‘A Vida Invisível’ vence prêmio de público no Festival de Cinema do Panamá
Filme de Karim Aïnouz foi o mais votado pelo público do festival, que devido à pandemia, assistiu às projeções através de uma plataforma online. Cena do filme A Vida Invisível Divulgação O longa-metragem "A Vida Invisível", do brasileiro Karim Aïnouz, venceu o prêmio de público da 9ª edição do Festival Internacional de Cinema do Panamá, realizado virtualmente devido à pandemia do novo coronavírus. O filme de Aïnouz foi o mais votado pelo público, que teve que assistir às projeções através de uma plataforma online, anunciou a organização do festival pelo Twitter. Initial plugin text A fita, uma produção de 2019 entre o Brasil e a Alemanha, conta a história de duas irmãs que tentam se encontrar após sua separação no Brasil dos anos 1950. A obra, protagonizada por Carol Duarte e Julia Stockler, ganhou em 2019 um dos prêmios de melhor filme do Festival de Cannes. A mostra original com público e salas estava prevista de 26 de março a 1º de abril, mas foi cancelada devido às medidas decretadas para conter a pandemia. O festival foi, então, celebrado virtualmente entre 22 e 26 de maio, com 13 produções de 16 países. "A resposta do público foi muito boa se levarmos em conta os momentos que vivemos. Mas conseguimos, as pessoas responderam solidariamente porque sentia falta do seu festival", disse à AFP a diretora do evento, Pituka Ortega. Na organização do festival havia temor da resposta do público, dada a enorme oferta das plataformas digitais para assistir a filmes nos últimos dois meses. "Nossa aposta era que trazíamos um cinema fresco, novo, que a maioria das pessoas não pudessem ver em outras plataformas, pelo menos na região centro-americana", disse Ortega. Além de "A Vida Invisível", participaram do festival "Sorry We Missed You", do inglês Ken Loach; "Araña", do chileno Andrés Wood; "Así habló el cambista", do uruguaio Federico Veiroj; e a produção coletiva centro-americana "Días de Luz", entre outros. Karim Aïnouz e elenco falam sobre 'A vida invisível'
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Antes de reabrir, teatro em Berlim arranca cadeiras para manter distanciamento na plateia
Restaram 200 dos 700 lugares do teatro da famosa companhia Berliner Ensemble. Instituição voltará a funcionar em setembro. Plateia do teatro da companhia Berliner Ensemble, em Berlim, com cadeiras separadas para manter distanciamento social Britta Pedersen/dpa-Zentralbild/dpa Picture-Alliance via AFP Antes de reabrir, em setembro, o teatro da famosa companhia de teatro Berliner Ensemble, em Berlim, mudou a configuração de suas cadeiras para manter o distanciamento social na plateia. Vários assentos foram arrancados para aumentar o espaço entre os espectadores e evitar o contágio do coronavírus. Sobraram 200 dos 700 lugares habituais. Teatro de Berlim, na Alemanha, reconfigura assentos respeitando o distanciamento social O diretor artístico do teatro, Oliver Reese, definiu o arranjo temporário de cadeiras como uma “solução criativa” para manter a segurança do público em tempos de pandemia. "Não é apenas nossa principal missão e obrigação como teatro público, mas também nosso desejo sincero de voltar ao palco", escreveu em um email enviado à imprensa. “Todos ansiamos pela normalidade. Mas tenho certeza absoluta de que nosso teatro funcionará com a mesma energia para 200 pessoas." O teatro foi construído em 1892 e abriga a companhia de teatro do dramaturgo Bertolt Brecht (1898-1956) desde 1954. Plateia do teatro da companhia Berliner Ensemble, em Berlim, com cadeiras separadas para manter distanciamento social Britta Pedersen/dpa-Zentralbild/dpa Picture-Alliance via AFP Plateia do teatro da companhia Berliner Ensemble, em Berlim, com cadeiras separadas para manter distanciamento social Britta Pedersen/dpa-Zentralbild/dpa Picture-Alliance via AFP Plateia do teatro da companhia Berliner Ensemble, em Berlim, com cadeiras separadas para manter distanciamento social Britta Pedersen/dpa-Zentralbild/dpa Picture-Alliance via AFP
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Péricles posta foto em casa após internação para tratar infecção urinária: ‘Bem e recuperado’
Cantor estava no hospital desde segunda-feira (18). 'Agora é ficar quietinho no aconchego do meu lar ao lado da minha família', escreveu em post. Péricles posta foto com a mulher Lidiane Faria em casa, após internação para tratar de infecção urinária Reprodução/Instagram/Pericles Depois de passar a última semana no hospital, Péricles está recuperado e em casa. O cantor foi internado na segunda-feira (18) para tratar de uma infecção urinária. "Tô na área meu povo!!! Graças a Deus estou em casa, bem e recuperado", escreveu Péricles em post no Instagram nesta terça-feira (26). "Aproveito para agradecer a todos pelas orações e mensagens de carinho. Agora é ficar quietinho no aconchego do meu lar ao lado da minha família.Tamo junto", continuou. Assim como outros artistas, Péricles tem feito lives durante a quarentena com o show Pagode do Periclão. A última transmissão antes de ser internado foi no sábado (16). LEIA MAIS: Lives de pagode superam funk e pop com foco na nostalgia e fazem disparar audiência dos artistas O debate sobre a bebedeira de sertanejos em lives
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‘Labirinto, a Magia do Tempo’ vai ganhar continuação com diretor de ‘Doutor Estranho’
Scott Derrickson assume sequência de produção de 1986 após deixar filmes do herói da Marvel. David Bowie em "Labirinto – A magia do tempo" Divulgação Scott Derrickson ("Doutor Estranho") vai dirigir uma continuação de "Labirinto, a Magia do Tempo" (1986). Ele assume a produção depois de deixar o comando de "Doctor Strange in the Multiverse of Madness", sequência do filme sobre o herói da Marvel, por diferenças criativas. A notícia foi divulgada pelo site Deadline nesta terça-feira (26), e confirmada pelo diretor em seu perfil no Twitter. No filme de 1986, estrelado por David Bowie (1947-2016) e Jennifer Connelly, uma jovem deve decifrar um labirinto para encontrar seu irmão bebê, sequestrado pelo rei dos goblins. Ainda não há previsão de estreia para a continuação.
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Câmara aprova projeto que destina R$ 3 bi ao setor cultural durante a crise do coronavírus
Entre outras medidas, texto prevê o pagamento emergencial de três parcelas de R$ 600 aos profissionais informais do setor. Proposta segue para o Senado. A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (26) um projeto de lei que repassa R$ 3 bilhões da União para ações emergenciais destinadas ao setor cultural durante a pandemia do novo coronavírus, como o pagamento de uma renda emergencial de R$ 600 aos profissionais informais da área. O texto segue agora para o Senado.
O setor emprega mais de 5 milhões de pessoas. De acordo com o projeto, o dinheiro deverá ser usado por estados, Distrito Federal e municípios para implementar políticas para o setor, incluindo:
pagamento de três parcelas de R$ 600 aos trabalhadores do setor, entre eles artistas, produtores, técnicos, curadores, oficineiros e professores de escolas de arte;
destinação de subsídios mensais (no valor mínimo de R$ 3 mil e máximo de R$ 10 mil) para manutenção de espaços artísticos e culturais e de micro e pequenas empresas culturais que tiveram as suas atividades interrompidas em razão das medidas de distanciamento social;
realização de atividades artísticas e culturais que possam ser transmitidas pela internet ou por redes sociais.
Relatora do projeto de lei, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) propôs, em discurso no plenário, que a lei fosse batizada de "Lei Aldir Blanc", em homenagem ao compositor, que morreu vítima do novo coronavírus.
"Esta lei foi apelidada por todo o Brasil de Lei de Emergência Cultural. Muitos artistas faleceram neste período da pandemia como Dona Neném da Portela, Rubem Fonseca, Flávio Migliaccio, Moraes Moreira, mas um deles deve dar nome a esta lei pela obra que deixa ao Brasil e por ter sido vitimado pela covid-19, e tenho certeza honrará muito a todas e todos nós. Por isto, quero propor ao Parlamento e à sociedade que chamemos esta lei de Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc", disse Jandira Feghali. Parlamentares de PT, PDT, PSB e PSOL endossaram a iniciativa da deputada.
Critérios
Pelo projeto, a divisão dos R$ 3 bilhões obedecerá aos seguintes critérios:
50% para os estados e o Distrito Federal, sendo 20% de acordo com os critérios de rateio do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e 80% proporcionalmente à população;
50% aos municípios e ao Distrito Federal, sendo 20% de acordo com os critérios de rateio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e 80% de acordo com a população.
O repasse será em uma única parcela pela União e deverá ocorrer em até 15 dias após a publicação da lei.
O pagamento do benefício emergencial aos profissionais será concedido, retroativamente, desde 1º de junho deste ano.
O recebimento da renda emergencial será limitado a dois membros da mesma família.
A mulher que for mãe solteira e chefe de família terá direito a duas cotas da renda emergencial.
Caso o auxílio pago aos trabalhadores informais em geral venha ser prorrogado, o benefício destinado aos profissionais do setor cultural será estendido pelo mesmo período.
Apagão cultural por conta do coronavírus leva artistas a se apresentarem na internet
Exigências
Para ter direito ao auxílio emergencial, o profissional terá de comprovar:
atuação social ou profissional nas áreas artística e cultural nos 24 meses anteriores à lei. A comprovação poderá ser documental ou por autodeclaração;
não ter emprego formal ativo;
não ser titular de benefício previdenciário ou assistencial ou beneficiário do seguro-desemprego ou de programa de transferência de renda federal, ressalvado o Bolsa Família;
ter renda familiar mensal per capita de até meio salário-mínimo ou ter renda familiar mensal total de até três salários mínimos, o que for maior;
não ter recebido, no ano de 2018, rendimentos tributários acima de R$ 28.559,70;
inscrição e respectiva homologação em, pelo menos, um dos cadastros referentes a atividades culturais; e
não ser beneficiário do auxílio emergencial do governo pago aos trabalhadores informais.
Linhas de crédito
O projeto prevê ainda que bancos federais podem disponibilizar linhas de crédito e condições para renegociação de débitos a trabalhadores do setor cultural ou a micro e pequenas empresas.
As linhas de crédito serão destinadas a fomento de atividades e aquisição de equipamentos. O pagamento dos débitos só será feito a partir de 180 dias após o fim do estado de calamidade pública e deve ser feito mensalmente, em até 36 meses.
Para empregadores, tanto a linha de crédito como as condições para renegociação de dívidas serão concedidas diante do compromisso de manutenção do número de empregos observados no dia 20 de março de 2020.
Transmissões pela internet
O texto determina que, enquanto durar o estado de calamidade pública, os recursos de programas federais de apoio ao audiovisual e demais ações para a cultura devem priorizar o fomento de atividades que possam ser transmitidas pela internet ou disponibilizadas em redes sociais.
Outra alternativa é adiantar os recursos mesmo que as atividades só possam ocorrer após o fim da calamidade.
Além disso, o projeto prorroga por um ano o prazo para aplicação de recursos em projetos culturais já aprovados e estabelecidos em algumas leis, como o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), o Plano Nacional de Cultura (PNC) e o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).
Arte e cultura durante a pandemia
Orçamento
O projeto prevê que, se a lei for aprovada, serão usados recursos de dotações orçamentárias da União, do superávit do Fundo Nacional de Cultura do ano passado e de outras fontes.
O líder do governo na Câmara, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), defendeu a aprovação do projeto e disse que conversou nesta terça-feira com o presidente Jair Bolsonaro e com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos sobre o tema.
"A aprovação desse projeto dessa maneira, com quase todo painel [da Câmara] apoiando, é o reconhecimento por parte também do governo federal de que a cultura é algo importantíssimo para o Brasil", disse.
Ainda de acordo com Vitor Hugo, houve um acordo na elaboração do texto para garantir a sanção presidencial ao projeto.
Desde o início do governo Bolsonaro, a secretaria de Cultura teve alta rotatividade em razão de polêmicas na pasta e em órgãos vinculados a ela.
Quarta secretária a assumir, Regina Duarte teve sua saída anunciada na última quarta-feira (20) depois de ter ter sofrido resistência da ala ideológica do governo.
Regina Duarte deixa Secretaria de Cultura menos de três meses no cargo
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Atriz Aracy Balabanian é internada em hospital da Zona Sul do Rio com falta de ar
Ela realizou o teste para Covid-19, mas ainda não há confirmação do resultado. A atriz está no Centro de Terapia Intensiva (CTI) da Casa de Saúde São José, no Humaitá. Aracy Balabanian reprodução GloboNews A atriz Aracy Balabanian, de 80 anos, foi internada na noite desta segunda-feira (25) no Centro de Terapia Intensiva (CTI) da Casa de Saúde São José, no Humaitá, na Zona Sul do Rio. De acordo com o hospital, ela deu entrada na unidade com uma crise de insuficiência respiratória. Aracy chegou a ser testada para Covid-19, mas até a publicação dessa matéria não havia resultado do exame. A equipe médica informou que o estado de saúde da atriz inspira cuidados. Ela está passando por uma série de exames, segundo a Casa de Saúde São José.
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Richard Herd, ator de ‘Seinfeld’ e de ‘Corra!’, morre aos 87 anos
Americano estava em sua casa em Los Angeles e enfrentava um câncer. Richard Herd em cena de 'Corra!' Divulgação O ator Richard Herd, conhecido por participações na série "Seinfeld" e no filme "Corra!" (2017), morreu nesta terça-feira (26) aos 87 anos de idade por complicações causadas por um câncer. Segundo o site da revista "Variety", ele estava em sua casa, em Los Angeles. O americano começou sua carreira como ator no teatro em Nova York. No cinema, o primeiro trabalho foi em "Hercules in New York" (1970), com Arnold Schwarzenegger. Depois de papéis em diversas séries, como diferentes versões de "Star Trek", Herd ficou conhecido por seu trabalho em "Seinfeld" como um executivo dos New York Yankees. Recentemente, continuou com interpretações na TV e no cinema. Além do terror de Jordan Peele, um de seus últimos trabalhos foi no filme "A mula" (2018), de Clint Eastwood.
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Cirque du Soleil ganha auxílio de US$ 200 milhões do governo canadense
Grupo de enretenimento fundado no Canadá, que está com atividades paradas devido à pandemia do novo coronavírus, vai ganhar auxílio do governo canadense para tentar evitar sua falência. Espetáculo "Ovo" da companhia canadense Cirque du Soleil Cirque du Soleil/Divulgação O Cirque du Soleil, cujo picadeiro está vazio devido à pandemia do coronavírus, irá receber 200 milhões de dólares em auxílio da província canadense de Quebec, anunciou uma autoridade nesta terça-feira, como parte das iniciativas para ressuscitar o grupo internacional de entretenimento. O Ministro da Economia de Quebec, Pierre Fitzgibbon, afirmou que a província tem um acordo em para comprar uma participação majoritária do Cirque du Soleil, que tem base em Montreal, caso os acionistas TPG e o conglomerado chinês Fosun International decidam se retirar. O grupo, que está altamente endividado, estava cogitando pedir proteção à falência em março e demitiu a maioria de seus funcionários após o distanciamento social imposto pela pandemia de coronavírus forçar o cancelamento de vários shows. "O acordo é que quando os acionistas, o parceiro chinês Fosun e o TPG quiserevem vender, queremos a opção de compra", disse Fitzgibbon a jornalistas em Quebec City. "É claro que nesse momento encontraremos alguém para administrá-lo. Não é a intenção do Ministro da Economia administrar o Cirque du Soleil, posso garantir isso. Ao mesmo tempo, eu quero controle sobre quem vai comprar. Pois se não tivermos essa cláusula, TPG ou quem for pode vender o circo para qualquer um". No domingo, o fundador do Cirque du Solei, Guy Laliberté, disse a uma emissora que ele e um grupo de investidores querem comprar de volta a empresa circense. Mãe assiste pela primeira vez apresentação do filho no espetáculo do Cirque du Soleil
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Disney apresenta na quarta-feira (27) plano para reabertura de parques na Flórida
Reabertura deve acontecer em fases, mas plano precisa ser autorizado pelas autoridades locais. Entrada para carros do Walt Disney World, na Flórida John Raoux/AP Photo A Disney informou nesta terça-feira que apresentará na quarta-feira (27) sua proposta de reabertura em fases de seus parques temáticos em Orlando, Flórida, a uma força-tarefa local. A empresa fechou parques temáticos em todo o mundo em janeiro para ajudar a impedir a propagação do coronavírus. A companhia começou a reabrir seus parques no início do mês permitindo um número limitado de visitantes à Disneyland de Xangai, exigindo medidas de distanciamento social e outras garantias de segurança. O uso de máscara é obrigatório para visitantes, que precisam passar por medição de temperatura. Na quarta-feira um executivo da Disney vai detalhar os planos da empresa para a Walt Disney World em Orlando para a Força Tarefa de Recuperação Econômica do Condado de Orange. O condado precisa aprovar o plano da Disney antes de submetê-lo ao gabinete do governador, que também precisa sancioná-lo antes que os parques possam ser reabertos ao público. A Disney opera quatro parques temáticos no complexo Walt Disney World, que atraiu 157,3 milhões de visitantes em 2018, de acordo com a Associação de Entretenimento Temático, responsável por ranquear os parques temáticos mais visitados do mundo. Na semana passada, lojas e restaurantes da área de compras Disney Springs, nas imediações dos parques em Orlando, reabriram para os visitantes pela primeira vez desde março. O Sea World, da Sea World Entertainment, também apresentará um plano de reabertura à mesma força tarefa na quarta-feira, segundo nota do condado. Disney fecha parques por causa do coronavírus
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Discos para descobrir em casa – ‘Amigos novos e antigos’, Vanusa, 1975
Capa do álbum 'Amigos novos e antigos', de Vanusa Pintura de Tebaldo ♪ DISCOS PARA DESCOBRIR EM CASA – Amigos novos e antigos, Vanusa, 1975 ♪ Se a gente falasse menos na internet e ouvisse mais discos como Amigos novos e antigos, álbum lançado por Vanusa em 1975, talvez compreendesse mais a crueldade de ter transformado em piada essa cantora e compositora de origem paulista e criação mineira. Em setembro de 2009, um rolo compressor virtual passou sobre a trajetória de Vanusa Santos Flores quando caiu e se reproduziu na rede um vídeo em que a cantora se atrapalhava com os versos e o ritmo do Hino Nacional Brasileiro (Francisco Manuel da Silva, 1822, com letra de Osório Duque Estrada, 1909) em intervenção musical da artista em cerimônia realizada na Assembléia Legislativa de São Paulo em março daquele ano de 2009. Nascida em 1947, Vanusa já manifestou naquela atrapalhada apresentação sintomas dos problemas de saúde que, aos poucos, retirariam de cena essa cantora que despontara em 1967 no reino da Jovem Guarda. Após discos editados no fim dos anos 1960 com baladas e com rocks de aura psicodélica, a artista titubeou em álbum de 1971 e reencontrou o caminho do sucesso dois anos depois ao trocar a gravadora RCA pela Continental. Nessa companhia fonográfica, a cantora lançou em 1973 e 1974 dois álbuns intitulados Vanusa. O primeiro perpetuou a gravação de Manhãs de setembro, impetuosa canção de Vanusa e Mário Campanha que se tornaria o maior sucesso popular da artista, liderando as paradas de 1973. Já o disco de 1974 destacou a dramática canção Sonhos de um palhaço, grande criação de dois compositores, Antonio Marcos (1945 – 1992) e Sérgio Sá (1953 – 2017), que seriam fundamentais na trajetória profissional de Vanusa. Com o adendo de que a conexão com Antonio Marcos – companheiro da cantora desde 1972 – já tinha sido transposta há anos para a vida pessoal da artista quando, em 1975, Vanusa lançou o álbum Amigos novos e antigos, LP de capa dupla no qual tanto Antonio Marcos como Sérgio Sá estavam presentes na ficha técnica, tão luxuosa quanto a capa. Disco que marcou a volta de Vanusa para a RCA, gravadora na qual a cantora estreara em 1967, Amigos novos e antigos representou bela tentativa da artista de se aproximar do universo da MPB sem se afastar da canção de cepa mais popular. Esse movimento foi feito em grande estilo por Vanusa. Basta lembrar que a interiorizada música-título Amigos novos e antigos (1974) – lançada sem repercussão por Maria Alcina no ano anterior – era título do disputado cancioneiro de João Bosco e Aldir Blanc (1946 – 2020), dupla de compositores saudada desde 1972 com uma das sensações da MPB naquela década de 1970. Outra maravilha contemporânea da época era a obra de Luiz Melodia (1951 – 2017), de quem Vanusa lançou o samba Congênito em Amigos novos e antigos, disco produzido por Moracy do Val e Lincoln Olivetti (1954 – 2015) com arranjos distribuídos entre Chiquinho de Moraes, José Briamonte, Sérgio Sá e o próprio Lincoln. Nessa seara, Chiquinho de Moraes sobressaiu no disco com a orquestração lapidar da gravação original de Paralelas, música de Belchior (1946 – 2017), compositor cearense que alcançaria a consagração popular no ano seguinte com o álbum Alucinação (1976). Assim como Congênito, Paralelas foi música apresentada na voz afinada e potente de Vanusa, com a letra original, e não com a modificação feita por Belchior nos versos finais quando o disco da cantora já estava pronto. A bem da verdade, Erasmo Carlos também já tinha na manga em 1975 essa canção em que Belchior versou sobre a automação do Homem na selva urbana das cidades, mas o registro de Paralelas pelo Tremendão somente veio ao mundo no ano seguinte, no álbum Banda dos Contentes (1976). Na contramão do registro íntimo da canção por Belchior, apresentado pelo autor em disco de 1977, a interpretação exteriorizada de Paralelas por Vanusa foi fiel à natureza expansiva do canto da artista. Embora a intérprete tenha experimentado tons mais comedidos nesse disco de 1975 ao dar voz às canções Moleque (creditada a um compositor apresentado somente como Daniel na ficha técnica) e Cinema mudo (do então novato Carlinhos Vergueiro), faixa que evidenciou o tom orquestral dos arranjos do álbum Amigos novos e antigos, Vanusa cantava habitualmente para fora. Foi nesse tom assertivo que a artista apresentou Rotina, canção composta pela própria Vanusa com Mário Campanha – parceiro da artista na criação do megahit Manhãs de setembro – com a veia feminista que iria pulsar com força ainda maior no repertório da artista em discos do fim dos anos 1970. “Meu caminho é sempre ter que me procurar”, concluiu a artista ao fim da letra de Espelho, canção autoral feita com Sérgio Sá em que Vanusa encarou o reflexo de uma mulher de então 28 anos que já acumulava perdas e ganhos na bagagem existencial e musical. Empoderada desde a década de 1960, Vanusa se aproximou da MPB no álbum Amigos novos e antigos sem anular a personalidade musical que vinha construindo desde o início dos anos 1970 após o fim da Jovem Guarda. Inusitada parceria de Raimundo Fagner com Antonio Marcos, Coração americano simbolizou essa ponte e bateu no disco com latinidade sul-americana que se se entranhava pela MPB sobretudo através da obra de Milton Nascimento. Não por acaso, na disposição das 12 faixas do álbum, a música Coração americano foi alocada ao lado da regravação de Outubro (1967), uma das parcerias seminais de Milton Nascimento com o poeta letrista Fernando Brant (1946 – 2015). Entre canções esquecidas como Amor desempregado (Antonio Marcos, Mario Marcos e Lincoln Olivetti) e Vinho rosé da rainha sem rei (Gabino Correa e Vanusa), o álbum Amigos novos e antigos guardou pérolas raras da MPB como Muros de alecrim (César Costa Filho e Jésus Rocha), uma das inspiradas composições do repertório deste álbum que permaneceu como o melhor disco de Vanusa. A cantora daria prosseguimento ao mergulho na MPB no álbum seguinte, 30 anos (1977), disco menos imponente no qual lançou Avohai (Zé Ramaho), mas acabou voltando para uma linha de canção mais popular a partir do álbum Viva Vanusa (1979). Até ser progressivamente jogada à margem do mercado fonográfico a partir dos anos 1980 – década cruel para cantores que não se enquadraram na linha tecnopop da música brasileira de então – e bem mais tarde, já nos anos 2010, resgatada por Zeca Baleiro, arquiteto do último álbum da artista, Vanusa Santos Flores (2015). Com capa que expôs a cantora em óleo pintado por Tebaldo, o álbum Amigos novos e antigos ficou para a posteridade como momento áureo dessa trajetória e, em 2020, 45 anos após o lançamento, resiste como a amostra mais consistente do outrora ardente talento vocal de Vanusa Santos Flores, cantora para ser levada a sério pela história que construiu na música brasileira.
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