag queens na cultura pop “Onde eu estiver, a mais velha sempre sou eu. Porque não tem ninguém antes de mim. E ainda na ativa”, diz Albarella, que é um dos primeiros atores transformistas do Brasil. O trabalho desses artistas que usavam maiôs e vestidos em shows de dança, canto e interpretação é precursor no país do que hoje conhecemos como arte drag. Leia mais sobre drag queens pela história Aos 21 anos, Albarella era office boy e morava com sua família no Brás. Foi depois de sair com amigas para assistir a um show em um cabaré na Av. Rio Branco que decidiu se montar pela primeira vez. “Não existia show de transformistas, mas eu fiquei encantado. Aí falei: ‘eu também quero fazer’”. Foram as mesmas amigas que cederam as peças para a transformação inicial. “Elas me emprestaram tudo. Naquela época eu usava jóias que elas tinham, pois elas eram muito bem posicionadas. Hoje em dia é tudo bijuteria, né?” A inspiração para o uso do nome Biá, que já era seu apelido, veio de uma música de Carmen Miranda. Já o visual foi uma homenagem à atriz Gina Lollobrigida, que foi sucesso nos anos cinquenta. “Falavam que eu era parecida com a Lollobrigida. E olha como eu era mesmo”, diz mostrando fotos (veja abaixo). “A gente tinha referências de quem era uma Rita Hayworth, uma Marilyn Monroe e procurava fazer aquilo de uma forma bonita. Ginger Rogers… dançar mais ou menos igual”. Surgia então Miss Biá. A drag queen Miss Biá compara uma foto sua do início da carreira com a foto da atriz Gina Lollobrigida, sua inspiração Celso Tavares/G1 Quando eu cheguei era tudo mato “Quando comecei não existia dublagem. Então tinha que cantar. Tinha shows montados com músicas especialmente para a gente. Depois o investimento financeiro das casas foi escasseando e a gente foi mudando a maneira de se apresentar”, relembra. Biá conta que, no ínicio dos anos 60, não existia boates específicas para o público LGBTQ em São Paulo. “A primeira boate em que fizemos show era hétero. O La Vie En Rose, que ficava aqui na chamada Boca do Lixo (no Centro). E lotava, ia todo mundo. Existia a curiosidade de querer ver uma coisa inédita”. Depois do La Vie En Rose, Miss Biá se apresentou por anos em várias casas como a Medieval e a Corintho. Na Nostromundo ficou conhecida por sua sátira de Hebe Camargo, recebendo nomes como Paulo Autran, Raul Cortez, Regina Duarte, Claudia Raia, Ney Matogrosso e Wanderléia para entrevistas no sofá da boate. Alfinetes da Hebe Não é por acaso que Albarella tinha bagagem para impersonar Hebe. Ele trabalhou por quase trinta anos como maquiador e figurinista da apresentadora, profissões que sempre exerceu em paralelo às apresentações como Miss Biá. “Quando a Hebe foi para a Bandeirantes, eu fiz uma roupa que repercutiu muito. Era Natal, então falei: ‘vou te fazer uma roupa vermelha’. Eu coloquei a perna dela meio de fora… aí o telefone começou a tocar adoidado. ‘Quem fez essa roupa da Hebe?!’” Sem ter feito cursos de costura, Albarella diz que a experiência dos palcos foi o que ajudou a ganhar projeção como figurinista e estilista. “Você tem uma visibilidade muito boa do que é bonito, do que vai ficar bom. Eu me visto e sei numa roupa o que funciona. Isso tudo quem me deu foi o palco”, diz. Ditadura e perseguição Se hoje as drag queens estão por toda parte, fazendo sucesso na TV e se apresentando para o grande público (Leia mais sobre Pabllo Vittar e Gloria Groove), nem sempre foi assim. A comunidade gay foi duramente perseguida na época da ditadura militar no Brasil. “Na ditadura era proibido homem se vestir de mulher. Então eu comecei a trabalhar de menino. Eu pequenininho, com uma blusinha rosa, fazia números com uma mulata que era vedete. Aí depois a censura liberou e eu voltei a trabalhar como mulher e tô até hoje. Mas na época da ditadura foi complicado”, diz. Mesmo após os anos de chumbo, os transformistas não podiam sair na rua com os figurinos com os quais se apresentavam. “Nós não saíamos assim montadas. Tinha que levar a peruca na mão. Se botasse na cabeça eles prendiam porque achavam que era prostituição”, conta Biá. No início dos anos oitenta, durante o governo estadual de Paulo Maluf, rondas de policiamento ostensivo intensificaram-se na área central da capital. Centenas de homossexuais, travestis e prostitutas foram perseguidos e presos nas operações de “limpeza” comandadas pelo delegado José Wilson Richetti. “O Richetti que era o tormento de todo gay. Uma vez ele levou quase seiscentas presas. Aí uma pessoa conhecida foi conversar com ele e ver o que poderia ser feito. Então ele foi com a equipe, assistiu a um show da gente e adorou. Ficou alucinado. Então ele liberou para que eu e as outras que trabalham comigo pudéssemos sair na rua de mulher”, afirma. O novo sempre vem Aos 78 anos, Albarella já se aposentou do trabalho como estilista e maquiador. Mas Miss Biá continua na ativa todos os sábados na boate Danger, onde apresenta os shows da noite. Para ela, o segredo da longevidade está no “glamour”. “Se fosse só bonita, há 30 anos já tinha parado. Duas coisas: se você tem talento e se tem glamour, meu bem, não tem quem derruba. Modéstia à parte, eu digo até com orgulho: eu sou uma velha glamurosa”, diz rindo. Apesar de achar que houve uma banalização do mercado, com pagamento de cachês mais baixos nas boates devido à grande oferta de “gente que se monta”, Miss Biá vê com bons olhos a nova onda de drags cantoras como Pabllo Vittar. “[Elas são] maravilhosas, essas vão para frente. Elas são drag, mas não têm comportamento de quem faz uma coisinha aqui e outra lá. Elas se preocupam com uma produção boa, com bom cachê para se apresentar. Você tem que valorizar o que você faz”, afirma. A drag queen MIss Biá mostra uma foto sua ao lado de Rogéria Celso Tavares/G1
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Ator pornô Nacho Vidal foi preso em investigação sobre morte de fotógrafo em ritual com veneno
Polícia divulgou que espanhol foi preso por suspeita de homicídio culposo e crimes contra a saúde pública em cerimônia com inalação de veneno de sapo. Nacho Vidal posa para selfie em frente a encomendas de seu site Reprodução/Instagram/nachovidalxxx A polícia espanhola divulgou nesta quarta-feira (3) que prendeu o ator pornô Nacho Vidal sob suspeita de homicídio culposo por participação na morte de um homem em um ritual no qual a vítima inalou veneno psicodélico de um sapo, segundo a agência de notícias France Presse. Vidal, cujo nome verdadeiro é Ignacio Jordá González, foi preso em algum momento da semana passada e está sob liberdade provisória, de acordo com o jornal "El país". A vítima, identificada como o fotógrafo de moda Jose Luis Abad, morreu em julho de 2019. "A operação policial começou após a morte da vítima durante a celebração de um ritual místico baseado na inalação do veneno do sapo bufo alvarius", afirmou em nota a polícia. O sapo era de uma espécie rara do deserto de Sonora, que se estende do norte do México até os estados americanos da Califórnia e Arizona. O animal secreta uma substância extremamente psicodélica conhecida como 5-MeO-DMT. Depois de 11 meses de investigação, a polícia prendeu Vidal, um de seus parentes e um funcionário sob suspeita de homicídio culposo e crimes contra a saúde pública. Os investigadores disseram que os rituais aconteciam regularmente. Segundo a imprensa espanhola, a cerimônia investigada aconteceu na casa de campo de Vidal.
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Discos para descobrir em casa – ‘Quando os maestros se encontram com Angela Maria’, Angela Maria, 1957
Capa do álbum 'Quando os maestros se encontram com Angela Maria', de Angela Maria Reprodução ♪ DISCOS PARA DESCOBRIR EM CASA – Quando os maestros se encontram com Angela Maria, Angela Maria, 1957 ♪ Cantora proeminente da era do rádio, Angela Maria (13 de maio de 1929 – 29 de setembro de 2018) atravessou gerações e movimentos musicais sem deixar de ser referência assumida para sucessoras do porte de Elis Regina (1945 – 1982) e Fafá de Belém. Entre altos e baixos, o alcance da voz de mezzo-soprano da Sapoti – assim apelidada pelo então presidente do Brasil Getúlio Vargas (1882 – 1954) – chegou até os presentes anos 2010 com discos e shows de tons outonais. Intérprete que irradiou emoções do povo brasileiro através do canto geralmente melodramático, lapidado em coros da igreja batista antes da fama obtida na década de 1950, Angela Maria deixou discografia irregular ao sair de cena aos 89 anos. Iniciada em 1951, ainda no tempo dos singles duplos de 78 rotações por minuto, a carreira fonográfica da cantora abrangeu todos os formatos da indústria do disco. E, em todos esses formatos, Angela Maria priorizou canções, boleros, tangos e sambas-canção de tom sentimental em repertório que nunca perdeu o forte apelo popular. Terceiro dos 48 álbuns lançados pela cantora entre 1955 e 2017, Quando os maestros se encontram com Angela Maria foi LP de dez polegadas com oito faixas. Um álbum que sobressaiu na discografia da artista fluminense pela coesão do repertório. Como o título e a capa do álbum já deixaram claro, tratou-se de disco pautado por arranjos orquestrais, criados por oito maestros no tom grandiloquente da época. Cada música foi arranjada por um maestro diferente neste álbum lançado pela gravadora Copacabana, companhia fonográfica brasileira que editou os discos de Angela Maria de 1951 a 1960 e de 1965 a 1977, períodos que abrangeram os ápices de popularidade vividos pela cantora ao longo dos anos 1950 e em meados da década de 1970. A abertura do disco Quando os maestros se encontram com Angela Maria, com Dora (Dorival Caymmi, 1945), já deu a pista do tom majestoso do álbum. Personificada na letra como “rainha do frevo e do maracatu”, ritmos do Recife (PE), Dora requebrou com toda a pompa e circunstância do arranjo orquestrado pelo maestro pernambucano Severino Araújo (1917 – 2012). A solenidade do arranjo cheio de quebras deu sentido aos versos que anunciavam a passagem de Dora com o toque dos “clarins da banda militar”. Na sequência, o samba triste Aos pés da cruz (Zé da Zilda e Marino Pinto, 1942) teve a melancolia amplificada no arranjo orquestrado maestro paulista Lindolpho Gaya (1921 – 1987) com cordas sobressalentes na pauta. A tristeza também foi naturalmente senhora na abordagem do lacrimoso samba-canção Cinco letras que choram (Adeus) (Silvino Neto, 1947), música orquestrada pelo maestro paulistano Renato de Oliveira (1923 – 1980) com o uso, em atmosfera clássica, de coro masculino típico dos conjuntos vocais dos anos 1940 e 1950. O lirismo do arranjo criado pelo maestro paulistano Leo Peracchi (1911 – 1993) para outro marcante samba-canção dos anos 1940, Saia do caminho (Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, 1946), se ajustou tão bem à alma da composição que, na gravação de três minutos e meio, a voz de Angela Maria somente foi ouvida no disco quando a faixa já contabilizava um minuto e 51 segundos. O choro-canção Carinhoso (Pixinguinha, 1917 / com letra posterior de Braguinha, 1937) foi tratado como peça clássica pelo maestro paulista Lyrio Panicalli (1906 – 1984). Única música do repertório do LP que foi ficando esquecida com o decorrer dos anos, mesmo tendo sido eventualmente regravada, Promessa (Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, 1943) – sucesso original do cantor Silvio Caldas (1908 – 1998) – também foi arranjada como tema erudito pelo maestro paulista Gabriel Migliori (1906 – 1975) em orquestração que abriu espaço para as vozes do conjunto vocal masculino recorrente no disco. Em que pese toda a natural suntuosidade dos arranjos orquestrais do álbum Quando os maestros se encontram com Angela Maria, a voz de Angela Maria jamais ficou ofuscada entre as sinfonias do LP. Alcançando todos os agudos e graves da áurea fase vocal da intérprete, o canto da Sapoti reluziu no álbum, como comprovou a gravação do samba-canção Caminhemos (Herivelto Martins, 1947), orquestrada pelo Maestro Guaraná, como era conhecido o arranjador mineiro Gustavo de Carvalho (1911 – 1968). Marco de uma era, a voz de Angela Maria se elevou novamente ao fim do disco com a interpretação luminosa do samba-exaltação Canta Brasil (Alcyr Pires Vermelho e David Nasser, 1941), lançado por Francisco Alves (1898 – 1952) e revivido por Gal Costa em 1981, 40 anos após o registro original do Cantor das multidões. No inebriante arranjo orquestrado pelo maestro paulistano Sylvio Mazzucca (1919 – 2003) para o samba-exaltação, com as vozes do conjunto masculino recorrente no disco, a percussão apareceu com justo destaque para dar cor a essa aquarela do Brasil, país de música fincada no batuque do povo negro. O registro épico de Canta Brasil foi fecho de ouro para disco que mostrou que, quando os maiores maestros se encontravam com uma grande cantora como Angela Maria para abordar repertório de alta qualidade, o resultado era álbum à altura da importância perene da Sapoti na história da música do Brasil.
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Álbum com músicas de Aldir Blanc e Maurício Tapajós inspira série de TV ‘Imagem vinil’
♪ As letras imagéticas do compositor carioca Aldir Blanc (2 de setembro de 1946 – 4 de maio de 2020) eram coisas de cinema. Ou de série de TV. Tanto que as narrativas musicais do álbum Aldir Blanc – Maurício Tapajós (1984) inspiraram os episódios da série Imagem vinil, no ar pelo canal por assinatura Prime Box Brazil a partir desta quinta-feira, 4 de junho, data em que a morte do engenhoso letrista e escritor completa um mês. Criada e dirigida por Frederico Cardoso, a série Imagem vinil joga luz sobre a relevante parceria musical de Aldir com o compositor carioca Maurício Tapajós (27 de dezembro de 1943 – 21 de abril de 1995). Menos ouvida pelo público, essa afinada obra ganhou visibilidade no vácuo da parceria de Aldir Blanc com João Bosco. A partir de 1983, a parceria de Bosco e Blanc começou a ser progressivamente diluída até ser desativada melancolicamente em 1986, quebrando elo que somente seria refeito em 2005 – então já sem a força popular da fase inicial da obra da dupla de compositores, pedra fundamental da MPB da década de 1970. Naquela fase de diluição, o cronista carioca Aldir Blanc começou a intensificar a parceria com o conterrâneo Maurício Tapajós. Iniciada nos anos 1970, a parceria de Blanc com Tapajós já tinha rendido um sucesso, o samba-sem-exaltação Querelas do Brasil (1978), lançado nas vozes do Quarteto em Cy e da cantora Elis Regina (1945 – 1982), principal intérprete das músicas de Blanc com Bosco. Em que pese esse sucesso inicial, a parceria de Aldir Blanc com Maurício Tapajós somente ganhou corpo – na forma de letras escritas por Aldir com alta dose de carioquice que expôs o raro dom do ourives das palavras – no álbum duplo lançado em 1984 pela gravadora Saci (Sociedade dos Artistas Independentes) com capa criada pelo artista visual Mello Menezes. Das 20 músicas que compuseram os quatro lados do LP duplo Aldir Blanc – Maurício Tapajós, onze tinham as assinaturas de Aldir e Maurício (em alguns casos, com adesão de um terceiro compositor). Em 1994, o álbum duplo foi relançado na forma de CD simples, com oito dessas onze músicas, outras três composições fora da parceria (assinadas por um ou por outro compositor, a sós ou com outro parceiro) e faixa inédita da obra da dupla de compositores, O topete e a raspadinha, música registrada na voz da cantora Cristina Santos. De alma carioca, esse repertório inspirou os episódios da série de TV Imagem vinil, cujo tema de abertura é o samba Querelas do Brasil. A propósito, a letra do samba Querelas do Brasil ajudou a gerar o segundo episódio, Pimenta, juntamente com os versos de outro samba da dupla, Entre o torresmo e a moela. Já o primeiro episódio, Saudade, de tom mais sentimental, foi inspirado nas músicas Perder um amigo e O bonde (parceria de Maurício Tapajós com Sueli Costa e Sidney Miller). Em sintonia com a geografia musical da escrita de Aldir Blanc, as tramas da série Imagem vinil gravitam em torno da Tijuca, epicentro da vida real do engenhoso cronista musical.
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Áurea Martins festeja 80 anos com ‘Iluminado sentimento’
Cantora lança single em que apresenta parceria póstuma do moderno compositor Valzinho com Ronaldo Bastos. Áurea Martins faz 80 anos em 13 de junho e, na véspera, lança o single 'Iluminado sentimento' Sérgio Caddah / Facebook Áurea Martins ♪ Áurea Martins faz 80 anos de vida em 13 de junho. Na véspera, Dia dos Namorados, o inédito single Iluminado sentimento chega ao mercado fonográfico para festejar tanto a data romântica como o 80º aniversário da cantora carioca. O single apresenta música do compositor e violonista carioca Norival Carlos Teixeira (26 de dezembro de 1914 – 25 de janeiro de 1980), o Valzinho, artista que saiu de cena há 40 anos, deixando obra pioneiramente moderna e influente que totaliza 35 músicas, muitas inéditas em disco. Iluminado sentimento é uma dessas composições até então inéditas. Trata-se da última música composta por Valzinho, em 1979, meses antes de morrer em janeiro do ano seguinte, aos 65 anos. Descoberta em registro caseiro, em fita cassete encontrada em 2014, a canção ganhou letra póstuma de Ronaldo Bastos, sócio da gravadora, Dubas, que edita o single Iluminado sentimento. Capa do single 'Iluminado sentimento', da cantora Áurea Martins com Cristovão Bastos Divulgação Nunca registrada em disco, a música Iluminado sentimento ganha a voz da octogenária cantora nascida em 13 de junho de 1940, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), com o nome de Áldima Pereira dos Santos, mas transformada em Áurea Martins por iniciativa dos atores Mário Lago (1911 – 2002) e Paulo Gracindo (1911 – 1955), na primeira metade da década de 1960, quando a então emergente crooner ingressou na Rádio Nacional. Gravado com produção musical assinada por Vidal Assis e Leonel Pereda, tendo sido mixado por Duda Mello, o single Iluminado sentimento junta a voz de Áurea com o piano de Cristovão Bastos, com quem a cantora gravou álbum neste ano de 2020. Ainda inédito, esse álbum tem repertório formado por músicas como Vem hoje (Moacyr Silva e Antônio Maria, 1960), a valsa Amigo amado (Alaíde Costa e Vinicius de Moraes, 1973), a inédita Rede branca (Cristovão Bastos e Paulo César Pinheiro) e o samba Flor negra (Antonio Valente, Elton Medeiros e Cristovão Bastos), composto em 1973, mas censurado e até então nunca registrado em disco.
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Com cinemas fechados, filmes estreiam direto em plataformas de vídeos nos EUA; veja lista
Em época de isolamento social, estúdios mudam estratégia de lançamento para evitar concorrência após adiamentos e aproveitar crescimento do consumo de vídeos sob demanda. Ferdia Shaw em cena de 'Artemis Fowl: O Mundo Secreto', cena de 'Scooby! O Filme!' e Pete Davidson em cena de 'The king of Staten Island' Divulgação Com o isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus, os grandes estúdios de Hollywood enfrentam a maior necessidade de repensar suas estratégias de lançamentos dos últimos anos. Assim, desde março, alguns lançamentos do cinema foram reprogramados para estreias em serviços de transmissão digital de vídeos nos Estados Unidos. Entre as grandes produções que passaram pela mudança estão filmes como a adaptação literária "Artemis Fowl: O Mundo Secreto", o novo projeto dirigido por Judd Apatow ("O virgem de 40 anos"), "The king of Staten Island", e a animação "Scooby! O Filme!". Isso acontece enquanto muitos dos principais blockbusters, como novas adaptações de quadrinhos da Marvel e da DC ou o próximo capítulo da franquia "Velozes e Furiosos", escolheram por apenas adiar seus lançamentos em alguns meses. Semana Pop #88: relembre clássicos do cinema com momentos em drive-ins A opção pelas plataformas digitais pode ser explicada por uma tentativa de evitar a concorrência contra todos esses grandes lançamentos quando os cinemas abrirem novamente suas portas, especialmente em um momento em que ainda é difícil prever quando isso vai acontecer. Além disso, também tem a ver com um aumento do consumo nesses serviços. Segundo dados da associação americana de plataformas de entretenimento Digital Entertainment Group, publicados pelo site Deadline, o gasto com vídeos sob demanda cresceu 48% em março de 2020 em relação ao mesmo período de 2019. Veja abaixo uma lista com os principais lançamentos que trocaram os cinemas por plataformas de vídeos: 'An american pickle' Um trabalhador de uma fábrica de picles, interpretado por Seth Rogen ("Casal improvável"), acorda nos tempos atuais depois de passar cem anos congelado. O filme foi vendido para a HBO Max, e deve estrear dia 6 de agosto nos EUA. 'Artemis Fowl: O Mundo Secreto' A adaptação da série de livros de Eoin Colfer, dirigida por Kenneth Branagh ("Thor"), tinha estreia prevista nos cinemas para o dia 29 de maio. Foi transferida para a Disney+, no dia 12 de junho. Cena de 'Bacurau' Divulgação 'Bacurau' O filme brasileiro tinha estreia prevista em diversos cinemas americanos, mas foi utilizado pela distribuidora Kino como teste do serviço de streaming Kino Marquee, que divide a arrecadação com cinemas selecionados pelo público (para apoiar as salas menores durante a crise). 'Bad trip' A comédia, que mistura história roteirizada com gravações reais de pegadinhas, vai estrear em uma data ainda não definida na Netflix, mesmo depois de ter sido disponibilizada por acidente na Amazon Prime Video. 'Charm city kings' O drama sobre um jovem que sonha em entrar para um grupo de motoqueiros, exibido no festival de Sundance, estreia na HBO Max em 2020. 'Clouds' O filme sobre a história real do cantor Zach Sobiech, que morreu em 2013 por causa de um câncer raro após lançar o hit "Clouds" estreia na Disney+ em 2020. Tom Hardy em cena de 'Capone' Divulgação 'Capone' A cinebiografia do gângster Al Capone, estrelada por Tom Hardy ("Venom"), arrecadou mais de US$ 2,5 milhões após seus dez primeiros dias em diversas plataformas de filmes sob demanda. 'Greyhound' O filme escrito e protagonizado por Tom Hanks se tornou a principal estreia da Apple TV+, que planeja lançar a história em 2020. 'Hamilton' A versão para os cinemas do maior sucesso da Broadway nos últimos anos seria lançada comercialmente em outubro de 2021. Com a pandemia, a Disney adiantou o lançamento em 15 meses, e a estreia acontece no Disney+ dia 3 de julho. 'A Batida Perfeita' O filme sobre uma diva da música estava programado para dia 8 de maio, mas foi lançado em serviços de vídeos sob demanda em 29 de maio. 'How to build a girl' A comédia estrelada por Beanie Feldstein ("Fora de série") sobre a jornada de uma jovem para se tornar uma jornalista de música foi exibida no Festival de Toronto em 2019, e estreou em serviços de vídeos sob demanda em 8 de maio. Steve Carell em cena de 'Irresistible' Divulgação 'Irresistible' Estrelada por Steve Carell ("The office"), a comédia escrita e dirigida por Jon Stewart ("The daily show") tem estreia programada em plataformas no dia 26 de junho. 'The king of Staten Island' O novo filme do diretor Judd Apatow, uma história semi-autobiográfica sobre um personagem com dificuldades para amadurecer depois da morte de seu pai, estreia em serviços sob demanda em 12 de junho. 'Um Crime para Dois' A comédia romântica com Issa Rae ("Insecure") e Kumail Nanjiani ("Doentes de Amor") teve lançamento cancelado e estreou direto na Netflix em 22 de maio. 'Military wives' O filme sobre o coral formado por mulheres de soldados, estrelado por Kristin Scott Thomas ("Tomb Raider: A Origem"), é outro que foi exibido no Festival de Toronto e ganhou lançamento em plataformas nos Estados Unidos, no dia 22 de maio. Chloe Coleman e Dave Bautista em cena de 'Aprendiz de espiã' Divulgação 'Aprendiz de espiã' A comédia infantil estrelada por Dave Bautista ("Guardiões da galáxia") originalmente tinha estreia prevista para 2019. Depois de ser adiado diversas vezes, sairá direto no Amazon Prime Video em data ainda não definida. 'Run sweetheart run' O terror é outro filme exibido no festival de Sundance a chegar ao Amazon Prime Video em 2020. 'Scooby! O Filme!' A animação com a turma de "Scooby-Doo" em um novo mistério chegou a plataformas digitais em 15 de maio, mesmo dia de sua estreia cancelada nos cinemas. 'Trolls 2 – World Tour' A animação da Universal bateu recordes ao chegar a serviços de vídeo sob demanda no dia 10 de abril, com US$ 100 milhões em arrecadação, após causar problemas entre as redes de cinema e o estúdio, que planejava manter o lançamento comercial ao mesmo tempo que nas plataformas.
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Frejat segue em trilho confortável no álbum ‘Ao redor do precipício’
Artista lança disco autoral com repertório inédito que inclui parceria com Antonio Cicero, batidão de funk com guitarra, faixa com Alice Caymmi e músicas com metais arranjados por Serginho Trombone. Resenha de álbum Título: Ao redor do precipício Artista: Frejat Gravadora: Edição independente do artista Cotação: * * * Capa do álbum 'Ao redor do precipício', de Frejat Julia Pellegatti Frejat ♪ Há sutis renovações na discografia solo de Roberto Frejat ao longo das 13 faixas do álbum Ao redor do precipício, lançado nesta quinta-feira, 4 de junho, pelo cantor, compositor e guitarrista carioca. Contudo, nem a mistura da pulsação frenética do funk de 150 BPM com as guitarras que resultou em Batidão – tema instrumental assinado pelo artista carioca com Kassin, Humberto Barros, Leonardo Reis, Maurício Negão e Pupillo – consegue configurar real avanço na obra fonográfica solo do artista projetado nos anos 1980 como integrante da banda carioca Barão Vermelho. Tampouco o suingue nordestino gerado pelo sopro das flautas de Carlos Malta na gravação de E você diz – inusitada parceria de Frejat com Jards Macalé e Luiz Melodia (1951 – 2017) – criam aura de inovação a ponto de fazer o álbum Ao redor do precipício se distanciar substancialmente dos três álbuns anteriores da discografia solo do artista. Detectada nas ideias que geraram a arquitetura eletrônica de Planetas distantes, parceria de Frejat com Dulce Quental que versa sobre a dicotomia temperamental de casal, a presença de Kassin no time de produtores do disco – formando quarteto com Humberto Barros, Maurício Negão e o próprio Frejat – soa discreta. Com a ressalva de que foram Humberto e Frejat que efetivamente deram forma à faixa Planetas distantes. Frejat mistura o batidão do funk 150 BPM com guitarras em faixa instrumental do álbum 'Ao redor do precipício' Leo Aversa / Divulgação No todo, Frejat permanece em zona confortável ao longo do disco Ao redor do precipício, quarto álbum solo autoral do artista, o primeiro de músicas inéditas desde Intimidade entre estranhos (2008), disco lançado já 12 anos. A opção pelo conforto em si jamais depõe contra o disco. A questão reside na qualidade oscilante da safra autoral apresentada pelo artista em Ao redor do precipício, álbum anunciado em março com single em que Frejat apresentou a gravação inédita de Pergunta urgente, canção sobre impasses afetivos e existenciais de autoria do compositor gaúcho Luis Nenung, lançada pelo autor zen-budista no ano passado, no disco Incendeia tua aldeia (2019). Gravada por Frejat com a adesão de Ritchie nos vocais, Pergunta urgente é a única das 13 músicas do álbum Ao redor do precipício sem a assinatura do dono do disco. As demais foram sendo amealhadas por Frejat quando, convencido por amigos que lhe cobravam um álbum após série de singles avulsos, o cantor decidiu entrar em estúdio para formatar álbum com músicas que vinha compondo nos últimos anos. Frejat lança o quarto álbum solo, 'Ao redor do precipício', com 13 músicas, sendo 12 de autoria do artista Leo Aversa / Divulgação Algumas (poucas) músicas, como a balada Amar um pouco mais, parceria de Leoni com Frejat, já tinham sido gravadas – no caso, por Leoni, que há cinco anos apresentou a balada como faixa de abertura do álbum Notícias de mim (2015). Amar um pouco mais ganhou pegada roqueira na gravação de Frejat, como sinalizara em abril o segundo single do álbum Ao redor do precipício. O terceiro single, Cartas e versos, saiu em maio e apresentou mais uma parceria de Frejat com Leoni, esta inédita. Canção composta com refrão de apelo pop, Cartas e versos foi formatada em estúdio com sutil toque de latinidade na percussão de Leonardo Reis. No álbum, Frejat ainda dá voz a duas outras músicas feita em parceria com Leoni. Com letra que inclui o verso-título Ao redor do precipício, a balada Por mais que eu saiba é canção apaixonada valorizada pelos vocais (Érica Anjos, Junior Tavares, Leticia Pedroza e Murilo Santos) e pelas cordas arranjadas pelo maestro Arthur Verocai. Já Todo mundo sofre é baladão denso que sobressai na safra inédita do disco pela composição em si, um dos mais inspirados títulos do cancioneiro de Frejat com Leoni. Pupillo Oliveira toca bateria na faixa, amplificada com o solo de guitarra de Rafael Frejat, filho do ex-Barão. Frejat conta com arranjos de metais de Serginho Trombone em duas faixas do álbum 'Ao redor do precipício' Reprodução / Redes sociais Pupillo também figura como baterista na música-título Ao redor do precipício (Frejat), groove vocalizado sem letra, alocado na abertura do álbum como a primeira das três faixas-vinhetas de Ao redor do precipício. Parceria de Frejat com Zeca Baleiro, Te amei ali é balada que ganhou levada de R&B com os metais orquestrados pelo músico e arranjador Serginho Trombone (1949 – 2020) em diálogo com o registro original feito por Baleiro e lançado em single editado em outubro de 2018 com o sopro soul dos metais arranjados por Adriano Magoo. Falecido em 7 de abril, Serginho Trombone deixou outra marca do quarto álbum solo de Frejat. É do trombonista o arranjo de metais que transformou Tudo que eu consegui em pop dançante. Tudo que eu consegui é parceria de Frejat com dois poetas, Antonio Cicero e Mauro Santa Cecília. Mauro é parceiro habitual de Frejat. Já Cicero refaz o elo com o artista 34 anos após a edição da primeira e até então única parceria dos dois compositores, Bagatelas, lançada pelo Barão Vermelho no álbum Declare guerra (1986). Música mais antiga da safra inédita, A sua dor é minha é composição de Frejat com George Israel e Mauro Santa Cecília, tendo sido feita em 2002 ou 2003. Alice Caymmi é a intérprete solista que dá voz à personagem dominatrix dessa balada-blues em si pouco sedutora, mas inflada no disco pelo tom meio épico do coro e das cordas orquestradas por Arthur Verocai – adornos valorizados pela primorosa mixagem do disco, feita pelo Renato Muñoz. O acerto da mixagem também salta aos ouvidos com as texturas de dobro, slide e piano Wurlitzer que criam o clima andarilho de Partida de estrada…vazia, tema instrumental composto solitariamente por Frejat. Bem mais do que vinheta na configuração do álbum, o tema Partida de estrada… vazia arremata bem esse disco em que o cantor segue em trilho confortável, com eventuais desvios que jamais põem o artista na beira do precipício em que Roberto Frejat parece temer se jogar para arriscar salto qualitativo em obra solo que, apesar das sutis renovações deste quarto álbum, já começa a soar repetitiva.
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‘This is America’, ‘Fight the power’ e mais hits antirracistas têm disparada de audiência nos EUA
Lista de músicas que tiveram aumento de até 500% de audiência durante onda de protestos contra o racismo inclui faixas de Childish Gambino, Beyoncé, N.W.A, Public Enemy e mais. Childish Gambino no clipe "This is America" Divulgação "This is America", de Childish Gambino, "Freedom", de Beyoncé, e "Fuck tha Police", do N.W.A., estão entre as músicas cuja audiência disparou em meio à onda de protestos contra o racismo nos EUA. O estopim dos protestos foi a morte de George Floyd, um americano negro de 46 anos, que foi sufocado por um policial branco, que se ajoelhara sobre seu pescoço por mais de 8 minutos. Na lista, a música que mais cresceu foi "Don't die" (2012), do rapper e ativista Killer Mike, do duo Run the Jewels, que subiu mais de 500% nos últimos dias. Também foi detectado o aumento de acessos a músicas mais antigas de James Brown, Nina Simone e outros. O levantamento foi feito pela empresa Alpha Data para a revista dos EUA "Rolling Stone". Veja músicas cuja audiência disparou nas plataformas de streaming durante o sábado (30) e a segunda-feira (1). O número total de plays não foi divugado: "Don't die" – Killer Mike – 542% “Say It Loud – I’m Black and I’m Proud” – James Brown – 455% "Fuck tha police" – N.W.A. – 272% "This is America" – Childish Gambino – 149% “The Charade” – D’Angelo and the Vanguard -122% “Fight the Power” – Public Enemy – 89% "Alright" – Kendrick Lamar – 71% “Freedom” – Beyoncé – 70% “I Wish I Knew How It Would Feel to Be Free" – Nina Simone – 34% Beyoncé – 'Spirit' – G1 Ouviu Initial plugin text
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Norah Jones lança álbum e fala da quarentena com dois filhos: ‘Eles me mantêm ocupados’
Ao G1, cantora comenta disco 'Pick Me Up Off the Floor' e lives no Instagram: 'Nunca me dei muito bem com redes sociais. Mas agora é a forma de se conectar com as outras pessoas'. Norah Jones chegou a dizer que nunca mais lançaria um álbum, após "Begin Again", do ano passado. Mas a cantora americana de 41 anos mudou de ideia: "Pick Me Up Off the Floor" sai no dia 12 de junho. Desde 2002, quando lançou o primeiro single "Don't Know Why", ela tem juntado pop e jazz. O som continua o mesmo, mas ela teve, como todos, que se adaptar ao distanciamento social imposto pela pandemia da Covid-19. O clipe de "Trying to keep it together" foi gravado na casa dela, de onde também vem fazendo transmissões ao vivo no Instagram. Norah não é muito afeita às redes sociais e diz que nunca se deu bem com elas. "Finalmente, encontrei uma forma de isso fazer sentido pra mim", explica ao G1. A cantora tem passado a quarentena acompanhada da filha de 4 anos, do filho de 6 anos e de um casal de amigos, em Nova York, nos Estados Unidos. E ela é bem direta e sincera ao falar sobre a relação deles com a música: "Às vezes, eu boto alguma música para tocar e meu filho olha pra mim e diz: 'não coloca música, eu odeio música'. E ele fica olhando pra mim para ver qual vai ser minha reação." Veja a entrevista de Norah Jones ao G1. G1 – Você já disse que não lançaria mais álbuns. Por que voltou atrás? Norah Jones – Não é que eu decidi fazer um álbum. Eu decidi fazer singles, uma parcerias a cada mês, gravando músicas com outras pessoas para lançar o mais rápido possível, em vez de fazer um álbum completo. Nesse processo, gravei outras músicas que acabei não lançando. Esse conjunto de canções me animou e percebi que, juntas, formavam um álbum. Foi meio que um acidente. Capa do álbum 'Pick me yp off the floor', de Norah Jones Divulgação/Universal G1 – Um desses artistas com quem você gravou foi o Jeff Tweedy [do Wilco]. Como é trabalhar com ele? Norah Jones – Foi demais. Ele é alguém de quem eu sou fã já faz um bom tempo e também o conhecia um pouco. Foi tão legal estar com ele no estúdio. A gente se entendeu muito rapidamente. Trabalhar com ele é divertido, tudo acontece com tanta naturalidade… G1 – Você gravou o clipe de 'Trying to keep it together' em casa. Como foi essa experiência para você? Norah Jones – Ah, foi ok, sabe? Eu não me envolvi tanto assim com isso. Ainda mais com os meus filhos por aqui, então… Estamos em quarentena com um casal de amigos, há mais de dois meses. Aquela gravação do clipe eu fiz depois que as crianças já tinham ido dormir, então foi tranquilo. Na verdade, acaba sendo divertido ter algo para pensar, algo para tentar ser criativa, trabalhando nesse período de distanciamento. É bom ter algo para fazer. G1 – As músicas foram criadas antes da pandemia, é claro, mas todo mundo vai ouvir durante ou logo depois dela. Você não controla suas músicas depois que elas saem de você, mas como você se sente com essa mudança de significado de algumas letras? Norah Jonas – Eu gosto de não conseguir controlar as minhas músicas depois que eu as lanço. As pessoas se relacionam com elas, do jeito que elas quiserem. Eu, claro, adoro quando isso acontece. As músicas foram sendo feitas nos últimos anos e meus sentimentos foram se transformando nelas. Minhas emoções que estão ali seguem sendo relevantes agora, porque elas são sobre ser humano e tentar achar essa conexão. Eu acho que isso resume o que estamos sentindo agora. Existe um envolvimento maior entre as pessoas. Faz sentido que esses temas fiquem indo e voltando. G1 – Você acha que 'a vida que como conhecemos acabou' ['This life as we know it is over', nome de uma música nova], depois do coronavírus? Norah Jones – Sim. E essa música com certeza soa muito atual agora. Eu espero que nossa vida mude para melhor algum dia. Não sei o quanto vai demorar para isso acontecer, mas essa letra realmente acabou capturando um sentimento bem atual. Norah Jones Divulgação/Universal G1 – Eu vi você cantando no Instagram e você parecia estar em paz… Você sempre me passou essa impressão quando canta, quando dá entrevistas, de ser tranquila. Norah Jones – É, eu gostaria de ser assim sempre, porque eu não sou sempre calma, não. Eu só tento ficar calma quando estou fazendo entrevistas [risos] ou gravando meus vídeos. G1 – E como é um dia normal na sua vida durante a quarentena? Norah Jones – É quase sobre cuidar das crianças e fazer com que elas sempre estejam felizes. Gasto a maioria do meu tempo fazendo com que elas se dediquem aos estudos em casa, o que é uma coisa muito difícil. Mas eu tenho que fazê-los ficar ocupados, atarefados, ativos… fazendo que tudo não tenha sempre a ver só com uma tela de computador, sabe? Então, todos os adultos da minha casa estão meio que divididos em turnos para cuidar deles, colocá-los para dormir e tudo mais. A gente tenta se manter bem. Eles me mantêm ocupados, são uma distração muito bem-vinda. G1 – O que você mais sente falta de fazer? Norah Jones – Eu sinto muita falta de tocar música para outras pessoas. Sinto falta dessa interação de estar cantando ao lado de uma banda ou só um músico mesmo, fazendo essa troca… Com certeza, isso é o que eu sinto mais falta. G1 – Você tem se apresentado no Instagram. Como tem sido isso? Norah Jones – Eu acho que rede social é, sim, um jeito de se conectar com outras pessoas, né? Mas eu sei que eu nunca me dei muito bem com redes sociais, nunca fui boa nisso. Mas agora é a forma de se conectar com as outras pessoas e finalmente encontrei uma forma de isso fazer sentido pra mim. Claro que tem que ser sobre música. Para mim, fazer lives tem sido uma forma de me conectar sem ter que fazer shows. Eu não gosto mesmo de escrever posts e dizer coisas do tipo 'estou me sentindo assim sobre não sei lá o quê'. Eu não quero fazer isso. Mas só tocar e cantar, me expressar com as músicas, tudo isso faz eu me sentir… bem. Eu fico com a sensação de que é a única coisa que eu sei fazer, e que eu fico totalmente perdida sem isso. Eu gosto de cantar e se uma pessoa curtir, pra mim isso já é o suficiente. G1 – Sendo brasileiro, tenho que perguntar: como foi trabalhar com Amarante? Norah Jones – Uow, foi tão incrível. Eu sou uma grande admiradora dele e a gente ficou um tempo juntos gravando. A gente virou bons amigos. Fazer música com outras pessoas sempre tem a ver com essa interação, sabe? Tentar criar uma coisa, juntos, é tão bonito. G1 – Tem como dizer que este será seu último álbum? Norah Jones – Porque você faria isso, eu vou morrer, não sei… [risos] G1 – Não, não é uma questão pessoal, é profissional. Você já disse que prefere lançar singles e não álbuns. Norah Jones – Ah, entendi. Eu tentei tanto ficar sem lançar um álbum nos últimos dois anos e daí fiz um monte de singles. E eu amei que tudo aconteceu daquele jeito, e pensei que ia continuar desse jeito. Mas esse álbum apareceu do nada pra mim. Eu não me esforcei para fazer um álbum, fiz um e eu amei isso. Então, o que eu posso dizer é que vou continuar fazendo música de qualquer forma que tiver que ser. Não cabe a mim mais dizer que vou parar, só sei que vou lançar música de alguma forma. Não faço ideia. Se eu tiver músicas que funcionam como um álbum, é importante lançá-lo. O álbum dá um clima diferente, adoro ouvir uma sequência de músicas. G1 – E você ouve música com seus filhos? Qual a relação deles com a música? Norah Jones – É muito divertido ouvir música com eles. Eu acho que tocar música em casa preenche a casa, estejam ele ouvindo ativamente ou não. Às vezes, eu boto alguma música para tocar e meu filho olha pra mim e diz: 'não coloca música, eu odeio música'. E ele fica olhando pra mim para ver qual vai ser minha reação. Ele só está tentando chamar minha atenção, mas eu acho até que engraçado, porque eu sei que ele ama música, ele gosta de ficar inventando canções. Então, tudo bem. Norah Jones anuncia shows no Brasil em dezembro Divulgação
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Livinho pede desculpas a modelo após acusação de racismo: ‘Fiz brincadeira pra tentar interação’
Em série de vídeos nas redes sociais, cantor afirmou que pediu perdão no momento do ocorrido, em 2017. 'Fiquei muito triste com a situação no dia, porque transpareceu uma coisa que eu não sou’. Livinho também cita ação por calúnia. 'Deixar na mão de Deus e do juiz'.' Modelo Raielli Leon acusa Livinho de racismo durante gravação de clipe Reprodução/Instagram Livinho usou seu Instagram para publicar uma série de vídeos onde fez um pedido de desculpas para a modelo e dançarina Raielli Leon. Raay, como é conhecida, acusou o cantor de ter atitudes racistas durante a gravação de um videoclipe em 2017. "Tô aqui pra me retratar sobre o acontecimento de 2017, em que uma menina chamada Raielli se sentiu ofendida com uma brincadeira que eu fiz com ela pra tentar uma aproximação, pra interagir com ela, porque eu percebi que ela estava triste". "Fiz uma brincadeira pra tentar uma interação e ela interpretou de outra forma. No momento do acontecido pedi perdão. E assim como em 2017, ontem também fui no Instagram dela e pedi desculpas, hoje novamente peço perdão. Não sou racista e eu luto por essa causa", afirmou o cantor. Livinho também negou algumas das acusações feitas por Raay, como a que ele teria dito que "o cabelo da modelo teria roubado seu celular". Nas redes sociais, Raielli citou o caso: "Pra confirmar meu incômodo, ele tirou o celular do bolso dele, colocou no meu cabelo e puxou. A hora que ele tirou o celular, ele falou: 'você roubou meu celular, cabelo'. Nesse mesmo momento, todo mundo que estava por perto, riu. (…) Ele repetiu a brincadeira por mais duas vezes." Livinho pede desculpas para modelo após acusação de racismo "Errei no passado, tive alguns históricos polêmicos, mas graças a Deus hoje estou com minha cabeça no lugar, hoje sou outra pessoa. [Racismo] é uma acusação muito séria, sempre lutei contra isso." "Fiquei muito triste com a situação no dia, porque transpareceu uma coisa que eu não sou". Apesar de negar o comentário, Livinho confirma o incidente com o celular. "No momento que tirei o celular da cabeça dela brincando, ela não gostou. Pensei no filme ‘Todo mundo em pânico 4’, que o cara tira um baseado da cabeça. Na hora veio isso. Vou tirar o celular da cabeça dela zoando. Não tem nada racista, mas percebi que ela não gostou e no mesmo momento pedi desculpas e falei que não foi a intenção." O cantor finalizou a série de vídeos com um novo pedido de desculpas. "Houve desculpas no dia, houve arrependimento na hora da brincadeira, mas não houve essas palavras que ela disse que eu disse. Agora é só deixar na mão de Deus e do juiz que vai resolver essa situação de acusação de calúnia." Relembre o caso Modelo Raielli Leon acusa Livinho de racismo durante gravação de clipe A modelo e dançarina Raielli Leon acusou Livinho de racismo, durante a gravação de um clipe, em 2017. A acusação foi feita nesta terça-feira (2), após Livinho fazer um post relacionado à campanha Black Lives Matter (vidas negras importam). Segundo Raay, como Raielli é conhecida, Livinho teve atitudes racistas contra ela durante a gravação de um videoclipe em 2017. Na quarta-feira (3), através de um comunicado enviado por sua assessoria, o cantor disse já ter pedido desculpas para a modelo. Em uma série de vídeos no Instagram, Raielli Leon deu detalhes sobre o ocorrido: "Quando fomos gravar a última cena, ele, não sei o que passou na cabeça dele, ele começou a fazer umas dancinhas idiotas, obscenas, pegando no saco, imitando Michael Jackson, como se estivesse sarrando, e eu já fiquei incomodada ali naquele momento, porque foi uma pessoa que nem falou comigo e me olhou torto o clipe inteiro." "Eu só esperava que ele se desculpasse, nem que fosse por telefone e a vida ia seguir normal. Sabe o que ele fez? Me xingou de todos os nomes possíveis, falou que ia acabar com a minha carreira, que eu deveria ter medo do que eu estava falando e com quem eu estava brincando. Fiquei mal, desesperada." Além da série de vídeos no Stories, a modelo também fez um post fixo na rede social dizendo que teve diversos problemas após o incidente. "Já passei fui cortada de clipe, ameaçada, barrada na balada, fui cancelada nas presenças vip (que é trabalho) já fui me xingaram muito nas redes sociais, já deixei de gravar clipe com artistas que eu sou fã, já foram em outra produtora me prejudicar durante um clipe que eu estava gravando, já atrasaram meu processo, já me seguiram com a intenção de me intimidar na balada e muitas outras coisas vêm ocorrendo desde esse dia", relatou a modelo.
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