G1 Ouviu #89 – Babu Santana: turnê, parcerias e a vida do Paizão pós-BBB
Ator e cantor fala dos projetos depois de virar o Paizão do reality show. Ele quer lançar músicas, fazer lives e cantar em comunidades pelo Brasil: 'Ali que está meu público, o público que eu quero alcançar'. Você pode ouvir o G1 ouviu no G1, no Spotify, no Castbox, no Google Podcasts ou no Apple Podcasts. Assine ou siga o G1 Ouviu para ser avisado sempre que tiver novo episódio no ar. O que são podcasts? Um podcast é como se fosse um programa de rádio, mas não é: em vez de ter uma hora certa para ir ao ar, pode ser ouvido quando e onde a gente quiser. E em vez de sintonizar numa estação de rádio, a gente acha na internet. De graça. Dá para escutar num site, numa plataforma de música ou num aplicativo só de podcast no celular, para ir ouvindo quando a gente preferir: no trânsito, lavando louça, na praia, na academia… Os podcasts podem ser temáticos, contar uma história única, trazer debates ou simplesmente conversas sobre os mais diversos assuntos. É possível ouvir episódios avulsos ou assinar um podcast – de graça – e, assim, ser avisado sempre que um novo episódio for publicado G1 ouviu, podcast de música do G1 G1/Divulgação
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Kell Smith encara vulnerabilidades no ‘lado A’ do álbum ‘O velho e bom novo’
Cantora lança seis das 12 músicas do disco em que versa sobre temas como ansiedade e depressão. ♪ Cantora e compositora paulistana projetada em escala nacional há três anos com o single Era uma vez (2017), Kell Smith apresenta na sexta-feira, 22 de maio, metade das 12 faixas do segundo álbum da artista, O velho e bom novo, sucessor de Girassol (2018), disco produzido por Rick Bonadio. Essas seis músicas iniciais compõem o que a artista caracteriza como “lado A” de O velho e bom novo, álbum produzido e arranjado pelo maestro e compositor Bruno Alves, parceiro de Kell em oito das 12 canções do repertório inteiramente autoral. Com 27 anos recém-completados, Kell Smith é filha de missionários, o que contribuiu para que somente com 12 anos tenha tido o primeiro contato com música feita e veiculada fora do universo religioso. Foi em 2005, quando o pai a presentou com vitrola encontrada no lixo e com exemplar do álbum Falso brilhante, lançado por Elis Regina (1945 – 1982) em 1976, 17 anos antes de Keylla Cristina dos Santos vir ao mundo na cidade de São Paulo (SP). Capa do álbum 'O velho e bom novo', de Kell Smith Gustavo Arrais O disco de Elis impactou a então adolescente, que, desde então, começou a acumular bagagem musical, utilizada na opção da artista de versar sobre emoções reais neste segundo disco em repertório que, no “lado A” do álbum O velho e bom novo, propaga a superação de depressão na música Eu vou conseguir!, exprime melancolia em Carta pra você, encara fragilidades em Vulnerável, vislumbra esperança em A terra firme é lá e defende em Seja gentil o amor próprio com receita para diluir ansiedades. Com exceção de Camomila, mix de pop e reggae que prega a calma na letra da música feita por Kell sem parceiro, todas as composições do “ lado A” do álbum O velho e bom novo trazem a assinatura recorrente de Bruno Alves.
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Ludmilla recebe alta de hospital e seguirá tratando problema renal em casa
Cantora foi internada no último dia 12, após sentir dores abdominais. Ela foi diagnosticada com processo inflamatório no rim e continuará tomando medicamentos. Ludmilla Reprodução / Facebook Ludmilla A cantora Ludmilla recebeu alta neste domingo (17) do hospital onde estava internada, no Rio. Ela deu entrada no último dia 12, após sentir dores abdominais intensas. Ludmilla foi diagnosticada com pielonefrite aguda, processo inflamatório no rim, que causa dor e desconforto. Segundo sua assessoria de imprensa, a crise foi controlada e a cantora seguirá em tratamento em casa, com o uso de medicamentos. Ludmilla segura mão da namorada, após ser internada em hospital no Rio Reprodução/Instagram Nas redes sociais, Ludmilla tranquilizou os fãs. "Estou me sentindo bem melhor, graças a Deus", escreveu no Twitter, nesta sexta (15). Neste domingo, depois de sair do hospital, ela agradeceu: "Obrigada por todas as mensagens de carinho e orações. Funcionaram!”. Por causa do problema de saúde, Ludmilla cancelou um show online que faria neste sábado (16). Ela prometeu fazer uma live, ainda neste domingo, para falar sobre os dias que passou internada.
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Discos para descobrir em casa – ‘Chama acesa’, Ivan Lins, 1975
Capa do álbum 'Chama acesa', de Ivan Lins Ivan Klingen com arte de Ney Távora ♪ DISCOS PARA DESCOBRIR EM CASA – Chama acesa, Ivan Lins, 1975 ♪ Compositor, cantor e pianista descendente da linhagem soberana de Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994), o carioca Ivan Guimarães Lins entrou em cena em 1965, aos 20 anos, como integrante do Alfa Trio. Na noite da Tijuca, bairro da cidade natal do Rio de Janeiro (RJ) onde viera ao mundo em 16 de junho de 1945, o jovem pianista do Alfa Trio exercitou no anonimato o aprendizado das lições que tivera ao ouvir com atenção o mestre Luiz Eça (1936 – 1992). O Brasil somente tomaria conhecimento do nome de Ivan Lins em 1970, ano em que o compositor debutante defendeu O amor é o meu país – música que fizera com Ronaldo Monteiro de Souza, parceiro desses tempos de juventude – na quinta edição do Festival Internacional da Canção (FIC). Ivan Lins saiu da competição sob suspeita (injusta) de artista ufanista, crime inafiançável no julgamento dos patrulheiros ideológicos do Brasil do ame-o ou deixe-o. Em contrapartida, o compositor ganhou o prêmio de ver e ouvir Madalena – samba cheio de soul que fizera com o mesmo Ronaldo Monteiro de Souza – ganhar a voz de Elis Regina (1945 – 1982) e as paradas naquele ano de 1970. O aval fundamental de Elis ajudou a abrir as portas da indústria fonográfica para Ivan. Contratado para o elenco da Forma, gravadora então abrigada sob o arco da multinacional Philips, o cantor gravou dois álbuns na companhia, Ivan Lins, agora… (1970) e Deixa o trem seguir (1971), aos quais se seguiram, via Phonogram / Philips, um terceiro álbum de título sintomático, Quem sou eu? (1972). Nestes três discos, Ivan Lins ainda estava à procura de identidade musical que começou a ser delineada com o encontro do artista com o poeta e compositor paulista Vitor Martins. Com as letras atentas e metafóricas de Vitor, Ivan se engajou na luta da MPB em favor da liberdade de expressão, inclusive a musical, tornando sem eco o precipitado coro que identificara no romantismo da canção O amor é o meu país traço inexistente de adesismo ao governo ditatorial do Brasil dos anos 1970. Apresentada no quarto álbum do artista, Modo livre (1974), com a inclusão da gravação de Abre alas neste que foi o primeiro dos dois discos lançados pelo cantor através da gravadora RCA, a parceria de Ivan Lins com Vitor Martins foi consolidada no quinto álbum do cantor, Chama acesa, produzido por Raymundo Bittencourt sob direção artística de Carlos Guarany. Lançado em 1975, o álbum Chama acesa flagrou Ivan Lins a dois passos (ou dois anos) da consagração como cantor e compositor. Vivida pelo artista na segunda metade dos anos 1970, a partir da contratação pela gravadora Odeon, a fase consagradora rendeu lote de álbuns – Somos todos iguais nessa noite (1977), Nos dias de hoje (1978), A noite (1979) e Novo tempo (1980) – dignos de figurar em qualquer antologia da música brasileira rotulada como MPB. Contudo, antes destes discos recheados de sucessos (alguns popularizados na voz do autor e outros propagados em registros de cantoras como Elis e Simone), houve Chama acesa, um dos álbuns mais “difíceis” da discografia de Ivan Lins. O cantor já andava se estranhando com a diretoria da gravadora RCA – por causa de discordâncias na gravação do disco anterior Modo livre – e, já buscando uma saída (da companhia), fez álbum radical, com nítido toque jazzístico na arquitetura de músicas como Demônio de guarda. Com letra que refletiu a tensão entranhada no repertório do disco, Demônio de guarda foi uma das cinco parcerias de Ivan com Vitor Martins incluídas entre as 11 faixas do álbum Chama acesa. Eco do barroco mineiro da obra de Milton Nascimento, Lenda do Carmo – outra de Ivan com Vitor – soou como se fosse título extraviado do cancioneiro do mentor do Clube da Esquina, evidenciando o acento jazzístico de algumas faixas do álbum Chama acesa e o entrosamento da banda formada por Ivan Lins (piano, órgão e violão) com os músicos Fred Barbosa (baixo e percussão), João Cortez (bateria e percussão), Ricardo Ribeiro (flauta e saxofones) e Gilson Peranzzetta, pianista que teria papel fundamental, como arranjador, na expansão da obra de Ivan Lins em discos posteriores. Corpos – música que ganharia a voz de Alaíde Costa no álbum Coração (1976) e um registro ao vivo de Elis Regina no disco Transversal do tempo (1978) – exemplificou a densidade do repertório de Ivan Lins naquele ano de 1975. “Não me afague o rosto com essa mão farpada”, suplicou o cantor no samba Sorriso da mágoa, composto por Ivan sem parceiro e alocado na abertura do disco, já anunciando o clima pesado que reverberou nos versos de Nesse botequim – outra música somente de Ivan em que o compositor citou o samba Águas de março (Antonio Carlos Jobim, 1972) – e na letra da música-título Chama acesa, escrita por Paulo César Pinheiro, também parceiro de Ivan em Poeira, cinza e fumaça. Música de Ivan com Vitor Martins, Ventos de junho soprou lirismo interiorano que a dupla de compositores iria desenvolver com mais apuro em composições como Sertaneja (1980). Em Joana dos barcos (beira-mar), o lirismo poético de Vitor Martins mergulhou em águas feministas, mantendo hasteada a bandeira da liberdade da mulher em mundo machista. Com a assinatura de Ronaldo Monteiro de Souza, parceiro dos primeiros sucessos, Ivan reapresentou no álbum Chama acesa o samba Palhaços e reis (1973) – lançado há dois anos pela cantora Silvia Maria, regravado em 1974 pelo grupo MPB4 e revivido por Ivan em gravação em que saltou aos ouvidos o toque percussivo do piano do artista – e Não há porque. Também gravada Célia (1947 – 2017) naquele mesmo ano de 1975, Não há porque foi outra música que fez do disco Chama acesa um retrato da tensão social da época na rima de versos como “Um estranho ao me ver percebe claramente / Nas entranhas uma dor que fere lentamente”. Se os poetas já estavam à flor da pele, o melodista ainda mostraria progressos em discos futuros. Álbum de transição na carreira fonográfica de Ivan Lins, Chama acesa teve o mérito de iluminar um artista em nítido processo de maturação, se permitindo inclusive experimentar o arrojo musical deste disco de 1975.
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Wesley Safadão põe ‘Blefe’ entre as músicas inéditas de álbum gravado ao vivo em live
♪ “O nome da canção é Blefe”, anunciou Wesley Safadão na live iniciada pelo artista na noite de 18 de abril e encerrada, após dez horas de duração, na madrugada de 19 de abril. Na ocasião, o cantor se referia a uma então inédita canção de sofrência que, como de hábito no repertório do artista cearense, transita entre o solo sertanejo e o salão do forró. Um mês após a live, a gravação ao vivo de Blefe está integrada oficialmente à discografia de Safadão. Blefe é uma das nove músicas inéditas apresentadas entre as 20 faixas do repertório do álbum WS em casa #2, lançado pela gravadora Som Livre na sexta-feira, 15 de maio. Outras composições inéditas reveladas no álbum – Amanheceu, Eu sendo eu, Jogo dos 7 erros, Não valeu e Obrigado minha ex – compõem com Blefe o cardápio de novidades do disco gravado por Safadão na live. Antes, outras três músicas inéditas – Esfriou demais (Xuxinha, Bruninho Moral, Lucas Macenna e Davi Melo), Hoje é dia (Neto Barros, Guedes Neto, Dyeguinho Silva e Raniere Mazille) e Vai lá (Kaleb Junior, Felipe Amorim, Caio Djay e Pedro Padilha) – já haviam sido disponibilizadas em EP editado em 20 de abril como amostra do álbum WS em casa #2. Detalhe: o número 2 incluído no título do álbum alude ao fato de que, há quatro anos, Wesley Safadão já havia gravado e lançado um álbum ao vivo intitulado WS em casa (2016). Quando o mundo achava que se confinar em casa para se proteger de pandemia era coisa de cinema de ficção científica, Safadão registrou show feito na casa do artista, no litoral do Ceará, com a presença de convidados como o cantor Luan Santana.
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WC no Beat ostenta Ludmilla, Vitão, Anitta e Karol Conka no álbum ‘Griff’
DJ e produtor capixaba investe na popularidade do trapfunk em disco que reúne mais de 30 convidados. ♪ Produtor e DJ capixaba que vem ampliando o território conquistado no universo pop brasileiro desde que começou a investir no trapfunk, gênero que ganhou impulso em 2015 com a mistura da cadência do trap com o batidão do funk, WC no Beat ambiciona chegar ao mainstream com o segundo álbum, Griff. A intenção do artista – nascido há 24 anos em Vitória (ES), capital do Espírito Santo, com o nome de Weslley Costa – é aumentar a boa visibilidade obtida com o primeiro álbum, [18k] (2018), lançado há dois anos com mais de 20 convidados distribuídos entre as 10 faixas. Em Griff, álbum previsto para ser lançado em meados deste ano de 2020, WC no Beat agrega mais de 30 nomes, a maioria oriunda dos universos do funk e do rap, gêneros com os quais o artista já trabalhou separadamente como DJ e/ou produtor antes de explorar a interseção entre eles rotulada como trapfunk. Ludmilla e Vitão – vistos com WC na foto acima – integram o time de convidados do álbum Griff, figurando na música Sem limites, apresentada em single editado na sexta-feira, 15 de maio. Anitta, Dfidéliz, Karol Conka e MC Rebecca também engrossam a lista de convidados do segundo disco do artista. Pedro Sampaio e PF do Trem Bala participam de Balança, faixa também já lançada, em janeiro. Mais recentemente, em 27 de março, o DJ e produtor deu outra amostra do álbum Griff com a edição do single Festinha do WC, música gravada com Kevin O Chris, Felp 22 e MC TH. Integrante do elenco da Medellin Records, gravadora vinculada desde 2018 à multinacional Sony Music, WC no Beat tem o objetivo claro de se tornar um nome de ponta da cena nacional com o álbum Griff. Se não conseguir o intento, não será por falta de companhia no disco…
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Giulia Be se solta em 1º disco, após virar hit em Portugal, cantando pop com colagens de sons
Ao G1, cantora de 20 anos fala do EP de estreia, que tem 'Menina solta' e outras cinco músicas curtas e pessoais. Ela explica referências, que vão de Judy Garland a Billie Eilish. O tema da festinha de quatro anos de Giulia Bourguignon Marinho foi "O mágico de Oz", o filme de 1939 estrelado por Judy Garland. Dezesseis anos depois, Giulia Be segue pensando na atriz e cantora americana. A capa do primeiro EP dela, "Solta", é inspirada no filme "Nasce uma estrela", na versão com Garland, de 1954. A paixão de Giulia por filmes vintage, porém, não tem tanto a ver com o som dela. O primeiro disco da cantora carioca de 20 anos fica entre a quentura de Anitta e a doçura do Melim. Giulia começou em 2017, com covers no YouTube, mas foi no ano passado que passou a ser mais falada. Foi quando saiu "Menina solta", hoje com quase 180 milhões de audições nos serviços de streaming e 100 milhões de views no YouTube. Em Portugal, no começo de 2020, a música ficou três semanas no primeiro lugar do Spotify. Giulia também gravou uma versão em espanhol. "Chiquita suelta" foi parar em rankings de hits virais de países como Argentina e Colômbia. Na regravação, teve "aulas" com o porto-riquenho Jean Rodriguez, em um estúdio de Miami, nos EUA. Ele foi o cara que ensinou Beyoncé a cantar a parte dela em "Mi Gente", na parceria com J. Balvin. Além de sons latinos e nostalgia hollywoodiana, Giulia diz que aposta em um tal de "bedroom pop". O som caseiro de artistas como Billie Eilish e Rex Orange County, cheio de colagens, faz a cabeça da menina solta: "Esses dois artistas estão muito nas minhas playlists". Na entrevista ao G1, a cantora comenta essas referências, misturando um bocado português e inglês. Filha dos empresários Paulo Marinho e Adriana Bourguignon, Giulia tinha costume de ver filmes sem legendas com a mãe e passou parte da infância fora do Brasil. O primeiro single, "Too Bad", já havia deixado claro que ela consegue se soltar em outros idiomas. "A minha voz é diferente em todas as línguas. Eu não controlo isso e nem forço. Tem muito gente que fala 'ai, a Giulia Be força a voz nananam'. É… acontece", diz ela, rindo timidamente. Leia abaixo a entrevista com Giulia Be. Capa do EP 'Solta', de Giulia Be Divulgação/Warner G1 – Todas as músicas do EP têm uns dois minutos. Por quê? Já li que esse tamanho aumenta a chance de uma canção ir bem no streaming, e sei que você (além da parte artística) gosta de pensar na música pop como uma fórmula, como produtores suecos de pop fazem (Max Martin, por exemplo). Tem algo a ver com isso? Giulia Be – Não necessariamente foi algo pensado em fórmula. Sou muito menos estudada do que o Max Martin… [Risos] Mas é que, genuinamente, eu nunca gostei de música longa. Eu só gosto de música longa quando é "Ordinary People", do Neil Young, que é tipo infinitamente longa, tem tipo 14 minutos aquela música. Ou música de sete minutos, com solo de guitarra. Minha música preferida é "Year of the cat", do Al Stewart, que tem acho que 6 minutos e 20. Mas eu sempre gostei muito de música curta. As minhas favoritas dos Beatles sempre foram as mais curtas. E isso foi muito antes de existir fórmula pop ou streaming. "Yesterday" tem menos de três minutos. "Eleanor Rigby", "Sgt Pepper's" têm menos de três minutos. Eu acho que mais do que pensando em fórmula, é mais como você conta a história. "Acho que tem uma coisa incrível em fazer as pessoas sentirem todos os sentimentos que você quer que elas sintam, em pouco tempo. Eu não planejo ter uma música com mais de três minutos, a não ser que tenha um vídeo, ou seja mais conceitual ou tenha solos de piano, guitarra, saxofone. Que aí vai ter sete minutos [risos]." G1 – O arranjo de 'Recaída' tem a repetição das suas risadas, parece uma colagem, ou uma música gif, praticamente. Concorda que tem um pouco essa ideia nela? E que isso acaba dando a ideia de recaída, de repetição? Giulia Be – "Recaída", a gente já tinha até desistido dela… Foi uma música de erros e acertos. Essa versão final é tipo a terceira ou quarta versão. E ficou perfeita, "third time is the time". Eu queria que tivesse essa coisa "up". Mas queria instrumentos de verdade e não eletrônicos, sabe? Ela tinha que se encaixar com o resto do EP, mas tinha que ter a própria "vibe" dela e eu acho que a gente conseguiu isso. Eu amo a linha de baixo que a gente conseguiu descobrir. Sobre as risadas, na hora de mixar, eu acabo me envolvendo e eu queria que fosse uma música leve. Queria contar do ponto de vista de uma coisa mútua de um casal de "exes" que sabe que eles são a melhor opção um pro outro, pra esse momento de prazer pros dois. Não envolvendo talvez os sentimentos… Não foi de propósito que eu repeti essas risadas. Mas eu queria que fosse uma música engraçada, queria envolver as pessoas, sabe? G1 – O quanto Billie Eilish, Rex Orange County e um certo 'bedroom pop' são inspirações pra você? Pergunto isso porque, como esses artistas, seu EP tem esse som de colagens, de uso de sons não tão convencionais. Giulia Be – Nossa, esses dois artistas estão muito nas minhas playlists. Do Rex, eu amo "Apricot Princess", é uma das minhas preferidas. Eu acho genial essa música, o jeito que ela vai se desenvolvendo. Eu gosto do som de colagens não convencionais, porque traz uma coisa única, não é algo que o produtor pode pegar e fazer um sample. Eu acho incrível plataformas que dão acesso a sons para muita gente, mas eu acho que tem uma coisa artesanal de botar sons que são exclusivamente seus nas músicas. Em "(Não) era amor" tem uma parte da percussão que sou eu no beatbox [faz um trecho]. A gente ficou uma hora procurando o barulho certo, e nada a gente gostava. "Eu gosto disso, acho que eu me inspiro em artistas desse "bedroom pop". É um estilo, eu gosto de música com detalhes pessoais que ninguém vai fazer igual. Minha boca faz [imita um som de batida] e a boca da outra pessoa vai fazer diferente esse mesmo som [risos]." G1 – Como foi gravar 'Chiquita Suelta'? Por que fazer isso? Giulia Be – "Chiquita Suelta", na verdade, eu era a mais contra no começo. Porque, sei lá, versões de músicas têm que ser mais planejadas. Quando Shakira grava a versão, ela já grava o clipe junto. São versões pra dar certo. É muito difícil traduzir uma música e ficar boa. "Confia em mim, eu já tive muito que traduzir as minhas músicas que eu reescrevi do inglês pro português". Ou uma música em português que a galera falou: "Ah não, essa seria melhor em inglês". Eu fiquei muito reticente no começo, até porque o espanhol não é uma língua que eu estou tão acostumada. É a mais recente que eu estou aprendendo. Mas eu confesso que quando eu escrevi o primeiro "draft" de "Chiquita Suelta", eu senti uma coisa muito especial ali. Eu senti que era uma história que eu queria contar em espanhol e eu não sabia disso até fazer, sabe? G1 – Como foi a gravação? Giulia Be – Eu fui gravar em Miami com um produtor local, o Jean [Rodriguez], que já gravou com Anitta, Beyoncé… esse cara é muito, muito incrível. Acabou ficando melhor do que eu esperava. Chegou uma época que eu até preferia em espanhol do que em português. Aí tem hora que eu prefiro em português, vai variando. Eu fiquei muito feliz com o resultado e com o êxito que ela está tendo nas plataformas. É uma boa maneira de me apresentar para esse mercado que é muito novo pra mim. Ainda pretendo lançar outras coisas em espanhol e em inglês. Foi uma aventura, eu adoro. [Risos] Eu acho que a história manteve a essência da música e isso foi um feeback que eu recebi de muita gente. É diferente você fazer uma música do zero em espanhol ou fazer uma versão. Mas se eu tentasse escrever "Chiquita Suelta" do zero, não teria conseguido. Eu tive que escrever "Menina Solta" e traduzir para começar a entender como é meu DNA como compositora em espanhol. Agora, estou escrevendo músicas em espanhol inéditas, do começo. Giulia Be Yasmin Dib / Divulgação G1 – O que você acha que muda na música com a letra em espanhol? Eu fiquei impressionado como funcionou a troca, mas deixou mais intensa, parece mais dramático. Talvez seja clichê dizer isso, mas concorda? Giulia Be – Um lado meu concorda, mas hoje em dia eu estou tão acostumada com a versão que eu não sei. Tem vez que eu estou cantando em português e entra a versão em espanhol do nada. "Mientras ele dormia, mal ele sabia" [risos], eu vou misturando. Mas eu concordo. Por conta do clipe, o audiovisual conta muito. Como eu não tive a oportunidade no clipe de "Menina Solta" original de contar aquela história, eu queria que o espanhol fosse um pouco mais caricato, contando a história dessa menina, sabe? Aquela menina com vestido vermelho e o olho de gato, dançando com os meninos, eu queria que tivesse essa pegada. Mas eu cheguei à conclusão de que a minha voz é diferente em todas as línguas. Eu não controlo isso e nem forço. Tem muito gente que fala "ai, a Giulia Be força a voz nananam". É… acontece. [risos] Eu gostei do jeito que a minha voz ficou ali. G1 – 'Menina solta' entrou no top 10 brasileiro do streaming, foi bem em rádios. Mas foi em Portugal que você conquistou seu primeiro hit número 1. Como é ter um sucesso no topo das mais ouvidas em Portugal? Giulia Be – Foi muito chocante pra mim e eu fiquei muito grata. E além de ter uma música de sucesso lá, eu tive uma conexão muito forte com os fãs portugueses. Eu tenho muito fã de Portugal que eu converso. As "time zones" não se encaixam sempre. Mas eles escutaram o EP e estão todos mandando opiniões no grupo de fãs portugueses. Quem é Giulia Be, cantora que foi de fã incentivada pelo Maroon 5 no Rock in Rio a atração do festival em 2019 G1 – Você pensou que poderia ter um hit número 1 primeiro fora do Brasil? Giulia Be – Cara, bem sincera, eu nunca imaginei. Portugal pra mim é um país que eu lia nos livros de história. E eu já tinha visitado de férias. Por ser na Europa, eu nunca imaginei que "Menina Solta" fosse ter o sucesso que teve lá. E tive um número um quando estava em Portugal. Então, foi coisa de Deus, sabe? O universo sorrindo pra mim, se unindo praquilo acontecer. Eu estava em Portugal fazendo promo pra música e ela virou número um. Então foi muito, muito especial. Quando eu botei o pé em Lisboa, eu falei "eu não saio daqui até essa música ser número um". Porque ela já estava em número 3, número 2, há muito tempo. Eu fiquei muito chocada. E eu acho que talvez a recíproca não seja verdadeira, sabe? Eu acho que o Brasil não recebe tanto [músicas] de Portugal quanto Portugal recebe as do Brasil. Portugal tem artistas incríveis também, que eu queria que tivessem mais visibilidade. E tento fazer que tenham, sempre divulgo o trabalho de amigos que fui fazendo ao longo dessa caminhada. G1 – Com quais produtores você trabalhou no EP? Giulia Be – Na verdade, eu só trabalhei com um produtor nesse EP, que foi o Paul Raulphes [galês que já trabalhou com Kid Abelha, Skank e muitos outros]. O Paul mudou a minha vida. Ele escutava as minhas composições em inglês e entendeu a visão que eu tinha pra minha carreira. Ele é muito tranquilo. A gente bateu muito o santo desde o primeiro momento. Eu sou muito artista, dramática, principalmente no estúdio, que é onde eu tenho que mais me doar emocionalmente. E ele é, de certa forma, um alicerce, que "keeps me grounded", que me deixa forte, me encoraja. Ele me ajudou a encontrar a minha identidade mais do que tudo, sabe? Ele entendia as minhas referências antes mesmo de eu falar, sabia o que eu estava pensando. E mais do que tudo, diferentemente de muitos outros produtores com quem eu trabalhei antes, ele respeitava enquanto artista e enquanto mulher. G1 – E como foi trabalhar com ele neste EP? Giulia Be – Muitos produtores são donos da verdade e por eu não ser formada em produção… Eu nem sei se amadora é a palavra certa, acho que é menos do que amadora, porque eu ainda estou me descobrindo no universo de produção. Mas ao mesmo tempo eu sei como eu quero que a minha música soe no ouvido das pessoas. Então, ele respeita muito, sabe? O exemplo do beat box que eu dei: "ah, eu quero tentar mandar um beat box nessa parte". A maioria dos produtores iria falar "peraí, o que você está falando menina? vai poluir o som". Só que não. Ele falou: "vamos tentar, tira aí toda a percussão que eu acabei de passar duas horas fazendo e vamos deixar a Giulia fazer um beat box". Quando eu fiz, ficou bom e eu gostei, ele reconheceu: "Realmente, está melhor. Vamos seguir assim". Isso demanda uma humildade e um desapego ao seu ego que tem muito homem no mercado da música que não consegue ter. O Vitor, que foi um coprodutor em "(Não) era amor", é um amigo meu que eu conhece há uns dois anos já, talvez três. A gente se conheceu fazendo um "soundtrack" que nunca saiu pra um projeto do Caio Castro que se chamava "Nômades". "(Não) era amor" ele me mostrou um loopzinho [imita o loop] no violão. Ele só tinha isso. A gente sentou pra escrever uma música pro Lucas Lucco e ele foi cortar o cabelo. Nisso que o Vitor foi cortar cabelo, uma amiga me ligou, eu tive inspiração pra música. Ele voltou e uma hora depois eu já tinha escrito a música toda. Depois de cantar no palco Sunset, Giulia Bê curte camarote no Rock in Rio Marcos Serra Lima/G1 G1 – Por conta do distanciamento social e da Covid-19, os artistas estão buscando soluções para gravar clipes e você fez isso. Como foi a experiência com seus clipes? Giulia Be – Realmente, a gente teve que dar um jeito de se adaptar à essa nova realidade. Não só pelo clipe. Para finalizar o EP, eu tive que mudar algumas coisas. Teve uma faixa que caiu, porque faltavam alguns vocais e eu não tinha como gravar. Mas, enfim, é um papel do artista agora manter as pessoas felizes e com amor no coração. Sobre o meu clipe, a gente se adaptou. [risos] Originalmente, o clipe de "Recaída" e o de "(Não) era amor" eram coisas mais produzidas. Pelo conceito do EP ser baseado em filmes de Hollywood antigos, eu queria todos os clipes com ares de superprodução, com equipe grande, com locação grande. Mas eu tive uma nova ideia pro clipe de "Recaída", que eu acho que foi bem baseado em fatos reais e "quarentenais" mesmo. A equipe era eu. Eu era artista, produtora, make, figurinista. E o diretor era diretor, assistente, fotógrafo… [risos] Mas a gente deu um jeito. G1 – Quais outros clipes de quarentena mais te impressionaram? Giulia Be – Outros clipes que me impressionaram… obviamente, o do Drake, né? Porque é feito em casa, mas é aquela casa que é um castelo, então lógico que me impressionou. Também adorei o do Vitão com o Agir, de Portugal. Achei muito dinâmico, bem legal. O da Pocah com o PK… Tem o "Stuck with U" do Justin Bieber com a Ariana Grande. Achei muito, muito fofo. Muito genial a campanha deles para a doação e ter criado todo esse movimento de apaziguar quem tinha bailes de formatura marcados e não estão tendo por causa da quarentena. G1 – Por que lançar o EP agora? Passou pela sua cabeça adiar? Giulia Be – A gente foi vendo que é uma incerteza muito maior do que a gente pensava. Eu não pensava dois meses atrás, quando eu entrei em casa, que eu ficaria dois meses em casa. Principalmente no Rio de Janeiro, onde não é a minha casa há mais de um ano e pouco. Porque eu moro em São Paulo. Eu já escrevi essas músicas há tanto tempo, sou tão perfeccionista, demorou tanto pra chegar em um ponto que eu estava feliz com esse EP. Eu não queria mais aguardar, sabe? Infelizmente, a gente não vai poder fazer turnê agora. Mas quando puder a gente vai ter mais música lançada ainda… Você está ouvindo o álbum da Dua Lipa pra melhorar sua quarentena, ok? Ele tem a Dua Lipa, tem as pessoas por trás do conceito visual, o produtor, o engenheiro de mix. São muitas pessoas envolvidas. Eu tenho um padrinho internado e tem outras pessoas que eu conheço que faleceram, é um momento horrível pra todo mundo. E o que eu puder fazer pra inspirar sorrisos e trazer arte e coisas bonitas pro mundo e fazer meu papel como cidadã e artista nessa loucura toda que a gente está vivendo… eu farei. Foi uma das razões que eu quis manter o lançamento. Projota canta "Cobertor" com Giulia Be no Rock in Rio G1 – O título do EP tem a ambiguidade de ser 'Solta' adjetivo ou como a terceira pessoa do presente? Desculpe ser meio pernóstico, mas isso foi pensado? Giulia Be – Nossa, eu amo a palavra pernóstico [risos]. Solta, solta… Eu decidi que ia ser solta em outubro, antes até de ter as músicas prontas. Até tatuei, quando eu estava em Nova York. Solta pra mim virou uma palavra de muita importância. Quando eu escrevi "Menina Solta", eu não imaginava que ia tomar a proporção que tomou. "Mais do que sucesso, tem a troca que eu ganhei com as pessoas. As meninas que chegaram pra mim e falaram 'nossa, isso me ajudou a superar isso'. 'Nossa essa música, eu escuto tomando banho, me olho no espelho e me sinto uma gata, poderosa'. Isso não tem preço." Eu percebo que as pessoas começaram a olhar pra mim e me rotular como essa menina solta. Tem muita gente que ficaria "ai estou sendo rotulada por uma música só, nananam". Mas pra mim é um orgulho. Eu sou solta, eu prezo pela minha liberdade, eu vivo a menina solta nas minhas escolhas. Eu sou livre pra amar do jeito que eu quero, livre pra fazer as escolhas da minha carreira. Liberdade de sentir sua vida, viver tudo, viver a dor, a felicidade, romantizar o dia a dia. Solta tomou essa conotação pra mim. Eu estou longe de ser uma pessoa bem resolvida com autoestima e tudo mais. Tem dias que eu sinto uma gata e tem dia que eu me olho no espelho e penso: "Giulia, nossa senhora, o que aconteceu com você hoje". Mas eu acho que é normal e uma luta que eu divido com a galera que me acompanha. Lógico que eu pensei que poderia ser "solta ou solta", mas eu gosto de coisas com "double meaning". G1 – Poderia me contar como foi a ideia da capa inspirada em “Nasce uma estrela”? Por que se inspirou nesse filme e por que prefere a versão da Judy Garland, em vez da feita pela Lady Gaga? Chegou a ver as outras versões? Giulia Be – Eu assisti a todas as versões do filme. Eu não necessariamente prefiro o da Judy Garland. Mas eu prefiro a estética do da Judy Garland e de todas eu pessoalmente prefiro a voz dela. Mas a voz da Lady Gaga é incrível. Pra mim é Judy Garland, Lady Gaga, Barbra Streisand. Todas são perfeitas, tá? [risos] Antes que você leve isso errado, pelo amor de Deus. Os fãs da Barbra Streisand vão vir acabar comigo… Maratona 'Nasce uma estrela': G1 assiste aos 4 filmes Eu não conhecia "A Star is Born", eu assisti pela primeira vez no cinema a versão da Lady Gaga e eu chorei muito, todas as seis vezes que assisti no cinema e ainda comprei quando saiu. Eu já tinha entrado nessa estética de filmes vintage. Eu acho que estou vivendo uma parada bem de filme, poderia ser um filme a minha vida. Eu chorei muito, me identifiquei muito. Ah sei lá, eu fico "all in the feels". E eu amei a capa do vinil da capa da Judy Garland. A capa do filme da Lady Gaga eu acho uó, mas o filme em si é maravilhoso. E "Shallow" não preciso nem falar, hino atemporal. A Judy Garland sempre teve um lugar especial no meu coração. E eu amava "Wizard of Oz" quando era criança. Inclusive, minha festa de quatro anos o tema era "Wizard of Oz", o "Mágico de Oz", é que minha mãe morou a vida inteira fora do Brasil. Então ela só me deixava ouvir coisa em inglês quando eu era pequena, até pra treinar o inglês. Veja o trailer do 'Nasce uma estrela' de 1954
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Ian Curtis: 40 anos depois, obra do cantor do Joy Division é infelizmente mais apropriada do que nunca
Morte do vocalista do grupo inglês completa 4 décadas nesta segunda-feira (18). Ian Curtis, vocalista do Joy Division, cuja morte completa 40 anos em 2020 Bang Showbiz/Reuters No livro "Depois do futuro" (2009), o filósofo italiano Franco "Bifo" Berardi observa como o punk inglês fez uma leitura correta de que as coisas não iam por um bom caminho quando a década de 1970 se aproximava de seu final. Alguns sinais estavam dados sobre aquela sensação de mal-estar de fundo, marginal. É como se intuíssem que algo tinha se quebrado. O slogan "no future" ("não há futuro") de então ressoa nos tempos de hoje com um nível de pertinência acima do saudável. Tem sido muito lembrada nas playlists temáticas da quarentena a faixa "Isolation", do Joy Division. Não só pelo título. "In fear every day, every evening" [Com medo todo dia, toda noite] é o verso de abertura da música. "Surrendered to self-preservation / from others who care for themselves" [Rendido a se autopreservar / dos outros que cuidam de si mesmos] soa quase premonitório do que testemunhamos agora. É numa atmosfera infelizmente apropriada que são lembrados nesta segunda (18) os 40 anos da morte de Ian Curtis, vocalista do Joy Division. Pelas mãos da banda, o gênero que deu a alegre e inocente "I want to hold your hand" meros 15 anos antes produziu um dos climas musicais mais barra-pesada que o grande público já ouviu. Com o precioso toque do produtor Martin Hannett, o quarteto de Manchester conseguiu emplacar nas paradas uma sonoridade deprimida e com uma grande dose de claustrofobia. Opressora talvez seja a palavra. A raiva do punk continua lá, mas a energia não é a mesma, é pós-algo, torna-se carregada e arrastada. A prova do tempo só mostrou a força da obra do Joy Division. A capa do clássico "Unknown pleasures" é um ícone pop reconhecível em camisetas circulando dentro de qualquer megalópole (em eras pré-pandemia, claro) do mundo. As pessoas querem exibir sua afinidade com o universo sombrio que Ian Curtis decifrou tão jovem. O grupo continua pescando fãs novos. A exposição de suas vulnerabilidades e medos nas letras, a incorporação de um problema de saúde como elemento na performance (suas crises epiléticas) e até a ironia ("Love will tear us apart" é um aceno triste à deliciosamente cafona "Love will keep us together", de Captain & Tennille) parecem sintonizar Curtis mais à narrativa pop atual do que ao mundo de quatro décadas atrás. O suicídio aos 23 anos fez pairar uma aura de "poeta trágico" sobre ele, uma romantização que já ocorreu outras vezes na história com a morte de talentos jovens. Mas os depoimentos de familiares e de seus ex-colegas de Joy Division tornam evidentes que a dor e o choque da morte foram devastadores, não elementos de glamour. Por sinal, Bernard Sumner, Peter Hook e Stephen Morris preferiram abrir mão da atmosfera pesada e do clima de tristeza em beco sem saída que construíram com originalidade ao lado de Ian Curtis (e Martin Hannett). Recomeçaram, renomearam o grupo para New Order ("nova ordem") e estabeleceram a antítese do Joy Division: música para se divertir à noite, música para dançar na pista, música para celebrar estar vivo. O grupo logo ajudaria a pavimentar a explosão da house music no final dos anos 1980, e o Reino Unido e a Europa viveriam em seguida a fase das raves, da celebração em massa, um período que foi batizado de "segundo verão do amor" entre os britânicos. O legado de Ian Curtis deve ser celebrado. Aliás, o baixista Peter Hook exibirá nesta segunda no canal de sua banda The Light uma apresentação de 2015 em que toca todas as músicas do Joy Division. Separados (e brigados) de Hook, Morris e Sumner farão uma live que contará com a participação de Brandon Flowers, do Killers, e de outros convidados. Mas convenhamos: a trilha sonora do mundo num futuro breve bem que poderia ter mais cara de New Order do que de Joy Division.
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Iza lança single humanitário com o rapper norte-americano Maejor
Em mais uma conexão internacional, cantora carioca grava música 'Let me be the one' para tema de campanha em favor da causa dos refugiados. ♪ Iza faz outra conexão internacional com artista norte-americano seis meses após lançar single, Evapora, com a cantora Ciara e o trio Major Lazer, ambos dos Estados Unidos. Desta vez, a conexão acontece por causa humanitária. A artista carioca se juntou ao rapper norte-americano Maejor em single, Let me be the one, gravado em favor da causa dos refugiados e do respeito às diversidades humanas. A música será apresentada em single programado para quinta-feira, 21 de maio, data também prevista para o lançamento do clipe da gravação. Let me be the one – composição em inglês cujo título significa “Me deixe ser único”, em bom português, ou “Me deixe ser aquele que fará a diferença”, em tradução mais livre – foi gravada por Iza e Maejor para ser a música-tema de campanha de alcance planetário criada pela empresa Humanity Lab Foundation em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU). Independentemente da nobreza da causa abraçada por Iza e Maejor na gravação em dupla, o single Let me be the one tem tudo para ser passo importante na escalada internacional da cantora e compositora carioca.
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O caminho das doações: O que é feito com o dinheiro arrecadado em lives da quarentena
Shows já arrecadaram mais de R$ 7 milhões na principal plataforma de doações. Instituições têm autonomia para decidir onde aplicar dinheiro; conheça projetos que mais receberam ajuda. Doações distribuídas pela Cufa em Curitiba; a instituição é uma das campeãs de arrecadação em lives da quarentena Reprodução/Facebook/Cufa No modelo de live adotado por artistas durante a quarentena, eles cantam e fazem estripulias para divertir o público, enquanto pedem doações para instituições que ajudam a combater os prejuízos causados pelo coronavírus. Mas, depois que o show termina, qual é o caminho trilhado pelo dinheiro que foi arrecadado? Algumas informações importantes: As instituições que receberão as doações, a depender do caso, podem ser escolhidas pelo artista ou pelo próprio doador; Nas principais plataformas de doação, o dinheiro doado segue direto para uma carteira digital da instituição escolhida; As instituições têm autonomia para decidir de que forma vão aplicar a quantia arrecadada. Na principal plataforma de doação usada nas lives, o montante arrecadado desde o início da campanha do coronavírus chegou a R$ 7 milhões no início da semana passada. Live de Sandy e Junior foi campeã de arrecadação em principal plataforma de doação Reprodução/YouTube A live de Sandy e Junior, em abril, foi até agora a campeã em doações, com mais de R$ 1,8 milhão arrecadados. Em seguida aparece a live do projeto “Amigos”, que juntou Chitãozinho e Xororó, Zezé Di Camargo e Luciano e Leonardo e recebeu R$ 1,7 milhão. A plataforma, que funciona desde 2012 como um aplicativo de pagamentos, tem mais de mil ONGs cadastradas. Qualquer instituição pode se registrar para receber doações, sem cobrança de taxas, durante a pandemia. As entidades passam por um processo de validação, que verifica se os recursos recebidos serão destinados a causas consistentes. Para onde vai o dinheiro? Em grande parte dos casos, o dinheiro do público de lives serve para ajudar a manter instituições que já sobreviviam com doações antes da pandemia. Com comércio fechado e eventos proibidos, elas perderam outros meios de arrecadação. O Hospital de Amor, antigo Hospital de Câncer de Barretos (SP), por exemplo, dependia de shows e leilões beneficentes para bancar parte dos cerca de R$ 40 milhões mensais que precisa para manter os pacientes. Fachada da unidade infantil do Hospital de Amor, em Barretos (SP) Crédito: Divulgação Hospital de Amor Dessa quantia, cerca de R$ 15 milhões são repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A instituição busca o restante em ações com a sociedade civil, explica a coordenadora de captação de recursos do hospital, Larissa Mello. Mas, com a pandemia, o orçamento diminuiu consideravelmente. Ela diz que, em abril, as lives de artistas renderam cerca de R$ 2 milhões em doações para o hospital. “Estamos tendo que readequar muita coisa, economizar onde dá.” E essa é a situação de uma das entidades que mais receberam recursos arrecadados em shows on-line até agora. O hospital de Barretos já tinha um relacionamento próximo com astros do sertanejo: há até um pavilhão com o nome de Chitãozinho e Xororó. Por isso, acabou virando foco das lives de vários artistas do gênero. Outra campeã de arrecadação é a Central Única de Favelas (Cufa). A instituição lançou em abril o projeto Mães da Favela, para ajudar no sustento de moradoras de comunidades, que perderam suas rendas por causa da pandemia. Em pesquisa feita pelo Data Favela e divulgada em abril, nove em cada dez mães moradoras de comunidades de todo o país disseram que teriam dificuldades para comprar comida após o primeiro mês sem renda. Dia das Mães: a vida das 11 milhões de brasileiras que criam os filhos sozinhas Com base nesse dado, o objetivo da Cufa é destinar uma bolsa mensal de R$ 120 a mães em comunidades. Mais de 25 mil mulheres já receberam o auxílio. Nesta semana, o projeto chegou à marca de R$ 10 milhões arrecadados, com a ajuda de lives e outras ações, segundo a instituição. Só o Dia das Mães, com ajuda do show de Emicida, cuja transmissão durou oito horas, gerou R$ 800 mil em doações para a causa. As cenas de 'lives' da quarentena que já estão na história do entretenimento brasileiro
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