Discos para descobrir em casa – ‘A seu favor’, Jorge Aragão, 1990
Capa do álbum 'A seu favor', de Jorge Aragão Alexandre Souza Lima ♪ DISCOS PARA DESCOBRIR EM CASA – A seu favor, Jorge Aragão, 1990 ♪ De todos os bambas associados sobretudo ao pagode carioca dos anos 1980, Jorge Aragão foi o primeiro a entrar na roda. O nome de Jorge Aragão da Cruz – cantor, compositor e músico nascido em 1º de março de 1949 na cidade do Rio de Janeiro (RJ) – começou a sair do anonimato em 1976, ano em que Elza Soares deu voz a Malandro, samba que o compositor criara em 1968 com João Batista Alcântara, parceiro dos tempos de juventude, creditado nos discos como Jotabê. Se o compositor foi precocemente reconhecido como criador de sambas melódicos, líricos e geralmente dolentes que fizeram Aragão ganhar a justa alcunha de Poeta do samba, o cantor teve que esperar até o fim da década de 1990 para virar espécie de popstar do pagode com série de discos ao vivo que tornaram redundante uma discografia até então coesa, iniciada em 1977 com edição de single em que Aragão eriçou o orgulho negro de Cabelo pixaim, outra parceria com Jotabê. Quando lançou o quinto álbum solo em 1990, A seu favor, Aragão ainda era cantor de nichos, de shows feitos sobretudo nos subúrbios cariocas, mas vinha construindo trajetória ascendente desde os anos 1970. Ao ser brindado com popularidade até então inédita na carreira fonográfica, a partir de disco ao vivo editado em 1999, Jorge Aragão teve coroada uma trajetória de grande relevância para a consolidação do samba renovado que começara a brotar nos fundos dos quintais cariocas na segunda metade dos anos 1970. Sempre atenta aos sinais, Beth Carvalho (1946 – 2019) trouxe aquela inovação rítmica para os próprios discos, gravando sambas de Aragão e dando grande destaque na divulgação dos álbuns a esses sambas, desde então definitivamente associados à carreira da cantora. É impossível escrever a historia de Beth sem mencionar Vou festejar (Jorge Aragão, Neoci Dias e Dida, 1978) e Coisinha do pai (Jorge Aragão, Almir Guineto e Luiz Carlos da Vila, 1979). Ou mesmo Tendência (1981), parceria do compositor com Ivone Lara (1922 – 2018) também lançada por Beth – no caso, no ano em que o cantor lançou sem a menor repercussão o primeiro álbum solo, Jorge Aragão (1981). Com repertório que trouxe Resto de esperança (Jorge Aragão e Dedé da Portela, 1980), samba propagado no ano anterior na voz do cantor Roberto Ribeiro (1940 – 1996), o primeiro álbum solo de Aragão chegou ao mercado após breve passagem do artista como integrante da formação original do Fundo de Quintal, com o qual o artista gravara o primeiro álbum do grupo, Samba é no Fundo de Quintal (1980). A saída de Aragão do grupo, em 1981, transcorreu sem mágoas. Tanto que Aragão continuou contribuindo para o repertório do grupo e quase sempre incluiu músicas de integrantes do Fundo de Quintal na própria discografia solo. Essa obra solo ganhou alguma visibilidade em 1986 com a contratação do cantor pela RGE – gravadora que investia no pagode, lançando discos de Almir Guineto (1946 – 2017), Jovelina Pérola Negra (1944 – 1998) e Zeca Pagodinho – e a consequente edição do terceiro álbum solo de Aragão, batizado com o nome do samba Coisa de pele (Jorge Aragão e Acyr Marques, 1986), espécie de hino dos pagodes cariocas, gravado por Beth Carvalho naquele mesmo ano. Contudo, tal impulso manteve inalterada a cotação de Aragão no mercado de shows quando o cantor lançou o álbum A seu favor, produzido por Milton Manhães, arranjado por Ivan Paulo e editado dois anos após Raiz e flor (1998) com capa que expôs Aragão em foto de Alexandre Souza Lima. Com o lado A do LP dominado por sambas dolentes, o álbum A seu favor apresentou duas joias do gênero que, com o decorrer dos anos, virariam standards do repertório de Aragão. Minha meu sonho era da própria lavra do sambista poeta. Já Papel de pão, samba sobre desilusão amorosa, veio assinado por Cristiano Fagundes e abriu o álbum A seu favor com boa dose de beleza. Samba do mesmo alto quilate e da mesma linhagem melódica, Deixa estar trouxe a assinatura de Cleber Augusto, então integrante do Fundo de Quintal, grupo que regravaria a composição em 1999. Contudo, a pérola mais reluzente lustrada pelo artista no álbum A seu favor foi o samba melancólico Reflexão, parceria de Aragão com o bamba Luiz Carlos da Vila (1949 – 2008), mal lançada pela dupla Antonio Carlos & Jocafi em disco de 1984 e, com exceção de Aragão, inexplicavelmente nunca mais gravada por outro intérprete desde então. Obra-prima, Reflexão já valeu por si só este disco de 1990 em que, nas rimas do partido alto Tem que tocar (Arlindo Cruz, Franco e Marquinho PQD), Aragão mandou recado cifrado para as emissoras de rádio FMs refratárias ao samba e a outros ritmos do Brasil. Intérprete de assinatura vocal singular, Aragão surpreendeu na abertura do lado B do LP A seu favor ao fazer bela canção do compositor Taiguara (1945 – 1996), Viagem (1970), soar como típico samba dolente do próprio Aragão. Em outra incursão por repertório alheio, o cantor deu voz tristonha a uma canção então inédita de Altay Veloso, Personagem, música apresentada por Aragão com excesso de teclados no arranjo e nunca mais gravada desde então. Também nunca mais alvo de outro registro fonográfico, o samba Missão de mim veio com as assinaturas de Aragão e Zeca Pagodinho, mas sem o brilho de outras criações dos compositores parceiros, como Voo de paz (1986) e, sobretudo, o sacolejante samba Não sou mais disso (1996). Sozinho, sem parceiros, o artista apresentou nesse disco de 1990 o lento samba-título A seu favor e Você sabe bem, samba mais sincopado. Você sabe bem foi alocado no fecho de álbum que, 30 anos o lançamento, figura como exemplo preciso da poesia romântica do samba geralmente triste do bamba carioca Jorge Aragão da Cruz, mestre na composição de obra perene. Uma arte popular extraída do chão do Brasil.
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Lives de hoje: Emicida, Supla, João Bosco & Vinícius e mais shows para ver em casa
Nesta quinta-feira (28) também tem Thaíde e festival americano Noisey Night In com Phoebe Bridgers, Finneas, Claud, Alex Lahey, Beach Bunny e Faye Webster; veja lista e como assistir. Emicida, Supla e João Bosco e Vinícius fazem lives nesta quinta-feira (28) Divulgação Emicida, Supla e João Bosco & Vinícius são os destaques entre as lives desta quinta-feira (28). Veja a lista completa com horários das lives abaixo. Emicida e Tulipa Ruiz (#HomeHourPoploadFestival) – 19h – Link Thaíde (Em Casa com Sesc) – 19h – Link João Bosco e Vinicius – 20h – Link Noisey Night In: Phoebe Bridgers, Finneas, Claud, Alex Lahey, Beach Bunny e Faye Webster – 21h – Link Supla (Cultura em Casa) – 21h30 – Link O debate sobre a bebedeira de sertanejos em lives
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De Travis Scott a Pabllo Vittar: Veja quem já fez shows em games e o que está marcado
Sem apresentações com público durante época de isolamento social, artistas têm participado de eventos em jogo online, como 'Fortnite' e 'Minecraft'. Semana Pop: Com games online, artistas fazem apresentações para driblar o isolamento Em época de isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus, cantores e bandas têm encontrado novas formas de levar suas obras ao público. Para quem sente falta da companhia de outros fãs durante um show, artistas como Travis Scott e Pabllo Vittar têm levado suas apresentações para ambientes virtuais como os dos games "Fortnite" e "Minecraft". Com a possibilidade de reunir milhares (e até milhões) de jogadores em seus mundos online, os jogos têm recebido eventos e festivais desde o fim de abril. Por isso, o G1 fez uma lista com os principais shows nos games até o momento — e com o que vem por aí. Veja abaixo: Travis Scott Há alguns anos, o game "Fortnite" se tornou um dos mais populares da indústria. No último dia 23 de abril, o jogo mostrou que podia ir além de tiros e roupinhas divertidas ao reunir mais de 12 milhões de jogadores para uma apresentação de 10 minutos do rapper Travis Scott. Somando o público dos quatro replays da apresentação, o show foi o maior evento na história do game. No total, foram quase 28 milhões de pessoas atraídas pela apresentação, que contou com uma versão digital gigantesca do cantor se teletransportando pela arena do jogo. A vantagem de fazer isso em um game é que, mais do que assistir à estreia da nova música do rapper, “The Scotts”, o público ali podia se sentir presente, interagindo com o ambiente e acompanhado de outras pessoas. Party Royale "Fortnite" já mostrou que não pretende parar em eventos individuais. No final de abril, o game lançou seu novo modo, Party Royale, que já contou com participações de DJs como Diplo, deadmau5 e Steve Aoki. Na novidade os jogadores não podem mais atirar uns nos outros como no Battle Royale clássico, que colocava até 100 pessoas competindo para ver quem seria o último sobrevivente. Em um ambiente um pouco menor, eles podem participar de pequenas brincadeiras, e até assistir a shows e trailers. As apresentações em um telão gigante com transmissão de imagens reais dos artistas não são tão elaboradas quanto o show de Travis Scott, mas a sensação de companhia ainda esta lá. Pabllo Vittar, Charlie XCX e Minecraft Pabllo Vittar canta no festival Aeth3r, organizado dentro do jogo 'Minecraft' Reprodução/Twitch/OpenPit "Minecraft", outro entre os games mais populares do mundo, também tem explorado as possibilidades de seu mundo virtual. A grande vantagem do jogo de construção vem exatamente de sua fundação, que dá aos jogadores a possibilidade de criarem seus próprios mundos. Com isso, organizadores de festivais têm a possibilidade de realizarem seus eventos com mais liberdade. No dia 8 de maio, o Aeth3r levou jogadores a um ambiente iluminado por um pôr do sol virtual com shows de artistas como Pussy Riot e encerramento de Pabllo Vittar. Mesmo com sua forma meio quadradona, ou paralelepipédica, a cantora brasileira pulou e dançou no palco. O evento foi organizado pela Open Pit, que também realizou outros eventos parecidos com nomes como Charli XCX. Block by Blockwest A liberdade proporcionada por "Minecraft" também tem seus desafios. No final de abril um dos primeiros festivais de música no game desta época de isolamento social, o Block by Blockwest prometia participação dos britânicos do Massive Attack além de uma longa lista. Com 100 mil pessoas presentes na primeira hora e três palcos diferentes, os servidores não aguentaram e evento foi adiado. O evento foi realizado dias depois, em 16 de maio, sem a presença da grande atração, mas com nomes como o do grupo Pussy Riot e outro menos conhecidos, como Grandson, Idles e The Wrecks. O festival, com diferentes palcos, contou com cerca de 5 mil jogadores presentes, e mais de 130 mil pessoas acompanhando a transmissão pelo Twitch e pelo YouTube. Haikaiss Grupo Haikaiss se apresenta no game "Avakin Life" Divulgação O grupo brasileiro de rap Haikaiss se apresentou no game "Avakin Life" no dia 15 de maio. Disponível por três dias, o show recebeu 2,5 milhões de visitas. No evento do jogo social de computadores e dispositivos móveis, o grupo cantou músicas como "Ma-Temática" e "Cinzeiro de Vidro". Vem por aí Entre os dias 25 e 28 de junho, o festival virtual Electric Blockaloo acontece no "Minecraft" com um line-up encabeçado por Diplo por ingressos que vão de 7 a 30 dólares. Além das mais de sessenta horas de música em 40 palcos diferentes, o evento ainda vai oferecer ao público a oportunidade de explorar uma reprodução da escritório da série "The Office".
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Lives perdem força: artistas voltam com audiência menor e indicam que pico da onda passou
Principais lives da última semana foram menos vistas que as transmissões anteriores dos mesmos artistas. Buscas também caem, mas ainda são bem maiores que antes da quarentena. Gusttavo Lima realiza live Reprodução/Gusttavo Lima O fenômeno das lives continua, mas em patamar menor do que há um mês. As principais transmissões do último final de semana tiveram menos audiência que as anteriores dos mesmos artistas. As buscas por lives também caíram. A "segunda rodada" perdeu da primeira. Gusttavo Lima, Simone & Simaria e Maiara & Maraisa foram destaques entre as lives de 23 a 25 de maio. Mas as quatro tiveram menos audiência no YouTube do que as que eles fizeram antes, em abril. Fonte: YouTube e assessoria dos artistas G1 As buscas no Google por essas quatro lives diminuíram em relação às anteriores. Também caiu o índice geral de busca pelo termo "live" no Brasil. As buscas sempre oscilam – são menores nos dias de semana e maiores no final de semana. O maior pico nas buscas gerais pelo termo "live" foi no dia 19 de abril. O patamar baixou, mas ainda está bem acima de antes do período de isolamento social. Os dados indicam uma onda menor, mas que não terminou. O número não é o total de buscas, mas um índice comparativo, em que 100 é o máximo atingido em 19 de abril Fonte: Google Trends Já os picos de busca por Gusttavo Lima são nas datas da segunda live dele, em 11 de abril, e desta mais recente, no dia 22 de maio (menor do que a anterior). O número não é o total de buscas, mas um índice comparativo Fonte: Google Trends Simone e Simaria fizeram uma live no dia 25 de abril e em 23 de maio. Também se nota a mesma queda no número de buscas na data desta mais recente em relação à de abril. O número não é o total de buscas, mas um índice comparativo Fonte: Google Trends 'Saturação' nos patrocínios Nos bastidores, também se comenta sobre uma "satruração" das novas rodadas de lives, que atraem menos patrocínios do que as primeiras. “Algumas já começaram a dar uma saturada. Às vezes o artista está na terceira live. O cara patrocinou as três, aí cai na redundância uma hora, e a galera vai tirando o pé”, disse ao G1 um produtor do mercado sertanejo, que pediu para não ser identificado. De qualquer forma, os valores ainda são significativos, mesmo que haja menos anunciantes. O produtor diz que às vezes só o valor pago por uma marca já é o mesmo que o artista cobraria por um show "físico". “Dependendo do artista, entra o valor de um show em uma marca. O artista às vezes ativa três, quatro, cinco marcas em uma live”, ele diz. Ou seja: mesmo se onda for menor, ainda é relevante e ainda vale a pena para os artistas.
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Felipe Araújo sincroniza edição de EP autoral com transmissão de live
Cantor lança o disco 'Eu e vocês' com música composta em memória do irmão Cristiano Araújo. ♪ Cada vez mais, artistas estão sincronizando a edição de discos com a transmissão de lives. Felipe Araújo segue a tendência e, ao fim de live programada para as 20h de sexta-feira, 29 de maio, o artista goiano lança o EP Eu e vocês, gravado com quatro inéditas músicas autorais, assinadas por Felipe em parceria com time diverso de compositores. Projeto fonográfico que antecede gravação audiovisual de show, planejada pelo artista para ser concretizada no fim deste ano de 2020, o disco Eu e vocês entra em rotação nas plataformas de áudio a partir do primeiro minuto de sábado, 30 de maio. Projetado há dois anos com o sucesso da música Atrasadinha (Wynnie Nogueira, Diego Barão e Léo Brandão, 2018), mix de pagode e sertanejo gravado em dueto com Ferrugem, Felipe Araújo dá voz no EP Eu e vocês às composições Conversa confidencial, Eu disfarço mal, Melhor amigo e Reincidente, faixa escolhida para promover o disco com clipe que também será lançado em 30 de maio. Faixa com gancho sentimental para promover o EP, Melhor amigo é música composta por Felipe em tributo ao irmão, Cristiano Araújo (1986 – 2015), cantor goiano que entristeceu o Brasil sertanejo ao sair precocemente de cena há cinco anos.
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‘Pesadão’ na faxina, ‘Love by grace’ para cortar cabelo… O que o Brasil está ouvindo em casa?
Playlists para atividades em casa crescem na quarentena. Spotify revela o que as pessoas ouvem, como trilha de cena de Carolina Dieckmann em 'Laços de família' para cortar cabelo; veja lista. Carolina Dieckmann em clássica cena cortando o cabelo ao som de "Love by grace", de Lara Fabian Divulgação / TV Globo As playlists temáticas para atividades em casa feitas por ouvintes brasileiros estão em alta, segundo o Spotify. Cresceu a criação de listas de músicas para fazer faxina, cozinhar e até cortar o cabelo. O levantamento do Spotify também mostra as músicas que crescem em cada tipo de playlist. É uma chance de descobrir: o que os brasileiros estão ouvindo durante as atividades doméstica na quarentena? A mudança era esperada. A audiência dos serviços de streaming caiu no início da quarentena. Um dos motivos apontados foi a diminuição do uso no transporte, em especial entre a casa e o trabalho. As playlists caseiras podem compensar essa queda. Veja as principais informações do levantamento, feito pelo Spotify entre 17 de abril e 17 de maio: Faxina: subiram 40% as playlists com temas de limpeza no Brasil – elas já são quase 1 milhão. Os hits na área são: "Pesadão", de Iza e Marcelo Falcão, "K.O", de Pabllo Vittar, "Vai malandra", de Anitta, "Atrasadinha", de Felipe Araújo e Ferrugem e "Cheia de manias", do Raça Negra. Cozinha: Cresceram 120% as playlists com tema "cozinhando". As músicas mais buscadas lá são "I say a little prayer", de Aretha Franklin, "La belle de jour", de Alceu Valença, "Andar com fé", de Gilberto Gil, "Tiro ao álvaro", de Adoniran Barbosa e "Tangerina", de Duda Beat e Tiago Iorc. Cabelos: Subiu 50% a criação de playlists com termos como "corte de cabelo" e relacionadas a tintura e cuidados capilares. Entre as faixas populares nestas listas estão "Love by grace", de Lara Fabian, "Dance Monkey", de Tones and I, e "Um girassol da cor do seu cabelo", de Lô Borges. Jardim: cresceu 430% a criação de playlists com temas para jardinagem. As principais músicas ouvidas: "Águas de março", com Tom Jobim e Elis Regina, "Enquanto houver sol", dos Titãs, "Anunciação", de Alceu Valença, e "Flor de Lis", de Djavan, segundo o Spotify. Iza e Falcão, intérpretes de 'Pesadão' Divulgação O clima dos ouvintes Outra plataforma de streaming que fez uma pesquisa para saber sobre a mudança de hábito na quarentena foi a Deezer. Foi um levantamento com 11 mil pessoas em todo o mundo. O foco era saber os sentimentos entre os ouvintes hoje. No Brasil, o principal foi ansiedade: mais 41% dos entrevistados dizem que este sentimento predomina. Mas o segundo é o otimismo, com índice de 18%. Mais da metade dos brasileiros (51%) dizem que estão ouvindo mais músicas do que antes do isolamento, segundo a Deezer. Quatro a cada cinco justificam que é para melhorar o humor. Um terço dos entrevistados no Brasil diz que ouve música para não se sentir sozinhos e enfrentar melhor a solidão. Semana Pop: Com games online, artistas fazem apresentações para driblar o isolamento
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Setor da música está preocupado e sem saber o que vai acontecer, diz Paula Lima sobre pandemia
Cantora fala sobre impacto da falta de shows para quem vive de música, critica falta de apoio do governo e explica iniciativa 'Juntos pela Música'. Ouça podcast com entrevista. "É uma reação que você vê o outro, você vê no olhar, você vê na palma, no grito, na alegria", lembra Paula Lima da energia de um show "normal" até o começo de 2020. As últimas apresentações da cantora paulistana foram no começo de mês de março e ela já sente falta dos palcos. "Quando eu vou ter meus músicos novamente no palco? Quando que eu vou poder cantar para as pessoas ali na minha frente da forma como eu estou acostumada, pelo menos?", se questiona Paula, ainda sem respostas. Ouça abaixo podcast com a entrevista. Muito mais que um desejo, voltar aos palcos é uma necessidade para Paula e para todos que trabalham com música ao vivo. Com agendas suspensas por tempo indeterminado por conta da pandemia do coronavírus, a renda de milhares de famílias está comprometida. "É um ponto de interrogação. O setor está realmente preocupado e sem saber exatamente o que vai acontecer", diz a cantora ao G1, por telefone. Ela também é diretora da União Brasileira de Compositores. UBC promove 24 horas de live com Maria Rita, Fernanda Takai e outros no sábado (30) A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (26) um projeto de lei que destina R$ 3 bilhões ao setor cultural durante a crise do coronavírus. O pagamento emergencial de três parcelas de R$ 600 aos profissionais informais do setor ainda depende da aprovação no Senado. Paula fala das iniciativas privadas, como o "Juntos pela Música" da UBC, do modelo de lives patrocinadas e critica a falta de ação do governo para o setor. G1 – Paula, me conta um pouco sobre o impacto do coronavírus para você, como cantora. Você tinha muitos shows marcados? Paula Lima – Eu tinha shows marcados sim. O impacto foi tremendo porque a gente se planeja para o trabalho durante o ano e obviamente tem a questão financeira, que é uma das principais. E tudo foi cancelado simplesmente. Foi um impacto tremendo para mim, para os músicos, para banda e para o setor inteiro assim. Não tem ninguém que eu converse que esteja pensando ou sentindo diferente. Sem contar que pegou todo mundo de surpresa. É uma coisa que ninguém imaginava e é um trabalho muito pontual e instável, principalmente para artistas alternativos. Então é um ponto de interrogação, o setor está realmente preocupado e sem saber exatamente o que vai acontecer. G1 – A sua renda ficou comprometida com a pandemia? Paula Lima – Com toda certeza. A minha renda, a dos meus músicos, da minha equipe, a renda dos meus colegas. Agora o que se busca são outros caminhos, patrocínios de marcas nas lives, por exemplo. Isso já vem acontecendo, mas ainda não é uma coisa formal, uma coisa que já faz parte do mercado. A gente nesse mundo se adapta às novas situações, então eu acho que vai mudar a forma de comunicação com o público, vai mudar a forma do encontro com os fãs, vai mudar a forma de apresentar um show. G1 – Como você vê a situação dos músicos? Paula Lima – A situação do músico é realmente seríssima, porque em geral os artistas são independentes e não são uma empresa. São trabalhos pontuais em que ele vai e faz um show, talvez até para vários artistas diferentes, só que ninguém está fazendo apresentações com frequência. Quando tem live são um ou dois músicos, quando são maiores quatro músicos, mas para quem tinha 15 no palco? Sinceramente eu acho que ainda é um ponto de interrogação assim. Os músicos e eu, por exemplo, não sei exatamente como vai ser. O que a gente tenta é justamente isso através dessas lives patrocinadas ter algum fundo que cada artista reserve para os seus músicos, mas enquanto isso não acontece, eu acho que fica praticamente impossível. Eles terão e estão procurando ações de outras empresas governamentais ou não. Toni Garrido sugere 10% da renda das lives para equipes técnicas: 'Galera está passando fome' G1 – E é complicado a conta fechar, porque até os grandes artistas que faziam muitos shows por mês, hoje fazem uma live no mesmo período. Paula Lima – Mesmo que o patrocínio seja as vezes maior do que o próprio cachê, ainda assim é um, né? Os caminhos que já apareceram são bem-vindos [as lives patrocinadas], mas eles ainda não cobrem esse prejuízo e a necessidade real. Até mesmo o apoio do governo de R$ 600. Um músico em geral ganhava isso por show, entende? Como que ele vai suprir as necessidades dele? Ganhava isso para mais, então é muito delicado. A área precisa de uma atenção maior, mas ao mesmo tempo o governo respira por aparelhos. É um país imenso com inúmeras dificuldades e um momento trágico que a gente precisa encontrar caminhos. Acho que os únicos por enquanto são de doações não governamentais de apoio a cultura e à arte. E obviamente um ministério da cultura que funcione, né? Por enquanto não existe esse apoio, não existe essa ação então estamos soltos à sorte. G1 – A União Brasileira dos Compositores tem uma iniciativa para ajudar aos compositores e intérpretes. Conta um pouco sobre isso. Paula Lima – Existe o fundo "Juntos Pela Música" para ajudar os compositores e intérpretes. É uma ajuda muito bem-vinda. Você entra na UBC, você se cadastra e existe uma comissão que avalia se você realmente está passando por necessidade. Quem é aprovado recebe 4 parcelas de R$ 400. Mas depois disso, como fica? Essa pandemia é uma coisa que a cada dia a gente tem uma notícia diferente, que geralmente não é boa. Esse fundo, por exemplo, provavelmente ele deve ser reavaliado e refeito. Tudo depende do que vai acontecer e o problema é que não existe uma forma de se planejar, sendo que o próprio vírus é uma coisa que a gente não sabe como ele caminha, como funciona, qual é o tempo de vida. Não tenho respostas certas para o incerto, mas o que espero é que essa pandemia passe o mais rápido possível, que as ações governamentais e não-governamentais realmente continuem funcionando e sejam eficazes. Paula Lima fez último show no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, no Parque Ibirapuera em São Paulo Divulgação G1 – Quais foram os últimos shows que você fez? Paula Lima – Eu fiz show dias 6, 7 e 8 de março. O último foi no Parque Ibirapuera em comemoração ao Dia das Mulheres. Depois do meu show, teve Claudia Leitte e outras cantoras, orquestra. Era um momento de muita felicidade para todas nós, embora tenha chovido muito. Ninguém imaginava que a gente chegaria a isso e mesmo quando rolou o aviso do isolamento, a gente acreditou nos 14 dias, né? Serão 14 dias e depois aos poucos a gente vai voltando. Não, é uma coisa que parece infinita e a gente não tem ideia de quando nem de como vai voltar. Eu já li pessoas dizendo que quando os shows voltarem só poderão ser em casas pequenas, com mesas afastadas no máximo para 50 pessoas. Mas como é que é isso? Todo mundo vai estar de máscara? Como as pessoas não vão se aproximar? Ninguém levanta para ir ao banheiro? Não sei! É uma coisa muito delicada. Eu rezo muito para que essa vacina chegue logo. G1 – Já deu saudade dos palcos neste dois meses? Paula Lima – Uma saudade imensa e um pesar imenso também pelo que a gente está vivendo. Eu já sinto, obviamente, falta do palco, das pessoas. Sinto uma dor por não saber quando eu vou reencontrá-las novamente, sabe? Quando que aquele realidade que eu estou acostumada, e que, se Deus quiser, ela voltará, quando que ela vai acontecer novamente. Quando eu vou ter meus músicos novamente no palco? Quando que eu vou poder cantar para as pessoas ali na minha frente da forma como eu estou acostumada pelo menos? É uma forma muito mais quente, mais calorosa, mais direta. É uma reação que você vê o outro, você vê no olhar, você vê na palma, no grito, na alegria. O pós-show onde você recebe as pessoas e pode abraçar! Olha que coisa louca pensando hoje em dia. As pessoas abraçam, contam uma história, falam perto de você, você pega na mão delas. Nada disso pode acontecer agora pelo menos, então é tudo muito estranho. Paula Lima durante entrevista ao jornal local de Porto Alegre em 2017
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Vanguart lança single com música inédita encontrada nas sessões de gravação de álbum de 2013
Capa do single 'Encontro adiado', da banda Vanguart Caroline Bittencourt ♪ A banda mato-grossense Vanguart lança na sexta-feira, 29 de maio, single com música inédita, Encontro adiado. Embora até então inédita em disco, a composição é antiga e tem pelo menos sete anos, embora o título Encontro adiado faça supor se tratar de música sobre o isolamento social. Encontro adiado é música que sobrou das sessões de gravação do disco Muito mais que o amor, terceiro álbum do grupo de folk-rock liderado pelo vocalista e compositor Helio Flanders. Lançado em agosto de 2013, o álbum Muito mais que o amor foi produzido pelos integrantes do Vanguart com Rafael Ramos e apresentou onze músicas inéditas no repertório autoral, a maioria de autoria de Flanders, parceiro do baixista Reginaldo Lincoln na criação de Encontro adiado. Encontro adiado poderia ter sido 12ª música do álbum se não tivesse sido excluída da seleção final do repertório. “Nos emocionamos muito ao reencontrá-la, primeiramente pelo título, que cabe tão bem nesse momento em que ansiamos tanto um abraço daqueles que amamos, mas principalmente porque ela lembra uma época feliz onde éramos muito livres e jovens, e serve para pensar que logo logo estaremos livres e jovens de novo”, celebrou Helio Flanders ao anunciar a edição do single do Vanguart em rede social. O single Encontro adiado chega ao mercado fonográfico com capa que expõe foto de Caroline Bittencourt.
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Larry Kramer, autor e dramaturgo conhecido por ativismo contra Aids, morre aos 84 anos
Amigo e agente literário de Kramer afirmou que morte de autor não está relacionada à pandemia de Covid-19. Larry Kramer em seu apartamento, em Nova York, em junho de 2019 REUTERS/Lucas Jackson Larry Kramer, autor, dramaturgo e produtor de cinema que ajudou a moldar a política de saúde dos Estados Unidos com sua defesa de uma resposta nacional à Aids quando ela surgiu na década de 1980, morreu nesta quarta-feira (27), aos 84 anos. Kramer, que foi co-fundador do movimento ACT UP que transformou a Aids em um assunto nacional, morreu de pneumonia após sofrer doenças por grande parte de sua vida, incluindo uma batalha contra a imunodeficiência, disse seu amigo próximo Will Schwalbe por telefone. Schwalbe, que também atuou como agente literário de Kramer, afirmou que a morte de seu amigo em um hospital de Nova York não estava relacionada à pandemia de Covid-19. Kramer, cujas obras incluem a premiada peça de 1985 "The Normal Heart", estabeleceu-se como um feroz defensor dos direitos LGBTQ, num momento em que a comunidade gay, incluindo muitos de seus amigos, era afetada pela Aids. Ele foi co-fundador da organização GMHC (Gay Men Health Crisis) em 1981 para ajudar as vítimas da Aids antes de co-fundar a mais militante ACT UP, em 1987. "O ativismo de Larry Kramer foi além das fronteiras do país", disse o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, o Unaids, em comunicado. "Sua contribuição para a resposta global à Aids foi inestimável." Initial plugin text Laurence David Kramer nasceu em 25 de junho de 1935, em Bridgeport, Connecticut. Depois de se formar na Universidade de Yale em 1957, serviu no Exército, trabalhou na Agência William Morris e mais tarde na Columbia Pictures. Ele se casou com o arquiteto David Webster, seu parceiro de longa data, em 2013.
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Camila Cabello exibe primeira edição de miniconcerto virtual
'É difícil cantar e dançar com o público quando o público não está realmente ali', brincou a cantora ao longo do show on-line. Camila Cabello Reprodução/YouTube Camila Cabello exibiu o primeiro miniconcerto virtual durante a quarentena. Na última semana, a cantora anunciou que faria duas noites de pequenos shows mostrando um pouco de sua jornada musical. Na primeira apresentação, realizada na noite desta quarta-feira (27), Camila começou declarando seu amor aos fãs e dizendo que sentia muita falta do público. Ao longo de pouco mais de 17 minutos, Camila cantou "Never Be the Same", "Dream of you", "Should've Said It" e "Havana". "Uma coisa sobre os concertos virtuais é que é bem difícil cantar e dançar com o público quando o público não está realmente ali. Então, se você está em casa, toque minha mão agora. Amo vocês", afirmou a cantora na metade do show. Ao final, Camila disse que se divertiu muito e convocou os fãs para a segunda noite de miniconcerto, que acontece em 6 de junho. "Voltem para a segunda noite. Se mantenham a salvo e cuidem-se nesses tempos difíceis." As cenas de 'lives' da quarentena que já estão na história do entretenimento brasileiro
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