APLICATIVO DÁ ACESSO GRATUITO A 200 LIVROS DA LITERATURA UNIVERSAL
O programa Curitiba Lê, desenvolvido pela Fundação Cultural de Curitiba para incentivar a leitura, está completando dez anos de atividades e, para comemorar, lança a sua plataforma digital. O programa está integrado ao Curitiba App, disponível gratuitamente em smartphones e tablets, e oferece a todos o acesso fácil a obras literárias de autores de Curitiba e a mais de 200 livros de domínio público da literatura universal.
O projeto foi desenvolvido numa parceria da Fundação Cultural e do Instituto Curitiba de Arte e Cultura (Icac) com a Agência Curitiba de Desenvolvimento. Para acessar o app do Curitiba Lê, os leitores devem baixar o aplicativo Curitiba APP na App Store para iPhone e iPad, e no Google Play para os aparelhos com plataforma Android.
O prefeito Rafael Greca anunciou a novidade no último sábado (23/5), em sua página no Facebook. “Estamos agregando aos telefones móveis, ao seu celular, a possibilidade de ter uma biblioteca inteira na palma da mão. É o projeto Curitiba Lê App, uma expressão da Prefeitura em favor da cultura universal, nacional e local. Acesse o Curitiba APP e baixe um livro do seu gosto para a sua leitura”, conclamou o prefeito.
Estante Curitiba
Além das mais de 200 obras da literatura brasileira e universal, estão disponíveis inicialmente dez títulos de autores contemporâneos de Curitiba, cujos direitos autorais foram adquiridos para publicação no app pelo período de um ano. Agrupados na pasta denominada “Estante Curitiba”, esses livros só poderão ser lidos no próprio aplicativo, sem possibilidade de baixar ou compartilhar.
São eles: Cristóvão Tezza (Ensaio da paixão – romance), Roberto Gomes (A dança do ventre – contos), Flávio de Souza (A mãe da menina e a menina da mãe – infantil), Helena Kolody (Infinita Poesia – poesia), José Carlos Fernandes (Na Brasílio com a Ângelo – crônicas), Márcio Renato dos Santos (A cor do presente – contos), Márcia Széliga (No trilho do trem – infantil), Liana Leão (Shakespeare, sua época e sua obra – crítica teatral), Key Imaguire Júnior (Vida urbana – ensaio) e Paulo Venturelli (Meu pai – romance).
“O Curitiba Lê App é mais uma ferramenta que irá possibilitar o desenvolvimento do intelecto, da imaginação e da aquisição de conhecimentos”, destaca a presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Ana Cristina de Castro. Para ela, outro grande diferencial do aplicativo é a abertura de espaço para os escritores locais. “Nesse momento de grandes dificuldades econômicas, decorrente da pandemia do novo coronavírus, a compra dos direitos autorais também constitui mais um importante apoio aos artistas da cidade”, diz a presidente da FCC.
Acesso livre
Dezenas de outras obras de domínio público estarão disponíveis. Alguns destaques são os livros requisitados pelo vestibular da Universidade Federal do Paraná: O Uraguai, de Basílio da Gama; Clara dos Anjos, de Lima Barreto; Últimos Cantos, de Gonçalves Dias, e Casa de Pensão, de Aluízio de Azevedo.
Clássicos da literatura universal, como A Divina Comédia, de Dante Alighieri, e Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, também estarão no aplicativo. No caso de todas as obras de domínio público, os leitores poderão fazer download gratuito e acessar em seus aparelhos de celular ou tablet a qualquer momento.
“O consumo de conteúdo online aumenta a cada dia e o comportamento digital faz com que as pessoas alternem entre o online e o offline sem nem mesmo perceber”, observa a presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento, Ana Cristina Alessi. “Nesse sentido, a Prefeitura de Curitiba tem um papel importante de promover cada vez mais conteúdos de qualidade em meios digitais e incentivar a boa leitura é fundamental. Esse também é o papel do Vale do Pinhão: fazer da inovação um processo social e cultural na nossa cidade”, afirma Cris Alessi.
Oportunidade
A proposta foi enaltecida pelos escritores que estreiam suas obras no Curitiba App. “Muito boa a iniciativa em disponibilizar obras literárias gratuitas via aplicativo do programa Curitiba Lê. Especialmente durante a quarentena – mas que certamente deverá prosseguir depois como referência e porta de acesso à literatura”, destacou Cristóvão Tezza, que escolheu para o app o romance Ensaio da Paixão, obra lançada em 1986 e que está fora de catálogo. Portanto, o app oferece a oportunidade aos leitores de conhecer essa obra primorosa de um dos maiores escritores brasileiros da atualidade.
A escritora Márcia Széliga, que optou por disponibilizar uma de suas obras de literatura infanto-juvenil, participa com seu livro ilustrado No trilho do trem, disponibilizando às crianças e jovens a leitura com imagens, levando a eles todo encantamento de cores e traços, aliados da imaginação e criatividade.
“Penso ser maravilhosa a oportunidade de poder dispor no meio virtual nossos livros, facilitando o acesso a mais pessoas. As obras dos nossos autores ganham destaque e, assim, alçam voo no compartilhamento, cumprindo o importante papel da literatura para todas as idades e trazendo com isso a identidade e valorização de uma produção de qualidade em nosso estado”, declarou Márcia.
A escritora considera que esse é um importante passo para que o programa Curitiba Lê se torne uma tradição e faça de Curitiba mais um dos grandes centros urbanos com uma população leitora.
Alternativa
A presidente da FCC lembra que a iniciativa compõe o programa FCC Digital, que a Fundação Cultural lançou logo no início da quarentena para oferecer ao público alternativas de acesso aos bens culturais enquanto cumprem as medidas de isolamento social.
“Além do aplicativo que está sendo lançado, a Fundação Cultural abriu um edital para seleção de conteúdos audiovisuais e tem mobilizado as coordenações de todas as linguagens artísticas para que utilizem as plataformas digitais para as suas atividades que até então eram desenvolvidas presencialmente”, pontuou Ana Cristina.
Também será lançada em breve a página do Curitiba Lê no Facebook.
Fonte: Jornale
- Publicado em Cultura
COM ORÇAMENTOS REDUZIDOS A QUASE ZERO, MÚSICOS RECORREM A AUXÍLIO EMERGENCIAL E CAMPANHAS ONLINE
Desde o início da quarentena, milhares de artistas em todo o mundo têm feito lives em suas redes sociais para manter o contato com o público e facilitar a rotina de quem pode se manter em casa durante o período de isolamento social da pandemia. Mas a classe musical, que tira quase a totalidade de sua renda de shows, enfrenta uma grave crise com o fechamento indeterminado das casas de espetáculos. De um dia para o outro, os orçamentos dos músicos foram quase reduzidos a zero. Para aliviar a crise dessa e de outras classes artísticas, o Congresso vota hoje, 26, auxílio emergencial para trabalhadores da Cultura, que viram renda desaparecer.
É muito complicado. Estou vivendo do auxílio emergencial da Caixa (de R$ 600), que eu tive a sorte de pegar na primeira remessa – diz o cantor Nego Álvaro, integrante do Samba do Trabalhador.
De música, não tem nada entrando, a não ser de direito autoral, que é muito pouco. Quem não tem um trabalho de sucesso não vai receber dinheiro nenhum.
Com a suspensão da roda, o sambista viu sua principal fonte financeira desaparecer.
Meu orçamento caiu todo, não sobrou nada. O artista vive de show, venda de disco não dá mais dinheiro. A maioria das pessoas que conheço está passando pelo mesmo problema. Moro com minha mulher, e a bolsa de doutorado dela tem nos mantido. Mas tem gente em situação mais delicada. Chegamos a juntar cestas básicas para ajudar amigos. A classe artística está drasticamente prejudicada – desabafa.
Também expoente da nova geração do samba, João Martins tem apoiado sua mulher, Mariana, que é cozinheira, entregando refeições pelas adjacências do Catete, bairro onde mora.
Músico não tem poupança, renda fixa, não dá para fazer pé de meia. Peguei o auxílio de R$ 200 das arrecadadoras de direitos autorais, mais os R$ 600 da Caixa, mas essas ajudas já foram embora, já pingam secando. Estamos segurando as pontas. Temos duas filhas, com mensalidades de escola integrais, os gastos são enormes. Vamos na esperança de que vá melhorar – torce Martins.
Em ação conjunta, a União Brasileira de Compositores (UBC) e o Spotify lançaram o “Juntos pela música”, um fundo de socorro aos artistas da classe. A empresa de streaming entrou com R$ 500 mil – mesmo aporte da UBC, somando R$ 1 milhão – e promete igualar cada doação feita, dobrando o valor do que for arrecadado. Para receberem o apoio, os artistas precisam se cadastrar no site da UBC e ser associados da instituição há pelo menos um ano.
As doações são feitas em nosso site, é muito simples. Muitos compositores que dependem de músicas que tocam nos shows estão sem renda. Então, o prejuízo de direitos autorais é grande – avalia Marcelo Castello Branco, diretor-executivo da UBC.
Fonte: Revista PGN
- Publicado em Cultura
Elon Musk muda parte do nome do filho para se adequar a cartório
Bebê X Æ A-12 Musk agora terá Xii, no lugar do número 12. Isso porque Califórnia não aceita nomes que contenham algo além das letras do alfabeto inglês. Elon Musk postou foto do filho com a cantora Grimes Reprodução/Twitter Em mais um capítulo da polêmica em torno do nome do filho recém-nascido, Elon Musk agora diz que vai alterar uma parte da combinação para se adequar às regras de registro da Califórnia. Por isso, o bebê X Æ A-12 Musk passará a ser chamar X Æ A-Xii Musk. As letras Xii podem ser lidas como o numeral romano XII, que também representa o doze. Desta forma, o presidente da Tesla e a cantora Grimes poderão registrar o filho dentro das normas do estado, que permite apenas as letras do alfabeto inglês e veta números e símbolos. Musk não explicou se mudará o símbolo Æ para estar em conformidade com o cartório. O nome inusitado do bebê do bilionário foi divulgado no começo do mês, logo após o nascimento, e gerou diversas interpretações e memes. A mão Grimes chegou a postar o significado de cada parte e também tirou a dúvida de muitos seguidores: como, afinal, se pronuncia essa combinação. Segundo Grimes, o nome significa: X como a variável desconhecida (incógnita). Æ é AI, de inteligência artificial, em inglês, e que também pode ser interpretado como "amor". A-12 é o "precursor do SR-17 (nossa aeronave favorita)", disse Grimes, explicado que o avião não tinha armas, "apenas velocidade". Era "ótimo na batalha, mas não violento", completou. Musk a corrigiu, dizendo que a aeronave é SR-71, e não SR-17. Além disso, o A também representa a música "Archangel", "minha canção favorita", escreveu a mãe do bebê. Sobre a pronúncia, Grimes explicou que é falado o X, o A e o I. Algo como "Xai". Cantora Grimes explica pronúncia do nome X Æ A-12, de seu filho com o bilionário Elon Musk, dono da Tesla Reprodução/Instagram Initial plugin text "Acho que soa como o nome do protagonista de uma história", respondeu Grimes a um seguidor no Twitter que perguntou se ela sabia que se tratava de uma criança, e não de um EP (uma música). O primeiro filho de Musk com Grimes nasceu na última segunda (4). O fundador da montadora de carros elétricos Tesla já tem 5 filhos de outros relacionamentos. Grimes Divulgação Colecionador de polêmicas O nome do filho é apenas mais uma polêmica entre inúmeras de Musk no Twitter. O empresário tem feito uma série de postagens que chamaram a atenção nos últimos dias, incluindo uma em que fala em vender seus bens materiais e ficar sem ter nenhuma casa, e outra em que disse que o preço das ações da Tesla estava superestimado. Essa mensagem estimulou a venda dessas ações, aumentando ainda mais o valor de mercado da empresa, o que pode colocar o executivo de novo na mira do órgão regulador de mercado nos Estados Unidos. Em 2018, Musk já causou uma turbulência ao tuitar que estava considerando tirar a Tesla da bolsa, fazendo o valor das ações disparar, e depois voltou atrás na ideia. Por causa disso, ele foi acusado de fraude e teve de deixar a presidência do conselho da montadora de carros elétricos, além de pagar multa. O bilionário vive respondendo a seguidores e costuma discutir nas redes, como quando chamou de pedófilo um dos mergulhadores que ajudaram no resgate de meninos presos em uma caverna na Tailândia e acabou processado por calúnia, Neste caso, o júri decidiu a seu favor. Elon Musk deu resposta bizarra a seguidora que perguntou nome do filho recém-nascido dele. Reprodução/Twitter Initial plugin text
- Publicado em Cultura
MPF arquiva representações contra exibição do especial de Natal do Porta dos Fundos
Trama de 'A primeira tentação de Cristo' sugere que Jesus teve experiência homossexual. Para promotores, material se enquadra na liberdade de expressão dos autores e não constitui escárnio. Especial de Natal do Porta dos Fundos causou controvérsia ao retratar Jesus como homossexual Divulgação O Ministério Público Federal (MPF) arquivou quatro representações contra a exibição do vídeo "A primeira tentação de Cristo", da produtora Porta dos Fundos. O especial de Natal, exibido em dezembro de 2019 pela Netflix, causou reações em comunidades cristãs, que foram à Justiça pela proibição de exibição do material. A trama da produção sugere que Jesus Cristo teve uma experiência homossexual após passar 40 dias no deserto. A decisão do MPF foi antecipada pela coluna de Ancelmo Gois, em O Globo. Em voto que justifica o arquivamento, o subprocurador-geral da República Juliano Baiocchi Villa-Verde de Carvalho argumentou: "O vídeo em questão foi publicado por produtora de vídeos de comédia conhecida nacionalmente e apresenta sátiras de personagens bíblicos, o que se enquadra na liberdade de expressão de seus autores e atores, sendo que a mera intenção de caçoar (animus jocandi) exclui o elemento subjetivo do escárnio. Não verificação de vilipêndio de ato ou objeto de culto. Inexistência de elementos mínimos que justifiquem o prosseguimento da persecução penal". Briga judicial A exibição do especial "A primeira tentação de Cristo" provocou uma batalha judicial entre entidades cristãs que se sentiram ofendidas com o conteúdo do material e advogados da produtora Porta dos Fundos e da própria Netflix. No dia 8 de janeiro, a Justiça do Rio proibiu a exibição do vídeo. O desembargador Benedicto Abicair, da 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, acolheu, em decisão liminar, um pedido da associação católica Centro Dom Bosco de Fé e Cultura que, em primeira instância e durante o Plantão Judiciário, já havia sido negado. Na liminar, o desembargador afirmou que o direito à liberdade de expressão, imprensa e artística não é absoluto. E tratou a decisão como um recurso à cautela para acalmar os ânimos até que o mérito do caso fosse julgado Afirmou, ainda, que a suspensão é mais adequada e benéfica para a sociedade brasileira, de maioria cristã. Em uma primeira decisão, a Justiça havia negado o pedido de liminar. A juíza Adriana Jara Moura, da 16ª Vara Cível, afirmou que o filme não violava o direito da liberdade de crença de forma a justificar a censura pretendida. Supremo libera exibição do especial de Natal do Porta dos Fundos No entanto, logo no dia seguinte, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, concedeu decisão liminar para autorizar a Netflix a exibir o material, derrubando a proibição. "Não se descuida da relevância do respeito à fé cristã (assim como de todas as demais crenças religiosas ou a ausência dela). Não é de se supor, contudo, que uma sátira humorística tenha o condão de abalar valores da fé cristã, cuja existência retrocede há mais de 2 (dois) mil anos, estando insculpida na crença da maioria dos cidadãos brasileiros", afirmou o ministro Dias Toffoli na decisão. Ataque STF derruba decisão que proibia exibição do Especial de Natal do Porta dos Fundos Na madrugada de 24 de dezembro do ano passado, a sede da produtora do Porta dos Fundos no Humaitá, Zona Sul do Rio, foi alvo de um ataque. Dois coquetéis molotov foram jogados contra a fachada do imóvel. O caso foi registrado como crime de explosão na 10ª DP (Botafogo). Houve danos materiais no quintal e na recepção. Segundo integrantes do grupo, caso não houvesse um segurança no local, todo o prédio teria sido incendiado. O fogo foi contido pelo funcionário. Único suspeito identificado até o momento, o economista e empresário Eduardo Fauzi fugiu para a Rússia no dia 29 de dezembro. Ele foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol e, com isso, pode ser preso por qualquer força policial do país em que esteja.
- Publicado em Cultura
Jimmy Cobb, baterista do lendário álbum ‘Kind of blue’, de Miles Davis, morre aos 91 anos
Ele era o último músico sobrevivente do grupo que gravou o disco mais vendido da história do jazz. Segundo informação da mulher do músico, ele morreu por causa de um câncer no pulmão. Jimmy Cobb, baterista do álbum 'Kind of blue', de Miles Davis, morre aos 91 anos Divulgação Wilbur James Cobb, conhecido no meio musical como Jimmy Cobb, morreu neste domingo (24), aos 91 anos. Em entrevista à rádio americana NPR, a mulher do músico, Eleana Tee Cobb, informou que ele morreu por causa de um câncer no pulmão. A longeva e produtiva carreira musical do baterista inclui a gravação do disco "Kind of Blue", de Miles Davis. Lançado em 1959, o álbum é o mais vendido na história do jazz. Jimmy Cobb era o último músico sobrevivente do grupo que gravou o projeto. Completavam o time o saxofonista John Coltrane, o baixista Paul Chambers, o pianista Bill Evans, além de Julian Cannonball Adderley no saxofone alto. Autodidata, Cobb nasceu em Washington, em janeiro de 1929 e começou a tocar aos 18 anos. O músico iniciou seu contato com Davis na década de 1950, quando se estabeleceu em Nova York em busca de oportunidades profissionais. Segundo o jornal "El País", Cobb recebeu US$ 70 pela sessão de gravação do disco na época e nunca recebeu royalties. Além de trabalhar ao lado do trompetista, Cobb também gravou junto a Cannonball Adderley, Wes Montgomery, Dizzy Gillespie, Dinah Washington, Pearl Bailey, entre outros grandes nomes do jazz. Nos últimos anos, o músico passou por necessidades financeiras e sua filha iniciou uma campanha, no começo de 2020, para arrecadar fundos para a cobertura de gastos médicos que não eram custeados pelo plano de saúde. Segundo texto publicado por Serena no site da campanha, "nos últimos dois anos, Cobb tem lidado com alguns problemas de saúde que têm causado sérios desafios para ele fisicamente". Ela não citava quais seriam esses problemas. Mesmo após o anúncio da morte do músico, as doações continuam até a manhã desta segunda-feira (25). Amigos e familiares deixarem mensagens no Facebook de Eleana Tee Cobb lamentando a morte do músico. Initial plugin text
- Publicado em Cultura
Cines drive-in e cinema no RS arrecadam R$ 77,1 mil de bilheteria no Brasil
3.752 pessoas assistiram filmes entre quinta (21) e domingo (24) nos três cinemas abertos no país. Cine Drive-In, em Brasília Cine Drive-In/ Divulgação Um cinema em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul e dois cinemas drive-in estão abertos e arrecadaram R$ 77,1 mil no período de quinta (21) a domingo (24). Mais de 3,7 mil pessoas foram assistir aos filmes em cartaz, segundo dados da ComScore, empresa de monitoramento. Cinemas drive-in se multiplicam no Brasil e viram opção no distanciamento social O tradicional ranking de bilheteria é liderado por "Jumanji – Próxima Fase", que teve público de 1,1 mil e arrecadação de R$ 24,6 mil. O longa com Dwayne Johnson, Karen Gillan e Jack Black estreou no Brasil em 16 de janeiro. "Era Uma Vez em… Hollywood" e " Uma Aventura Lego 2" aparecem em 2º e 3º lugar respectivamente. Karen Gillan fala sobre os desafios na gravação de 'Jumanji – próxima fase' Veja a lista completa abaixo: "Jumanji – Próxima Fase" – R$ 24,6 mil "Era Uma Vez em… Hollywood" – R$ 21,4 mil "Uma Aventura Lego 2" – R$ 20,4 mil "Aprendiz de Espiã" – R$ 3,5 mil "Os Órfãos" – R$ 3,1 mil "Os Parças 2" – R$ 3 mil "O Grito" – R$ 390 "Bloodshot" – R$ 290 "A Freira" – R$ 250
- Publicado em Cultura
Discos para descobrir em casa – ‘Nostalgia da modernidade’, Lobão, 1995
Capa do álbum 'Nostalgia da modernidade', de Lobão Ricardo Leite ♪ DISCOS PARA DESCOBRIR EM CASA – Nostalgia da modernidade, Lobão, 1995 ♪ João Luiz Woerdenbag Filho, vulgo Lobão, já sabia que o inferno era fogo quando, em outubro de 1995, lançou o álbum Nostalgia da modernidade, décimo título de discografia solo iniciada 13 anos antes com o LP Cena de cinema (1982). Produzido por Mayrton Bahia para a Virgin Records, gravadora inglesa que se instalava no Brasil naquele ano de 1995, Nostalgia da modernidade flagrou o cantor, compositor e músico carioca em momento de retomada da carreira fonográfica e da própria vida louca vida que partilhara com amigos exagerados como Cazuza (1958 – 1990) e Júlio Barroso (1953 – 1984) ao longo dos anos 1980. Rebelde pela própria natureza roqueira, Lobão experimentava na década de 1990 levar a vida sem o uso de drogas e, em 1995, estava há quatro anos sem lançar álbum quando apresentou Nostalgia da modernidade, disco em que incursionou pelo samba, e por outras levadas atípicas no universo das guitarras, sem deixar de ser do rock. A elegante incursão pelo samba nem impressionou quem sabia que, há sete anos, Lobão gravara o álbum Cuidado! (1988) com a adesão de ritmistas da escola de samba Mangueira, na qual o artista desfilara no Carnaval como integrante da bateria, tocando tamborim. Chamou mais atenção, positivamente, a coesão do repertório e da produção musical de Nostalgia da modernidade, álbum que simbolizou ponto de maturação na trajetória desse artista que debutara profissionalmente na música em 1975 como integrante da banda Vímana – pela qual também passaram futuros popstars como Lulu Santos e Ritchie – e, em 1981, foi cofundador e baterista da banda Blitz, da qual saiu em 1982, trocando o sucesso fenomenal do grupo que abriu portas para o rock brasileiro pela oportunidade de gravar o primeiro disco solo. Música vertiginosa que se tornou o único sucesso radiofônico do álbum Nostalgia da modernidade, A queda (Lobão) já sinalizou na abertura do disco a alta qualidade do inédito repertório autoral composto por 14 músicas e assinado inteiramente por Lobão, com letras escritas com eventuais adesões do sambista funkeiro Ivo Meirelles e de Regina Lopes (mulher do artista). “Pra começar quero dizer / Que ainda sou o mesmo”, avisou Lobão nos versos iniciais de O jogo não valeu (Lobão, Ivo Meirelles e Regina Lopes), rock meio blues que soou com a cara do Barão Vermelho. Outro rock, Mal de amor (Lobão), também evidenciou a irmandade de Lobão e Cazuza – com direito a solo cortante da guitarra de Billy Brandão. Sim, Lobão ainda era o mesmo – embora a letra de O jogo não valeu versasse sobre questão amorosa – e reiterou no disco o dom para compor baladas apaixonadas como A flor do vazio (Lobão, Ivo Meirelles e Regina Lopes), canção de lirismo acentuado pelas cordas orquestradas pelo maestro Eduardo Souto Neto, cujo toque do piano também foi ouvido na faixa. Na sequência, Samsara blues (Lobão) entregou o que prometeu o título da composição introduzida no disco pelo toque do contrabaixo acústico de Bruno Migliari em arranjo que, à medida em que a faixa avança, fez sobressair o piano de Humberto Barros. “Fé cega é remorso na contramão”, cravou Lobão, com afiadas garras poéticas. Na disposição do álbum, Luz da madrugada (Lobão) foi o primeiro samba à moda tradicional carioca e iluminou a reverência do roqueiro errante às melodias e imagens poéticas dos bambas dos morros do Rio de Janeiro (RJ), cidade onde o artista de então 38 anos tinha vindo ao mundo em outubro de 1957. Em seguida, Coração aberto (Lobão, Ivo Meirelles e Regina Lopes) bateu agitado ao embolar a mistura rítmica do álbum Nostalgia da modernidade com a conexão da eletricidade do rock com o frenesi rítmico da música dos cantadores e repentistas nordestinos. Foi quando as guitarras soaram como rabecas. Uma das grandes canções do disco, Dilema (Lobão, Ivo Meirelles e Regina Lopes) – prova irrefutável de que a obra de Lobão estava em nítido progresso nos anos 1990 – ganhou a moldura de cordas que traduziram em sons a angústia entranhada na letra. As mesmas cordas foram orquestradas no tempo de delicadeza da balada A hora da estrela (Lobão, Ivo Meirelles e Regina Lopes). Já O diabo é Deus de folga (Lobão) jogou o álbum Nostalgia da modernidade na pista com batida disco-dance-pop que remeteu às incursões feitas pelo contemporâneo Lulu Santos pela cena da música eletrônica no recente álbum Assim caminha a humanidade (1994) – universo no qual Lobão entraria com mais personalidade no disco seguinte, Noite (1998). Com a mesma agitação, mas em outra pista, Eu não embarco nessa onda (Lobão e Ivo Meirelles) devolveu ao disco a eletricidade do rock. Sim, porque Nostalgia da modernidade se mostrou, em essência, um disco de roqueiro, mesmo que esse roqueiro tenha parecido adormecido quando o artista arriscou compor acalanto desassossegado como Sem sono (Lobão). Tirada de onda com os metaleiros estereotipados e com os garotos cariocas suingue sangue bom, o samba-funk De de de de déu (Lobão, Ivo Meirelles e Billy Brandão) expôs toda a acidez do roqueiro com a adesão de ritmistas da Mangueira. Veneno da lata! O álbum foi encerrado com o samba que lhe deu título. Mesmo impregnado de beleza, o samba Nostalgia da modernidade (Lobão, Ivo Meireles e Regina Lopes) soou como hábil clone da poesia e das melodias nobres dos bambas de tempos idos. É que, a rigor, Nostalgia da modernidade – tanto o disco como a composição-título – deixou a sensação de que, dentro do peito do sambista, morava o mesmo elétrico roqueiro dos anos 1980, só que então se aventurando com talento por outros ritmos e universo musicais nesse iluminado álbum de 1995, feito dez anos antes do retorno às pesadas canções compostas dentro da noite escura. É que Lobão sempre soube que a vida até pode ser doce, mas o inferno é fogo…
- Publicado em Cultura
Lives de hoje: Munhoz & Mariano e Mariana Aydar fazem shows para ver em casa
Veja agenda de lives de terça-feira (26). Dupla Munhoz e Mariano faz show para mulheres em Sorocaba Divulgação Munhoz & Mariano e Mariana Aydar têm lives marcadas para esta terça-feira (26). Veja a lista completa com horários das lives abaixo. Na onda das lives, o bastidor virou o show. Casas de músicos são os palcos possíveis no isolamento para conter o coronavírus. O G1 fez um intensivão de lives e avaliou os desafios deste formato; leia. Veja lives desta terça e como assistir: Mariana Aydar (Em Casa com Sesc) – 19h – Link Munhoz e Mariano – 20h – Link Phoebe Bridgers – 21h – Link Tigers Jaw – 21h30 – Link O debate sobre a bebedeira de sertanejos em lives
- Publicado em Cultura
Lives corporativas reforçam agenda vazia de artistas com cachê igual ao de show normal
Convites feitos por empresas surpreendem equipes e se tornam alternativa para o mercado musical durante parada por pandemia de coronavírus. César Menotti e Fabiano recebem de seis a oito pedidos por dia para cotação de live corporativa Divulgação Em pouco mais de dois meses, as lives deixaram de ser apenas uma forma de os artistas conversarem com seu público durante o isolamento social para se tornarem forma de ganhar dinheiro. Mas o lucro não vem só com patrocínios dos cantores que se empenham nas transmissões ao vivo e incentivam o público a fazer daquele momento uma ação solidária. Alguns deram um passo a mais nesse mercado: estão fazendo lives corporativas. César Menotti e Fabiano, Alexandre Pires, Leo Chaves e Simone e Simaria já fizeram "shows fechados" pagos por empresas. O mercado corporativo já existia para eles, com shows em empresas ou eventos particulares só com os funcionários. Mas agora as apresentações são virtuais. Empresários do setor estão surpresos com a demanda. O G1 conversou com profissionais do mercado musical e eles explicam que: A alta busca por esse produto chamou muita atenção dos escritórios musicais; O formato de "shows fechados" para empresas ainda está em fase de experimentação; O cachê é igual ao de um show ao vivo. "Uma live bem feita igual está se fazendo, é quase como fazer um DVD. Demanda um custo alto, uma tecnologia. Pra fazer uma live não é com uma internet como a que usamos em casa. Precisa de link dedicado, precisa de uma coisa muito avançada", explica Fábio Lacerda, irmão e empresário da dupla César Menotti e Fabiano. Aldo Braghetto, empresário de Alexandre Pires, explica por que, para ele, é justo que o cachê seja o mesmo de um show "normal": "Porque o trabalho é o mesmo e a gente tem que colocar vários equipamentos. Os técnicos são os mesmos, o tempo de show é o mesmo e a gente destina um dia para cada apresentação." Embora não exista custos de logística (passagem aérea, hospedagem, locação), ele enumera outras despesas como "equipe de filmagem, satélite para transmissão, sonorização". Um produtor de um escritório sertanejo que prefere não se identificar reforçou as informações sobre o valor, mas lamentou que a equipe técnica de uma live – corporativa ou não — é bem mais enxuta da que a usada no ao vivo. Por isso, muitos profissionais estão parados sem ajuda dos artistas. Há também quem esteja fazendo lives corporativas para manter o bom relacionamento com seus patrocinadores e acabam dispensando o cachê do evento. "Para quem está sem dinheiro, tudo é negociável", diz uma assessora de imprensa que também prefere não se identificar. Segundo Fábio Lacerda, os clientes das "lives fechadas" podem ser pessoas, como são os casos das festas e casamentos. Mas há também pedidos de grandes companhias. "As empresas de alimentos, por exemplo, são uma das que mais tem procurado." Segundo o produtor, são até oito empresas por dia, que entram em contato para uma cotação de show virtual com César Menotti e Fabiano. No caso de Alexandre Pires, segundo o produtor dele, o número é chega a até 10 contatos diários. Alexandre Pires também ingressou nas lives corporativas Divulgação Enquanto isso, alguns artistas observam de longe e conversam nos bastidores sobre a possibilidade de ingressar nesse mercado. Pode se tornar comum ver algumas empresas convocando músicos e bandas para realizar happy hours virtuais para os funcionários. Não basta ser bom cantor Para Aldo, a comunicação é a maior dificuldade que um artista pode encontrar nesta era de lives. Alguns artistas têm contado com a participação de "mestres de cerimônias" para fazer anúncios entre as músicas, como Rafa Kalimann e Thiago Martins. "[O artista] fica sozinho de frente pra câmera, então ele tem que ser um apresentador, não pode ser só um cantor e cantar uma música atrás da outra", diz Aldo. As cenas de 'lives' da quarentena que já estão na história do entretenimento brasileiro
- Publicado em Cultura
Pretinho da Serrinha fala de crise no mercado de shows: ‘No Brasil, é difícil músico guardar dinheiro’
Em quarentena com a namorada, ele criou projeto para doar cestas básicas a músicos. 'Estou achando que não vai ter nem carnaval', diz, sobre desfiles na Sapucaí em 2021. Pretinho da Serrinha toca há 31 anos. Ele diz já ter vivido momentos "brabos", mas nunca viu uma situação parecida com a que a música, assim como outros setores da cultura, está passando nesta pandemia do coronavírus. O mercado de shows foi o primeiro a parar e deve ser um dos últimos a voltar a funcionar normalmente. Com isso, músicos, produtores, roadies, técnicos, toda a cadeia de profissionais da música está comprometida. Compositor de sucessos como "Burguesinha", "Felicidade", "Mina do Condomínio", "Aliança" e "Reza", Pretinho também se dedica a produção. Para ele, se vivesse só dos shows "estaria muito ferrado" neste momento. "É uma coisa inédita que ninguém sabe como lidar e não tem jeito a galera está passando fome. Não adianta amenizar", diz o músico carioca ao G1, por telefone. Ouça entrevista no podcast acima. Pretinho está passando a quarentena em casa no Rio, com a cantora paulistana Rachell Luz. Graças ao equipamento da namorada, eles conseguiram improvisar um estúdio e estão produzindo algumas coisas de casa, inclusive a música "Tudo Vai Passar", lançada por Rachell na metade de maio. Pensando em alternativas para amenizar de alguma forma a situação da banda que o acompanha, Pretinho doou cestas básicas para equipe de 15 pessoas, entre músicos, técnicos e produtores. A ideia foi ganhando corpo e apoiadores e, em dois meses, o projeto chamado Cesta Somlidária conseguiu distribuir cerca de 250 cestas básicas para outros músicos, profissionais da técnica e produtores. Na entrevista, ele explica melhor a iniciativa, fala da dificuldade dos músicos em guardar dinheiro e da estranheza com as lives. Rachell Luz e Pretinho da Serrinha Divulgação/Sympla G1 – Queria começar perguntando o que você tem feito neste período de isolamento? Pretinho da Serrinha – Fiquei 15 dias sozinho aqui no Rio, depois fiquei 15 dias em São Paulo na casa da minha namorada, a Rachell Luz. Agora a gente voltou pro Rio, trouxe parte do estúdio dela e começou a trabalhar aqui de casa, mas muito devagarinho. Já fizemos a base de duas faixas dela, eu produzi uma faixa para o Silva e outra para Adriana Calcanhotto. Estou começando a produzir umas coisas de casa, gravar umas percussões, gravar cavaquinho, tocando nossos projetos. G1 – Fico pensando que deve ser uma mudança de rotina grande, já que vocês, músicos, passam tanto tempo em viagens, passagens de som, shows, avião de novo… Pretinho da Serrinha – Olha, para cada show, depende do lugar, mas normalmente são de dois a três dias na rua e de repente você não tem nada disso. É de enlouquecer, mas ao mesmo tempo ir se descobrindo, tentando ocupar a cabeça, porque é de pirar. A pessoa que está acostumada a trabalhar no escritório sai e volta para casa todo dia, mas eu estou acostumado a sair sexta e voltar segunda ou sair um dia e voltar 20 dias depois. Agora, fico o tempo inteiro em casa, sem ter o que trabalhar, algumas horas dá vontade de dar uns gritos. G1 – Com base na sua experiência, na conversa com os amigos, como a pandemia afeta um músico, uma pessoa que toca em uma banda, que toca no barzinho que de repente não tem mais nada para fazer? Pretinho da Serrinha – Cara, é assim no coração, é certeiro. Quem tinha um emprego [fora da música] com salário pode até ter reduzido, mas está recebendo, tem alguns direitos, tem auxílio. A gente não tem nada, músico não tem nada. Músico só tem o que ele toca, o que ele guarda… Mas, no Brasil, é muito difícil um músico guardar dinheiro. A maior parte dos músicos tocam nos bares, com banda da noite e o cachê é baixo. O cara toca hoje para comer amanhã, para pagar passagem. Eu lembro quando eu comecei há uns 20 anos eu saía para tocar, ganhava um cachê e dava para um pacote de fralda, o táxi para voltar de madrugada e o dinheiro da passagem do dia seguinte para voltar e tocar de novo. Você não consegue guardar, não consegue guardar nada… G1 – Você já viu uma situação como essa que estamos vivendo? Pretinho da Serrinha – Eu nunca vi uma coisa parecida, ficava "brabo": "Pô não tem show, está difícil, tem um, tem dois só”…. mas agora não tem nada. "É uma coisa inédita que ninguém sabe como lidar e, não tem jeito, a galera está passando fome. Não adianta amenizar. " Vou tirar pela minha banda, somos 15 pessoas entre músicos, técnicos, produção. A galera não tem outro lugar para tirar dinheiro. Toni Garrido sugere 10% da renda das lives para equipes técnicas G1 – Outro ponto também é que não tem previsão clara de quando tudo isso vai passar… Pretinho da Serrinha – É desesperador, porque assim se tem uma crise, uma guerra, sei lá, que vai durar seis meses… Você até tem uma data, você vai se virar, vai fazer as contas, mas hoje a gente não sabe isso. Outra coisa é que quando as coisas começarem abrir não vai ter show. Primeiro que não vão juntar seis mil pessoas em um lugar. Segundo, quem tem dinheiro para ficar indo para show voltando de uma crise? "Quem vai ficar pagando ingresso para ir para show? Está tendo live o tempo todo. Se tem uma coisa que ninguém está carente é do show. Qualquer hora que você pegar o telefone tem uma live para assistir. Isso é uma coisa também que vai ser difícil quando voltar." Eu sou músico, sou compositor, produzo, gravo, ainda improvisei um estúdio em casa, mas se eu estivesse vivendo só de tocar agora… eu estaria muito ferrado. Agora vem o tal do auxílio, de 14 pessoas da minha banda, só duas conseguiram os R$ 600. Eu vejo só as conversas no grupo, é um desespero danado. G1 – Daí que você começou o projeto das cestas básicas, né? Conta um pouco sobre isso. Pretinho da Serrinha – A princípio era uma ajuda só para minha banda, mas agora já consegui expandir para músicos, técnicos, roadies, produtores. Doamos 126 cestas em março e acho que um pouquinho mais, 130, em em abril. Estou pedindo pros amigos mesmo e já tem uma grana de doações guardadas para o mês que vem. Não dá para sair comprando tudo de uma vez até porque não vai acabar agora. Criamos uma conta no Instagram, (@CestaSomlidária), para ter um lugar ali para a pessoa que está doando acompanhar o que está sendo comprado, doado, para saber que é sério. Até porque no meio dessa confusão tem gente mau caráter que se aproveita. 'Gatonet de lives' engana fãs de sertanejos e rouba doações G1 – Quais são as saídas financeiras para os músicos neste momento? Gravações à distância? Aula particular? Pretinho da Serrinha – Dá para fazer algumas coisas, mas elas precisam ser antes planejadas, né? Para fazer uma videoaula, o cara tinha que ter se organizado antes, ter uma equipe para filmar, montar, editar… Consegue quem tem alguma estrutura em casa. Eu mesmo sempre usei os estúdios, consegui migrar porque minha namorada tinha, mas nem todo mundo tem um estúdio em casa ou tem equipamento para gravar uma videoaula. A gente foi pego de surpresa, então é tentar gravação para quem consegue gravar. Dá para dar aula online para uma pessoa também, mas é muito barato… Até ajuda, mas não vai salvar. Não deu tempo para gente se preparar, ninguém imaginava isso, sabe? É só rezar, por ora, é rezar… Tem horas que eu fico olhando pro nada e pensando "cara, que que vai acontecer?". A gente está meio de mãos atadas, não pode fazer nada para adiantar isso, para diminuir o sufoco. Tem que ficar em casa mesmo e eu sou muito caxias. Não saio, até hoje não fiz live com equipe, nada disso. G1 – E como estava esse ano de shows? Pretinho da Serrinha – Eu estava vindo do carnaval, que trabalhei bastante. Os músicos, todo mundo do samba trabalha muito, são muitos shows. Meu último show foi em um camarote da Sapucaí e o primeiro show cancelado foi no dia 13 de março. Era um show da Maria Bethânia em São Paulo. Além do final dessa turnê da Bethânia, eu tinha shows com a Marisa Monte e meus mesmo no Rio, em Recife, na Bahia. G1 – Comparando com as suas últimas lembranças do show no carnaval, aquele calor, aquela multidão reunida, Sapucaí, como você vê isso agora de lives? Pretinho da Serrinha – Para gente entender isso é difícil. Eu sempre trabalhei com muita gente, sempre estive envolvido no carnaval, com shows, sempre fui músico. Então eu não entendo muito esse negócio de ficar sozinho, é difícil a gente acostumar com isso de que não tem show, não tem plateia. Você sente o show quando as pessoas estão cantando. Quando você está tocando e ninguém está cantando aquilo te coloca para baixo, você tem que fazer uma força danada. Eu testo logo isso mandando um "só vocês!", quando vem aquela voz da plateia, aquela massa, você dá uma respirada e fala "opa, está tudo certo". Aquilo ali te joga lá no alto e dali pra frente é só festa. "Agora quando você fala 'vai!' e não vem ninguém, você já começa a pensar o que você tem que fazer para mudar esse cenário e trazer o povo com você. Essa coisa da live é isso, você não tem o 'só vocês' .Você pode até pedir, mas você não vai ouvir nada, então é 'só eu' e isso é muito estranho." Pretinho da Serrinha durante show em camarote na Sapucaí; foram as últimas apresentações antes da pandemia Reprodução/Instagram/Pretinho da Serrinha G1 – Imagino que a turma esteja pedindo uma live sua. Você está pensando em fazer? Pretinho da Serrinha – Eu não me sinto seguro em fazer live, juntar gente. Se eu saio para fazer uma live eu tenho que pegar minha banda. "As pessoas estão colocando a banda escondida, mas não adianta está todo mundo no mesmo lugar. Saio para fazer a live são 14 pessoas, que eu vá com a metade. Mesmo que eu leve sete, cada um tem mais dez por trás [com quem tem contato], então eu não tenho uma garantia." Enquanto eu tiver recurso para me manter, eu vou ficar em casa quietinho. Não vou fazer agora não. Deixa a curva baixar, aparecer qualquer remédio aí, porque eu não tenho capacidade de ficar doente, odeio hospital. G1 – Qual é a sua perspectiva de retorno dos shows? Pretinho da Serrinha – Eu acredito que a gente vai fazer algum show corporativo lá no final de ano, dezembro. Acho que antes disso dificilmente vamos fazer apresentações em casa de show. Tomara que eu esteja errado e comece em agosto, mas acho que não vai ter show não. "Eu estou achando que não vai ter nem carnaval. Pode ter carnaval de rua, mas o carnaval de escola de samba na Sapucaí pode ser atrapalhado." As escolas de samba já começam a pensar em enredo, deviam estar escolhendo para mandar sinopse para o compositor. Normalmente escolhem o samba em junho, julho e em agosto já está tudo gravado, disco está na rua e o barracão está sendo tocado. Mas não tem nada acontecendo. Não tem tempo para montar, fora isso, as escolas não têm patrocínio, não têm dinheiro. Então eu estou achando que o carnaval da rua pode até acontecer, mas o da Sapucaí acho perigoso. Tá tipo show, a gente não sabe. Pretinho da Serrinha, Repórter por um Dia, mostra a Madureira musical
- Publicado em Cultura










